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24/fev

Infelizmente, ontem não deu para publicar o último texto da Semana Esther, mas aqui estou com a resenha do livro A Estrela que Nunca vai se Apagar. Se esse post tivesse sido feito no papel, tenham certeza que ele estaria banhado com muitas lágrimas, pois foi exatamente desse jeito que sentei de frente para o Rory e comecei a digitar feito uma maluca. Ainda estou com aquela sensação de coração partido, como se realmente tivesse perdido uma grande amiga. É um luto que só me fez refletir, especialmente no final de semana, quando me dei conta do trabalho que realizei nos últimos dias em nome da Esther. Todos os posts dedicados a ela contribuíram para que eu revisse alguns sentimentos sobre o que aconteceu comigo no passado. Foi algo muito revelador.

 

Quando vi a oportunidade de fazer parte da Semana Esther, hesitei incontáveis vezes. Afinal, câncer é minha palavra tabu. Quando montei o cronograma, pensei seriamente em desistir, pois imaginei que não conseguiria chegar até o fim. Seriam 7 dias em contato com um assunto que sempre saio pela tangente. Para vocês terem ideia, o livro A Culpa é das Estrelas foi o último contato que tive com o assunto e fiquei muito baqueada. Agora, imaginar o que seria de mim durante 1 semana me fez quase voltar atrás. Quase. Aqui estou eu com o que seria o último post dessa experiência incrível que ajudou meu coração a ficar mais leve.

 

Quando me deparei com a história de Esther, voltei a bater de frente com uma antiga pergunta que me atormentou entre os anos de 2007 e 2010: como pessoas boas passam por tantas coisas ruins? É uma pergunta mundial, pois não há motivos para os vilões sempre se darem bem enquanto pessoas de valor sofrem sem ao menos começarem a viver de verdade. Não que Esther não tenha vivido, pois ela aproveitou cada minuto que lhe foi oportunizado para fazer coisas boas. Por mais que ela se sentisse na maior parte do tempo uma inútil e uma preguiçosa, Esther uniu tantas pessoas – e ainda continua a unir – por causa do seu lado prestativo, altruísta e acolhedor que redobrou sua força para lutar por meio de um sentimento chamado amor.

 

Esther teria pulado em círculos com a alegria de saber que conseguiu realizar o sonho de ser escritora e, não só isso, ser uma escritora best-seller. A Estrela que Nunca vai se Apagar foi montado pelos pais dela, Lori e Wayne Earl, uma obra dividida por cores que servem para separar as páginas brancas do diário de Esther com as outras que representam os depoimentos de pessoas que conheceram e conviveram com ela, como também o relato dos pais no site do CaringBridge Hospital.

 

O livro é composto por fragmentos da luta de Esther contra o câncer da tireoide que começou em 2006 e reconta o que aconteceu até 2010, o ano em que a Estrela se foi. Ela foi diagnosticada com 12 anos e, ao longo do tempo, os pulmões se tornaram os órgãos mais comprometidos, o que a fez ter como bagagem extra um cilindro de oxigênio. O que poderia ser uma história triste para a família Earl e um fardo insustentável para Esther, ainda mais sendo uma criança, tudo se tornou uma vivência de muito amor e de novos aprendizados.

 

Lidar com o câncer da tireoide foi um desafio que fez não só Esther amadurecer muito rápido, como propiciou uma nova visão de vida entre os familiares que acompanharam a luta dela, todos os dias. Era um conflito emocional constante. Como Wayne diz no livro, lidar com o câncer era o mesmo que estar em um front de batalha, pois a doença oscila. Quando se acha que está tudo bem, o súbito susto acontece. Enquanto Esther lutava, os pais relatavam tudo no site do CaringBridge Hospital, o meio mais fácil para as pessoas saberem do estado de saúde de Esther. Sem contar, que ela fazia postagens com pouca frequência, mas o suficiente para que a fé sobre a melhora dela não fosse deixada de lado.

 

Todas as páginas preservam uma sequência lógica, até mesmo os depoimentos que complementam um pensamento de Esther ou uma ocorrência do estado de saúde dela. As cores indicam a mudança dos “narradores”, onde as vermelhas pertencem aos posts no CaringBridge Hospital e as verdes representam os depoimentos mais sensitivos sobre a Estrela. A Estrela que Nunca vai se Apagar é um apunhado rico e completo de dados da adolescente que inclui não só as páginas do diário dela, mas desenhos, ideias e transcrições dos vídeos que ela fez para o canal dela no YouTube.

 

Ao longo da leitura, não tem como não sentir que se vivencia tudo o que acontece com ela no momento presente. Não tem como impedir que o coração fique pequeno quando o fim se aproxima. Esther foi bravíssima e fez da própria história uma riqueza de experiências incríveis. A cada pausa da leitura, é meio impossível não fechar o livro e pensar na Esther e no quanto ela não merecia passar por isso. Com muitos empecilhos e frustrações, ela conseguiu entender o que muitos diriam ser o propósito dela, o que a fez aceitar um pouco mais o seu estado por meio da fé e do desejo de fazer algo por alguém. Fazemos parte de um plano maior, certo?

 

Assim como qualquer adolescente, Esther tinha desejos pessoais, como beijar um garoto. Ela adorava esmaltes coloridos, seus cabelos e suas sardas. No meio de tanto amor e de tanta dedicação de pessoas que, por vezes, lhe eram desconhecidas, Esther escondeu muitos sentimentos negativos que tinham tudo para deixá-la deprimida, o que acontecia em certos momentos. O amor e a aceitação na comunidade online fez a vida dela ter mais cor com muitas experiências marcantes. Entre os nerdfighters, a Estrela foi respeitada por ser quem era e não por ter câncer.

 

Abigail (irmã), Esther e John Green

Muitos podem pensar que John Green usou Esther para ter uma história, mas isso é muito feio de se pensar. Afinal, Hazel não é Esther. Esther amava John e ele se inspirou nela para escrever sobre adolescentes mais compreensivos. O charme e a ironia de Esther estão presentes em Hazel, bem como o visual, mas não é a história da vida dela. John deu muita força à adolescente e a ajudou a fazer o que ela mais queria: a diferença. O autor pode ter sido um meio para ela ter se tornado popular na nerdfighteria, mas Esther honrou a comunidade e se tornou uma figura épica entre os amigos virtuais. Wayne me fez morrer de amor ao relatar o encontro com John, onde ele disse que o escritor era o Doctor e Esther era a companion. Cada um tem o seu companheiro de aventuras e Esther conheceu muitos deles.

 

Ao longo das páginas, é impossível não se encantar com Esther e o livro preza muito isso. A Estrela que Nunca vai se Apagar é um material rico e ao mesmo tempo pesado, difícil de não refletir sobre o que fazemos com a nossa vida. Há tantas pessoas com dificuldades semelhantes ou não as de Esther e que não desistiram de uma boa luta, nem mesmo quando tudo parece irreversível. Isso faz da história da Estrela um sinônimo de perseverança. De inspiração. Uma mensagem forte para não desistirmos do que queremos.

 

A Estrela que Nunca vai se Apagar existe por causa da promessa de Wayne. O pai garantiu que escreveria a história dela, mas nada mais propício que contá-la do ponto de vista da própria autora. Embora estivesse o tempo todo deitada, a Estrela demonstrou o seu amor sempre que tinha chance e é simplesmente linda a maneira fácil com que ela dizia que amava as pessoas, uma atitude tão rara e tão difícil de arrancar até mesmo de quem passa o tempo inteiro com a gente. Esther conseguiu deixar a sua marca e, na medida do possível, diminuiu as coisas ruins do mundo para aumentar as boas.

 

Opinião da Random Girl

 

Are you going to age with grace? Are you going to age without mistakes? Are you going to age with grace or only to wake and hide your face?

 

Durante a Semana Esther, repeti milhões de vezes: estou com uma música triste na cabeça que nunca vai embora e ela me deixa deprimida. Era Oblivion, do Bastille. Foi a música que mais escutei durante esses dias na companhia da lembrança da Estrela. Quando terminei a leitura do livro, era como se tivesse feito uma nova lição de casa e redescobri que não é proibido sentir demais, que é possível escrever o que sente, que ainda dá para lutar e fazer o bem mesmo em tempos de dificuldades. Esther viveu pouco, mas o suficiente. Ela aproveitou tudo com muita intensidade. Por mais que soe como um relato triste, trata-se de uma história real cheia de ensinamentos. É um livro cujas palavras de ordem são amor, fé e esperança.

 

Esther e o pai

Esther deu amor genuíno às pessoas e foi correspondida. Ela tocou muitas vidas, talvez, sem ter ideia do quanto as influenciou, especialmente jovens que continuam a se inspirar nela. A história da Estrela impulsionou adolescentes – e por que não adultos – a verem a vida com mais carinho e com mais respeito. Tudo o que Esther tinha para fazer era em um momento pontual. O agora. Ela não pensava no amanhã. Ela sempre pensava no presente, onde tudo precisa ser vivido de uma vez só. Afinal, não sabemos o dia de amanhã. Esther deu valor ao tempo que tinha, sendo que poderia choramingar e culpar os céus pelo estado do qual se encontrava. Mas ela não fez nada disso. Devagar, Esther conquistou um espaço em cada coração que foi tocado pela sua história devido à facilidade de oferecer amor e de abraçar desconhecidos como seus iguais.

 

A Estrela que Nunca vai se Apagar é uma leitura densa, que mexe com muitos sentimentos. Ao menos, fiquei extremamente derrubada. São páginas originais de uma garota que sonhava em ser escritora atreladas às experiências de outras pessoas que a amaram incondicionalmente. Eu não consegui impedir que o luto batesse de frente comigo, especialmente quando se lê as palavras de Wayne sobre o último dia de vida dela.

 

Esther realizou um desencadeamento de amor, uma reação em cadeia de fé. Quem não a conhecia pessoalmente torcia da mesma forma e com o mesmo fervor. Quando ela foi parar no hospital já no derradeiro fim da sua história, o que aconteceu foi um tipo de dor mútua, crescente, única, que abalou todos que tinham admiração e uma ligação muito pessoal com tudo o que acontecia. Mesmo fraca, Esther não abaixou a guarda. Por mais que o ar estivesse rarefeito, cada suspiro de Esther era uma bênção. O viral de amor online por Esther foi uma corrente forte e que continua em todo Esther Day. Por mais que pensasse que estava sozinha, havia muitas pessoas com a mente e o coração voltados para ela, o que a ajudou de certa forma a enfrentar de cabeça erguida os altos e baixos do câncer.

 

Nas palavras de Wayne, todos ao redor dela ficaram maravilhados por terem participado de uma vida tão perfeita, corajosa e maravilhosa. A Estrela que Nunca vai se Apagar mostra tudo isso e mais um pouco, uma história real e que é impossível não vivenciar cada momento ao longo da leitura. É um livro lindo e raro que não gira em torno do câncer, mas de se ter uma vida plena em meio a uma situação assustadora.

 

 

 

Na Prateleira: 

Nome: A Estrela que Nunca vai se Apagar
Autor: Esther Earl
Páginas: 448
Editora: Intrínseca

Stefs
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