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25/mar

Um dos meus maiores vícios literários atuais é Rainbow Rowell. Este mês, chegou ao Brasil o livro Eleanor & Park, traduzido pela editora Novo Século, e é muito lindo ler resenhas de pessoas que se apaixonaram pela história desses dois personagens que descobrem na flor da idade os altos e baixos do primeiro amor em meio aos impasses familiares e escolares. Eu não contarei muito do enredo do livro para não quebrar o encanto, mas posso adiantar que as pessoas que viveram ao longo da década de 80 terão um AVC.

 

Esse é o plano de fundo da história de Eleanor e Park, com direito a gravações de playlists em fita cassete. Trata-se de um livro que dá vontade de comprar uma TARDIS para reviver todos esses momentos simples e que eram cheios de valor. Digo logo que é impossível não terminar a leitura sem dar um suspiro satisfeito – como também não querer saber que rumo levou o romance dos dois.

 

O debut de Rainbow foi com Attachments, publicado em 2011, cuja história é voltada para o público adulto, ambientado na década de 90. Em 2013, veio Eleanor & Park e Fangirl. Esses dois títulos foram ovacionados pela crítica e renderam o reconhecimento de Rainbow no ano passado por meio de muitos prêmios, tais como duas posições na lista dos melhores livros YA do Goodreads Choice Awards. Nascida em Nebraska, ela tem um jeito especial de escrever e cada palavra dá a sensação de que a autora conta a história para o leitor pessoalmente. Ela tem um jeito mágico de nos fazer retroceder no tempo a partir de uma junção de experiências próprias que tornam os livros mais especiais.

 

Rowell ganhou um espaço ainda maior no meu coração por meio da publicação de Fangirl – que resenhei aqui no blog. Ela tem dedos milagrosos, pois os livros conversam com a gente, algo que muitos escritores não conseguem proporcionar. Como o papo de hoje é Eleanor & Park, nada mais justo que trazer um post sobre este livro lindo, como também comentar um pouco da carreira da escritora. Let’s go!

 

Inspiração para Eleanor & Park

 

Uma das primeiras questões que sempre passa pela mente de qualquer leitor é se perguntar de onde veio à inspiração do escritor para determinada história. No caso de Eleanor & Park, Rainbow sempre quis escrever uma história de amor, pois, quando se tem 16 anos, nos apaixonamos com todas as células do nosso corpo. Porém, nesta idade, temos muito pouco a oferecer a pessoa que amamos, sem contar que não somos independentes, pois temos que lidar com a escola e com os pais. A autora tem um interessante ponto de vista ao dizer que o primeiro amor nesta faixa etária dura por ser construído na tragédia, como se todo adolescente fosse novas versões de Romeu e Julieta. Era isso que ela queria escrever.

 

Eleanor é a parte da história que possui muitos problemas em casa e Park é aquele que lhe dá apoio e coragem para ela enfrentar as inseguranças. Ele luta por ela incontáveis vezes. Ela quebra muitas regras por ele sabendo que receberia punição. Eleanor é totalmente cínica ao amor e, quando se vê inclinada por Park, ela quebra as amarras e ele aceita os riscos.

 

Ao contrário do que se pensa, Rainbow não teve um relacionamento como o dos dois personagens. Ela teve um namorado que gostou muito na adolescência, mas a parte dramática da vida amorosa dela aconteceu com o marido. Ambos se conhecem desde a 7ª série, uma amizade que se estendeu até a faculdade. Quando ambos confessaram o que sentiam, Rainbow teve a impressão de que eles dançaram ao redor um do outro por 8 anos. Fofo, não?

 

O plot

 

Eleanor & Park não é só romance. Há dificuldades familiares e a música é a parte essencial que abre a mente dos personagens, especialmente de Eleanor, para outro mundo. As canções que Park lhe dá em uma fita a faz fugir da realidade para encontrar um mundo pacífico onde só há ela e o garoto.

 

Lá não há os irmãos, nem a mãe, nem o pai e nem o abusivo padrasto. A história se apoia no prazer do primeiro amor e Rainbow queria que os leitores que passaram por isso tivessem uma nova experiência para lhes dar certa nostalgia. Se uma pessoa não se apaixonou nessa idade, a autora deu o próprio ponto de vista de como o amor conturbado da adolescência acontece, sendo fiel ao que as pessoas costumam sentir.

 

Anos 80

 

O livro é ambientado na década de 80 e a história se norteia pela música. Essa é a época que grandes artistas atingiram o auge como o U2. A autora tem o hábito de criar muitas playlists enquanto escreve por serem âncoras emocionais. Para este livro, Rainbow escutou muitas músicas dessa época, como também canções contemporâneas. Para Eleanor, o álbum The Sunset Tree do The Mountain Goats ficou no looping revezado pelas batidas de Modest Mouse. Para o Park, ela só escutou The Cure. Houve também inspiração em artistas britânicos como The Magic Numbers e Badly Draw Boy para compor toda a história.

 

O livro também dá importância aos quadrinhos, pois é por meio deles que o relacionamento entre Eleanor e Park se inicia e se prolonga. A influência para incluir esse detalhe na história é pessoal: Rainbow pegava os quadrinhos de um vizinho emprestado. Sem contar que a influência também veio de casa, pois o pai era grande fã. Por ser um material cultural visto somente para meninos, Eleanor é a quebra da regra, e a personagem apresenta pontos de vista interessantes sobre a presença passiva das mulheres nas histórias.

 

Enigmas e polêmicas

 

O enigma em torno do livro Eleanor & Park são as palavras finais do cartão postal que Eleanor manda para Park. A parte boa é que ela não revelou sobre o que se trata, pois Rainbow já comentou que há uma chance dela voltar a escrever sobre esses personagens.

 

Como nem tudo na vida é perfeito, Eleanor & Park passou por duras críticas por causa da linguagem ofensiva e do abuso que acontece no lar de Eleanor. Rainbow apenas foi realista ao criar o ambiente da personagem, pois há muitas crianças que crescem em lares disfuncionais e abusivos, e não sabem como lidar com isso.

 

A parte da linguagem ofensiva fica por conta dos palavrões, mas os personagens só fazem isso quando precisam liberar a raiva. Quem nunca, né? Quando Eleanor pensa em soltar um fuck, isso acontece por causa do tratamento terrível que ela recebe do padrasto que usa esse tipo de linguagem dentro de casa. Há também o papo da história ser obscena, mas, quanto mais leio isso, parece que todo mundo foi um santo na adolescência.

 

Há também o caos de saber se Eleanor é gordinha, algo que Rainbow já confirmou e deixou em aberto para os leitores imaginarem o quanto. A pauta foi levantada porque Eleanor tem problemas de autoimagem.

 

A jornada de Rainbow

 

Rainbow sempre se achou uma garota estranha com a cabeça imersa em um livro. Ela começou a escrever muito cedo, pois era isso que a fazia atrair a atenção dos professores. Na escola, a autora editou o jornal do ensino médio e se especializou em jornalismo, publicidade e propaganda e inglês. Houve um semestre em que ela estava atolada, presa nas aulas das mais variadas categorias que envolviam escrita. Quando se formou, Rainbow trabalhou em um jornal e foi colunista por volta de 10 anos para depois ingressar na área de publicidade e propaganda.

 

A vida como escritora começou 5 anos atrás. Rainbow não escreveu nada de ficção própria entre os 20 aos 30 anos. Ela tinha medo de começar e achava muito mais seguro escrever para um editor ou um cliente para não se mostrar. Por isso, a escritora manteve o primeiro livro em segredo por um longo tempo, especialmente por não querer que os amigos soubessem que ela tinha falhado. Algo que não aconteceu, né?

 

Durante a jornada, escrever virou sinônimo de correr riscos. Não há nada seguro em escrever um livro. Ela disse em entrevista ao Goodreads que fazer isso é muito pessoal e muito grande. Você precisa se expor. Foi surreal para Rainbow quando ela segurou o primeiro livro e a ficha caiu quando Attachments foi publicado no Reino Unido.

 

O que a manteve no caminho foi o seguinte conselho da editora dela: você não precisa escrever livros que todo mundo goste. Ter uma carreira de escritora é sobre encontrar as suas pessoas, aquelas que especificamente irão apreciá-la. Conselho para a vida!

 

O próximo livro da Rainbow se chama Landline que abordará problemas no casamento. Para quem ainda não leu Eleanor & Park, o livro já está nas livrarias.

 

Leia aqui a entrevista feita com a autora.

Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • Adriele Silva

    Adorei o post! Amo muito esse livro, só não amo mais do que amo Fangirl <3
    Parabéns pelo trabalho!!

    Beijos!

    Também tenho um blog, caso queira ver: http://livingforharry.wordpress.com

    • Hey, Random Girl

      Menina Adriele, desculpa a demora em te responder. Sou famosa por vários delays nesta vida, isso mesmo HAAHAHAHAH

      Eu tbm amo muito Fangirl! Ele sintetiza toda minha vida fangirl escrevendo fanfic. Adoro E&P, ocupa meu segundo lugar, mas quando se tem Cath e Levi a vida é maravilhosa hahahahaahhahaha

      Obrigada pela visita e pelo comentário. Visitarei seu blog sim (e já cliquei e curti, só preciso navegar haahahah).

      Beijoss!

  • heyrandomgirl

    Ai somos duas! Daí eu incluo Fangirl, que é mais minha adolescência, assim, completamente. A cultura de E&P é muito perfeita! Depois de ler, resgatei as músicas do The Smiths e do U2 no meu note e curti por várias, várias, várias semanas. É tão bom estender a vibe do livro depois da leitura.

    Anos 80 é mto amor, queria ter vivido nela, mas os anos 90 foram perfeitos tbm <3

    Beijos prima e lerei sua resenha <3

  • Nossa, acho que desde a adolescência não leio uma história adolescente que me tocasse tanto. Claro, ela fala de rock ( tipo, cita U2 um monte de vezes rsrs, e tu sabe como gosto ~levemente desta banda, né prima rsrs), e tb fala de HQs, mas Eleanor&park é tão pungente, é tão profundo justamente por não querer ser pretensioso… nossa, amo tanto que a ilustração deles é até o header do meu blog ( vou deixar aqui o link da resenha que fiz: https://livroarbitriodotco.wordpress.com/2014/10/23/eleanorpark/. Amei o seu post!!!!!

  • heyrandomgirl

    Eu acredito que todo personagem vem de uma experiência anterior. Não tem jeito. Hahahahaha De certo, ela encontrou um Park na escola. Não duvidaria nem um pouco, ainda mais por amar HQs e tudo mais.

    Espero que ela revisite esses dois logo, porque fico maluca com reticências Hahahahaha Ainda mais esses dois que "simplesmente terminaram". Fiquei chateada.

  • Isis Renata

    (ironicamente ou não) hoje ao entrar na sala que espero o ônibus, tem sempre uma sensação de coisa fechada, sei lá, quarto pequeno. e lá que eu li a maioria do livro enquanto esperava o bus. Que saudade que me deu de Park (gosto de Eleanor também) mas Park é mais sentimental, vulgo eu hehehe. Não que ela não seja, ele demonstra mais, dizia sempre que amava ela. ele era incrível! (ainda é)
    Você disse uma verdade ao dizer que aos 16 anos não temos o que oferecer a pessoa amada. Eu sempre pensei nisto! até hoje, eu penso que antes não tinha muito a oferecer (hoje talvez algumas coisas, não muito não) mas antes… ><
    Acho que nisto que me sinto um pouco Eleanor, no fato de não me encaixar nessa sociedade do namoro (algumas partes minha culpa, outras…) enfim
    A história me rendeu bons sorriso e vários 'ah Park'
    ele fala muito de saudade, algo que é muito peculiar meu! e cada vez mais falava 'uma pena ele ser fictício' ou real hehe vai ver alguém que a Rainbow encontrou por ai…
    Só sei que o final do livro me deixou feliz, embora não teve um fim (meio livro da Hazel hehehe) mas eu sei que está escrito eu te amo no cartão. pelo menos é nisto que acredito. ♥

    espero comprar logo o Fangirl.

    beijosss

  • Acabei de ler 'Eleanor & Park' e amei o livro. Chorei muito quase no final (você deve imaginar em qual parte) e ligo quis saber mais sobre a autora. Procurei no google, achei seu texto e gostei muito. Obrigada por compartilhar.