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11/mar

Eu já resenhei aqui no Random Girl o filme Struck by Lightning e nada como trazer minhas opiniões do livro que o inspirou, cujo título foi traduzido para O Diário de Carson Phillips. Escrito por Chris Colfer, um dos meus milhões de spirit animal, a história é narrada por um adolescente que desabafa suas experiências e suas expectativas em meio à contagem regressiva do último ano do ensino médio. Carson relata tudo de uma forma bem íntima e ácida, e devo arriscar a dizer que ele deve ter muito do Chris, pois, conforme lia, tinha a impressão de que um é o outro e vice-versa. Achei os dois com a personalidade muito idêntica.

 

Além do desejo de sair da escola, Carson almeja ser jornalista. Mais precisamente, editor-chefe da revista New Yorker. Esse desejo confronta com a necessidade de sair da cidade que ninguém conhece chamada Clover, pois ele acha que não pertence a ela. O personagem é um adolescente que não se enquadra em nenhum grupo escolar – e ele não se importa –, a não ser o de redação que é coordenado por ele mesmo. Carson não tem vergonha dos desejos pessoais e acredita piamente que eles o fazem mais especial que todo mundo. Para Carson, a escola é composta por clichês e ele vai contra a maré, sendo visto como uma aberração. Por mais que seja durão, intimamente, Carson engole a seco as piadas e as chacotas, motivos que também fazem parte dos itens que o impulsionam a não perder o foco das metas pessoais.

 

Ao longo da narrativa, Carson não faz questão de esconder a arrogância. Ele se ama muito, mas não no quesito visual. Ele ama a própria intelectualidade. O adolescente cresceu em um lar conturbado, onde seu maior problema é a mãe que não superou o divórcio e ficou bem depressiva. O elo especial que ele tem é a avó, mas ela sofre de Alzheimer. Carson também se enquadra como meu spirit animal por ter encontrado nas palavras uma grande paz de espírito e uma forma de calar os problemas.

 

Conforme a rotina escolar é apresentada, ele soa até petulante se não fosse tão realista. A única coisa que lhe dá ânimo é o Clube de Redação, um projeto fracassado, pois ninguém lhe dá apoio, nem mesmo a escola, o que o faz assumi-lo sem muito sucesso. Carson é aquele que trava uma luta incansável consigo mesmo e com o mundo para inspirar as pessoas se apoiando naquilo que mais acredita: o poder da escrita.

 

 

O fracasso simplesmente o revolta e saber que ninguém se importa o deixa aos frangalhos. Carson se questiona sobre tudo o que faz, especialmente quando as atividades escolares dele não são suficientes para fazê-lo conquistar uma vaga na Universidade de Northwestern. Em meio a uma orientação profissional, surge a ideia de criar uma revista literária. Contudo, nada é simples. Carson não tem contatos influentes na escola e ninguém quer contribuir para o novo projeto dele. Não que ele seja excluído, mas o personagem não faz questão de se enturmar. A única que se mantém ao lado dele é Malerie, a fiel escudeira que o ajuda a chantagear os colegas que o detestam a fim de fazê-los escrever para a revista literária.

 

A partir daí, a jornada do personagem para ir à faculdade se inicia. O que parecia ser apenas uma chantagem para conquistar textos suficientes para a revista literária, se transforma em uma inusitada experiência que faz Carson ver o ensino médio do ponto de vista daqueles que morderam a isca. Um dos melhores quotes do livro vem da vó dele que diz que as pessoas usam máscaras para esconderem os maiores medos e essa poderia ser facilmente a frase de efeito para quem atinge a adolescência, um período que muitos vivem de aparências.

 

Mesmo detentor dos segredos de todos aqueles que nunca pensaram duas vezes em cuspir na cara dele, Carson começa a indagar o futuro dos colegas, como eles se enxergam e o quanto eles são inseguros. No final das contas, a chantagem vai para o bem, pois todos aprendem mais sobre si mesmo, inclusive Carson.

 

É muito fácil sentir uma antipatia inicial pelo Carson, pois ele é desaforado e arrogante. Colfer deu a ele uma personalidade forte e um temperamento difícil. O personagem sabe o que quer da vida, algo que muitos não sabem nessa faixa etária. Ele não tem papas na língua e as frases curtas e certeiras não passam de belas verdades. Ele é impertinente e sarcástico, um lutador que jogou como muitos fariam para alcançar um desejo. O uso da chantagem pode soar como algo péssimo, mas no livro a coisa toda é muito sutil.

 

 

No fim de tudo, Carson ganha uma nova experiência. Ele aprende a respeitar mais os colegas, pois nem todos possuem expectativas ditas como brilhantes como é o caso dele. As aparências são o que restam para a galera que se envolve com a revista literária e as palavras são reflexos daquilo que ninguém vê. Ele e os colegas entram em concordância e, mesmo insolente, ele dá uma luz para aqueles que se sentem totalmente perdidos. É aí que Carson consegue a façanha de inspirar.

 

Inspirar. Eu trabalhei muito em cima dessa temática quando resenhei o filme e a proposta do livro é a mesma. Carson queria conquistar seus objetivos com doses de egocentrismo, mas, acima de tudo, ele queria que as pessoas buscassem o melhor e nada como uma ameaça às aparências para fazê-las ver que ninguém está perdido. Que todo mundo pode ser alguém além dos muros da escola. Que o universo é infinito e cheio de possibilidades. Aqueles que sempre o humilharam são os mesmos que racham o coração feito de gelo do personagem e a recíproca é a mesma. Muitos passam a respeitá-lo, mas, infelizmente, isso acontece quando um raio entra no caminho de Carson.

 

O Diário de Carson Phillips, literalmente, é uma troca de aprendizado e, claro, de correr atrás daquilo que deseja. Um dos pontos mais bacanas é quando o personagem pontua: não se pode deixar que a sua origem seja motivo de depressão. A gente não escolhe de onde vem, mas sempre pode escolher para onde vai. Ao longo da leitura, você percebe um dos maiores dramas da adolescência: o uso de máscaras.

 

Atualmente, parece que essa necessidade de se esconder e mostrar o que não é se tornou uma doença, especialmente por causa das redes sociais. A maioria das pessoas deixou de valorizar o natural para amar o filtro. As pessoas deixaram de mostrar a própria personalidade para ser igual a todo mundo. Afinal, é isso que faz alguém ser parte da turma. Mas vale a pena?

 

Faço das palavras de Carson as minhas: juventude não é motivo para estupidez. Claro que há comportamentos que não dá para controlar, mas ser cruel se tornou o novo lifestyle que formam adultos prepotentes perdidos na vida, com uma arrogância que só cheesus na causa.

 

O Clube de Redação: um lugar onde os alunos podem expressar as suas ideias e a sua criatividade através do poder das palavras.

 

Se toda escola tivesse um grupo de redação, o mundo seria mais feliz, assim como um clube de leitura. Carson é petulante com toda a razão ao insistir nessa ideia.

 

O Diário de Carson Phillips, tanto livro quanto filme, tem uma mensagem poderosa e eu não poderia esperar menos do Chris Colfer, uma figurinha que batalhou muito para ter o reconhecimento e o respeito que possui atualmente. Sem dúvidas, o livro é uma fonte de inspiração, especialmente para os adoradores das palavras e defensores do processo criativo.

 

 

Na Prateleira:

Nome: O Diário de Carson Phillips
Autor: Chris Colfer
Páginas:  232

Editora: Benvirá

Stefs
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