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13/fev

Eu estou apaixonada por este episódio de Pretty Little Liars. Nem me reconheci quando percebi que estava muito ansiosa para vê-lo, não por questões de trama, mas pela pegada de filme dos anos 40 que muito me encanta. Marlene foi muito criativa em fazer um episódio que tinha a mesma proporção de falha que o de Dia das Bruxas do ano passado. Porém, me lembrei de que a showrunner tem um amor pelos clássicos, especialmente por Hitchcock, o que me deu confiança quando a ideia foi lançada online. Posso admitir que ela fez um ótimo trabalho, especialmente na coerência visual que ficou muito bem feita, ainda mais por se tratar de um programa de TV. Ela foi atrevida ao contar um pedaço da história das liars de um jeito diferente e, para um episódio que aparentava ser só beleza e trejeitos blasé, a viagem na maionese dentro da cabeça de Spencer deu muito certo.

 

Antes de chegar na parte que todo mundo estava curioso para ver, a trama fez um esquenta para abrir um leque de informações que coincidissem com o looping ilusório de Spencer que aconteceria minutos mais tarde. O ponto de partida para fazer o episódio funcionar em dois arcos foi o apoio nas indagações que pudessem ser transferidas para a mente confusa da liar. Por ter a perspectiva unicamente dela, não seria sensato dar oportunidade para novas pistas, personagens e afins, pois não ficaria nem um pouco coerente.

 

O terreno foi muito bem preparado antes de ingressarmos na década de 40: Spencer, Hanna e Emily estavam empenhadas em encontrar provas para poderem desmascarar Ezra sem serem sabotadas. No meio do caminho, o trio encontra o diário, o objeto-chave que faz parte do plot de Spencer e que se tornou o personagem principal mais uma vez ao lado dela neste episódio. Fiquei um pouco aliviada quando Emily pontua que o achado foi muito fácil, pois nada é colocado no caminho das meninas sem nenhum propósito. Esse cuidado da santa trindade para lidar com fatos tão arrebatadores sobre o professor tem sido muito bem quisto, pois todas já foram guiadas por momentos emocionais e fizeram burradas por causa da empolgação de uma descoberta. Sem contar que elas amam ser descuidadas.

 

Agora que o coração de Aria está em jogo, confesso que o receio do trio em aceitar uma verdade que está escancarada antes de compartilhá-la dá muito valor à amizade delas. Inclusive, o fato da Spencer ter compartilhado o segredo deixa meu coração um pouco mais tranquilo. Se houver uma onda de descrença causada pelo estado debilitado da liar, será um pouco mais difícil ela ser desmentida, pois Hanna e Emily estarão ali para apoiá-la.

 

Além do diário, Mona fez uma reaparição que abriu uma nova pergunta: o que diabos ela faz na companhia de Ezra? Com muitos arquivos do professor nos braços, a dúvida permaneceu no ar e essa filiação continua a ser muito suspeita, ainda mais quando envolve um cara que é obcecado por Ali. Se ele atraiu Mona, o que falta para puxar Toby para o mesmo lado também? Afinal, o namorado de Spencer fez parte do “A” Team e fez o que fez para proteger a liar. O que a Mona protege agora? O que ela quer no final das contas? Imunidade?

 

Para completar as indagações, Shana também foi lembrada e isso me fez feliz, pois certos pontos em PLL conseguem ser esquecidos e resgatados quando ninguém lembra mais. O fato de Emily ter notado o desaparecimento dela foi muito legal, bem como o resgate do envelope endinheirado de Ali que também ganhou mais atenção por causa dos contados.

 

Com o terreno pronto, o colapso mental de Spencer nos leva para uma época sensacional.

 

Pretty Little Liars Noir

 

Spencer foi a responsável em nos dar uma nova perspectiva com relação ao suposto desaparecimento de Ali por causa do estado debilitado da mente dela causado pelo consumo excessivo de estimulantes. Graças a ela, Toby retornou no pequeno filme em preto e branco como um detetive muito astuto. O que chamou a atenção na presença do personagem não foi o fato dele emparedar a namorada para saber se Ali está realmente viva, mas o comportamento dele. Ele agiu como a consciência de Spencer e isso ficou muito evidente pela maneira como Toby falava, com firmeza, como se desse uma bronca. A todo o momento, Spencer o refutava, pois é algo que fazemos quando negamos algo que está muito claro. Por mais que não tenha tido cenas lindas de Spoby, Toby foi a presença mais marcante neste episódio ao assumir a responsabilidade de tirar a namorada da confusão causada pelas pistas que ela tem sobre Ezra reforçadas pelo diário.

 

Como ele disse, ela não é confusa, mas sim esperta. Ela tem todas as ideias, todas as peças, mas os estimulantes agem como um borrão na mente da liar, impedindo-a de pensar com clareza. As palavras de Toby bateram exatamente nesta tecla e ele só estava ali para fazê-la enxergar o que estava óbvio. Sem contar que o detetive Toby foi ainda mais além ao criar suposições a se pensar. Ele colocou as cartas na mesa para que Spencer também visse o outro viés que essa tramoia de Ali poderia ter tomado. E se ela mentiu? E se ela fez a liar acreditar em algo que realmente não aconteceu?

 

Para reforçar essa dúvida, Ali, saída do quadro, volta a pontuar com desdém a imortalidade e se delicia com a própria inteligência de ter se fingido de morta o tempo todo. Foi aí que minha sobrancelha alteou, pois Ali nunca foi e nunca será uma santinha, por mais que eu tenha ficado comovida com o abandono dela semana passada. Vale até dizer que os argumentos de Toby remetem praticamente à noite em que a Queen Bee desapareceu, onde Spencer foi a última a vê-la, o que dá respaldo para o fato dela acreditar no que viu, sem saber o que de fato aconteceu. É bom até lembrar que a liar toma outro tipo de remédio que me leva para o ponto sobre a dupla personalidade dela. Queria muito que isso fosse levado para o seriado, de verdade!

 

Enquanto Toby agia como a consciência do bem, Ezra representou o perfeito vilão de filmes noir, sendo a consciência do mal. O objetivo dele é mexer com a cabeça de Spencer e tirá-la da certeza que ela tem sobre a índole dele, algo que ele começou a futricar na semana passada. Mesmo sendo um filme alucinógeno, eu fiquei meio incomodada com o fato do professor estar em todos os lugares. Toby pontuou no episódio que segredos são como armas, e Ezra começou a espalhar a verdade sobre Ali como se fosse garrafa de água. Tudo bem que era mentira, mas eu não gostei muito dessas revelações aleatórias. Tirando isso, o personagem estava ótimo como sempre, todo irônico e sacal. Sem contar a autoconfiança que ele não apresenta na vida real, pois sabe que está sendo farejado por Spencer, o que o faz agir ainda mais na penumbra.

 

Enquanto havia o confronto da liar contra os estimulantes, Ezra agiu como um vírus persuasivo ao indagar porque ela não contou ainda a verdade para Aria. Daí, voltamos no começo do episódio, onde as meninas não têm nem coragem de anunciar o que sabem em voz alta, justamente por não terem desconfiado de uma pessoa que sempre foi boa e solícita com elas.

 

Da mesma forma que acontece no tempo real de Rosewood, Ezra continuou a fazer pressão psicológica em Aria com foco nas amigas e tentou criar dúvidas sobre a confiança entre elas. Até mesmo na versão noir, ele continuou a se assegurar, o que fez o casal manter o retrocesso do típico namoro escondido.

 

A relação Mona-Fitz continuou em aberto até mesmo na versão noir. O retorno para o apartamento de Ezra tinha tudo para ser promissor, mas nada de bom ocorreu, o que me fez ficar chateada. Porém, a relação dos dois serviu para fazer Hanna se mover na trama. A liar estava divertidíssima com todo aquele comportamento anti-homem. Sem contar que ela teve um serviço bem adorável que foi rastrear os contatos do envelope de Ali a partir da Fundação de Artes Fitzgerald, uma pista que Spencer coletou no começo da trama noir. Se essa informação virá para o mundo real é algo bacana de se perguntar, pois as relações de Ali e Ezra ainda não estão muito claras. Ambos podem muito bem ser uns cretinos trollando todo mundo. Hanna estava uma gracinha neste episódio, adorei vê-la ainda como braço direito de investigação ao lado de Spencer e as sacadas dela estavam hilariantes.

 

Emily e Paige tiveram um momento perdido na noite. Admito que as cenas foram lindas e que contribuíram para reacender o amor delas, mas muito me incomoda o fato da Paige não ter funcionalidade alguma. O único jeito de trazer a personagem de volta foi à menção de Shana, algo que não deu resultado e nem indicou uma suposição interessante. Por causa disso, as duas quebram muito o ritmo da trama, pois nada de interessante é dado a elas como dupla.

 

Eu achei Aria muito estranha durante o episódio inteiro. No começo, ela fez uma revelação bem perturbadora para Ezra ao dizer que escrevia e que se afeiçoou pelo vilão. Se não bastasse, ela ainda emendou que os vilões, por vezes, vencem, uma afirmação que ganhou apoio do professor. Na versão noir, a liar estava muito diferente e eu não sei dizer se isso foi impressão minha. Ela não estava natural e muitas coisas começaram a apontar para o suposto papel dela como comparsa do namorado nesse fuzuê todo. Aria voltou a segurar uma máquina fotográfica com a desculpa de ensinar Paige a usá-la, como também teve uma conversa bizarra com Spencer. A suposta revelação do relacionamento Ezria por parte de Aria deixou muitas dúvidas. Ela disse que, antes, o relacionamento com Ezra era mais sexy e perigoso, o que deu a entender que a liar gosta e muito de manter segredos. Sem contar que a personagem foi a única a dizer que sente que as coisas começam a mudar e não é para menos, pois é a storyline dela que causará mais um tormento.

 

No fundo, acho que Aria suspeita de Ezra, não sei, pois o comportamento dele mudou muito, especialmente as conversas, todas sem pé e nem cabeça. Ele não era assim e tem que ser muito burra para não notar.

 

E posso dizer que todas as vezes que as meninas estavam prestes a dizer a verdade para ela me fizeram morrer por dentro?

 

Spencer x Ali

 

As duas sempre representaram um ponto de combate e são detentoras de uma antipatia mútua pela outra. Afinal, Ali queria dominar o quarteto por completo, conseguiu ganhar a adoração de três, mas Spencer sempre foi o muro. Em entrevista, Troian afirmou que o que move a liar agora é a mera sensação de culpa pelo que, talvez, aconteceu na noite em que Ali foi dada como desaparecida. A partir do momento em que as duas se confrontam no episódio, tudo voltou para aquele dia, onde há sim uma mágoa, como também desconfiança.

 

Ali apareceu com o seu jeito sagaz e não escondeu o prazer de cutucar Spencer por algo (e quase estapeou a liar no meio do caminho). Primeiro, zombou a inteligência dela e a capacidade de camuflar um assassinato. Segundo, indagou as outras meninas sobre a liderança dela. Terceiro, apontou a liar como a única pessoa que ficaria feliz se algo acontecesse com ela. Quarto, Ali sugeriu que Spencer é a “amiga” que ela tem medo. Desde o primeiro encontro das duas na trama, Ali não economizou o desprazer de caçoar Spencer, enquanto Toby queria abrir a mente dela e Ezra distorcê-la. Por mais que Spencer seja maravilhosa, ela pode sim ter um grande envolvimento com o que aconteceu, especialmente por ter sido a última pessoa que viu Ali com “vida”. Isso daria sentido para o grande segredo que a liar esconde e que está prestes a ser revelado.

 

Por mais que o que impulsione Spencer seja a culpa pelo que aconteceu, o atrito entre as duas foi o ponto alto dessa viagem e que pode coincidir perfeitamente com as respostas do season finale onde, diz a lenda, Ali contará o que realmente aconteceu na noite do seu sumiço.

 

Vale mencionar o ar zombeteiro de Ali sobre gerar dúvidas sobre o próprio desaparecimento. Não seria nenhuma surpresa pensar que ela tramou tudo, mas ainda há muitos por quês. Afinal, ela gosta de centralizar tudo no próprio umbigo. Ela gosta desse papo de imortalidade. Essas diferenças entre Ali e Spencer só me fazem ver que elas são muito parecidas quanto à genialidade, pois ambas são astutas e poderiam ser cúmplices do que realmente aconteceu. Até porque Spencer sempre foi a mais “neutra” com Ali por nunca ter abaixado a cabeça para a BFF. O que muito me chamou atenção também foi a calma da diva imortal com a suposta aparição de Ezra para capturá-la. Tem coisa errada.

 

De volta ao mundo real, o Toby na versão detetive conseguiu fazer Spencer enxergar o óbvio. Em meio a um episódio que deu indagações plausíveis e suposições que ninguém ainda sabe o que de fato será real, o alerta a fez descobrir que o diário sofreu sutis alterações em determinadas palavras-chave que funcionam perfeitamente como pistas. Com as mudanças chegam as dúvidas, pois a letra que reescreveu no diário parece ser da Ali. Sem contar que as meninas perceberam que o brinde encontrado de graça foi apenas uma mensagem de Ezra para esclarecer que ele sabe que elas sabem.

 

De prova convicta, há o pavilhão Ambrose, informação alterada para não ser rastreada. Se Ezra fazia a dancinha da vitória, agora é bom ele ficar esperto, pois as liars ganharam uma boa dianteira. Agora, me pergunto quais dos pontos da alucinação de Spencer serão trazidos para a dinâmica atual de Rosewood, além da necessidade de contar a verdade para Aria. Será que a Fundação é real? Deveria, porque Ezra e Aria já passearam em uma exposição de arte e não ficaria perplexa se fosse algo que envolvia o nome da família do professor. E a telemensagem no final do episódio pode ser considerada como uma ameaça verdadeira ou uma típica conclusão para um filminho noir?

 

De maneira geral, o episódio teve uma fotografia linda, trilha sonora que fez jus à década em que se passou a alucinação de Spencer e o cenário estava incrível, bem como a maquiagem e o figurino. Todo o elenco exerceu muito bem o seu papel no filminho antigo, bem situado, que mostrou em 40 minutos como o cinema desta época é simplesmente fantástico.

 

Deixo esta review com gostinho de luto pela Aria.

Stefs
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