Menu:
18/fev

(Depois de algum tempo) Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Muitas pessoas não fazem ideia do quanto determinados hobbies tem o poder de melhorar nosso interior. Eles podem nos reanimar e até nos curar perante uma situação muito difícil. Para dar continuidade à Semana Esther, nada mais incrível do que falar sobre a importância das palavras, um de muitos pontos que torna ela e eu muito semelhantes. Assim como Esther, uso as palavras com diferentes mecanismos, seja de fuga, de tristeza, de alegria, de apreensão.

 

Duramente, em um momento muito semelhante ao de Esther, onde uma pessoa muito querida ficou doente por causa da leucemia, usei as palavras para poder lidar com muitos sentimentos que me eram muito desconhecidos. Simplesmente, não fazia ideia de como agir. Não sabia se suportaria uma situação que acontece sem aviso. Só sei que consegui amenizar muitas coisas quando resolvi criar uma história em meio a minha montanha russa emocional.

 

Lembro-me do momento exato em que isso aconteceu. Foi em meio a uma despedida, no começo de 2007, e eu fiquei em frente ao computador chorando horrores. Com um toque sutil no teclado, resolvi me empenhar em uma fanfic baseada em partes do que vivia nessa época. Ela me consumiu por 5 anos, tem 64 capítulos e passa das 900 páginas. Como era uma ficwriter assídua na época (ainda sou na verdade), substituir o meu papel por um de um personagem foi uma forma de externar tudo o que acontecia, mas isso não quer dizer que cada palavra não tenha doido, como cada parágrafo e cada capítulo.

 

A fanfic em si ganhou forma quando recebi o ultimato. A pessoa que estava doente (prefiro não colocar o nome) tinha me avisado que ia se ausentar por causa do tratamento para combater a leucemia. Eu não sabia muito bem o que fazer, pois essa pessoa tinha se tornado basicamente meu universo, um grande amigo, e todas as fases da doença me destruíram por completo. Nos conhecemos em 2006. Tudo estava bem até o mundo desmoronar com a chegada da doença que se vinculou a nós dois. A leucemia veio no final do mesmo ano, mas a ficha só caiu em 2007 quando essa pessoa começou a escapar por entre meus dedos. Eu não sabia lidar física e emocionalmente com um quadro que desestrutura qualquer um.

 

Ao longo disso, eu me sentia extremamente doente e não tinha com quem conversar sobre o que acontecia. Eu não tinha muito que fazer por ele estar do outro lado do hemisfério, uma espera tortuosa por notícias que levou meses. Meu consumo foi extremamente emocional, como se um dementador estivesse comigo em todos os lugares. A forma que encontrei para lidar com isso, especialmente por saber que essa pessoa se ausentaria e eu nem saberia o que aconteceria com a mesma rapidez, foi engatar uma história em universo alternativo, tendo como base meus dois personagens favoritos da saga Harry Potter.

 

One Tree Hill e os desenhos da Peyton também <3

No começo foi bem difícil. Liberar tantos sentimentos de uma vez só. Eu sentia que alguém me rasgava toda vez por dentro. O ano de 2007 ainda era uma época em que as fanfics da saga estavam no auge, mas o interesse diminuiu porque a Rowling lançou o último volume na mesma época. Mas eu precisava escrever, porque estava desesperada. Os capítulos iniciais foram os mais fáceis, pois comecei a formatar um romance nada inspirado no que eu passava. Na verdade, a parte real é apenas o momento de lidar com a doença e do quanto à impotência é algo que machuca, ainda mais quando envolve uma pessoa que se gosta muito.

 

Essa sim foi a parte mais difícil e a ideia de escrever aconteceu em um momento apropriado, pois foi o momento que comecei a encarar o problema de frente e, anos mais tarde, foi uma maneira inesperada de superação.

 

A princípio, eu considerava escrever como um passatempo, especialmente criar histórias. O mesmo acontecia com Esther que tornou as palavras como a maior fonte de força para desabafar medos e sentimentos negativos que abordam qualquer pessoa que esteja muito doente e que passa por essa rotina, onde expectativas de vida oscilam todos os dias. As palavras para Esther eram os melhores mecanismos de defesa para enfrentar o prognóstico do câncer, um meio que também encontrei certa salvação. Acho que o meu desejo particular de ser escritora, algo que Esther sempre quis e conseguiu, nos faríamos boas amigas. Eu acho que não teria suportado tanto se não fosse pelas palavras.

 

Os estágios do luto com as palavras

 

As palavras curam, assim como uma boa conversa, uma boa noite de sono, um pedaço de chocolate para um coração partido. Cada um tem seu mecanismo para lidar com alegrias e tristezas e o meu sempre será colocar histórias e desabafos no papel ou no Word. Conforme a fanfic se desenrolava, eu enfrentava os estágios do luto, mesmo sabendo no final das contas que a pessoa que estava doente conseguiu entrar em remissão. No começo, via minhas palavras como um desabafo por meio de personagens que nem eram meus. Ao longo dessa jornada, posso dividir exatamente esse meu atropelo:

 

Negação: período em que os capítulos mais fáceis nasceram, com uma pegada contente e feliz, porque eu queria me sentir feliz, sendo que não estava.

 

Raiva: fiquei muitos meses sem notícias e o pensamento de que algo ruim tinha acontecido estava alojado em mim. Nem notícias de amigos, nada. Isso me fez bloquear a história só de raiva e foi bem ruim porque comecei a me punir.

 

Barganha e Depressão: a minha montanha russa emocional estava no auge. Isso atrapalhou até meu trabalho. Eu achava que estava ficando depressiva, mas era fato que eu estava. Era uma tristeza que ardia de dentro para fora. Bastava me cutucar que eu simplesmente desmanchava. Mesmo com a chegada de um período de normalidade, eu já não era mais a mesma. Isso no desenrolar de 2007.

 

Aceitação: veio em 2009, quando as coisas pareciam bem, normais. Mas não estavam. Eu estava esgotada, mas voltei a escrever a fanfic. Para um fim positivo, eu poderia ter simplesmente largado a história, mas me comprometi a terminá-la. Só não esperava que isso fosse acontecer só em 2012. O resultado foram 64 horcruxes do meu emocional.

 

Superação: quando escrevi o último capítulo, me senti liberta. Tinha passado por tudo aquilo. Estava voltando a ter uma vida mais social e a pessoa também. Estávamos todos bem.

 

Parte do diário da Esther retirado do livro “A Estrela que Nunca vai se Apagar”

 

Conforme lia A Estrela que Nunca vai se Apagar, não podia concordar mais com o fato dos pais da Esther tê-la estimulado a escrever e, ao longo das páginas do diário, onde ela mostra que não é tão forte, que sorria por fora, mas gritava por dentro, parecia meu retrato. Fraquejar em situações como essa é motivo de vergonha para muitos, eu passei por isso também e fiquei dias sem dormir com peso na consciência, mas as palavrinhas estavam lá para me ajudar, da mesma forma que ajudaram Esther. Ela manteve sempre os dedos ocupados e isso lhe deu mais força, mais amigos e mais pessoas para amar. Com palavras, sejam escritas ou verbais, Esther encontrou a própria força e eu não poderia concordar mais com isso.

 

Nem tudo acontece na nossa vida por acaso. Por mais que tenha sido doloroso, ganhei aprendizado. Esther ganhou uma nova perspectiva, até mesmo no que condizia a sua fé, onde ela descreveu que Ele sempre sabe das coisas, que sabe o que faz e que Ele é dono de um plano maior.

 

As palavras sempre estarão comigo e, quando o turbilhão de emoções vier, eu sei bem quem será meu melhor amigo na nova jornada.

 

 

#SemanaEsther: visitem os outros blogs participantes.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3
  • heyrandomgirl

    As palavras sempre serão a minha vida, por mais que elas me sabotem o tempo inteiro Hahahahaha. É sempre bom ter refúgios, não tem jeito. Ainda mais em tempos de tempestade <3

  • Isis Renata

    meu querido padre sempre diz 'eu sei em quem coloquei a confiança da minha vida' no caso aqui, DEUS. e Esther também sabia onde estava seu porto seguro, seu norte, sua segurança. Estava nas entrelinhas, literalmente – como você prima
    e que bom que temos sempre essa luz no fim do túnel, esse açúcar após a ressaca. Eu também tenho meu norte, que são missas, livros, seriados e amigos. Todos sempre prontos para quando eu perder meu foco, saber onde coloquei minha confiança.
    também sou da filosofia que palavras mudam o mundo e as pessoas. E que elas tem poder de incentivar e de destruir. Elas impulsionam. E que lindo que existiu pessoas como Esther, e que existem pessoas como você, que escrevem belas linhas e que nos deixam com a vida mais bela ♥

    muito obrigada por compartilhar as melhores linhas de sua vida conosco 😀