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25/fev

Eu não ia resenhar o filme Gravidade (Gravity), mas decidi fazer isso por questões de honra. Todos que me conhecem sabem que tenho um pequeno trauma – de muitos – chamado Alfonso Cuarón por motivos de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Para alguns, este foi o filme mais fiel (não sei de onde) e bem produzido da saga, mas posso dizer com todo meu coração que assisto o Enigma do Príncipe, mas não me botem em frente à terceira adaptação. Minha birra vem de algo chamado Era dos Marotos e o diretor arruinou meus sonhos e minhas expectativas em cima disso. O lobisomem ficou a coisa mais horrível do mundo, por exemplo. Esse era o filme que apostava todas as minhas fichas e saí do cinema totalmente frustrada. Porém, essa redação pode ser assunto para outro post.

 

Quando soube que Gravidade é assinado não só por 1, mas 2 Cuarón, comecei a rir. Pensei: de onde veio essa ousadia de fazer um filme com uma pegada meio sci-fi, ainda mais com a Sandra Bullock de protagonista? E o que será desse filme sendo que ninguém tem currículo para isso? Na época em que ele foi lançado, muito se falou e eu só observei. Só acho que o Cuarón deve ter se batizado na mesma lagoa de James Cameron, o rei das ideias inusitadas que aparecem a cada 10 anos, para rodar Gravidade. Confesso que não apostava minhas fichas no longa, tinha certeza de que não o assistiria, pois, em época de Oscar, sempre deixo um filme para trás por não ser dissuadida o bastante. Em uma tarde tediosa de domingo, resolvi dar uma chance, tudo porque é um filme de menos de duas horas e, se fosse chato, eu poderia pular para qualquer outro que com certeza seria melhor que aquilo.

 

Cuarón riu da minha cara dessa vez, pois aquilo pode não ter uma storyline forte, mas é visualmente impressionante. Se a ideia foi transmitir certa claustrofobia de pessoas perdidas no espaço, ele conseguiu com uma inédita excelência. Todas as tomadas são simplesmente incríveis, especialmente os giros de câmera em torno do planeta Terra. Esse é um detalhe que tende a ser bem perigoso no cinema, pois, geralmente, quem se aventura nessa ideia investe tanto em efeitos especiais que causam uma aparência bem falsa. No caso de Gravidade, tudo ficou próximo da suposta realidade do espaço, uma fotografia muito perfeita. Confesso que fiquei bem chocada com a precisão das imagens, como se os atores realmente estivessem no espaço para gravar e lutar contra a gravidade. Isso foi muito bacana!

 

A premissa de Gravidade é bem simples: a Dra. Ryan Stone, vivida pela Suprema Sandra Bullock, é autorizada a ir para o espaço para trabalhar em uma engenharia de alta tecnologia depois de 6 meses no treinamento especializado da NASA. Como ajudante, ela tem Matt, a parte cômica e cheia de si interpretada pelo lindo George Clooney. Entre uma troca de diálogo e outra, os dois e mais outros que também estão a serviço no espaço enfrentam uma rotina cheia de normalidade, mas um satélite russo é atingido por um míssil e se torna uma nuvem de detritos que coloca a tripulação em risco. Até a cena do ataque é muito realista e apavorante, especialmente por saber que não tem para onde fugir.

 

Os primeiros minutos são bem chatos e pensei seriamente em desistir. É a coisa da monotonia no espaço. Quando o caos começa é meio difícil desprender os olhos da tela, especialmente quando Ryan se vê sozinha na luta pela sobrevivência. Por meio dela, conhecemos o interior das espaçonaves e prendemos a respiração nos momentos de tensão. Ao longo de Gravidade, você sente que coisas boas não acontecerão, pois lidar com o espaço é uma situação imprecisa. Tudo é gravidade e ela pode simplesmente se voltar contra você. Quando Ryan acha que vai se dar bem, ela se dá mal, e esse ritmo a acompanha até o derradeiro final. A sensação de claustrofobia é muito presente no filme, especialmente quando há cortes secos e tomadas externas da espaçonave, onde nada se escuta. Apenas se vê a luta da doutora em retornar à terra firme com vida.

 

Machucando muito meu ego, Cuarón deve ter acordado inspirado na hora de esboçar Gravidade. É uma criação formidável, um tipo de sci-fi bem leve (nem sei se posso dizer isso), mas que tira o fôlego. Por mais que Sandra seja vista como a pessoa de peso, o personagem principal é o espaço. O diretor investiu muito na fotografia, o que faz do plot do filme muito banal. Não espere macacos, nem queda livre em uma floresta dominada por ETs ou qualquer ideia absurda que sempre acompanha as histórias de astronautas que se perdem da Terra. É um drama que segue uma premissa que não é novidade, mas se mantém em torno de um único personagem que é facilmente ofuscado pelo poder visual do longa. Claro que a atuação de Sandra é mais uma vez imbatível, pois a atriz leva Gravidade sozinha, mas Cuarón conseguiu transmitir a imensidão do espaço e os perigos que ele pode guardar como uma perfeita caixa de Pandora.

 

Infelizmente, devo dizer que Cuarón me surpreendeu com uma investida que achei bem corajosa. Agora, entendo perfeitamente porque ele tem ganhado muitos prêmios e não me espantaria se ele levasse o Oscar de Melhor Diretor, pois, para alguém como ele, rodar Gravidade foi uma novidade tremenda. Foi uma baita surpresa, sem dúvidas. Agora, Melhor Filme, não acho que leva, pois, se tirar o espaço, a história é clichê.

 

Para quem acha que é um filme chato – como eu achava – vai a dica, especialmente vinda de uma pessoa que só faltou fazer um saco de areia com a cara do Cuarón para dar uns socos.

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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