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14/mar

Depois da baixa de uma personagem em The Vampire Diaries, a situação em The Originals é muito mais real. A despedida de Rebekah deve ter deixado muita gente indignada e sem entender absolutamente nada. Dessa vez, a culpa não é da Julie Plec, mas da Claire Holt que resolveu sair da série. Isso quer dizer que ela não será mais regular, mas pode rolar algumas participações. Pelo menos, respeitaram a personagem e deram a ela uma saída digna e cheia de lágrimas. Independente de qual for o motivo, dou todo apoio à Claire. Amo o seriado, ele tem sido formidável desde que começou, mas carreira na TV é praticamente uma maldição. Muitos não conseguem migrar para o cinema e acabam por pular de série em série. Ainda mais quando se trabalha na CW, um canal sanguessuga que gosta do lucro por pesar apenas popularidade, sem ligar se o nível da trama está horrível. Não tem como um ator/atriz não estagnar com esse viés na carreira e espero que a Claire tenha grandes planos.

 

O episódio inteiro ficou focado no embate entre os Mikaelson com direito a flashbacks bastante esclarecedores. A abertura da trama deu aquele gostinho triste ao mostrar como a relação entre Klaus e Rebekah se firmou a partir da infância. No mundo real de Nova Orleans, Klaus continuou sedento em aniquilar a irmã enquanto ela tentava se manter viva o maior tempo possível dentro do cemitério. A discussão ganhou um teor mais profundo, pois resgatou as antigas raízes da família tendo como foco a vivência deles sob o mesmo teto que Mikael, o pai que não tinha vergonha de humilhar Klaus toda hora. Quase morri com a versão deles pequeninas. Além de ter que lidar com a traição de Rebekah, o híbrido teve que engolir a seco mais uma vez o fato de ser comparado com Mikael, um toque vindo de Elijah. No fim das contas, Klaus afirmou que fez o fez – a partir do momento que descobriu sobre a traição – para que a irmã sentisse o medo que ele sentiu quando Mikael chegou à cidade. Foi justo.

 

A briga entre Klaus e Rebekah foi um momento de pura tensão, especialmente para Elijah que ficou preso ao seu papel único de pacificador, mas sem muito sucesso. Klaus foi engraçado e ao mesmo tempo irritante, pois ele é tão centralizado em si mesmo que levou uns belos minutos para reconhecer que a atitude de Rebekah foi egoísta demais, mas embasada na maneira sufocante e cruel com que ele passou a tratar os irmãos. Klaus ainda zombou da incapacidade de Rebekah em escolher os namorados e bateu na mesma tecla ao dizer em plenos pulmões que tudo o que fez foi para protegê-la. O passado de Klaus se revelou mais triste quando os flashbacks mostram os maus tratos de Mikael contra ele e, mais uma vez, dá para entender muito bem porque ele se tornou tão frio e calculista. Um lar é capaz de destruir qualquer pessoa, ainda mais se for tão dissimulado como o dos Mikaelson. Rebekah foi muito sábia em dizer que Mikael os arruinou.

 

Eu odeio Mikael. Ele pode ser chique e elegante, mas é um pai malévolo ao ponto de tratar mal Elijah e Rebekah por sempre interferirem quando ele estava pronto a agredir Klaus pela milésima vez. A maneira como ele tratava o híbrido ganhou mais intensidade e suspiros de horror, pois, até então, só uma cena de tortura contra Klaus foi apresentada, sendo o suficiente para causar um pouco de revolta. Agora, esse sentimento é maior e achei linda a maneira como Elijah chamava Mikael à razão quando Klaus estava prestes a ganhar uma surra, mas nada compensou mais ao saber que Rebekah tentou matá-lo.

 

Egoísmo. Essa é a palavra que fundamenta muitas escolhas entre os Mikaelson. Isso me fez lembrar do fato de Esther ter tentado matar os filhos enquanto Mikael só queria dar cabo na aberração. Os danos em Klaus foram maiores, mas, aquele menino dócil que sempre protegeu Rebekah ainda existe, lá no fundo. Com o adeus da irmã, as coisas serão bem diferentes, especialmente para o híbrido.

 

Rebekah não abaixou a cabeça e admitiu que fez a tramoia contra Klaus inspirada – nem que fosse um pouco – na ideia de querê-lo morto. A personagem emocionou ao abraçar com força tudo aquilo que sempre almejou e que concentrou na figura de Marcel: ser amada e ter uma família. Klaus impôs medo e ameaçou a vida dela, mas não foi o suficiente para ela retroceder. Rebekah sempre foi a ponta mais fraca dos Mikaelson por ser sensitiva demais, mas ela nunca se desviou dos próprios objetivos. Um exemplo disso foi quando ela decidiu conquistar a cura e tentou a todo custo se passar de humana para ser merecedora da substância. Ela sofre com o medo do abandono e esse sentimento a torna irritante porque só lhe traz dores de cabeça. Rebekah foi baixa em detonar o irmão por causa de um capricho, não vou retirar minhas palavras, especialmente porque a decisão dela culminou na morte de muitas pessoas. A vampira é geniosa e carente. Isso a fez pensar além das consequências.

 

O que será de The Originals sem Rebekah? Eu gostaria de saber. Por mais que ame a família Mikaelson, não vejo um futuro com apenas dois vampiros. Sem contar que, se Saving Hope não for cancelada, Daniel continuará com a transição de revezar as gravações. O tenso é que um spin-off nunca foi visto como um plano para a CW, pois acredito que a storyline dos Originais teria sido diferente. Mikael e Esther poderiam estar vivos, bem como Kol e Finn. Só há dois personagens para carregar uma trama que cresce a cada semana. Sem contar que a série é sobre os Originais, mas o que fazer quando há apenas dois? Há boatos de que Caroline será enviada para Nova Orleans, mas ela não tem o apelo da Rebekah. A saída da personagem influenciará no ritmo da trama e eu não quero pensar no pior.

 

Para que o episódio não ficasse tão arrastado, Marcel me fez detestá-lo ao cogitar entregar Davina para Genevieve. Rebekah e Marcel são tão iguais, tão mesquinhos quando o assunto é amor que, ao invés de darem um jeito por conta própria, levam as pessoas ao redor deles para o meio da bagunça. Ainda bem que esse casal acabou. O mais legal foi ele ser exilado na maior elegância por Elijah. Achei digno.

 

Davina também teve uma pequena participação ao lado de Cami, toda traumatizada com a experiência de ter morrido. Os ancestrais estão de olho nela, ao ponto de terem sussurrado sobre as limitações quanto ao uso da magia. Genevieve falou que as bruxas ganharam, mas ainda não reconheço essa vitória. Agora que sobraram Klaus e Elijah no Quarter, ambos no patriotismo com relação à família depois do adeus à Rebekah, o bicho vai pegar. Ainda mais porque Marcel não vai embora.

 

Rebekah, a vampira que tinha pânico de se ver sozinha, nos deixou um Klaus paranoico e um Elijah que abdica da própria vida para cuidar dos irmãos. No fim, o trauma da vivência em um ambiente opressor criado por Mikael trouxe a eles a maldição chamada Always and Forever. Porém, eles se amam. De um jeito distorcido, mas se amam.

 

Rebekah saiu da série e eu anuncio o fim das resenhas de The Originals aqui no blog. Sad, but true.

Stefs
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