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08/dez

Por se tratar de uma época em que os seriados começam a entrar em hiatus, The Vampire Diaries resolveu nos apresentar com mais detalhes sobre o que é e como funciona Augustine. Afinal, não há mais plot a não ser esse. Quem nos guiou foi Damon, o personagem que ficou nos holofotes e que levou o episódio até o fim em meio a uma narrativa muito pastosa. Desde que vi a promo, só pensei em uma única coisa: tentarão fazer o vampiro um bom samaritano só porque ele está com Elena. A tentativa foi otimista, verdade, mas não tem como remediar Damon. Ele não tem o melhor histórico pessoal e, se a ideia foi mesmo torná-lo mais agradável, como um pobre sofredor que também tem um passado horrível e distorcido, para mim foi uma dose de sonífero. Afinal, não é novidade para ninguém que o vampiro não valia nada. Por isso, não fiquei surpresa em nenhum momento.

 

Wes foi o personagem que conseguiu se destacar além das paredes do laboratório e a cada passo que ele dava só ficou claro o quanto ele é insano. Augustine é praticamente uma seita que teve como primeiro líder o Dr. Whitmore, o homem que nomeia a universidade. Se não bastasse um doutor maluco, os integrantes eram membros do Conselho, como os Fell, os Gilbert e os Salvatore. A história do passado colidindo com o presente foi até que intrigante, especialmente com os lances dos experimentos e das diferentes motivações no tratamento de vampiros-cobaias: Dr. Whitmore queria entender as células de cura deles e Wes, o último herdeiro ao lado de Aaron, quer fazê-los se alimentar da própria espécie. Volto a dizer que achei bacana a ideia atual da Augustine, ainda mais quando se tem no grupo uma galera que assinou a favor da extinção da vampirada.

 

Posso dizer que gosto mais de Wes agora, pois a personalidade dele começa a ser explorada de um jeito minucioso. Ainda não há um motivo que pontue o comportamento do pesquisador, mas é óbvio que é maluquice extrema. Ele é tranquilo e sacal sobre as próprias ideias mirabolantes, e isso ajuda a tornar as coisas mais interessantes. Ao longo do episódio, era muito fácil se perguntar o que Wes faria em seguida por ser obsessivo, lunático, maluco, ambicioso e obstinado no que faz. Eu não dava nada para o personagem, mas ele tem um mistério, um lado sombrio tão pesado que o torna envolvente e temeroso. Gosto de personagens que demonstram não ter medo de nada, como se o universo estivesse a favor deles o tempo todo, algo que a série sempre foi muito eficaz em apresentar desde a antiga faceta de Damon até Silas. Ser blasé com as próprias teorias é o que dá mais inquietação sobre Wes, pois nunca se sabe o próximo movimento do inimigo. Quando ele captura Elena, pirei, pois ela merece uma liçãozinha, vai. Quero vê-la dizer agora que ser vampiro é awesome.

 

Então que Damon foi experimento da Augustine, traído por um parente, e sofreu o que tinha que sofrer na mesa do Dr. Whitmore. O episódio já não foi uma maravilha e o flashback só ajudou a deixar tudo muito lento. Sem contar que a situação do Salvatore era óbvia demais: um amigo de cela; ambos se tornariam parceiros; Damon sairia e Enzo terminaria morto. Fim! Bem que tentaram fazer jogadinhas emocionais, especialmente quanto ao sofrimento de Damon, que narrou cada momento para Elena com aquela expressão nada convincente de tristeza. Eu nunca consegui ter dó do Salvatore, pois ele já foi moldado para não se ter pena dele. Eu me divertia com as sacadas do personagem, o jeito impertinente, detalhes que o tornavam sensacional.

 

De fato, nada apaga o que ele cometeu no passado e o flashback apenas ressaltou nuances do caráter do vampiro, como o desejo de vingança, o fato de pensar no próprio umbigo e a maneira como ele encontra solução para tudo ao resolver desligar a humanidade. Assim a vida fica fácil, né? Ao menor sinal de fraqueza e falta de coragem para enfrentar uma situação, ele simplesmente se desliga. Eu poderia sim ter ficado tocada com a amizade dele com Enzo, mas essa conclusão só aumentou minha infelicidade. Mas vou ser bem sincera: Damon era daquele jeito e agiu certo. Porém, as carinhas de piedade… Não, né?

 

O que me incomodou com relação ao Damon nem foi o fato dele ter largado Enzo, mas a autopreservação que não combina em nada com ele, só para não contar as partes tenebrosas da experiência em ter sido um vampiro Augustine para Elena. Ok! É uma atitude particular dele, como de todos nós, cabe a qualquer um o que quer ou não contar para alguém. Porém, o que sempre desejei para ele, ainda mais por estar finalmente namorando a Santa Gilbert, era um amadurecimento e isso não está acontecendo. Damon se cala com medo de que a namorada o despreze. Contudo, é uma via de duas mãos, já que Elena promete que o ama e que não o julgará, mas não consegue pisar com os dois pés e mergulhar de vez no relacionamento. O que diabos acontece? Elena sabe que o passado do namorado não é genial, não sei por que tantas reviradas de olhos, e ela sabe com quem lida no presente momento.

 

Eu não julgo tanto o Damon assim, só quando tentam fazê-lo um príncipe. No flashback, ele apenas me deu nostalgia do jeito que ele costumava ser: impiedoso e cruel, sentimentos intensificados pelo sumiço de Stefan e pela “morte” de Katherine. Ele era amargo, so what? O problema é que agora as coisas são muito diferentes e Damon, infelizmente, amoleceu. Eu queria que o vampiro mudasse por querer e parasse de tentar se moldar de acordo com as expectativas de Elena. Damon precisa entender que ele não é Stefan, ponto final. O que falta é ele esboçar algumas qualidades e aí falaremos a mesma língua. Fica cada vez mais claro que Elena vampira foi feita sob medida para conseguir ficar com Damon, pois a versão humana dela poderia até aceitá-lo, mas imporia limites. O casal mal compartilha cenas amorosas e, quando isso acontece, sempre tem algo ou alguém que os ofusca. Assim fica difícil.

 

Mesmo com o flashback, Damon deixou algo para pensar. Ele fez uma promessa audível que era se vingar de todos da geração Whitmore como também dos membros da Augustine para poder destruir a sociedade secreta. Ele revelou que matou os pais de Aaron e que cometeu uma morte recente enquanto vivia o verão da sua vida com Elena. Com essa revelação, comecei a pensar: na noite da fuga, ele matou boa parte dos componentes da sociedade secreta e, consequentemente, membros do Conselho de Mystic Falls. Daí, perambulando pelo Tumblr (vou dever o link, porque bati o olho no textinho no expediente e fiz a burrice de não salvá-lo), encontrei a seguinte teoria:

 

Damon chegou à Mystic Falls com a desculpa de um plano diabólico. Em tese, era o desejo dele em trazer Katherine de volta. Porém, ele estava na cidade quando aconteceu o acidente de carro dos Gilbert e quem estava na direção era Grayson. E se ele provocou essa reação em cadeia por estar empenhado na vingança que prometeu na cela da Augustine?

 

Faria sentido, não? Juro que revi a cena e essa teoria poderia muito bem se encaixar. Se a meta dos produtores é encontrar um motivo para desmembrar Delena, isso vai doer e muito. O que os Salvatore viram em Elena foi a semelhança com Katherine, mas, no caso de Damon, ele não sabia o sobrenome dela, não é? Então…

 

Elena estava chata como sempre e é fácil pontuar isso: a cara de pau em visitar Aaron. A cara de pau em dizer ao Damon que Stefan salvará o dia (tipo, ele é o Batman agora?). A cara de pau em dizer que não julgaria Damon e depois ficar com os olhinhos lacrimejantes de indignação ao ouvir que o namorado matou a família de Aaron. Como sempre, foi difícil engolir Elena, ainda mais quando ela tem sangue nas mãos e quer pagar de compassiva. O que eu aprendi com a personagem de novo foi: tudo o que ela fala, não condiz com as atitudes dela.

 

Pausa para teorizar!

 

Vou resgatar um dos momentos do episódio: Elena descobre que o pai fez parte da Augustine. Às vezes, sinto que esta temporada é algo a parte do que TVD é, pois parece que os personagens sofrem de blank out. Por que digo isso? Na segunda temporada, mais precisamente no 2×02, John Gilbert, o verdadeiro pai de Elena, nunca escondeu o asco por vampiros e, antes dele se despedir de Jeremy, ele fala com toda certeza do mundo de que Grayson também detestava a raça vampiresca. Sendo filhote de uma família fundadora, sabendo que o pai era um caçador de vampiro, qual seria a dificuldade dele ser um cientista maluco?

 

Volto a repetir meu argumento: Elena nunca quis ser vampira e não entendo o choque de saber que o pai poderia muito bem fazer parte de uma sociedade secreta para exterminar vampiros, considerando todo o background dos Gilbert. Ela age como se John não tivesse existido, o que torna toda a situação cheia de furos que não poderiam acontecer.

 

Novamente, a parte boa do episódio foi Stefan e Katherine na companhia da louquinha da Caroline, que estava chateadíssima com Elena – com toda razão –, mas que voltou ao repeteco de dizer que não gosta do Damon. Get over it, Caroline! A vampira me deixou curiosa com a ideia cabulosa de colocar Stefan de volta no cofre, uma investida corajosa por assim dizer, mas as cenas não me conquistaram. Gosto do Stefan e foi ótimo esse drama acabar, pois já estava saturado também. As coisas só melhoraram quando Katherine resolveu arregaçar as mangas. Posso dizer com todo meu coração que Kath tem sido a solução desta temporada de TVD? Ela ocupa o mesmo lugar de Klaus, sendo o único personagem fora do antro dramático e que rende as melhores cenas só por respirar.

 

Em meio às verdades de Katherine (o que foi ela com o diário, gente?), adorei o tapa de realidade que ela deu em Stefan, com direito a repetir o quote da semana passada. De fato, tocar no ponto do coração partido dele por causa da escolha de Elena demorou muito para vir à tona. A parte boa é que o Salvatore se recuperou e compensou Katherine da melhor maneira possível: dormindo com ela. Bem que o ditado diz que encontramos apoio em lugares inesperados, não é? Sei que Katherine não foi a pessoa mais digna do universo, mas, o que a torna especial, é o fato dela nunca ter escondido as tranqueiras que ela fez na vida, ao contrário de Damon que ama fazer, mas não gosta de contar e quer que todo mundo tenha piedade dele.

 

Na primeira aparição humana, Kath afirmou que é esse o tipo de coisa que gosta de fazer, e ela deu uma melhorada na maneira de pensar por não ter mais o vampirismo para se apoiar. Kath e Stefan são os deslocados da trama, com assuntos importantes para lidar, pois isso tem a ver com o amadurecimento deles. Isso torna a junção Steferine conveniente para o momento. Não quero que eles se amem, pois não faria o menor sentido. Afinal, ela acabou com o Tefinho, né? Nada de masoquismo sentimental! Se essa é a forma de Stefan seguir em frente, que assim seja. Antes Katherine que Caroline, por favor!

 

Adendo: por que Caroline tem que contar tudo para Elena? Ela não estava boladinha com a amiga? Sabe o que a Santa Gilbert vai fazer quando descobrir que Stefan e Katherine dormiram juntos: como você pode ter feito isso, ela tentou me matar, mimimi!

 

Aaron cresceu bastante neste episódio e o coração partido por causa de vampiros me fez lembrar um pouco do Matt (cadê ele afinal?). Wes foi muito sacal com ele, empurrando goela abaixo a herança Augustine. Com a revelação de Damon, as coisas mudaram, mas não sei se o personagem tem cacife para ser, ao menos, vingativo em nome da família. Porém, se explorarem de uma maneira dosada, acho que Wes e ele podem dar uma animada na série.

 

Comentários finais: Bonnie e Jeremy confirmaram que não fazem a menor falta, até porque ninguém precisa de bruxa e de caçador. Mesmo tendo Damon como a figura principal, tudo foi muito lento e parado. Se a tentativa era fazer uma trama impactante, quem foi o responsável por isso foi Wes e não Damon.

 

E o que Enzo faz vivo, minha gente? Acho que alguém vai dar uma lição no amigo de cela.

Stefs
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