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03/jan

Para começar o ano bem, nada como indicar um filme lindo de doer para dar uma animada no final de semana. Em meio à maratona de filmes quase diários com a minha irmã, e que sentirei muita falta porque as férias acabaram, eis que encontrei novos amores para compartilhar aqui com vocês e o primeiro escolhido é o longa A Datilógrafa. Para quem tem o DVD de O Lado Bom da Vida, tem o trailer deste filme e foi por causa disso que as Winchester se interessaram e nenhuma das duas se arrependeu.

 

A Datilógrafa (Populaire) é um filme francês de 2012 que conta a história da jovem Rose Pamphyle. Focado em 1959, a garota ingênua nos guia para uma época em que um dos muitos costumes era o fato da mulher se casar com quem não quer. Vivendo ainda com o pai, Rose apenas quer sair da bolha e resolve fazer uma entrevista do outro lado da cidade para tentar ser secretária. Sem talento algum, ela só consegue a vaga por datilografar muito rápido, o que chama a atenção do empregador Louis que tem toda aquela pinta de charlatão e pegador. Tudo parece perfeito, mas a personagem não se dá bem no cargo e, para mantê-lo, o chefe lhe propõe o desafio – e compromisso – de participar de um concurso que define a garota datilógrafa mais rápida não só da França como do mundo.

 

A partir disso, Rose começa a viver diariamente ao lado de Louis em meio aos treinos que são extremamente exaustivos. A aventura dos dois é cheia de altos e baixos engraçados, nada puxados para o dramatismo romântico, acompanhada de uma leve pitada de insinuações sexuais. Em meio ao caos da competição, a dupla precisa aprender com as diferenças para poder vencer.

 

Para quem gosta de filmes franceses, podem esperar desta comédia romântica uma fotografia impecável, figurinos inspiradores, um clima vintage e atuações dóceis e carismáticas. Simplesmente não tem como não torcer para Rose, especialmente quando ela se vê no drama de acreditar que não tem vocação para nada. O que Louis vê primordialmente nela é sua habilidade de datilografar e, na mente da jovem, não há nada melhor que possa fazer a não ser bater os dedos em uma máquina. Por isso, Rose se sente insegura em muitos momentos, justamente por não saber o que fará se não ganhar o concurso. Entre o amor e a competição, A Datilógrafa mostra que é possível unir dois sentimentos de uma maneira despretensiosa que influencia no apelo romântico certo, sem soar forçado. Claro que dá vontade de acertar uns tapas em Louis, especialmente por ele ser um acirrado competidor frustrado, mas Rose nos faz perdoá-lo.

 

A Datilógrafa traz a boa e velha mensagem de lutar por aquilo que deseja. Rose não quis ser dona de casa e se tornou uma estrela naquilo que domina melhor. Para uma mulher que vive nos anos 50, isso é uma honraria tremenda. Afinal, nessa época as mulheres estavam fadadas a viverem dentro do lar enquanto os homens trabalhavam. O filme faz um recorte mais honesto possível de um período em que Audrey Hepburn começava a ganhar mais destaque – o penteado da Rose é bem parecido com o da atriz – e Bonequinha de Luxo estava quase à espreita para consagrá-la ao lado de um aborrecido Truman Capote. Em uma década em que a mulher casava por conveniência e que ainda havia tabu sobre perder a virgindade só com o marido, Rose quebra todas essas regras e termina o longa independente e valorizada.

 

O que poderia ser mais uma comédia romântica que só traria possivelmente ao telespectador o plot de moça se apaixona pelo moço, a competição é a parte mais importante e emocionante, onde é possível sentir o calor do momento e dar muita risada. Com vestidos rodados, penteados de mocinha e óculos de grau de estilo gatinha, A Datilógrafa mostra mais uma vez porque filmes franceses sempre acertam dentro do gênero comédia romântica, preservando a inocência de maneira a prestigiar os protagonistas.

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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