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07/jan

Eu adoro contar minhas aventuras quando encontro e compro um livro novo e nada mais justo que continuar a narrar essa saga aqui no Random Girl. Hoje, em pleno Dia do Leitor, a indicação vai para Roube como um artista – 10 Dicas sobre Criatividade, livro assinado por Austin Kleon, que se encaixa perfeitamente na temática de inspiração que tanto amo, com uma pitada carinhosa de criatividade. Dessa vez, não foi a capa que chamou minha atenção, mas o título. Adoro qualquer obra que valorize o processo de criação e, ao longo da leitura, não demorei a inclui-lo na minha lista de “amados” do Goodreads.

 

Roube como um artista não é um livro de autoajuda. Para mim, ele se tornou minha mais nova arma para ativar a inspiração. Não há o imperativo de faça, acredite e aconteça, algo bem comum deste gênero, pois Kleon narra as experiências pessoais e não obriga ninguém a acreditar que as palavras dele são universais. O autor é aquele cara que seria uma ótima companhia por ser engajado com assuntos sobre criatividade e arte online, sendo figurante em grandes eventos como o TEDx. Ele parece ser uma pessoa tão legal que isso se refletiu em cada parágrafo do livro que foi esboçado em cartões antes de ter o formato impresso.

 

A partir do momento em que você folheia as páginas do livro, a paixão vem logo de cara. A parte ótima é que dá para lê-lo em 1 dia. Roube como um artista é dono de um extremo bom humor e é muito fácil torná-lo o conselheiro de cabeceira daqueles que sempre buscam o insight perfeito ou até mesmo um pouco de inspiração para algum projeto. Tudo porque a obra tem como foco instigar a vontade de criar e de dar foco ao que realmente importa, ou seja, ao que amamos fazer.

 

 

O ponto de partida da obra é dizer que originalidade simplesmente não existe e que trabalhamos com base naquilo que já foi feito. Isso quer dizer que furtamos ideias dos nossos artistas favoritos e fazemos um mashup, sem saber muito bem para onde o processo criativo nos levará. O livro já abre com a questão: de onde você tira as suas ideias? O que o artista honesto responde? Eu roubo.

 

Isso me fez pensar no universo Young Adult, onde a grande maioria das distopias segue o mesmo modelo de background: governo opressor, triângulo amoroso (ou não) e uma heroína badass para salvar o dia. Tendo a premissa de furto, cito Veronica Roth que me dá a certeza de que fez uma consultinha básica na trilogia de Suzanne Collins para se inspirar e montar o próprio universo de Divergente.

 

 

Se você acha que falo de plágio, não é isso não. Kleon dá respaldo quanto às diferenças entre furtar e plagiar. No primeiro, você une ideias e cria algo em cima daquilo. No segundo, você copia e cola, algo que Veronica não fez. Entenderam? Sendo assim, o segredo do furto, tendo o ponto de vista do autor, é buscar o diferencial com ideias que, possivelmente, já foram usadas antes. Até Rowling já revelou que teve como fonte inspiradora Tolkien e C.S. Lewis (e foi muito criticada quando anunciou isso) na hora de esboçar o universo de Harry Potter. Assim, tudo o que fazemos é um mexido daquilo que gostamos. Não é à toa que todo mundo tem um role model e se espelha nele.

 

Kleon apenas defende o furto para gerar ideias melhores. Há alguns manifestos que ele oferece como um meio para manter o processo criativo em alta, mas nada em torno de uma missa chata, com promessas incabíveis. Ele simplesmente reúne as principais dúvidas dos artistas aspirantes e as esclarecem de acordo com a própria experiência, sem condenar ninguém a fazer algo “porque ele diz que é certo”. Trata-se de um livro que tem como objetivo incitar o leitor a criar, qualquer coisa, desde que o faça feliz.

 

Além de dicas bem interessantes e divertidas, pontos mais delicados também são abordados como a necessidade que as pessoas têm de querer aprovação o tempo inteiro e, pior, de uma galera que pouco se importa com elas. Infelizmente, é uma realidade da qual vivemos, onde a grande maioria não faz nada porque ama, mas porque quer se aparecer e ganhar um grandioso número de likes. Isso se reflete em trabalhos e atitudes vazias. Em contrapartida, Kleon defende a valorização que os artistas recebem daqueles que chegam até o trabalho e o elogiam, sem pressão, sem compromisso de nada, o que gera proximidade entre aqueles que apreciam o mesmo tipo de arte dando como resultado o compartilhamento de ideias.

 

Opinião da Random Girl

 

 

Uma das partes mais legais do livro é quando Kleon diz que podemos fingir aquilo que queremos ser para conseguir alcançar o que desejamos com tanto afinco. Que mal há em se assumir escritor, desenhista ou cantor, sendo que ninguém depende de grandes empresas para expor o próprio trabalho? Outra parte muito bacana é a influência do mundo tecnológico e analógico no nosso cotidiano. O autor pontua que as pessoas se tornaram dependentes demais de computadores e da internet e não conseguem mais usar as mãos para fazerem um trabalho. Vocês não fazem ideia do quanto isso me deixou contente, pois sou uma pessoa que funciona a base do papel e da caneta. Não há nada mais feliz na minha vida (além de café, livros e filmes) que um monte de agendas, cadernos e post-its.

 

Roube como um artista não fala só sobre a ideia de fazer arte no quesito de ser um Picasso, pois também há um espaço para os aspirantes a escritores de plantão. A mensagem do capítulo 3 vem do velho conselho que muitos dizentes de experts literários afirmam ser a verdade universal: escreva sobre o que conhece. Kleon afirma que todo mundo deve escrever aquilo que se quer ler e eu assino embaixo. Essa ideia de colocar no papel só aquilo que supostamente entende é um apelo que mata o desafio, pois ninguém saberá os limites que se pode chegar se continuar preso a um tipo de gênero.

 

 

Esse conselho de “escrever o que sabe” sempre gera um ponto de interrogação na minha testa. Claro que defendo a questão gênero + afinidade, pois não é todo mundo que nasce com a habilidade incrível de criação de Tolkien, mas é importante fazer a arte que se gostaria de ver. Escrever ou desenhar aquilo que se aprecia também é uma forma de criar algo que talvez nunca foi dito ou visto, sem contar que torna tudo mais honesto.

 

Acredito que com base nas inspirações pessoais dá para desenvolver ideias originais e encontrar a própria voz. Roube como um artista é um livro puro amor que finaliza com a mensagem de conhecer a si mesmo para arregaçar as mangas, sair da cama e fazer aquilo que lhe apetece. Muitas pessoas ainda ficam na dúvida sobre o que realmente querem fazer da vida e há um espaço no livro que me fez voltar no tempo e relembrar dos textos que escrevi no trabalho sobre vocação e trabalhar com algo que ama. Isso está na rotina, não tem jeito.

 

A obra reacendeu essa chama de escrever que nem louca em mim e eu posso confirmar que Kleon não está errado ao afirmar que até mesmo aquilo que vemos como hobby pode ser a resposta para mudar muitos âmbitos insatisfeitos da vida. É preciso estar de olho nos sinais. Daí, deixo a pergunta: com o que você despende mais energia durante o dia?

 

Roube como um artista é um bom livro para quem precisa de empolgação para embarcar no processo criativo. E, claro, se inspirar muito e, quem sabe, agregar o arquivo de furtos para a vida. Ele já está na minha lista de favoritos e espero que o título figure na de vocês também.

 

 

Na Prateleira:

Nome: Roube como um artista – 10 Dicas sobre Criatividade
Autor: Austin Kleon
Páginas: 160
Editora: Rocco

Stefs
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