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08/jan

Eu lembro que a primeira vez que assisti ao piloto de Girls, não me senti atraída pela série. Sim, este foi o momento em que todo mundo que conheço ficou horrorizado e eu escutei muitas indagações dos motivos dos quais não segui adiante ou não morri de amores pela premissa, pelas personagens e pelo clima nova iorquino. Eu não afirmo com todo meu coração que odiei, porque é mentira. A verdade é bem simples: não fui incitada a continuar, mesmo tendo encontrado minha mais nova personagem favorita em apenas 3 minutos de cena. No caso, Hannah por causa das aspirações de ser escritora. A princípio, ela não foi o suficiente para que eu continuasse e assistisse aos demais episódios e, dois anos depois, estou aqui fazendo este post.

 

Nas minhas férias, minha irmã me colocou de castigo. Ela me obrigou a ficar sentada no sofá até assistir todos os episódios da primeira temporada de uma vez só, apenas com pausa para ir ao banheiro. O engraçado é que a sacana ficava me espiando para notar minhas reações, basicamente como os gifs abaixo (créditos ao Tumblr Como eu me sinto quando…):

 

 

Mesmo com a pressão, o piloto continuou a ser só legal. Fiquei com a mesma sensação de dois anos atrás, mas persisti e assisti aos 10 episódios da primeira temporada em uma tarde de domingo. O resultado: uma nova série para amar, sem medo de ser feliz.

 

Girls não é uma série tão novinha assim. O piloto estreou em 2012, tendo como criadora, roteirista, diretora, produtora e afins Lena Dunham que interpreta Hannah, a personagem central que desencadeia os outros plots. O seriado veio ao mundo com a proposta de abordar o lifestyle de garotas mais “reais”, dando atenção para a fatia de jovens que não se sentiram representadas nos hits Sex and the City e Gossip Girl. A faixa etária dos personagens é de 20 e poucos anos, ninguém é podre de rico para gastar toda a grana que tem nas lojas de grife e ninguém sabe o que quer da vida. No geral, Girls dá ênfase às pessoas que se formaram na faculdade (ou não) e não têm ideia do que fazer logo em seguida.

 

Hannah é a personagem principal e minha favorita pelo simples fato de ser aspirante a escritora, como bem disse no começo deste post. O piloto abre com ela sendo “deserdada” pelos pais, que não pretendem mais lhe dar ajuda de custo com o intuito de fazer com que ela se vire. Se esse fosse o único problema da personagem, tudo bem, mas Hannah tem o vício de fazer escolhas erradas, tanto no âmbito profissional quanto no amoroso. Adam figura como o garoto que dá aval ao romance distorcido que começa como um booty call e se torna um amorzinho que dá vontade de apertar.Para ajudar a animar a série, Marnie (ela é tão chata, mas tão chata!) figura como roommate e melhor amiga de Hannah. A garota é a musa perfeita, com o relacionamento que na mente dela dará em casamento e é arrogante por achar que tem a segurança financeira que a faz a melhor pessoa do universo. Para deixar o quarteto ainda mais inusitado, temos Jessa que não passa de uma andarilha, sem amarras e que faz o que bem entende, e Shoshanna que vive no mundo da Alice.

 

Só na primeira temporada, Girls foi ovacionada pela crítica e não poderia ser para menos, pois Lena tem um histórico respeitado no circuito independente e a HBO, tendo apoio de Jud Apatow – produtora executiva da série –, manteve a proposta de “garotas realistas”. Tudo bem que a série tem lá suas falhas, como o fato de Hannah não comentar nada sobre a falta de dinheiro e ainda conseguir rachar de uma maneira sobrenatural o aluguel com Marnie e, mais tarde, com o ex-namorado Elijah (ele é sensacional, inclusive). Ela simplesmente não surta, um detalhe que pode sim incomodar.É possível questionar também como Jessa consegue viajar e quem banca os mimos de Shoshanna, mas são meros detalhes que podem passar batidos se você tem o intuito de curtir uma ótima série e não pagar de cri cri para cima dela.

 

O que pontuo de importante sobre Girls é a facilidade de se identificar com as personagens por causa das personalidades fortes que as fazem se destacar uma das outras com extrema facilidade. Porém, todas se assemelham no quesito insegurança. Hannah terminou em pânico por não conseguir escrever um livro que lhe rendeu novas crises de TOC, Marnie acabou demitida, Jessa nem sabe o que quer da vida e Shoshanna é a princesa na redoma de vidro. É muito fácil se identificar com elas, o que acarreta na proximidade incrível entre personagens e telespectadores.

 

Girls relata uma rotina muito próxima do que acontece na vida real, com obstáculos possivelmente comuns a qualquer um. Quem é que nunca teve dúvidas quanto à carreira? Quem é que não surta com as dívidas? Quem é que não quer seguir a vida sem laços familiares? Quem é que não quer conquistar os próprios sonhos? Isso me encantou e ficou muito fácil amar o seriado depois que o piloto acaba. A premissa se apoia em personagens não tão originais, mas que possuem instintos palpáveis e que tentam ser um retrato da maioria das garotas que estão perdidas nessa faixa etária. Aquelas que foram esquecidas nos seriados adolescentes que apresentaram a premissa de luxo que nem todos os jovens usufruem. O quarteto transmite a sua mensagem distorcida e confusa em meio a ideias que são cabíveis com os dilemas desse público-alvo, bem como pensamentos e anseios de uma galera que pertence à casa dos 20 e poucos anos. Ao retratar garotas nada luxuosas, tudo perambula em torno das crises pessoais, onde ninguém sabe ainda o que quer, mas idealiza para onde se quer ir.

 

Mesmo com plano de fundo em Nova York, não espere carros conversíveis e desfiles de moda. Espere para conhecer uma nova parte da cidade mais badalada dos Estados Unidos que não relembra em nada o luxo da vida de Blair Waldorf. Em Girls, você curte raves e baladas, e prefere Oxfords aos Louboutins. Por falta de grana, claro! Não espere que os garotos lembrem Nate Archibald, pois eles são tão comuns e pacatos quanto às garotas, mas não perdem no senso de humor. Para completar, o cenário é rodeado por cafés e brechós, o que dá um pouquinho do toque vintage ao seriado.

 

Ao passar do piloto, encontrei uma nova série que fala comigo, que me representa, que pontua meus anseios. Digo isso porque estou na faixa dos 20 e poucos anos, já em crise, enfrentando novos desafios. Eu acreditei durante muito tempo que meu animal spirit era o Carson de Struck by Lightning, o que não deixa de ser verdade, mas Hannah se revelou minha perfeita alter ego, uma personagem inspirada nas experiências da própria Lena.

 

Em Gossip Girl você viu a juventude rica de Nova York e em Sex and the City você viu mulheres acima dos 30 anos sendo bem-sucedidas. Em Girls, você verá um grupo de meninas que estão na luta por algo que ainda não dá ainda para visualizar muito bem, que querem ser reconhecidas por aquilo que amam fazer e que querem brilhar, sem perder a personalidade. É um seriado de garotas que batalham de um jeito destrambelhado para realizarem seus sonhos de uma maneira divertida, única, original à sua maneira e extrovertida.

 

A parte boa é que a terceira temporada começa no dia 12 de janeiro. Estou ansiosa!

Stefs
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