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19/dez

Por: Karla Kélvia

 

Falar sobre inspiração sempre me leva a uma viagem aos lugares mais visitados da minha alma. Eu sempre acreditei que a gente pode e deve seguir os próprios sonhos, a própria intuição e ser e fazer aquilo que o deixa mais confortável.

 

Quando era criança, coloquei na cabeça que queria ser advogada. Admirava a profissão, criei uma fantasia enorme em torno da figura poderosa e determinada da advogada de renome que eu seria. O erro partiu do fato de que, mesmo escrevendo, lendo e desenhando feito louca, seguir com carreiras que trabalhassem mais com isso não eram cogitadas. Cheguei ao fim do Ensino Médio e prestei Direito. Não passei, mesmo tendo sido excelente aluna a vida toda.

 

Na mesma época em que tentei Direito na federal, passei na estadual em… Letras. E adivinhem: não, eu não quis fazer o curso. Preferi encarar mais um ano massacrante de estudos em um cursinho para tentar Direito, e foi aí que o destino me pregou uma peça: rompi os ligamentos do tornozelo direito. Foi horrível, doloroso de todas as formas, e eu joguei tudo pro alto (mas, para ganhar uns trocados, dava aula de reforço em casa).

 

Então, dois anos depois, voltei a estudar, desta vez para Jornalismo. De novo, mesmo com 22 anos, criei uma fantasia, e não ouvi a vozinha na minha cabeça que me dizia que, apesar de amar livros, de ter um dom natural para ajudar, ensinar e gostar de crianças e de saber lidar com adolescentes, eu ainda insistia em não ser professora. Mas, como se estivesse duelando comigo mesma, decidi prestar de novo vestibular na estadual para Letras Português, “só para garantir”.

 

Aí, não passei em Jornalismo, mas passei em Letras. Eu não iria repetir o mesmo erro de antes, e embarquei em um primeiro semestre em que eu me encontrei (apesar de ter encarado latim, que eu detestei rsrsrs). Com o passar do tempo, vi que a faculdade que finalmente abracei foi a escolha mais certa que poderia ter tomado. Eu adoro o que faço, o que acho que já é maravilhoso, pois não vou trabalhar mal-humorada por encarar um trabalho que eu detesto. Eu gosto muito quando vejo que uma criança sabe ler e através daquilo descobre um mundo novo, gosto quando meus alunos se interessam por um livro ou poema que eu recitei, quando eles me dizem que se saíram bem na prova porque lembraram o que eu disse.

 

Claro, tem dias que é estressante, cansativo, repetitivo… Eu trabalho em três lugares diferentes para levantar uma grana legal, ouço palpites e leves ironias dos outros sobre como ser professora deve ser ruim, e sei o quanto somos pouco valorizados na nossa cultura, mas as coisas boas são maiores que tudo.

 

Portanto, inspiração, no meu caso, é isso; eu adoro ser professora de Português. Tentei driblar o destino, a vocação e meus interesses desde sempre, mas tudo estava lá, pronto para desabrochar quando eu me decidisse. Se eu tivesse que aconselhar alguém, eu diria: dê tempo a si mesmo, escute o seu coração e o que faz você feliz. Ser professora me deixa feliz, e é ótima esta sensação de ter me encontrado e de saber com certeza o que quero fazer!

Random Girl
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  • heyrandomgirl

    Eu lhe disse que me identifiquei horrores com este texto, especialmente por causa da parte de transição, pois segui o mesmo trajeto só que parei em jornalismo. É engraçado voltar no tempo e lembrar do desespero de querer ser alguma coisa e ignorar o óbvio, mas o que importa é abraçar isso, independente do momento. Fico mto feliz pelas pessoas que conseguem atingir esse gosto pelas coisas em determinado timing e são elas que me inspiram totalmente <3

  • Isis Renata

    não sabia desta históriaaaa Karla :)
    então quer dizer que você tentou fugir 2 vezes do seu destino/vocação
    e como as coisas voltam para nós quando é para acontecer, não é mesmo?
    veja você, prova viva de que somos o que somos e não adianta tentar mascarar com uma ou outra situação que as coisas não caminham
    que bom que você encontrou o 'seu, eu mágico' e que você nunca deixe de inspirar seus alunos
    parabéns e sucesso :*

  • Karla Kélvia

    Hum, como eu gostei desta experiência, prima!!!! Tomara que este texto possa ajudar outras pessoas a encontrarem sua vocação!