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19/fev

“Você é uma carta… escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo”

2 Coríntios 3:3

 

Hoje, trago para vocês a resenha do filme Cartas para Deus para inspirar todo mundo no terceiro dia da Semana Esther. Falar sobre fé pode ser um assunto complicado para alguns, especialmente quando nos encontramos em um momento de desespero, onde não há muito que se fazer a não ser esperar. Em casos como o de Esther, um dos segredos é não deixar de acreditar e isso engloba muita fé no processo. É difícil, ainda mais quando não se acredita em uma força maior, mas eis que a história de Tyler Doughtie, o personagem real que inspirou o longa, tem muito haver com a pequena Estrela. Por volta dos sete anos, ele foi diagnosticado com um tipo de câncer cerebral, o que mudou toda a rotina dos familiares. Isso o fez abrir o coração para Cristo.

 

Durante a hospitalização, cujo tratamento se saiu muito bem, o pai de Tyler, Patrick, resolveu escrever uma história de ficção intitulada Letters to God (o nome do filme em inglês). Para isso, ele pediu orientação a Deus para que pudesse por os pensamentos no papel e, quando engatou 6 capítulos, interrompeu o processo por ter caído em depressão por causa da luta do Tyler contra a doença que roubava a infância do seu filho. Mais tarde, ele se empenhou para terminar o que começou, um projeto que surgiu em um momento de desespero. Não é à toa que Patrick ajudou a dirigir e roteirizar o longa. Eis mais um exemplo de como as palavras podem ser um meio para lidar com determinada situação.

 

Bem como a fé.

 

O filme Cartas para Deus capta a essência da fé do pequeno Tyler como também de alguns membros da família dele. Baseado em grande parte na história real, a parte fictícia ficou por conta da inserção do carteiro, personagem que se admira e se comove com as cartas que o menino deixa na caixa do correio, todos os dias, destinadas a Deus. Brady, o carteiro que ganha destaque, é o ponto que confronta a crença em um poder maior. Ele é uma pessoa consumida pela tristeza, perdida, viciada em bebida e que luta pela custódia do filho. Ao encontrar a família Doherty (o sobrenome foi alterado para o filme), Brady começa a ter um pouco mais de esperança nas possibilidades da vida e tem Tyler como seu maior exemplo de fé. Inspirado pelo menino, ele faz o que jamais pensou que faria: abriu o coração para Deus.

 

Nas cartas, Tyler relata a rotina, os lados bons e ruins, mas a parte triste é quando ele se refere à doença e tenta entender como ela se impregnou nele. Por meio de um ponto de vista infantil, o menino começa a aceitar a ideia de que tudo aquilo é uma missão de Deus, onde todos estão predestinados a viver aquele momento. Tyler vê Maddy, a mãe, como uma pessoa muito mais que especial, pois, na mente dele, ela foi escolhida para lhe dar apoio e conforto enquanto passa por todas as fases do câncer. Eu bem concordo com isso, pois acredito que as pessoas são atraídas para nós sempre com algum aprendizado na bagagem e há aquelas mais especiais destinadas a segurar as nossas mãos em momentos de intempéries.

 

Ao longo da trama de Cartas para Deus, não tem como não se perguntar como crianças, que mal entraram na puberdade, ficam doentes de uma hora para a outra. Pecado dos pais? Destino dos filhos em mudar o tipo de convívio ao redor deles? Não sei, mas não deixa de ser injusto, pois há tantas pessoas ruins no mundo que é meio impossível não se revoltar quando as boas simplesmente vão embora, ainda mais de um jeito tão cruel.

 

O filme em si foca muito na rotina da família, onde todos só pensam e oram por Tyler. Maddy e Brady representam dois pontos de conflito que ficam ao redor do menino que não desiste de fazê-los acreditar em Deus. Ele os inspira, o tempo todo. Ambos estão prestes a perderem os filhos de maneiras diferentes e encontram conforto Nele. A mãe e o carteiro abrem o coração para Deus e começam a compreender que a vida tem propósito. Tyler não ficou doente porque Ele é ruim, mas porque o pequeno tinha uma missão maior que era espalhar a palavra Dele para inspirar as pessoas. E é exatamente isso que ele faz.

 

Dentre tantos personagens, Ben, o irmão mais velho, foi o que mais me marcou, pois ele se sente abandonado pela mãe. Maddy dá mais atenção ao Tyler, mas não é proposital. O adolescente se sente recluso, abandonado. É por meio dele que os atos egoístas quanto ao estado de Tyler são apresentados, de um jeito leve, mas que representam aqueles que não se conformam com uma situação dessas. Ben é o personagem que mais amadurece, especialmente quando o irmão mais novo o inspira a escrever uma carta para Deus, onde ele é sincero sobre suas aflições perante a situação de Tyler.

 

Tyler é otimista, sempre disposto a fazer da sua infância um momento a ser vivido e relembrado, independente da doença. Ele tem uma melhor amiga, entra em encrencas e é apaixonado por esportes. Enquanto a doença o consome, o pequeno não deixou de acreditar e, de quebra, inspirou, especialmente o carteiro que lê as cartas de Tyler e começa a mudar muitos pontos de vista sobre si mesmo e sobre o entorno, o que garante boas lágrimas.

 

A mensagem principal de Cartas para Deus é a fé, mas, acima de tudo, há incluso o poder das palavras. Não é todo mundo que se sente confortável em buscar a Bíblia para ler um excerto, como também há quem se sinta idiota em conversar com Ele, pois dá a impressão de que se fala sozinho, sem ser ouvido. Há aqueles que têm uma fé incondicional, mas há aqueles que se encaixam justamente no perfil de Ben, que possuem medo de conversar com Deus temendo que Ele não cumpra o que é pedido. Nesse caso, vida longa ao Tyler. Vale tocar no ponto da missão, onde cada personagem atua dentro daquilo que eles defendem ser um propósito, pois há um plano maior. Não estamos aqui apenas de passagem.

 

Relações de Tyler com Esther

 

O pai do Tyler real afirmou em algumas entrevistas que o filho tinha curiosidade em saber mais sobre Deus. O pequeno sempre foi caracterizado como dono de uma alma antiga, um detalhe que os amigos do Catitude afirmaram sobre Esther. De todos os filhos, Tyler tinha algo de especial. Ele lutou muito ao longo do tratamento e, mesmo com os momentos em que ficava debilitado, o menino não perdeu a fé. Mesmo depois de um período de remissão, outro tumor apareceu e se espalhou muito rápido. Tyler não resistiu e faleceu em 2005.

 

A história de Tyler (tanto o real quanto o fictício) tem como ponto de partida a luta contra um câncer delicado, mas, acima de tudo, do poder da aceitação de Deus. Esther sofria calada e descobriu que, além de desenhos e de palavras, há um Deus e ela abriu o coração para Ele. Para ela, sem Deus nada importava. A mesma atitude tocou o coração de Tyler e ele conseguiu fazer com que as pessoas ao redor dele se apoiassem e conhecessem a palavra Dele enquanto tentava mandar o câncer para longe.

 

Ao se deparar com uma doença tão grave de um ente querido, e assisti-la mesmo a distância, é meio impossível não indagar a própria fé. O câncer é uma doença delicada que tem um grande poder de destruir não só o emocional do paciente, como também dos envolvidos. Qualquer enfermidade tem a capacidade de causar atritos. Especialmente, o silêncio. Quando se enfrenta algo desse tipo, a última coisa que se pensa é no plano ou no propósito de Deus.

 

Tyler foi escolhido para exercer um papel, assim como Esther. Posso até dizer que exerci o meu e imagino ter feito meu melhor. Eu não sei comedir o quanto mudei com o que aconteceu comigo anos atrás, mas, ao longo da jornada cheia de espinhos, é normal procurar alternativas para se sentir melhor e não preocupar o próximo. O Tyler de Cartas para Deus inspirou um carteiro que achava que tudo estava perdido e Esther conquistou muitos corações com seu otimismo e, especialmente, com sua incontrolável empolgação que contagiava todos que estavam ao redor dela. Para se sentir confiante e útil, o Tyler fictício queria um par de sobrancelhas e o Tyler real queria que as pessoas abrissem o coração para Deus. Esther queria inspirar e queria que as pessoas se envolvessem com causas altruístas. Ambos ajudaram a diminuir as coisas ruins do mundo e aumentaram as coisas incríveis.

 

É difícil acreditar, mas todo mundo tem o seu propósito. Todo mundo tem fé, nem que seja um pouco. Em momentos de escuridão, basta escutar o próprio coração e esperar pela orientação. Porém, cada um precisa fazer a sua parte. Não basta apenas pedir e jogar um dilema para o universo. Não adianta culpar Deus pelo seu fracasso antes de se perguntar o que você deixou de fazer para conquistar alguma coisa. Claro que há situações incontornáveis, mas é onde mora a missão, o propósito, o sentido da vida. Cartas para Deus é um aprendizado e um caminho para redescobrir a fé sob a lupa de um garotinho que poderia simplesmente desistir, mas fez da sua missão um “verdadeiro significado da fé e sua vida foi uma carta para Deus”.

 

Atentem-se aos créditos finais do filme, pois há outras histórias sobre pessoas que enfrentaram ou enfrentam o câncer e que se sentiram inspiradas pela luta de Tyler.

 

 

#SemanaEsther: visitem os outros blogs participantes.

Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • Beatriz Baptista

    É verdade,a gente acha que os nossos problemas são os maiores,e quando nós vemos um filme ou um história assim fica até difícil de dizer que bos nossos problemas são os maiores e os mais importantes!

  • heyrandomgirl

    Oieeee!! Obrigada pelo comentário <3

    Esse filme é mto, mto, mto lindo mesmo. Realmente, faz pensar demais.

    Beijossss!

  • patricya

    filme liindo uma verdadeira lição de vid
    faz refletir muiito