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26/mar

Aproveitando o embalo dos efeitos que a leitura de Fangirl me trouxe, resolvi bater na tecla sobre fanfiction e tentar dizer os motivos que ainda me fazem permanecer no posto de ficwriter. Agora com o desemprego, o tempo vago me proporcionou de novo momentos de escrita sem compromisso. Não que tivesse abandonado meu crachá de escritora de fanfics, mas minha frequência de atualizações diminuiu bastante por conta do trabalho, do We Project e do blog. É difícil conciliar tantas coisas legais ao mesmo tempo e, se eu der um impulso a mais, simplesmente enlouqueço.

 

Quando postei um capítulo de uma fic que comecei em 2012, senti como se tivesse colado de volta um pedaço de mim que estava escondido debaixo do tapete. Sinto-me mais completa, pois escrever ficção de fã de Harry Potter sempre foi uma válvula de escape, um dos meus motores para passar o tempo.

 

Quando tudo começou

 

Minha “carreira” de ficwriter começou em 2002, mas só descobri o que realmente fazia em 2004. Porém, só tomei coragem de publicar algo em 2005. Minha primeira história – sozinha – foi escrita em um pedaço de papel, a lápis. Eu não fazia ideia do que criava até encontrar o Edwiges Home Page. Lá, comecei a postar minhas curtas histórias e tive meu primeiro contato com uma escritora de fanfic que me fez ajoelhar para a Era Marota. Foi meio estranho descobrir que aquilo que eu fazia era ficção para os fãs inspirada no universo de J.K. Rowling. Com muita paciência, redigi muitas fanfics que escrevi no papel para o Word, e as postei. Os comentários começaram a me fazer ter gosto pela coisa.

 

E ganhei o 1º no PV <3

 

A Era Marota é a responsável pelo pontapé inicial na minha vida social de ficwriter. Já escrevi sobre Rony e Hermione (sim, pessoal, eu cheguei a esse ponto) até descobrir que Harry e Hermione moviam meus dedos com mais amor. Por causa do shipper Harmony, me tornei popular, e uma fic que era para ser única se tornou uma trilogia. Isso aconteceu no fórum Potter Village e os comentários pareciam um vírus que se espalhava a cada segundo. Era legal ver que as pessoas me adicionavam para discutir a história, também foi interessante ter alguns haters, mas nada compensou as amizades que fiz online.

 

Quando O Enigma do Príncipe foi publicado, me foquei em tempo integral em fanfics da Era Marota. Em um mês, tinha duas em andamento. Não ousei escrever mais nada sobre Harry e Hermione. Tentava, mas não conseguia. Quando o último livro da saga foi lançado, muitas pessoas pediram demissão do posto de ficwriter. A minha sorte é que a maioria das minhas fics estava finalizada, mas caí no pecado de mergulhar de cabeça na história tendo os marotos como personagens principais que durou 5 anos. Para não sentir falta de Harry Potter, comecei a jogar RPG no Orkut também. Hoje, ainda não terminei uma fic que comecei em 2012. Literalmente, eu nunca parei de escrever fanfiction.

 

Sendo bem honesta, eu nunca me interessei por outros tipos de fanfic que não fossem de Harry Potter. Minha mente não consegue absorver outras histórias, não sei explicar, bem como outras sagas que não me dão os mesmos insights. Quando penso em fanfiction, só vejo o universo da Rowling. Eu já tentei sair da bolha ao começar uma fic de The Vampire Diaries que me rendeu apenas 3 capítulos. Depois de muito tempo, percebi que nada, nem mesmo Doctor Who, me inspiraria como HP. Ainda amo escrever sobre a Era Marota, pois é um dos pontos que a autora deixou em aberto e, por mais que queira uma história na íntegra feita por ela, prefiro que fique assim ou minha vida de ficwriter dirá adeus.

 

O que eu aprendi ao escrever fanfiction?

 

É fácil indagar como uma pessoa de 27 anos (sim, gente, esse rosto teen engana) ainda escreve fanfic e eu não pararia, mesmo que não as publicasse. Eu escrevo ficção de fã porque o ato me propicia momentos de free writing, aqueles sem responsabilidade, sem pressão. Sem contar que essa forma de escrita me ajuda a trabalhar novos vieses, a arriscar mais para sair da mesmice. Eu adoro criar situações, rir que nem boba quando acabo com a dignidade de James Potter e Sirius Black, por exemplo. Amo fazer experimentos entre casais, algo que fiz recentemente, uma atitude meio polêmica e que me pegou de surpresa (um mundo em que Sirius e Lily se apegam).

 

Minhas habilidades na escrita foram moldadas e melhoradas enquanto trabalhava meu imaginário para criar histórias que envolviam meus personagens favoritos. Eu só queria que outros fãs da saga apreciassem o que eu fazia e eu me sinto gratificada até hoje por ter embarcado nessa e por não ter deixado essa parte do meu instinto fangirl de lado.

 

Fanfiction é um mundo sem compromissos, mas que exige criatividade, disciplina e atenção. É um universo que há feedback que pode trazer felicidade, chateação ou aprendizado. Já mudei muitos capítulos por causa de um review extremamente negativo e, ao fazer isso, percebi que a pessoa tinha certa razão. Quis chorar de raiva, mas há males que vão para o bem. Escrever fanfics se tornou minha eterna sala de aula que tive a chance de aproveitar no auge de Harry Potter, período que as pessoas eram mais entusiastas e participativas. Hoje, as coisas são diferentes, o público que escreve e que deixa review é outro, mas isso não é o bastante para me fazer parar. Eu escrevo fanfiction pelo motivo óbvio: a escrita.

 

Escrever fanfiction me ajudou a desenvolver meu próprio ritmo, definiu minha preferência pela narração em terceira pessoa e me fez respeitar limites do quanto posso escrever. Eu explorei e ainda exploro tudo o que uma fanfic pode me proporcionar. A mais longa que me consumiu 5 anos foi meu maior aprendizado. Ela me consumia horas e horas para escrever e revisar, mas, quando a peguei para reler, fiquei chocada com a evolução da formatação dos capítulos, da diferença dos diálogos, da profundidade dos sentimentos dos personagens. Aprendi a ser mais cuidadosa e atenciosa. Juro que eu escrevia um capítulo e o publicava sem uma segunda leitura. Quem nunca fez isso, não é? O bom é que não errava tanto, mas também quando errava era para sentar e chorar no cantinho.

 

Com o tempo, escrever fanfiction não era mais sobre meus personagens queridos, mas de aprimorar meus textos. Este blog é um meio para eu deixar a escrita fluir. As fanfics, assim como os posts do Random, sempre me desafiam a sair da mesmice. É normal cometer erros, acreditem, ainda mais por causa de leituras consecutivas que tornam o texto viciado. Porém, nada mais incrível que ter um lugar para extravasar e treinar. As fanfics se tornaram meu dever de casa e tenho certeza que o fato de ter abraçado de vez esse meu desejo de escrever fora da bolha foi por causa delas. Como aconteceu com Cath do livro Fangirl, eu não conseguia abrir mão das minhas ficções para os fãs por não acreditar que seria capaz de criar algo próprio. Mesmo assim, o FanFiction.net ainda é meu lar mais seguro.

 

Eu tenho 9 anos de experiência como ficwriter. Queria que desse dinheiro. Confesso que não vi de tudo, pois sempre fui mais de escrever ao invés de ler – algo que fazia/faço com indicação ou quando estou realmente inspirada para procurar uma história. Quando comecei a nortear Sirius e Lily para um romance, fui atrás de fics sobre eles e encontrei valiosas fontes de inspiração. Esse é o mesmo caminho para quem quer ser escritor, pois é preciso conhecer o universo do qual você quer criar uma história.

 

Por mais que seja divertido, escrever fanfic é um grande meio para treinar a escrita. É uma prática que dá margem ao imaginário, bem como para criações próprias dentro de um universo que já foi delimitado por um escritor. Para quem tem o desejo de escrever profissionalmente, não indicaria melhor começo. Ainda mais quando se tem o gênero de universo alternativo que permite que os personagens sejam jogados em uma realidade da qual não pertencem (Harry ser trouxa, por exemplo).

 

Há vantagem em escrever fanfiction?

 

Sim, como a liberdade de mudanças. Não é porque James e Lily se casaram e tiveram o Harry que eu não posso destruir essa realidade. Eu já dei dores de cabeça em quem não se conforma com isso, mas me acho meio radical, presa sempre na tese do e se. Tudo bem que isso é um resultado final dado pela Rowling, mas nada me impede de colocar Lily como namorada do Sirius, nem que seja um affair. Ou com o Remus. Você escolhe o que quer mudar.

 

Isso também vale para o universo que se pretende inserir os personagens. Você pode pegar o Harry e lhe dar uma vida pacata, sem magia, por exemplo. Isso ensina construção de storylines para cada personagem, de plot central e de ambientação. Como Harry viveria sem magia? Com quem? Onde ele trabalha? Terá Voldemort? E assim por diante…

 

Porém, é preciso ter cuidado para não viajar demais, pois, acima de tudo, a fic exige certa fidelidade ao que foi proposto pelo autor, com exceção para quem escreve em universo alternativo ou no gênero slash. Mesmo assim, se a sua história se baseia em Hogwarts ou na Terra Média, não fuja do cenário que foi criado. Foque nos personagens e na trama.

 

Fanfiction é um meio de explorar, independente de quem vai gostar ou não do que você escreve. Se você faz isso apenas para ter comentários, a magia da coisa morre. Pensar só na recompensa não gera um bom trabalho. Leitores de fics também são exigentes e querem uma boa história, especialmente os potterheads que querem reviver o que a Rowling fez. Sempre há alguém disposto a ler o que você escreve e, às vezes, muitas críticas são construtivas. Se eu fosse parar de escrever por não ter comentários, já teria largado muitas fics. É uma via de duas mãos.

 

Fazer isso não dá dinheiro, mas tem dado retorno para algumas pessoas como a E. L. James que fez uma fanfic se tornar 50 Tons de Cinza. Não é o melhor exemplo, óbvio, mas não deixa de ser um resultado positivo. Hoje, até a Amazon investe em ficwriters.

 

Como disse, escrever fanfiction é uma sala de aula, independente se você é aspirante a escritor ou não. Com o tempo, você percebe qual é a sua melhor forma de escrever. Você aprende a conhecer melhor as palavras e erra menos. Para quem acha que não tem habilidade nenhuma com a escrita, apenas pegue algo que goste muito e invente uma história em cima disso. Harry Potter é o maior exemplo que posso dar por ser uma experiência pessoal e contínua.

 

Ficção de fã é uma ótima maneira de se encontrar como escritor, pois você começa a notar o que te deixa mais confortável em escrever e em como escrever. Tudo que envolve a vida do ficwriter são suposições, os e se que podem acarretar em excelentes histórias, como também dá a chance do ficwriter escrever conclusões que gostaria – como Harry terminar com a Hermione (se alguém fez isso, por favor, mande mensagem Hahaha).

 

Existem muitos lugares que propiciam a postagem de fanfics, tais como o FanFiction.net e o brasileiro Nyah!. Começar a escrever é uma opção pessoal, mas, sem dúvidas, tem que vir daquilo que se gosta e que se compreende muito. Mãos à obra!

Stefs
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  • Sua história é muito parecida com a minha, mas eu escrevo sobre o inimaginável (e HP inclusive). Comecei com Fantasma da Ópera em 2004 e nunca mais parei. Sua dica de não escrever por comentário foi valiosíssima, visto que eu me frustro pela falta de reviews… Eu tenho tanto trabalho e me sinto desnecessária, ignorada. Mas adoro escrever e não vou parar nunca, sempre li muito e vou fazer um curso de Escrita Criativa só pra melhorar ainda mais meus atributos como ficwriter. Eu já tentei originais, mas NUNCA dá certo. Escrever fanfic é gratificante. Não dá pra explicar que o mundo está lá, meu mundo.