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03/fev

2013 foi um ano bem interessante pra mim em termos de leitura, apesar de eu não ter lido tantos livros quanto gostaria. Pisei em janeiro terminando de ler Jane Eyre, da Charlotte Brontë, e acabei o mês engolindo Hearts in Atlantis, do Stephen King, com o maior prazer do mundo. Em fevereiro, conheci a série Fallen, da Lauren Kate, porque uma colega do trabalho estava lendo o segundo livro, Tormenta. Eu torci o nariz, pelo trauma de Crepúsculo, mas acabei lendo pra passar o tempo no quiosque (se trabalhar em shopping tinha algum benefício, com certeza era poder atualizar a leitura nos dias menos movimentados!), gostando, e até baixei os e-books.

 

O que não fez diferença nenhuma na minha vida, porque eu não consigo ler no pc, então até hoje só consegui ler o primeiro livro e estou há dois meses empacada no terceiro – sim, pretendo comprar a série pra terminar de ler e colocar na estante.

 

Ano passado, eu também li todos os Game of Thrones que faltavam, demorei todo o resto do primeiro semestre pra fazer isso. Na correria do emprego novo e das duas mudanças que eu tive que orquestrar, acabei deixando a leitura de lado, o que me deixava extremamente chateada toda vez que eu ia pra cama e fingia que os livros não estavam ali na minha cabeceira, me acusando de abandono.

 

No segundo semestre, já um pouco (bem pouco) mais folgada com o tempo, resolvi começar a ler a trilogia Millennium, que dei de presente pro meu namorado em 2012 e, até então, nenhum dos dois tinha tido tempo de tirar da estante. Os livros me deixaram tão… Estupefata, que eu ainda acho que não estou apta pra falar sobre eles, ainda estou em choque. Li os dois primeiros em 2013, mas o último eu li – em uma sentada numa tarde de domingo – já em 2014. Ainda assim, considero os três livros como os melhores do ano passado, mesmo tendo batalhado com dois Game of Thrones e com os tão temidos Homens Baixos do Stephen King.

 

Como deve ter sido pra muitas pessoas, fiquei sabendo da existência de Millennium por causa do filme americano de 2011, com o Daniel Craig e a Rooney Mara. Aquele foi um filme que me marcou e, desde que eu saí do cinema, vivi com um pulguinha atrás da orelha que fazia meus sensores disparar sempre que passava por uma livraria e via os livros nas prateleiras. Confesso que comecei a ler o primeiro livro com receio de não gostar, afinal, já tinha visto o filme antes. Mas eu não só adorei, como fui totalmente absorvida pela história, pelos personagens, por tudo.

 

Explicando um pouco mais sobre a trilogia, ela foi escrita pelo jornalista investigativo sueco Stieg Larsson e é composta pelos livros: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (The Girl With the Dragon Tattoo), A Menina Que Brincava Com Fogo (The Girl Who Played With Fire) e A Rainha do Castelo de Ar (The Girl Who Kicked the Hornets’ Nest). Assim que o Larsson entregou os manuscritos para os editores, em 2004, ele morreu de um ataque cardíaco com 50 anos e não teve a chance de ver seus livros serem publicados. É impossível conhecer a natureza deles e não ficar intrigado com uma morte assim tão súbita, mas aí a minha imaginação já sai do controle e entra na terra das conspirações. Melhor ficarmos nos livros.

 

Os protagonistas são a Lisbeth Salander, uma hacker de 20 e tantos anos, estranha, com uma inteligência absurda e certa dificuldade de se relacionar com outras pessoas, e o Mikael Blomkvist, um jornalista investigativo com uma boa reputação, mulherengo e com uma tolerância baixíssima para corrupção. O Mikael, depois de ser condenado por ter denunciado sem provas um grande empresário em sua revista, a Millennium, é procurado por outro empresário, Henrik Vanger, já de uma idade avançada, para solucionar o caso do desaparecimento de sua sobrinha há quase 40 anos.

 

Ao mesmo tempo, a Lisbeth, que trabalha como investigadora em uma companhia de segurança, é incumbida de checar o histórico do Mikael, solicitado pelo Vanger.

 

 

Nesse cenário, e conforme as investigações avançam, eles se conhecem, se aproximam e a história se desenrola. Eu fiquei muito surpresa ao ver como a adaptação americana foi fiel ao livro, em meio a tantos filmes e séries que existem hoje, que meramente se assemelham à obra. Obviamente, alguns detalhes foram deixados de fora ou alterados, mas a emoção do filme se aproxima bastante da emoção que o livro proporciona.

 

O Blomkvist é sensacional, é impossível não se apaixonar pelo charme dele, todo irresistível e de certa forma inconsciente disso. Também acho incrível como a gente consegue sentir a Lisbeth, toda rude e desconfiada no começo, aos poucos se abrir para aquele cara por quem ela se sente tão atraída, confiando nele e se deixando levar. É por isso que meu coração ficou na mão no final tanto do filme, como do livro (apesar de no filme eles terem forçado um pouco mais a barra), quando sem querer – sem sequer saber, – o Mikael decepciona a Lisbeth.

 

Este caso do primeiro livro/filme é solucionado ali mesmo e não continua nos próximos livros, mas a relação dos dois protagonistas é mais aprofundada. A química entre eles é inegável e muito bem elaborada, principalmente porque ela é a parte mais inteligente da relação, enquanto ele é o protetor. O Stieg Larsson criou dois personagens extremamente complexos, que ao mesmo tempo se completam e se antagonizam, se atraem e se afastam. Eu me envolvi tanto com os livros que eu vivia a história, eu era a Lisbeth e também conseguia calçar os sapatos do Blomkvist perfeitamente.

 

O título do segundo livro, A Menina Que Brincava Com Fogo, é um dos melhores que eu já vi. De uma hora pra outra a Lisbeth se torna uma das criminosas mais procuradas da Suécia, e a gente fica boa parte do livro sem saber se ela é ou não inocente. E, o pior, ela e o Mikael não se falam há mais de um ano, ela fez de tudo pra se afastar dele e continua fugindo, quando ele, convencido da inocência dela, tenta encontrá-la para oferecer ajuda. São páginas de pura agonia, ele fazendo de tudo para ajudar a menina que salvou a sua vida no ano passado, e ela cada vez mais acuada, desconfiada e se recusando a aceitar a ajuda dele e a falar a verdade sobre o que aconteceu.

 

 

Ao contrário do intervalo entre o primeiro e o segundo livro, o terceiro começa logo onde o segundo parou, com uma Lisbeth maltratada e quase morrendo, e um Mikael desesperado pra encaixar as últimas peças do quebra-cabeça e salvar a amiga de uma vez por todas. Pra mim, o único defeito desse livro é o título em português, que até agora eu não entendi. Mas eu li todas as 685 páginas da edição da Companhia das Letras com uma fome insaciável, surtando em cada capítulo, sem condições de deixar o livro de lado. Nem Harry Potter and the Deathly Hallows eu li tão rápido assim.

 

Mesmo sem conhecer muito o autor, ele escreveu os livros de uma maneira tão intensa, que dá pra perceber claramente que ele tinha um envolvimento grande com aquela história. Eu já desconfiava de que muito daquilo ele baseou em coisas que aconteceram com ele mesmo, ou que ele presenciou de uma maneira ou de outra, e que o Blomkvist era uma caricatura meio grosseira dele próprio. Não deu outra, foram exatamente essas informações que encontrei quando terminei de ler e fui pesquisar um pouco sobre o Larsson. E, pelo menos pra mim, esse é o ingrediente mágico que torna uma história realmente boa.

 

O escritor pode ter uma habilidade ímpar com as palavras, se ele não escrever de coração, se ele não usar as próprias experiências e uma essência dele próprio na história, ela nunca será mágica de verdade. Pode ser uma história boa, mas dificilmente vai fazer os leitores perderem noites de sono mergulhados no livro, ou até mesmo pensando nos personagens.

 

 

É uma pena muito grande que o Stieg Larsson tenha morrido sem ver os livros serem publicados, mesmo porque ele tinha planejado uma série de dez livros, não somente uma trilogia, e tinha material pronto pra mais da metade do que seria o quarto livro.

 

Inclusive, em dezembro agora, foi anunciado que uma sequência será escrita pelo autor sueco David Lagercrantz, dando continuidade à série, com publicação prevista para agosto de 2015. Porém, o trabalho incompleto do Larsson não será utilizado nesta sequência, o que dá margem suficiente pra dúvidas.

 

O final da trilogia é bom, não dá gosto nenhum de coisa incompleta, então, eu pessoalmente não tenho muita ansiedade de ler uma continuação escrita por outra pessoa, seja quem for.

 

Falando em continuação, existem sim planos para mais duas adaptações americanas para o cinema, mas ainda não foi confirmado nada. Sobre os filmes originais suecos, eu nunca vi, mas só ouvi falar coisas boas e pretendo ver em breve. Mas eu gosto taaanto do Daniel Craig que tenho dó de ver o original e substituir a imagem que eu tenho dele como Mikael Blomkvist.

 

Recomendo esses livros com quantas estrelinhas eu puder dar, devia ser leitura obrigatória pra qualquer pessoa que goste de ler. E pras que não gostam também.

 

Na Prateleira:

Nome: Trilogia Millennium
Autor: Stieg Larsson

Páginas:
Editora: Companhia das Letras

Mônica
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  • Walter Oliveira

    Excelente resenha!!! Quanto aos filmes suecos, pode assistir sossegada. Michael Nyqvist é um excelente ator que vc viu em Europa Report. O Daniel Craig (que eu adoro) se baseia inteiramente na atuação de Nyqvist pra fazer o seu Mikael Blomkvist. E o que falar de Noomi Rapace então!!! Ela merecia um Oscar por sua atuação como Lisbeth Salander, aliás não é possível pensar em outra atriz no papel de Lisbeth Salander senão a Noomi., que eu adoro de paixão. Espero que venham mais e mais filmes com ela, o que não será muito fácil pq ela é muito seletiva ao escolher seus filmes. Inclusive ele era a primeira opção para atuar ao lado de Daniel Craig, mas não aceitou dizendo ter passado tempo suficiente na pele de Lisbeth Salander. Por enquanto temos o seu brilho em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, e Prometheus. Além destes ela já se rendeu a Hollywood novamente para fazer Passion do mestre Brian de Palma e Sem Perdão com Colin Farrel (ainda não conferi estes dois). Mas voltando, os filmes suecos são excelentes, inclusive esta semana estou assistindo aos 3 novamente no canal Space que hoje deve passar A Rainha do Castelo de Ar. É um cinema diferente que não se importa com efeitos especiais, mas sim com a história.