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07/fev

Então que demorei, mas finalmente assisti A Hospedeira. Depois de muitas tentativas de começar o filme e desistir para dar atenção a outro, eis que minha arma secreta (leia-se minha irmã) me colocou de castigo de novo para poder conferir o longa baseado na obra de Stephenie Meyer. Adianto a partir deste parágrafo que gostei muito do que assisti e minha defesa vai pelo simples fato de que tenho absoluta certeza de que quem o viu não captou a verdadeira essência do filme, como também tenho absoluta certeza que as pessoas que acharam ruim foi pelo simples fato de não suportar Twilight.

 

A Hospedeira chegou aos cinemas no ano passado e traz a premissa da extinção dos humanos devido a uma invasão alienígena no nosso querido planeta Terra. Aqueles que sobrevivem são perseguidos até serem capturados para que, logo em seguida, os corpos se tornem hóspedes. Porém, nem todos reagem à inserção de maneira positiva e lutam com o hospedeiro, como acontece com Melanie assim que recebe Peg (ou Wanda que se refere ao nome original em inglês). A partir disso, as duas brigam para ver quem domina corpo e mente, e a hospedeira sai em desvantagem por viver as lembranças da hóspede e se apaixona por tudo que vê. A pedra no sapato é a Buscadora, muito bem interpretada por Diane Kruger, que quer saber onde estão os humanos que ainda resistem e que estão interligados à Melanie. Isso dá início a uma história que colide o otimismo e o egoísmo perante o desconhecido.

 

O romance não ganha foco na história, mas a questão de sobrevivência. A Hospedeira é sim um filme fraco para os padrões dos grandes críticos que pontuam o roteiro como nem um pouco eficaz. Claro que ele não atende muitas expectativas dos mais chatinhos, pois vale lembrar que obras do universo YA é para agradar um público que é formado em grande parte por adolescentes. Eu achei essa obra de Meyer muito tocante e o longa conseguiu abraçar muitos sentimentos que me fizeram chorar. Trata-se de uma história pura e ingênua, do ponto de vista de uma alma que não faz a menor ideia do que é viver no nosso planeta. Tudo gira em torno de uma hospedeira que não tem noção do que os seres humanos são capazes de fazer para se manterem vivos.

 

Jeb é o fio de esperança para a sobrevivência de Peg e de Melanie, e ele é o mestre do aprendizado que abre muitas questões sobre os valores e os defeitos humanos, onde um deles é pensar acima de tudo em si mesmo, ao ponto de tomar decisões na ilusão de que beneficiarão todo o resto.  O que Meyer trouxe nesta obra foi uma briga de sentimentos difusos, do quanto falamos muitas coisas e não conseguimos colocar na prática. Afinal, é muito poético dizer que se aceita as diferenças e, na hora da verdade, sair pela tangente.

 

No filme, Peg diz para Ian que ele sentiria nojo ao vê-la como realmente é, pois a hospedeira não é como Melanie. Ela é uma parasita muito semelhante a uma ameba. Isso levanta a questão de que vivemos em uma sociedade extremamente preconceituosa e hipócrita, com valores deturpados e com um senso desnecessário de superioridade. Na escola, aprendemos que todas as pessoas são iguais e, quando crescemos, vemos que não é exatamente dessa forma, pois ninguém é 100% legal e confiável. Esses são alguns pontos que A Hospedeira trabalha da melhor maneira possível, o que mostra que uma história não precisa de uma garota e um garoto desesperadamente apaixonados para dar um gracejo à trama. Tudo é centrado no grupo de humanos que se desafia para honrar um código de não julgar o livro pela capa. De conhecer antes de ter uma opinião. De tratar o diferente como um igual.

 

A Hospedeira encanta por transmitir a mensagem principal da maneira mais sutil possível com base na sobrevivência de duas espécies que compartilham o mesmo corpo. Pode ser um filme adolescente meio bobo para alguns, mas é daqueles que é agradável de assistir. O clima futurista não é surreal e muitos comportamentos inapropriados de alguns personagens não se destacam – achei Eric muito comedido –, mas o longa não foge da ideia de respeito mútuo e não se esquece de agradar os telespectadores com as sensações boas do primeiro amor. Estamos tão rodeados de coisas ruins que filmes como este são tachados negativamente, sendo que há uma ótima mensagem em meio a tantas obras cinematográficas vazias, sem apelo algum, e totalmente intransigentes.

 

Não tem como não se cativar por Saoirse Ronan que torna a história mais dramática, onde o que importa é a cumplicidade entre Peg e Melanie que, juntas, compreendem o que são uma para a outra e aprendem a se amar. É por meio delas que há o respeito pelas diferenças, o que influencia o comportamento de todo o resto. É uma história de duas personagens que vivem no mesmo corpo em constante atrito, mas que aprendem a se respeitarem ao ponto de agirem em concordância ao redor de uma maioria que não se importava com elas. Ronan deve ter tido um trabalho e tanto por causa da mudança de expressões a todo o instante, bem como no desafio de imaginar que Melanie falava na sua cabeça.

 

Eu não sei comedir o quanto A Hospedeira é fiel ao livro, pois a lembrança da minha leitura está bem distante. Contudo, grande parte das cenas que eu queria ver estava presente. Eu tinha uma ideia completamente errada de como funcionaria a interação de Peg e de Melanie e, por mais que seja bizarro no primeiro momento, você se acostuma e começa a torcer pelas duas. Quando a história está no derradeiro fim, é difícil não deixar algumas lágrimas escaparem, pois a conclusão (que ficou sem sentido na minha cabeça depois de ter lido o livro) me surpreendeu. Sem contar que o desfecho não ganhou entonação de continuidade, um detalhe que consta na obra. Tudo se fecha com a união das duas raças.

 

O longa trouxe tudo o que senti conforme lia o livro e respeitou todas as linhas tênues das diferenças do amor do ponto de vista de uma personagem que descobriu que nem todos os humanos são ruins. Somos movidos por grandes doses emocionais e a história permaneceu fiel à mensagem. A trama é extremamente pura, que capta a incerteza e o medo de uma alma que foi parar em um corpo humano cuja dona é forte e resistente, e passa a viver com base nas experiências dela. É um aprendizado.

 

Opinião da Random Girl

 

O livro mesmo não tinha muito a oferecer. Por vezes, a leitura era arrastada demais e isso se refletiu no filme que pode não ter a emoção que todo mundo espera. Porém, discordo, pois o que bate de frente com quem assiste despido de todos os preconceitos de quem é a escritora é o quanto a raça humana é orgulhosa, que não dá o braço a torcer para ser extinto, que luta em meio a um egoísmo que é destruído a partir do momento que Peg surge e atrapalha a rotina do grupo de resistência. A cena que mais dói no filme é quando os Buscadores cercam os amigos de Jared e eles simplesmente arremessam o caminhão na parede de concreto. Até que ponto nos protegemos por não aceitarmos o diferente? Por querermos ser únicos?

 

A Hospedeira pede um pouco de carinho e de atenção. É uma chance para refletir sobre as nossas crenças. Acima de tudo, o filme dá esperança. Ele não é de todo ruim e é cativante mesmo com o roteiro fraco. É um filme longo e que honra a fantasia de Meyer em finais felizes e situações sem atrito, sem expectativas de erros, uma falha que aconteceu em Twilight. Isso pode ser um ponto delicado e sucinto a críticas, pois até eu senti falta de um pouco mais de fugas, tapas e tiros. Mas nada disso é capaz de tirar a emoção da trama.

 

O filme abre a questão: até que ponto você se sacrificaria por uma raça que não pensou mil vezes em te aniquilar? Se a raça humana fosse extinta, não agiríamos de maneira tão diferente como foi retratado na obra de Meyer. Ela foi até suave ao expressar as nossas necessidades de sobrevivência, pois tenho certeza que seríamos mais cruéis se nos deparássemos com Peg. Não é subestimar a humanidade, mas basta dar uma olhada ao redor e ver como as pessoas matam uns aos outros por nada. Nós somos intensos e protecionistas demais, ainda mais quando se trata de defender pessoas queridas que nos fazem sair dos limites só à menção de perdê-la.

 

Por isso, repito as palavras que usei na minha resenha do livro que cabem perfeitamente com o que senti com a adaptação:

 

A Hospedeira é muito humanizado, daquele jeito que gosto, que me faz refletir. Nele são ressaltados, pelo ponto de vista de Peg, as qualidades e defeitos dos humanos e o comportamento deles quanto à hora do aperto, como lidamos com uma situação nova e como somos capazes de fazer ou pensar atrocidades por medo do desconhecido, sem contar a nossa necessidade de sobrevivência em qualquer circunstância. Os questionamentos de ser ou não ser estão presentes, onde a dúvida central é manter o corpo da hospedeira ou se sacrificar para que todos fiquem felizes à sua maneira.

 

O vídeo está hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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