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14/fev

O post de hoje tem como intuito gerar uma reflexão sobre os comportamentos de qualquer fandom, inspirado em um artigo que me identifiquei logo de primeira. Usarei como bases de exemplos a minha experiência na comunidade de Harry Potter e de The Vampire Diaries, dois grupos que representarão o antes e o depois de um aglomerado de fãs ao longo do texto. Saibam que este conteúdo não tem como objetivo ofender ninguém, mas sim, de fazer pensar tendo como apoio alguns pontos do texto original que vocês poderão encontrar o link no final deste post.

 

Eu acho o fandom atual muito mais barraqueiro em comparação ao único do qual participei com muito afinco, no caso, de Harry Potter. Muitos dizem que determinadas comunidades são mais estressantes e desprezíveis que outras por causa do público ser formado, em grande maioria, por menores de 18 anos. Concordo com isso em parte, pois eu tinha 14 anos quando ingressei no universo HP e não era tão cabeça dura. Porém, é fato que a internet ajudou tudo a virar uma bagunça, pois a maior diferença entre a galera do final do século 20 com a que cresce em um conturbado século 21 é a eficácia de uma coisa chamada presença online. Uma presença que não é usada para fazer coisas úteis em grande parte do tempo. O acesso à internet conseguiu mudar e muito o comportamento das novas comunidades de fãs e os velhos como eu sentem isso com mais intensidade.

 

Ao longo dos últimos dois anos, comecei a observar com mais atenção o comportamento do fandom de TVD, especialmente a origem de tantos barracos desnecessários. Sim, é vergonhoso ver certos comentários e não é de se espantar que a fama dele é péssima, digna de um Framboesa de Ouro. Contudo, há aqueles que se salvam, como em qualquer fandom. Há sim pessoas de mente aberta que sabem pontuar sem brigar os prós e os contras de determinado assunto. Claro que a maior motivação para o barraco rolar solto é a guerra de shipper, mas o tenso é ver que a insatisfação se prolonga até atingir membros que pouco ligam para isso, aqueles fãs que amam algo e preferem se dedicar ao fandom dentro de uma bolha, sem necessidade de exibicionismo.

 

Daí, entra em cena o primeiro trecho do artigo chamado Why Fandom Can’t Have Nice Things? (Por que o fandom não pode ter coisas legais?):

 

“As pessoas na internet que reclamam sobre o andamento de um show irão odiá-lo, não importa o que eu faça. Então, não ligo para a opinião delas” — Seiji Mizushima.

 

Esse artigo se apoia no contexto de fandoms formados por programas de televisão que se dividem entre aqueles mais calmos e os entusiastas-pessimistas-que-colocam-defeito em-tudo. Essa fatia negativa tende a ganhar força quando o seriado tem uma vida de mais de 3 anos, especialmente se for voltado para o público jovem, como as séries da CW. As insatisfações de plot, geralmente acarretadas por causa de shipper, viram armas de guerra. É fato que no começo é tudo lindo, pois o seriado bomba, os produtores e o elenco vão aos eventos e atendem os fãs com grandes sorrisos, até que tudo morre por causa daqueles que acreditam ser donos da razão e mal sabem que são a causa de fazer o fandom desmoronar e perder o crédito. Dentre tantas comunidades que isso acontece, eis que TVD é um dos que mais se encaixa nessa categoria.

 

A vida útil de um seriado depende de empreitadas que dão certo e, se derem certo, dificilmente elas são alteradas. Um grande exemplo é Steven Moffat que tem noção dos haters e continua a cutucá-los para mostrar quem é o showrunner e quem manda em Doctor Who até ser demitido. O mesmo vale para Julie Plec que, por mais que tenha jurado ser Stelena, sabe que The Vampire Diaries precisa explorar outros caminhos, como dar mais atenção a Delena, independente se o fandom gosta ou não. Sem contar que a intransigência da comunidade acarreta no famoso fan service, ou seja, os produtores descalçam os sapatos e passam a atender os fãs, o que prejudica a qualidade do filme, da série, do livro, etc. Esse é outro detalhe que começa a acontecer de forma escancarada na quinta temporada (e atual) de TVD.

 

Mas por que isso acontece? Por causa de brigas e de cutucões desnecessários, especialmente quando envolve os responsáveis pelo seriado ou até mesmo pelo escritor que promete sei lá quantos volumes da mesma obra (e coloca shipper para gerar ainda mais caos). Isso aconteceu com Harry Potter, mas a diferença é que não tinha como encher o saco da Rowling via Twitter. Simplesmente a rede social não existia (o que aconteceu em 2006 e nem era popular no Brasil) e, digo para todos, como essa fase era ótima. Pena que a internet matou um ponto tão positivo no fandom que era a dificuldade de entrar em contato com o artista favorito, algo que acontecia por meio de cartas, e era simplesmente muito mágico.

 

Não me entendam mal, eu adoro o universo online, mas eu preferia que o fandom em si continuasse a trabalhar dentro da “época das cavernas da Websfera”, pois havia mais a sensação de comunidade. As pessoas se respeitavam mais. Hoje, todo mundo se acha incrível por fazer uma reclamação de 140 caracteres e, no caso do fandom, os extremistas simplesmente perdem o controle, o que queima o filme de todo o resto. Devido ao fácil acesso, falta respeito ao artista. Se uma pessoa está com outra, já vira shipper, e o fã idealiza a vida em cima disso e, quando acaba, lá vai o cidadão no Twitter mandar ofensa. Expliquem-me, por quê?

 

Dessa forma, qualquer fandom perde muitas coisas boas por causa do comportamento dos entusiastas-pessimistas que queimam o filme da base de fãs inteira.

 

Por que nem sempre o que o fandom pede não é levado em conta?

 

Créditos: Seremela | Deviantart

 

Os showrunners das séries abrem muitas oportunidades para que o fandom entre em contato com eles, pois isso é importante para ver o que tem dado certo e errado. Os envolvidos com o programa abrem canais para manterem o diálogo, mas, quando o climão criado pelos fãs se torna um fardo, eles se ausentam por saberem que não são obrigados a aguentarem tanto chororô por algo que não vai mudar tão cedo (ou nunca). Há fãs que são malévolos e cruéis, que perdem a noção da realidade por estarem cegos pelo próprio vício, comportamento que ajuda a matar a parte divertida de pertencer a um fandom que não é apenas uma comunidade, mas uma família.

 

É essa ideia que carrego comigo desde a época de Harry Potter, onde todo mundo se ajudava, todo mundo se divulgava, todo mundo tinha o próprio destaque por mérito. Claro que tinha os arrogantes de plantão, essas peças sempre existem em qualquer momento da nossa vida, mas as tretas eram tão desimportantes perto da espera de um novo livro. Sem contar que os barracos que rolavam deram vida a jornalistas, escritores e etc. Pessoas que tinham uma perspectiva em meio a uma galera que hoje em dia passa muito tempo sentada buscando motivos para provocar caos.

 

Uma análise pessoal me diz que o comportamento de todos os envolvidos profissionalmente com TVD não são mais sinceros. Todos chegaram ao ponto de fazer tudo por fazer e, enquanto a série for renovada, é este ritmo que será mantido. Eu tenho essa impressão de vez em quando. Sim, o elenco continua fofo e atencioso, o que é muito bom, pois mostra jogo de cintura. Porém, ninguém sabe o que acontece do outro lado e é cansativo ver o mesmo espetáculo por parte dos fãs entusiastas-pessimistas. Se cada roteirista e escritor fosse atender cada reclamação, era mais fácil dar o trabalho para os fãs fazerem, não? É fácil imaginar o quanto deve ser insuportável para Julie Plec abrir o Twitter e ver o Connect flodado de xingamentos. Deprecia o trabalho, por mais péssimo que esteja, sabem?

 

Ao longo da minha jornada com as reviews de The Vampire Diaries, aprendi que os dois lados dos shippers devem ser analisados. No começo, eu era bem frívola em defender Stelena e tentar explicar o porquê Delena não fazia sentido para mim, até que resolvi parar com isso. Não, não fui ofendida, nem nada, mas é um gasto de energia que tira o objetivo do que quero transmitir quando escrevo a resenha. Assim, não defendo quando não é para defender e reconheço quando algo é belo e quando não é. Se Stelena estiver ruim, vou falar mal de qualquer jeito, bem como qualquer outro shipper ou situação, doa a quem doer. O que muitos fãs esquecem é que criticar é algo positivo também, que não diminui o amor que se tem por algo, e que dá posição opinativa e personalidade.

 

Random Girl e um flashback do fandom

 

Lembro que o começo do fandom de TVD era perfeito, até minha irmã era dedicada e surtava muito. Todo mundo era amiguinho, mas só foi cutucar no lugar errado que tudo virou um caos. Eu acho graça quando alguém explica que virou Delena depois do “Hello Brother”, sendo que Damon e Elena são muito mais que um jargão. De fato, não sabia que essa afirmação existia até ficar parada por breves segundos na fila do Bloodlines. Me retirei rapidinho, porque, depois dessa, eu quis arrancar meus olhos. Falando no evento, nunca é tarde para pontuar o quanto me senti envergonhada com determinadas atitudes dos fãs que simplesmente perderam o controle.

 

Também vale lembrar o episódio na porta da John John, quando achei que seria morta por uma calcinha gigante, como se o Ian fosse querê-la. Esses são exemplos pequenos perto do que realmente acontece, mas são detalhes que influenciam na hora de decidir se qualquer fandom, ainda mais brasileiro, merece coisas boas.

 

Quando havia briga entre os shippers Romione e Harmony, as coisas não eram tão extremistas assim. Ninguém se ameaçava de morte. Hoje, a internet facilitou demais o caos em comunidades de fãs, basta analisar Fan Pages no Facebook, local que ninguém respeita a opinião do outro. O máximo que acontecia na época em que HP estava no auge era zombar das teorias e entrelinhas que envolvia o trio, pentelhar alguém que copiou o layout do blog ou perseguir o sem noção que plagiou uma fanfic. Claro que havia as infiltrações, gente sendo desmascarada como se fosse um agente do mal, mas nada, nada se compara ao que vejo hoje. Não só com o fandom de TVD, mas com outras comunidades que gastam um belo dia para ler um livro para se ofenderem online.

 

O lado dos fãs entusiastas-pessimistas de um fandom perdeu o senso de curtir algo que se gosta muito, algo que era a parte vital da Era HP. Atualmente, vejo a galera mais preocupada com a estética de um site e na quantidade de pessoas que devem ganhar um Oscar por ser poser. A pior parte é quando o fã se acha, literalmente, dono do artista/obra/filme/série/casal e começa a fazer chacota via Twitter quando está infeliz. É lamentável!

 

Não me levem a mal, mas meu aprendizado inicial no fandom foi a base de internet discada e sem a existência de redes sociais. Era algo mais saudável e não tinha tantos haters para lidar o tempo todo, porque eles eram inalcançáveis. A geração antiga de pottermaníacos usava fóruns de discussão e só em 2004 a galera migrou para o Orkut, onde as comunidades bombavam, bem como os jogos de RPG. Agora, é tudo concentrado na TL e a grande maioria dos integrantes do fandom não tem pré-julgamento para se defender online, o que vira uma bagunça de xingamentos sem precedentes sem nenhuma defesa plausível. No geral, a maioria não sabe separar o fictício do real, e isso é um problema que afeta a magia que qualquer fandom obrigatoriamente precisa ter.

 

Por causa de coisas desse tipo, quem é responsável pela série/adaptação/livro e afins tem todo o direito de ser hostil com os fãs. Adoro patadas de produtores diante de perguntas idiotas. Não tiro a razão deles em dar cortes, pois há sempre a parte do fandom que merece um coice. Porém, quem fica quieto, que vê um ídolo ou um seriado como uma ponte para criação e para fazer amigos, paga pela bagunça causada pelos extremistas. Por causa da fatia desesperada por atenção, artistas ponderam antes de fazer e falar e, o mais triste, é que, quando eles respondem, a onda de maus tratos continua, pois “não era bem aquilo que fulano queria saber”. Assim fica difícil e não é à toa que muitos debandam.

 

Acredito que a parte mais tensa do fandom atual é achar que tem controle de tudo. A internet deu essa sensação para todos nós. Se o fã não recebe o que quer, a ideia genial de rebote vem da palavra simples e básica: boicote por hashtag. O único exemplo sadio que posso dar sobre ação dentro de um fandom vem de Harry Potter, mas isso não se refletiu em nada na J.K.. Tratava-se de um protesto contra a Warner que queria tirar o direito dos fãs de terem sites voltados para a saga e de produzirem fanfics. A grande maioria parou de comprar produtos do estúdio que levava o nome do menino bruxo e a resposta foi um revés. Isso foi uma atitude bacana, não feriu ninguém e hoje todo mundo continua a escrever ficção de fã.

 

Hashtag funciona, pois reúne o fandom seja por motivos bons ou ruins. Claro que ela (e outras iniciativas) causa mais efeitos em certos momentos, mas podem ver que é só quando se tem um objetivo genuíno, como aconteceu com Veronica Mars, onde os fãs ajudaram a financiar a adaptação cinematográfica da série. Fãs unidos e bem intencionados conseguem impedir que séries sejam canceladas, trazem shows para determinado país e assim por diante. Essa é a parte que merece coisas boas, pois sabe usufruir daquilo que gosta, sem drama.

 

Vale mencionar que há fandoms de valor compostos em maioria por maiores de 18 anos, tais como Doctor Who, Supernatural, Sherlock e até Harry Potter, onde se mantém o código da boa vizinhança. Tudo bem que o maior problema aqui é o showrunner, a causa de belíssimos barracos online.

 

Para refletir como membro do fandom

 

 “Eles (produtores e afins) têm uma vida totalmente estressante com outros trabalhos e não precisam realmente aparecer para serem detonados por fãs sem nome.”

 

A parte entusiasta do fandom reflete de maneira negativa entre aqueles que sabem dosar a apreciação e tornam o amor em algo criativo, digno de ser apreciado. É por isso que temos aqueles que amam fanfics e fanarts, por exemplo. São duas formas de “trabalho” dentro de uma comunidade de fãs que aproximam outros que também gostam da mesma coisa. Não há uma relação de interesse, a não ser por aquele recadinho básico de pedir review, mas até aí quem nunca, né? Há pessoas que conseguem ser fangirls e fanboys na medida certa e isso é o suficiente.

 

Eu me encaixo nesse perfil e jamais perderia meu tempo arrancando meus olhos para tentar fazer Julie Plec ler meu tweet indignado sobre o fato do Stefan não ter um plot decente na quinta temporada de TVD. O fandom virou sinônimo de caos, onde o compromisso de se divertir facilmente se cala por brigas internas. Sem contar que todo mundo pode simplesmente parar de assistir/ler algo, pois é óbvio que certas atitudes tomadas pelo detentor da obra são definitivas.

 

De acordo com a matéria, a pressão dos fãs, ainda mais da fatia barraqueira e extremista, pode induzir o criador a simplesmente não ligar mais para o que faz, algo que sinto o tempo todo na nova temporada de The Vampire Diaries. Julie Plec, Caroline Dries e Cia. devem rir muito dos tweets de ódio. Jamais me espantaria se elas simplesmente tomassem atitudes semelhantes às de Moffat que as fariam dar atenção ao que todo mundo odeia para ver o fandom explodir. Não é à toa que o trabalho dos envolvidos com TVD virou uma questão de preferência, onde uma determinada situação só acontece quando o fandom insiste muito. É de chatear, mas não consigo largar a série (ainda não!). Sem contar que esse comportamento torna tudo ruim para quem gosta de estar em uma comunidade de fã de forma mais saudável.

 

O que está sendo esquecido pelo fandom em geral é que amar algo ou alguém não precisa de provas. Ninguém precisa viver para provar nada ao próximo, só a si mesmo. Tem poser? Tem e sempre terá, e quem está no fandom precisa ser maduro para aceitar isso. Não acho que decorar o nome do hospital de fulano prova que alguém é mais fã. O que me faz considerar um bom fã é a humildade como se trata as pessoas que também gostam da mesma coisa, e a capacidade de compartilhar opiniões boas e ruins. Afinal, nem todo artista, série, filme e livro são perfeitos e há muito que se criticar/elogiar. Isso é amadurecimento. Isso é aprendizado.

 

Por que o fandom não pode ter coisas legais? Na verdade, ele pode ter sim, desde que a palavra em si seja visualizada como a tradução literal da coisa: comunidade. É isso que falta em muitos deles, infelizmente.

 

Em ano de Comic-Con no Brasil, está aqui algo para se pensar e fazer bonito para não perdermos uma oportunidade incrível que vai deixar qualquer fandom muito feliz. <3

 

Para ler o texto original:  Why Fandom Can’t Have Nice Things.

Stefs
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