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11/fev

Fazia tempo que não via o fandom potteriano vir abaixo como aconteceu nas duas últimas semanas. A causa disso não foi nenhum anúncio de livro novo, mas o reacender de uma guerra que presenciei e fiz parte anos atrás: a treta entre shippers. De um lado, os militantes Romione resolveram rebater os militantes Harmony devido a uma chamada do The Sunday Times que dizia que Rowling admitia que Hermione deveria ter se casado com Harry. Foi o momento mais feliz da minha vida. Para outros, nem tanto.

 

A promessa da entrevista na íntegra viria na nova edição da revista Wonderland no dia 07 de fevereiro, o que de fato aconteceu. Por isso, eis que resolvi fazer este post.

 

Emma Watson fez uma entrevista sensacional com a Rowling, mas esse sentimento de deleite não conseguiu atingir positivamente uma fatia do fandom. Foi nessa edição que houve o esclarecimento da afirmação feita pelo Sunday, mantida como rumor até ser desmistificado com extrema classe. Digo isso porque grandes sites divulgaram a “revelação” antes da publicação da revista como um viral, até os mais influentes como a BBC. O dilema ficou com os portais que divulgaram a tal “afirmação” como uma “mentira”, abraçados a uma convicção que me deixou com febre. Meu espírito jornalista ficou doente com a posição de determinados “detentores da palavra Potter”. E, vamos pensar, se fosse rumor mesmo nenhum site arriscaria perder a credibilidade de divulgar a nota com certa veracidade.

 

O problema nem foi o fato de ser rumor ou não, mas como a notícia bombou na web. O should virou regret e isso foi o ápice da bagunça. Eu acho que fui uma das primeiras a dar de cara com a nota do Sunday, pois ela ainda não constava nos sites potterianos brasileiros. Quando tudo virou uma catástrofe, meu olhar imparcial focou em determinados links que cobriram a informação de um jeito que me fez chorar por dentro. Se é uma coisa que acredito é que há uma linha tênue entre credibilidade e imparcialidade.

 

Para mim, credibilidade se tornou superestimado, pois, hoje, é sinônimo de alienação e muitos jornalistas que possuem anos de carreira nem ligam tanto como antes para o que falam ou o que publicam. Imparcialidade é você falar sobre um assunto sem tomar partido de nenhum dos lados. É algo que duramente se aprende, mas aprende. Porém, nem todos conseguem atingir este ponto com certa excelência e foi exatamente isso que vi acontecer, o que gerou babado e confusão.

 

Sei que isso soa muito chato da minha parte, mas se é uma coisa que preservo como arma é minha experiência no fandom potteriano formado de pottermaníacos. Potterhead veio um pouco depois do meu tempo. Eu sou das antigas e tudo o que vejo agora não chega nem perto de muitos perrengues que eu e muitos outros da velha guarda aguentaram, enfrentaram e sofreram. Eu estava lá esperando por cada lançamento de livro novo e fiquei horas e mais horas na vitrine desejando o VHS de A Pedra Filosofal. Não quero desmerecer a nova geração dos potterheads, pois há muitos de valor e com a mente aberta. Porém, o que vi nas duas semanas em que mastigaram essa notícia foi um barraco bem ardiloso que muito me lembrou de alguns grupos Team Stelena e Team Delena que amam uma boa briga, mas usam os mesmos argumentos.

 

Eu não me senti desrespeitada em nenhum momento dessa segunda guerra de shipper. Na verdade, fiquei muito feliz. Não só pela J.K. ter assumido o lado abóbora, mas pelos meus parceiros do Fórum Pumpkin Pie terem voltado à tona. Foi sensacional reviver os velhos tempos de corujal, onde ninguém dormia para confabular teorias e detonar alguém do fandom. Depois de ter me regozijado com a notícia, externei o resto, pois minhas abóboras sempre são prioridade.

 

Eu pensei muito se deveria expor minha opinião sobre este assunto, mas, como vivenciei essa guerra desde os primórdios, resolvi dar o braço a torcer. Confesso que foi de chorar ver portais “venderem” a notícia como um anúncio do apocalipse. Claro que falar de shipper, ainda mais potteriano, gera caos, o que é ótimo, mas não do jeito que aconteceu.

 

Dessa forma, veio explanar meu ponto de vista com relação ao que foi dito por Rowling com relação aos casais Romione e Harmony na entrevista feita pela Emma para a revista Wonderland. Antes de tudo, é importante enfatizar que a personagem principal desse material foi Hermione Granger. Como todos sabem ou deveriam saber, a bruxinha é doppelganger da Rowling e vice-versa, uma inspiração baseada especialmente pelo interesse pelos livros e pelo fato de ambas serem muito estudiosas. Depois disso, a questão do relacionamento entrou em cena, um ponto extremamente delicado de se cutucar após quase 7 anos desde que o último livro foi publicado.

 

Romione e as questões pessoais

 

Conforme Rowling, a decisão pelo casal veio por questões pessoais. Por motivos que não tinham relação alguma com o mercado literário, algo que ainda não me convence por causa da falta de estruturação de certos casais no decorrer da saga. A autora sempre imaginou os dois juntos e ela não se arrependeu do que fez. Porém, a indagação de Emma sobre o fato de determinados fãs quererem saber se Rony foi capaz de fazer Hermione feliz e o fato da Rowling não ter dito “sim, fez” logo de cara pode não ter soado legal para os defensores do shipper, mas isso depende do ponto de vista.

 

Rony e Hermione sempre foram muito combatíveis e isso ficou evidente em Harry Potter e o Cálice de Fogo. Se cada um levar para o lado pessoal, há sim dificuldades de manter um relacionamento, até mesmo uma amizade, com alguém que se cutuca e se é cutucado o tempo inteiro. Eu já daria uma de Klaus Mikaelson e quebraria o pescoço da pessoa. O que Rowling emendou como resposta à indagação de Emma foi a possibilidade deles precisarem de aconselhamento conjugal por causa das brigas que poderiam ter continuado na vida adulta.

 

Para mim, essa dúvida levantada pela Emma fez completo sentido. Eu me pergunto até hoje se Harry teria reencontrado Draco Malfoy além do dia em que eles deixaram os filhos pela primeira vez no expresso de Hogwarts, se o Ted teria sido realmente feliz ao lado dos Weasley, se Narcissa e Lucius teriam dado a volta por cima, pois as discrepâncias na relação deles também poderiam precisar de terapia de casal.

 

Rowling foi muito categórica e assertiva com o que realmente acha e se é uma coisa que ela bem sabe é não passar mão na cabeça de fã.

 

Romione é um relacionamento que começou quando ambos eram muito jovens. De acordo com Rowling, a atração era plausível, mas o constante “combate” poderia colocar a relação a perder. Na adolescência, briguinhas são comuns, algo que Rony e Hermione lidavam o tempo inteiro. Quem é que nunca irritou alguém para chamar a atenção? Mesmo sem querer, a autora acarretou um ponto de reflexão para nós, fãs da saga, sobre a vida conjugal de Rony e Hermione, especialmente depois da Segunda Guerra Bruxa. Isso não foi dito na entrevista, mas é óbvio que são detalhes a serem pensados. Um casal precisa de maturidade, e Rowling foi sutil em dizer sobre a provável incompatibilidade. Sim, há casais que funcionam com brigas, por isso, a autora colocou a capacidade de Rony fazer Hermione feliz como uma interrogação, pois, acima de tudo, relacionamentos precisam de mudanças de ambas as partes.

 

Harmony e a Heresia Potter

 

O início da revolução foi Rowling afirmar que Harry e Hermione, em alguns aspectos, tinham o melhor encaixe, um sentimento que a abalou conforme escrevia Harry Potter e as Relíquias da Morte, seu livro favorito. Isso aconteceu na cena da tenda. Foi ali que ela viu uma possível mudança no plot e eu não poderia concordar mais, pois muito se prova do relacionamento Harmony nesta parte, tanto na saga quanto no filme. Steve Kloves, sempre muito perceptível e um grande favorecedor de cenas entre os dois personagens nas adaptações, escreveu o roteiro e fez aquela cena linda, adicionando a dança, detalhe que não tem no livro.

 

Rowling ainda explicou para Emma que Kloves sentiu o mesmo, no exato ponto da trama, e que David Heyman e ele foram cúmplices de um detalhe que ela sentiu e não disse.

 

Até agora.

 

Então, o que a Rowling fez?

 

Ela não assumiu um erro, pois ela é inteligente demais para simplesmente sair e dizer que um shipper não era totalmente funcional. Mais uma vez, ela deixou nas entrelinhas, como aconteceu durante a produção dos 7 livros da saga, algo que ela é campeã em fazer. Bom entendedor captará o que ela quis dizer e achará genial. Talvez, o que tenha magoado foi o fato da autora ter praticamente detonado o Rony na entrevista, o que reforça minha tese de que ela o detesta (lembrando que a autora cogitou matá-lo), justamente pelos tais motivos pessoais. Digo isso com um pouco mais de firmeza porque Rowling teve um casamento conturbado antes de Harry Potter entrar na vida dela, um relacionamento de amor e ódio que foi praticamente destrutivo.

 

Ela simplesmente teve um coração partido, foi embora sem dinheiro algum e com uma filha recém-nascida nos braços. Não me espantaria se um dia ela dissesse que Rony e Hermione ganharam um final feliz que ela não teve, um sentimento que, até então, ela só alcançou no atual casamento.

 

As palavras de Rowling não teve intuito algum de magoar os fãs da saga. O foco da entrevista foi Hermione e suas relações, nada mais.

 

Opinião da Random Girl

 

 

O que se esqueceram ao longo dessa bagunça gerada por um assunto extremamente delicado é que a J.K. jamais e em hipótese alguma tomaria partido de um shipper de forma escancarada. A partir do momento que ela erguesse uma bandeira e assumisse um erro, ela anularia a sua credibilidade como escritora. Ela mostrou dois pontos de vista que, no geral, foram focados na Hermione. Vale mencionar que ela também não foi tão otimista com o Rony.

 

Rowling não se arrependeu de nada, algo que muitos sites irresponsáveis anunciaram. O que foi apresentado para mim ao longo da leitura da matéria foi um interessante viés criativo e bastante sensitivo, especialmente para quem gosta de escrever e sente dificuldade em moldar os casais da trama.

 

Outro detalhe que faltou um pouco de tato e de compreensão é que, quando a saga terminou, Rowling teve uma nova perspectiva do resultado final, um detalhe que faz parte da vida de qualquer escritor. Nem sempre o que conduz o autor ao final da história é uma ideia certa e, mais tarde, ele pode sim pontuar as próprias falhas. Ela teve ao longo dos anos sem Harry Potter o famoso distanciamento da obra. Um detalhe que é praticamente regra de quem escreve, pois é a pausa que dá fôlego para continuar e que dá visão sobre outros vieses e storylines que nem sempre ficam muito claros.

 

No caso de Rowling, ela mal respirou para lançar um livro atrás do outro, rodeada de cobranças da editora e do estúdio. Lembrem-se que ela só vendeu os direitos de Harry Potter se tivesse poder criativo na adaptação e isso pode sim tê-la atrapalhado ao longo da escrita dos últimos volumes.

 

Rowling chegou a ter um bloqueio durante o desenvolvimento de a Ordem da Fênix, o que atrasou a publicação, o que indica o quanto ela se cobrava para deixar tudo nos conformes, tudo perfeito, tudo tão encantador para que os fãs fossem até o fim ao lado dela. Rowling teve que encontrar tempo sabe-se lá de onde para poder publicar os livros em tempo hábil e o que escutei quando essa entrevista saiu foi uma galera xingando a autora por causa do fato dela ter assumido algo que abalou o universo mimado de determinados fãs.

 

Quer um exemplo mais atual? Veronica Roth e o que ela fez no final da Allegiant. Brava, poderosa e nem um pouco preocupada com que os fãs poderiam pensar. Causou dor de cabeça? Causou. John Green disse que o livro é dos leitores, então, cabe a nós sermos maduros para entendermos certas escolhas. Vai mudar alguma coisa? Não! Mas ler é aprendizado. Sempre é.

 

Foram duas semanas de puro estresse, mas com um saldo de ter meus harmonians de volta e eu agradeço e muito pela entrevista, pois a Rowling viu o que defendi muitos anos acompanhando a saga Harry Potter. Por mais que muitos queiram tapar o sol com a peneira, o resto da entrevista apenas cravou tudo o que jamais Rony e Hermione provocaram na minha nobre pessoa com sangue de cobra.

 

Revista simplesmente linda, com shoot da Emma formidável e um conteúdo mais do que perfeito. Só amor <3

Stefs
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