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26/mar

Eu só tenho a seguinte frase para definir como me sinto depois deste episódio de The Tomorrow People: tô no chão. As minhas mãos não pararam de tremer ao longo dos golpes e dos tiros. Conforme a trama avançava, eu praticamente beijei a televisão por ter ficado inquieta. Foi o episódio mais longo da minha vida e quase tive um AVC com o gran finale. Me revoltarei se a CW cancelar a série, pois tenho certeza absoluta que eu não sou a única que se descabela com os seres do amanhã. Se a emissora queria uma prova de que TTP é envolvente, com personagens fortes e com um futuro promissor, aqui está a maior delas. Infelizmente, a audiência foi mais baixa em comparação à semana passada, um detalhe que não consigo entender. Todo o contexto da storyline principal foi pesado, envolvente e emocionante. Um encaixe perfeito. Como ousam dizer que o seriado não tem potencial?

 

O episódio conseguiu balancear duas tramas diferentes. Começarei a falar de Sophie, uma revelada inesperada, pois, depois de tanto tempo, não pensei na possibilidade de Cara bater de frente com elos familiares. Pior, ela teve que lidar com o fato da irmã ser uma paranormal. Para diferenciar a personalidade das duas, Sophie se apresentou como adoradora da vida humana, com os pés enraizados em sonhos e desejos, enquanto Cara não teve essa oportunidade. Esse detalhe pesou bastante na decisão de ter ou não poderes, e o que se perde ao abraçar o lado paranormal. Ao contrário de Cara que encontrou outros seres do amanhã que male male a ensinaram lidar com a descoberta (me refiro ao Julian), Sophie foi pega no susto em um momento decisivo da vida dela. Ela não fez a mínima questão dos poderes. Mesmo com o auxílio da irmã mais velha, Sophie simplesmente sambou ao dizer que o que a faz especial é o fato de ser bailarina. Foi uma surpresa e tanto ver Cara ceder ao desejo dela e não forçar a barra para enfiá-la no covil por adorar mandar sem ser contestada.

 

Sem contar que, de uma maneira geral, Cara estava outra pessoa neste episódio. Nem parecia a líder mala de semanas atrás. A personagem estava bem centrada, talvez, por influência de Sophie, e não teve como não ficar feliz quando ela apoiou John na investida de matar o Fundador. Isso sim foi uma surpresa. Porém, ainda fiquei na expectativa de que ela fosse resmungar, pois é só isso que a personagem tem feito, além de barrar o plano dos outros. Por ter algo mais importante para lidar, Cara ficou fora da ação, o que achei um absurdo, mas, quando o assunto é família, o resto pode esperar. Ela não ficou tanto em destaque, mas as poucas peças que moveu foram o bastante para tornar a trama mais emocionante. Cara parecia a antiga versão de si mesma, aquela que sabe de todas as possibilidades de um plano fracassar e, mesmo assim, não refuta. Uma pena ela só ter sido apoiadora da invasão ao complexo do Fundador, pois um apelo feminino entre os garotos sempre cai bem. Posso dizer que fiquei emo quando John e ela se despedem? Porque sim.

 

O babado rolou solto quando um flashback de 30 anos atrás foi apresentado. Os personagens principais da vez foram Roger, Jedikiah e Bathory (aka o Fundador). Muito propício inserir um pedaço do passado dos três no auge da temporada de TTP. Diante do corpo congelado do pai, Stephen teve que escutar algumas supostas verdades do ponto de vista do tio que declarou todo o seu amor por Roger, de um jeito apaixonado até demais. O pesquisador revelou que o irmão foi o seu projeto de vida, sua fonte de estudo sobre os seres do amanhã, e parte de um plano maior que não inclui o Fundador. No flashback, foi bem legal ver Roger se revelar, como também vê-lo adulto e envolvido em pesquisas sobre os paranormais. Eu queria acreditar que Jed realmente considera o irmão tanto quanto afirma e que não fez nada do que tem feito por recalque de não ter poderes. Porém, ele é um personagem duas caras que tem como grande escudo a questão da família. O bizarro é que o Fundador aparentou mais conhecimento sobre os Jameson que ele ao comentar sobre Marla. Isso me deu arrepios, mas não tanto quando a chefia pronuncia que Stephen é o próximo sinérgico a ser testado no lugar de Cassie.

 

Na conversa entre os dois, surtei quando Jed se machuca para não ter a mente lida. Nada como proteger, custe o que custar, um bem precioso, não é? Nesse caso, Roger. O que tencionou mais as coisas foi o papo da máquina que amplia poderes, o que “afirma” que o Fundador dá prioridade aos seres do amanhã, mas de um jeito distorcido. Para mim é tudo sobre transferência e extinção dos seres do amanhã. Explico.

 

Bathory, Jedikiah e Roger tinham muitos objetivos e o de transferir poderes para os humanos foi o ponto que ganhou mais destaque perto da tal máquina que estaria no controle do Fundador. Esse desejo pertence ao Jedikiah que já mostrou um grande interesse em testar essa hipótese quando houve o caso dos gêmeos. Porém, se essa foi uma ideia concordada entre os três, temos uma tradução feita por John Lispector: toda vez que um paranormal passava por isso ele morria. Moral da história: extinção dos seres do amanhã. Os Ultra já tiram os poderes porque os humanos são vistos com prioridade, não é? Então…

 

Foi muito fácil Jedikiah dizer que matar o Fundador era um plano já visado. Tudo bem que até Roger tentou atingi-lo, mas isso é pano para outra manga. Achei a explicação dessa ideia muito cômoda, pois, depois de destruir tantos seres do amanhã, esse caos na terra poderia ser eliminado por uma pessoa? O Fundador foi a ponta mais interessante do flashback e, com certeza, ele separou os irmãos por ser brilhante. O personagem foi apresentado como um jovem entusiasta e visionário que queria fundar uma organização de pesquisa de ponta para entender a própria espécie e explorá-la em favor dos humanos. Praticamente, ele queria ou ainda quer uma Nova Ordem Mundial, e Roger assinou embaixo, o que pode ter enlouquecido Jedikiah.

 

Bathory almejou um lugar onde a humanidade usufruiria das habilidades dos paranormais e o pensamento futurista atraiu o pai de Stephen que, na minha opinião, também não é flor que se cheire. Roger mostrou ambição, talvez, por ver algo de positivo na ideia até ser testado. Ele poderia ter sido facilmente usado por duas pessoas que confiou. Ludibriado pelo desejo de fazer algo de bem para a própria espécie, Bathory foi uma luz no final do túnel.

 

O que chamou a atenção foi o final do flashback que contradiz um pouco o que Jedikiah afirmou como interesse do Fundador, a tal máquina que amplia poderes. Está certo que Bathory mostrou que daria continuidade ao propósito, não é à toa que ele marcou Stephen como o próximo a ser explorado pela ciência, mas há a questão de transferir habilidades de um paranormal para um humano. Esse ponto aparenta ser o de tensão principal, especialmente por já ter enlouquecido Jedikiah no presente. No geral, os dois possuem objetivos diferentes, mas o que os impulsionou ao que são hoje foi Roger. Jedikiah e o Fundador são dois vilões potenciais com argumentos convincentes. Uma hora acreditei no Jed e queria que Bathory morresse, mas, depois da morte da Cassie, desejei o contrário. Não culpo o Stephen por ter amolecido diante de uma ação que tinha tudo para ser conclusiva, pois supervilões tem o poder da persuasão.

 

Jed e Bathory apresentaram ótimos argumentos de defesa, especialmente sobre Roger que parece o ente maligno dessa história, pois tudo aconteceu por causa dele e isso acarretou na guerra entre os Ultra e os seres do amanhã. Sendo bem sincera, quem tem que acabar com essa rixa é Roger. Agora, a culpa cairá sobre Stephen, pois ele é o único sinérgico que sobrou, a patente perfeita para sentar na cadeirinha da tal máquina que amplia poderes. Ambos possuem planos próprios, mas quem é realmente o inimigo? Quem falou a verdade? Não é porque Jed fugiu ou porque Bathory chorou por Cassie que ambos são inocentes. A situação foi feita para gerar confusão, um objetivo alcançado com excelência, especialmente porque as dúvidas sobre o caráter dos respectivos personagens só aumentaram quando se vê que os dois sacrificaram as pessoas que mais amaram em nome de Roger. Por quê?

 

O passado colidiu com o presente e é em momentos como esse que aquelas pessoas que supostamente não têm nada a ver com o drama precisam ser inseridas. Neste caso, John. A história dele é a mais triste de TTP por causa do afeto por Jedikiah e Roger, o que não impediu que a vida de John fosse arruinada, especialmente por ser filhote do Projeto Anexo. O que gosto no personagem é a lealdade que ele tem com os próprios pensamentos e com as pessoas. Ao conversar com Stephen, amei a afirmação de que tudo tem uma alternativa. O que matou foi Jedikiah dizer que praticamente deu Stephen de presente para John, como também preparou o “filho” para aquele fatídico momento. O ser do amanhã foi moldado como arma letal para matar o Fundador e isso nasceu de uma raiva bem forte da parte de Jed. Sem dúvidas, essa é a primeira de muitas decisões que John terá que tomar daqui para frente por causa do homem que fez o seu mundo vir abaixo. Tenho até medo do que pode acontecer, pois não quero que ele seja o traidor da história. Isso me deixaria enfurecida.

 

Pergunto-me se os seres do amanhã mudarão de covil, pois Jed sabe onde eles estão. Russell me tirou do sério com a burrice dele, juro. O cerco se fechou para todos os personagens e de agora em diante a correria será enlouquecedora. A fuga de Jedikiah deixou muito a se pensar, mas também confirmou a preferência dele pelos humanos, talvez, por não ter o que Roger tinha: poder. Esse sempre foi o interesse dele, o que volta ao corpo congelado do irmão. Qual é o plano? Espero que a trama continue a ser tão extasiante quanto foi neste episódio.

 

Vamos refletir:

 

Roger e Bathory são ditos como os primeiros seres do amanhã. Isso me fez pensar na fonte para os paranormais existirem. Apenas erro de DNA? Começo a duvidar.
John já disse que os Ultra querem militarizar a espécie. Isso soa como desejo de quem? O Fundador? Para que fazer os paranormais matarem, sendo que o objetivo é aniquilá-los? Apenas uma exceção à regra para John ser o que é? Começo a duvidar².
Stefs
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