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18/dez

Hoje o post tem uma carinha diferente, sem contar que ele está mega atrasado. Final de ano e correria no job fizeram com que o blog ficasse na mão por quase duas semanas. Nada como um update para remediar essa situação.

 

No mês passado, participei pela segunda vez do NaNoWriMo (National Novel Writing Month) e, com muito orgulho, consegui completar as 50.000 mil palavras exigidas para vencer o desafio. Juro que não sei de onde tirei coragem para chegar até o fim, pois fiz tudo a passos de tartaruga. Porém, aprendi que escrever em primeira pessoa não é tão ruim assim e agora entendo melhor porque muitos autores preferem partir desse ponto de vista. Afinal, é muito mais rápido e prático olhar para a história por intermédio de apenas um cidadão.

 

Quando o mês de novembro chegou, eu tinha 3 opções de plots. Como eu sabia que só poderia sentar e escrever no primeiro final de semana de novembro, tive 5 dias para pensar e me organizar, o que fez das minhas viagens de ônibus e de metrô um tanto quanto mais pensativas que o normal. Quando participei do NaNo no ano passado, a minha estreia foi de última hora e eu não tinha uma história em mente. Simplesmente escrevi, segui o rumo e completei as palavras. Porém, não gostei do resultado. Não pela história ter ficado sem pé e nem cabeça, um detalhe altamente perdoável quando você tem 30 dias para completar 50 mil palavras, mas foi porque não gostei do plot da minha protagonista. Não é à toa que nem tive coragem de reler, mas não deletei porque é um dos meus raros momentos de esforço.

 

Como disse, tinha 3 opções em mente e comecei a testá-las no celular. A única certeza que eu tinha é que queria que a história fosse escrita em primeira pessoa e que fosse um personagem masculino. Essas eram as minhas maiores exigências. Podia ser do gênero fantasia, drama, comédia, o que fosse, mas eu me desafiei a escrever dessa forma por querer entender qual é a graça de produzir uma história assim, condenando-a a apenas um ponto de vista. Sem contar que, no quesito leitura, é a maneira da qual não sou muito fã, pois gosto do narrador intruso.

 

A longa jornada no NaNo deste ano ajudou a mudar meu conceito sobre escrever em primeira pessoa. Eu senti algumas dificuldades iniciais, como fechar minha mente para apenas 1 ponto de vista, sendo que sempre escrevi em terceira pessoa, por vezes, com pontos de vista múltiplos. Ao longo da minha leitura de distopias, das quais tenho as minhas favoritas, ainda defendo que as autoras/autores deveriam se dar a oportunidade de colocar o foco narrativo em terceira pessoa, ainda mais quando o assunto é fantasia, como acontece em Harry Potter. Amo Jogos Vorazes, mas acho que a história teria mais potencial se alguém mais recebesse destaque, pois há momentos que é difícil não se distrair com a narrativa pesada da Katniss. Isso é apenas uma opinião que não muda o fato da trilogia de Suzanne ser maravilhosa.

 

Adendos à parte, sentei na minha desconfortável cadeira e comecei a escrever. Ao menos, tentei, pois reescrevi o primeiro parágrafo dezenas de vezes. Ao mesmo tempo em que começava a me dedicar ao NaNo, eu relia Em Chamas, o que me ajudou muito na hora de me posicionar e pensar como uma única pessoa. Eu estava sozinha, meu personagem e eu, e não haveria suporte de outros e nem saberia da vida de mais ninguém. Esses itens quase me fizeram desistir, pois, como disse, sou narradora bisbilhoteira. Depois de dois capítulos, comecei a me sentir mais confortável e me vi apaixonada pelo protagonista, pela narrativa e pelos outros poucos personagens.

 

Porém, nem tudo foi mágico. Peguei-me várias vezes tentando expandir a trama para outros pontos de vista. Tentei fazer como Stephenie Meyer e dar voz para a outra personagem, mas percebi que não faria o menor sentido e não seria funcional. Acredito que tudo se tornou mais fácil porque escolhi uma voz masculina e meninos, geralmente, não têm o mesmo peso dramático que uma menina – que pode condenar a história inteira se for excessivamente chatinha ou impertinente. Ao chegar nas 50 mil palavras, digo que entendo o John Green e tantos outros autores que optaram em escrever em primeira pessoa.

 

O que eu descobri escrevendo em primeira pessoa é que, quando se trata de romances/dramas/comédias que sejam adolescentes/adultas (minha temática do NaNo), um ponto de vista rende mais, pode até ter uma entonação melhor e dá para intensificar muitas coisas. Porém, é preciso criar um protagonista cativo. A parte boa da minha lição de casa é que foi notável o fato de não haver tanto espaçamento, pois não precisei de tantos locais para ambientar a história. Inclusive, é possível se contentar com 3 personagens na trama. Fazer essa descoberta me ajudou a não ser mais tão ranzinza com livros em primeira pessoa, mas continuarei chata quando o gênero é fantasia, porque no meu mundo ele precisa ser narrado em terceira pessoa.

 

O que mais me surpreendeu é que eu vi o desafio que impus a mim mesma além das exigências do NaNo. Eu sou defensora de criticar algo quando se entende do assunto e eu só fazia isso quando o assunto era “narrativa em primeira pessoa” por causa dos livros que lia e que me deixavam a sensação de que faltava algo. Eu ainda acho que Stephenie Meyer ajudou o estilo a ser mais popular, pois todos os livros YA que se seguiram vieram com os mesmos moldes. O que essa turma se esqueceu é que nem sempre a narrativa em primeira pessoa funciona. No caso de As Vantagens de ser Invisível e A Culpa é das Estrelas, ambas as obras tiveram um efeito muito impactante por não exigirem todo o peso e a influência que há no gênero fantasia que é um perfeito quebra-cabeça.

 

Essa foi uma das maiores descobertas que fiz quando escrevi em primeira pessoa. Meus dedos demoraram muito para se sentirem confortáveis, mas logo na segunda semana a história fluiu melhor e eu me apaixonei pelo meu personagem masculino. A trama não exigiu demais, tem uma entonação que, quando tinha dúvidas, conseguia resolvê-las ao buscar conselhos em algum título que tivesse esse foco narrativo para dar uma vasculhada na estrutura da história. No geral, tive um resultado que excedeu minhas expectativas.

 

Porém, ainda defendo a terceira pessoa, por mais que seja um modelo que me deixa estressada por pedir detalhes, por vezes, em demasia. Gosto de ver meus personagens falarem, mas a experiência de dar a oportunidade para um cidadão fazer isso foi realmente muito incrível. Nem acredito que completei 50 mil palavras desse jeito, pois não tinha muita crença de que conseguiria chegar até o final. Fui abatida por um senso de preguiça imenso e, como não gosto de deixar nada sem terminar, me peguei escrevendo 10 mil palavras por final de semana, o que me trouxe uma tendinite das trevas e um mau humor tremendo.

 

Da mesma forma que no ano passado, eu não defini nada. Sou dessas que começa a escrever por vontade e nunca tenho anotações, a não ser no caso do WP porque exige e muito. Sou esquecida, ué! A época de fanfics me ensinou a escrever com feeling e ir conforme a história me guia. Foi exatamente isso que aconteceu, mesmo sendo em primeira pessoa. O máximo que defini quando avancei bastante, além dos nomes dos personagens, claro, foi que tipo de cultura eles estariam imersos e eu não poderia ter sido mais amiga ao escolher uma época que entendo de letra.

 

Acho que o melhor aprendizado que tiro é que dá sim para escrever em primeira pessoa e acho que é mais funcional em romances e, no caso, em histórias voltadas para YA, mas sem todo aquele plano de fundo cheio de feitiços, por exemplo. Mas isso depende muito de quem escreve e pode funcionar maravilhosamente bem. No meu caso, John Green não está errado em dar espaço para os meninos complexos em primeira pessoa, mesmo achando que a melhor personagem dele é a Hazel, sem mais.

 

Ao contrário do ano passado, estou mais satisfeita e senti que amadureci minha escrita. Depois de passar 1 ano escrevendo de forma ininterrupta e intercalando a revisão do WP, percebi o quanto aprendi sozinha em meio as minhas histórias sem pé e nem cabeça.

Stefs
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