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11/jan

Desde a Era Twilight, retratar vampiros se tornou um tabu. Alguns afirmam que a temática saturou, outros afirmam que é superestimado e há outros que continuam a amá-la, mas fazem uma seleta lista de materiais que possuem contos vampirescos condizentes sobre uma figura legendária. Nem é de se espantar que a grande maioria ignora o trabalho de Stephenie Meyer que, por mais que tenha feito sucesso devido à uma fanbase muito forte, ela tentou ser diferente e não deu tão certo assim. Edward brilhar foi o suficiente para que a escritora se tornasse vítima de chacota, mesmo com milhões no bolso e um fandom bem fiel. Sem contar que a defesa que a maioria das pessoas usa para ganhar discussões que colocam Twilight como pauta é citar Entrevista com o Vampiro, livro de Anne Rice, adaptado para o cinema em 1994.

 

Mas o que isso tem a ver com o post de hoje? Esse breve comentário sobre um dos meus filmes favoritos deve-se ao diretor Neil Jordan que depois de uma temporada fora do universo vampiresco, retornou com esse tipo de trama ao assinar a dica de filme de hoje, Byzantium. Filmado em 2012, trata-se de um longa que tem como protagonistas duas vampiras, Clara e Eleanor, mãe e filha, que migram de cidade em cidade à procura de refúgio para se proteger de uma irmandade formada exclusivamente por homens que as perseguem, basicamente, por 200 anos (isso do ponto de vista da Eleanor).

 

Clara é a mãe intransigente, se é que podemos chamá-la de mãe, pois ela usa o título de irmã quando anda na companhia de Eleanor. Para ganhar a vida, a mulher se prostitui, não por ser uma obrigação, mas por ser o tipo de trabalho que ela acredita ter nascido para fazer. Isso não é bem verdade, pois é revelado que ela foi corrompida quando ainda era humana e, pior, uma criança. Por causa disso e da necessidade de proteger a filha, Clara é maluca e impulsiva, o que a faz matar com extrema facilidade. Em contrapartida, Eleanor é a vampira dócil que não gosta de ser o que é, que vive em um mundo particular e que escolhe a dedo as pessoas que lhe servirá de alimento. Nesse caso, aqueles que já estão no final da vida.

 

Tudo parece lindo e clichê, até a irmandade alcançar os calcanhares delas, o que acarreta em mais uma fuga, onde ambas encontram o ingênuo Noel, dono do hotel Byzantium, o ponto de partida desta história.

 

O hotel logo vira um bordel liderado por Clara. Enquanto ela administra o novo negócio, Eleanor fica na penumbra, escrevendo, mas a impressão de uma nova vida pacata logo se derrete. Clara é dominadora e não consegue controlar os passos de Eleanor que acaba por fazer o pior: conta a verdade sobre o que é para Frank, um menino que ela conhece em meio aos passeios noturnos. Com esses embates acompanhados dos flashbacks, Byzantium se desenrola em duas partes: a vida atual das vampiras e o que elas passaram no passado. A irmandade é apenas o estopim que as move século após século, com a mesma promessa de matá-las.

 

Mesmo com o histerismo de Clara, Eleanor se destaca por ser a narradora da história. A maneira como ela relata a saga das duas personagens e o background muito bem filmado por Jordan, faz o filme encantador e fácil de se apaixonar. É um conto vampiresco que instiga e choca, especialmente com o que acontece com Clara. Somos guiados a um passado complexo, que reconta o que as duas sofreram até serem transformadas, tendo como bases a luta pela sobrevivência e a lealdade.

 

Por outro lado, Byzantium é um filme que tem mais de duas horas de pura lentidão. Por isso, é preciso ter paciência para capturar os detalhes e compreendê-los por inteiro. Quem gosta de histórias de vampiros, esse é motivo suficiente para conferir o longa. Sem contar que Jordan pode servir para incitar a curiosidade, pois ele fez um bom trabalho em Entrevista com o Vampiro. Quem gosta da atmosfera gótica e sombria, não vai ficar chateado, pois esse é um dos pontos fortes do filme. Por ter uma trama arrastada, espere informações pertinentes soltadas pouco a pouco, como se fossem petiscos.

 

O bacana é que, dessa vez, a abordagem de Jordan sobre vampirismo foi totalmente contrária ao que estamos acostumados a acompanhar. Tudo bem que tem o plot batido de “mãe protege filha custe o que custar”, mas não há romance, nem cenas de sexo ao extremo e nem invenções que seriam vistas como absurdas (ninguém brilha, ok?). A escolha de duas mulheres como protagonistas deu a chance para Jordan focar e elevar a sensibilidade feminina ao ponto de não dar as personagens os famosos poderes sobrenaturais e até mesmo os caninos afiados. Elas possuem novas armas em meio a um vampirismo limpo (se é que soa adequado expor a ideia assim), pois não há carnificina. Ao invés disso, há muita classe e elegância.

 

Byzantium dá um novo ponto de vista no quesito vampirismo, fresquinho. Nem parece que Jordan ficou tanto tempo longe dessa temática, pois ele soube dosar todo o conjunto da obra meticulosamente. Há as referências góticas que são bem marcantes no flashback das vampiras, tendo como destaque o banho de sangue da cachoeira, um ponto de referência que indica a transformação de um humano em vampiro – que não acontece da maneira convencional. A fotografia é realmente muito incrível, com tomadas perfeitas da Irlanda.

 

O filme pode dar certo tédio, pois há uma demora significativa para a trama engatar. Quando a história ganha um gás, o ritmo se torna intenso, intrigante e tempestuoso devido aos conflitos do passado que rebatem no presente. Daí, você compreende que a lentidão é plausível. À primeira vista, dá para imaginar que Byzantium será uma experiência péssima. Porém, ele é interessante e muito detalhista. Jordan deu todas as informações para que a história se desenvolvesse sem furos e, quando menos se espera, você já está envolvido.

 

Confesso que quando comecei a assisti-lo não botava tanta fé, pois o início é arrastado demais e as expressões depressivas de Saoirse Ronan me fizeram quase odiá-la, mas isso não aconteceu. Ela consegue encantar e fazer tudo ser assistível. Mesmo com a lentidão, somos levados de primeira para um novo universo de vampiros que não deixou de ser sexy graças à personagem louca e impulsiva de Gemma Arterton.

Jordan não perdeu o toque sombrio ao voltar a dar atenção aos vampiros, algo que aprendeu ao adaptar Entrevista com o Vampiro. Vale sim conferir, mas num dia em que você esteja muito focado para não perder nenhum detalhe.

 

Para mais informações: Byzantium

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • Karohane Fonseca

    obg :)

  • heyrandomgirl

    Karohaneeeee <3 Então, o filme estreou nos EUA no ano passado e, de acordo com o Adoro Cinema, não tem nenhuma data por aqui. Ao menos, não ainda. Eu consegui assistir em torrent, já tem legenda, tudo bonitinho <3

  • Karohane Fonseca

    Despertou minha curiosidade, amo filmes de vampiros não importa se vão mais para o romance, ação ou terror, quando lança no Brasil?