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06/jan

Fazia muito tempo que não ia curtir uma exposição e nada como Stanley Kubrick para servir de motivação. No último sábado, dei uma passadinha básica no MIS – Museu da Imagem e do Som de São Paulo para conferir de pertinho a trajetória de um dos meus diretores de cinema favorito. Para quem não se lembra, comentei aqui no blog dois anos atrás que essa exposição rodaria o mundo e, quando foi confirmada a passagem no Brasil, não me contive e pulei em círculos. Afinal, uma grandiosidade dessa em território nacional sempre é uma surpresa e tanto, com muitos motivos para comemorar.

 

O valor da exposição é inestimável e eu, como fã e admiradora, não saí decepcionada. Era tanta coisa maravilhosa para apreciar que foi muito difícil pensar e analisar se faltava alguma coisa – além da presença do Kubrick que causaria um AVC em todo mundo, claro. Cada espaço do MIS foi ocupado pelos projetos cinematográficos do diretor e deu para notar como o planejamento foi extremamente meticuloso. Os visitantes foram muito bem guiados por uma “trilha”, pulando de cortinas em cortinas, recebendo as boas-vindas por meio dos cartazes dos filmes que davam a indicação do que estaria por vir.

 

A partir disso, o cenário se abria, recriado, com uma grandiosidade que foi um deleite aos olhos de qualquer admirador de Kubrick. Um trajeto de arrancar suspiros e exclamações, sem dúvidas.

 

Os longas que marcaram a carreira do diretor receberam mais atenção, com recriações detalhistas do cenário, dando destaque para artefatos que foram importantes e mais marcantes em cada filme e/ou personagem. Dentre eles, vale mencionar Lolita que ganhou um espaço bem apertado e decorado com o famoso óculos de coração, a marca registrada da personagem, cujas lentes serviram para a transmissão do filme. Além disso, havia um divã pink para deitar e rolar. Uma Odisseia no Espaço também recebeu a devida atenção e o cenário conseguiu transmitir a sensação de planetário, uma nave com teto côncavo para dar a alusão espacial.

 

O cenário de Laranja Mecânica foi uma das partes mais enriquecedoras, justamente por ser a obra de referência de Kubrick. Com inscrições do Moloko nas paredes, as estátuas nuas e amedrontadoras estavam presentes, mas nada foi mais incrível que a junção de vários televisores que transmitiam trechos do filme sob um teto espelhado. Tudo para causar aquele efeito entorpecente que Alex passa no tratamento para se curar da sua perversidade.

 

O figurino original de um projeto que é referência cult estava bem protegido por uma redoma de vidro, como também outros detalhes importantíssimos do longa. O que me fez dar saltinhos foram os recortes de jornal usados no filme, onde a trajetória de Alex figurava como pauta principal dos grandes tabloides.

 

Parte da maquete do labirinto, armas originais usadas no filme e o suéter do Danny
Figurino original das gêmeas e a máquina de escrever do Jack

 

O Iluminado também ganhou uma atenção especial e teve até fila para entrar. Era praticamente um espaço isolado, próximo do final da exposição. Quando passei pelas cortinas eu quase tive um piripaque do Chaves, pois a cena do corredor do hotel estava simplesmente diante dos meus olhos. Assim, totalmente! É nesse momento que a exposição mostra também seu poder interativo, pois os visitantes tiveram a oportunidade de abrir as portas de cada quarto para descobrir o que havia atrás delas.

 

Mesmo que eu e minha guia de turismo (person linda!) esperássemos as gêmeas saltarem como na noite do terror do Hopi Hari, essa pegadinha não aconteceu e nos contentamos com o figurino original que deu arrepios como se ambas estivessem presentes. Nem preciso dizer que deu vontade de dedilhar a máquina de escrever do Jack, né? Meu sonho de consumo é uma daquelas, digo logo!

 

A exposição deu a chance para os visitantes se sentirem como personagens de cada filme assinado por Kubrick, com saltos entre o tempo e o espaço. Além dos cenários recriados, ainda deu para apreciar – e muito – fotos de produção, stills de promoção dos filmes, cadernos e mais cadernos de anotações – alguns eram liberados para serem folheados, como o referente ao O Iluminado que tinha inscrições e rabiscos nas páginas do livro assinado por Stephen King – objetos e figurinos originais e uma leva de informações de deixar qualquer um de queixo caído. Posso dizer que queria roubar o Oscar de efeitos especiais que Kubrick ganhou por Uma Odisseia no Espaço? O homenzinho parecia bem real, uma pena que estava a prova de furto (quem lê pensa que eu roubaria mesmo, socorro!).

 

Além de oferecer um teor de apreciação altíssimo, a exposição de Kubrick deu um novo olhar sobre como era difícil fazer cinema com tão pouco naquela época. Os storyboards e as ilustrações remetem a trabalhos que exigiram esforço, algo contrário ao que acontece atualmente, pois temos tecnologia de ponta. Um trabalho feito à mão sempre tem um valor a mais, sem contar que é sempre incrível ver os limites que um artista ultrapassou para apresentar suas ideias. Os rabiscos de Kubrick serviram de lição de casa e de um lembrete para mensurar e mostrar o quão trabalhoso foi destrinchar cada projeto, bem como a dedicação do diretor que foi notada em cada parte da exposição.

 

Ao estar diante dessa grandiosidade, era impossível não se sentir em um túnel do tempo do cinema, um lembrete de como as coisas eram realmente feitas, com a exigência de um trabalho braçal vindo de uma equipe enorme e, por vezes, com baixo orçamento. Foi uma exposição completa, um perfeito recontar de uma história de sucesso.

 

Para ver mais fotos, basta fuçar o Tumblr.

Stefs
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