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11/abr

Você percebe que está velha demais quando começa a comparar em demasia os jovens de antes com os de agora. Digamos que esta é uma conversa de uma pessoa da Geração Y que a cada dia pega mais birra da Geração Z. Ir a eventos como o Lollapalooza me dá calafrios por causa da turma Me, Me, Me composta por membros da famosa egosfera. Dentre tantos motivos que eu poderia citar neste post, o que me deixa fora do sério é o modus operandi tão diferente da minha adolescência. Claro que muitas coisas contribuíram para isso, como a santa internet, mas nada me faz querer bater a cabeça na parede como a falta de originalidade dessa galera.

 

No Lolla, parecia que cada panelinha tinha um uniforme, como embalagens. Tudo bem que isso é comum de cada tribo, mas, atualmente, isso está demais.

 

Este post é inspirado em um debate entre minhas hang loose girls, também da Geração Y, que sentem coceira com a geração atual, baseado na ida ao Lollapalooza deste ano.

 

A grande maioria dos que pertencem à Geração Z não possui autenticidade. Quem viu de quase tudo nesta vida não consegue entender como adolescentes (e até crianças) agem de um jeito tão diferente dos de antes. Eu não consigo aceitar como os pais os deixam ter contato com a tecnologia tão cedo, pois há muito para ver e curtir longe das telas dos computadores. Alguns responsáveis afirmam que é um meio de manter os filhos em casa, mas não notam que com isso há vários preços a se pagar, como a alienação. Mesmo assim, ficamos com o sábio impasse do conflito de gerações.

 

Enquanto eu amava colecionar papéis de carta, hoje se coleciona históricos de conversa via WhatsApp. Independente de como era a internet na minha época, o que me deixa bastante encucada é que a Geração Z parece vinda de outro universo. Parece que todos foram feitos com os mesmos padrões e colocados em uma vitrine para os pais comprarem.

 

Eu sinto tanto, mas tanto essas diferenças de comportamento e de costumes que fico muito bolada. Os anos 90 foram marcados por muitas coisas, mas, especialmente, pelo prazer de estar com a família e com os amigos pessoalmente. Os encontros eram marcados por telefone. Para conversar online tínhamos o ICQ ou os chats da AOL. 1999 (prolongo até 2003) encerrou essa “normalidade”, pois o bug do século não trouxe apenas a falsa promessa de uma pane nas máquinas, como também atrofiou o cérebro de muita gente.

 

Quem cresceu antes dos anos 2000, assiste essas mudanças com mais intensidade em qualquer quesito, até mesmo na música. É difícil tolerar adolescentes que parecem que foram inspirados no recorta, copia e cola. É difícil encontrar personalidades únicas.

 

É, essa sou eu ficando velha.

 

Em grande parte, isso é culpa da tecnologia. O que diferencia a minha geração da atual é a qualidade da internet, um mundo de fácil acesso que deu direito a qualquer um ser resenhista sem ter amadurecido o suficiente para comentar algo. Tudo para alimentar o ego, pois se trata de uma questão de likes e followers.

 

A tecnologia avança cada vez mais rápido e traz novidades todos os dias. Não há como negar que a Geração Z nasceu com a Websfera pronta para uso, um presente, algo que as outras décadas não tinha. Na década de 90, a internet ganhava espaço a passos lentos. Era uma luta ter acesso à informação e nem contávamos com lojas online, por exemplo. Tudo era presencial, mesmo com o universo online querendo agarrar muitos pelos calcanhares. Agora, a vida se baseia em filtros e a ideia de compartilhar momentos morre a partir do momento que uma pessoa se contenta com uma selfie. Isso quer dizer que o que importa é si mesmo.

 

E isso não é ruim, pois minha mãe já dizia que o que importa é você e ninguém mais. É ótimo amar a si mesmo, mas e as pessoas ao redor? Onde se encontra o autorrespeito dessa turma Z? Somos pessoas que vivemos da aparência, é inegável, quem é que não curte se vestir bem e aparecer bonito na foto? Só acho que as redes sociais têm escravizado os jovens da Geração Z que não veem nada além de um celular e de uma foto cheia de filtro. Eu amo a internet e tudo o que ela propicia, e agradeço muito por usufruir deste meio já com idade suficiente para compreendê-lo. Contudo, ela é o apocalipse que matou a criatividade e a autenticidade.

 

É raridade encontrar um jovem criativo e, quando acha, não tem como não querer abraçá-lo e dar os parabéns. Afinal, eu sinto que agora ninguém pode ser diferente, pois é motivo de chacota. Para isso, existem os moldes que tomam a segurança de você ser original. Eu tenho muito medo do que os bebês que nascem na data deste post encontrarão daqui há 10 anos. Espero que não sejam Daleks na tentativa de exterminá-los.

 

Voltando aos anos 90 – Geração Y

 

A Geração Y é dita como sofisticada, especialmente por causa do início do contato com a tecnologia. Nós somos os dinossauros da internet, pois a vimos ganhar força. A Geração Z chegou com os usuários hardcore, aqueles que ganham desde a infância tablets de aniversário ao invés de um brinquedo. A televisão era tudo até 1999, especialmente para reunir a família, assim como as revistas e as rádios para acompanhar um ídolo. Minha irmã sempre fala que tem inveja por eu ter visto os anos 90 passarem e eu sinto orgulho disso, pois, até então, as melhores coisas para quem nasceu nos anos 80 foram encontradas 10 anos depois. O mesmo vale para quem nasceu nos anos 60 e 70 que curtiram o melhor do rock.

 

Para ser bem metida (com todo o direito do mundo), eu vi os Backstreet Boys e a Britney Spears serem lançados no mundo pop. Curti Legião Urbana, Skank, Sandy & Junior e derivados. Ouvia a Rádio Cidade de noite com as primas com suas músicas bem antigas que ajudaram no meu inglês. Vivi na época da internet discada e acompanhei o auge de blogs e sites no formato da Web 1.0, ou seja, com páginas estáticas.

 

Trocava figurinha, pulava elástico, batia nos meninos, praticava esportes. Também vi momentos trágicos como a perda dos Mamonas Assassinas, do Ayrton Senna e do meu trapalhão favorito, o Zacarias. Tive um tocador de vinil e vários discos empilhados no guarda-roupa. Cantava Xuxa e Balão Mágico, vi novelas e aderi à moda cigana de Explode Coração e morri de medo com A Próxima Vítima. Minha rainha Céline Dion começou a cantar na minha vida nesse período e o Leo DiCaprio foi o meu primeiro marido. Eu vi o Brasil ser Tetra Campeão, a Copa mais linda na minha opinião. É muita nostalgia para pouco parágrafo, mas isso tudo bastava para mim.

 

Eu não me preocupava com a foto do look do dia – não que me preocupe com isso atualmente, por favor –, mas é fácil imaginar como anda o ritmo das escolas, onde adolescentes devem tirar foto de qualquer momento ao invés de prestar atenção na aula. Acho o cúmulo essa geração reclamar do ENEM e ainda fazer pouco caso. É seu futuro, pô!

 

Os anos 2000 trouxeram um novo molde de convivência, onde o compartilhar momentos acontece com um clique do mouse. Não só isso, como colocou todo mundo em uma bolha individual. Além de muitas preocupações, a que mais abala a Geração Z na minha opinião é a dificuldade de adaptação por causa da vida online. Para mim, essa é a turma que não consegue se virar na vida real por causa do excesso de conectividade. Esse conflito de gerações é bem crítico quando um adolescente Z fala mal de Harry Potter, um exemplo bobo para vocês entenderem onde quero chegar. Para ele, a saga de Rowling é chata por ser detalhista. Ele nunca lerá Tolkien ou George R.R. Martin por pedir narrativas curtas e rápidas. Dá ódio, mas é compreensível. A Geração Z pede coisas imediatas e de fácil acesso.

 

Entenderam por que a Geração Z tende a me irritar? Isso é apenas um resumo.

 

Geração Z: do Lollapalooza e outros lugares

 

Diz que essa é a turma que nasceu entre 1995 a 2012 (alguns site colocam até 2009). É a geração que “tem tudo na mão”, onde tudo é resolvido com um deslizar do dedo na tela. O comportamento deles passou a ser ditado pelas redes sociais que reforçaram a ausência de contato presencial, barrando a verbalidade no mundo real. Porém, não acho que as mídias sejam totalmente vilãs, pois há aqueles que sabem usá-las e compartilham coisas legais.

 

Só que a interatividade online cria a falsa ilusão de que todos estão conectados, mas, para mim, é o maior jogo de desconectividade. Afinal, você não sabe se a pessoa do outro lado da tela realmente ri do seu comentário, pois isso pode ser resumido com um “rs” ou a gargalhada “kkkkk”.

 

Aquela sensação de presença online simplesmente não existe, o que cria o segundo tipo de ilusão: sou popular pelo meu número de likes.

 

As redes sociais criam suposições: como a pessoa do outro lado se sente?, como uma garota ou um garoto é sem todo o filtro?, o que uma pessoa curte sem ir no embalo dos outros? Em resumo, é uma conexão atrelada à mentira e só quem tem a mente muito alerta consegue separar a vida online da real. Esse conflito também pesa na questão de originalidade, pois aquele que foge da regra recebe críticas e não os parabéns. Em tese, as pessoas devem ser feitas do mesmo fermento. Não se pode ser diferente hoje em dia, a não ser que você queira ser uma piada. Um absurdo, eu sei.

 

A Geração Z tem dificuldade em moldar o próprio self. Pode até ser muito cedo para isso, mas a adolescência dá base para a vida adulta. É o período que se fomenta muitas coisas, especialmente a personalidade. É a partir das experiências juvenis que você escolhe sua graduação, por exemplo. Essa galera está desligada do mundo real e, por vezes, quem tenta quebrar barreiras soa muito forçado.

 

Quem sabe o que curte, o que ama, o que tem no guarda-roupa não precisa ostentar. Claro que é ótimo compartilhar alguma coisa nas redes sociais, isso não mata ninguém, mas há quem faz isso como se quisesse se provar. A famosa preocupação com as aparências. Da mesma forma que tem aquele que acompanha os moldes de um grupo, há aquele que tem necessidade de ser tão, mas tão diferente, que chega a ser uma falcatrua tanto quanto aqueles que usam o boné da mesma marca.

 

Todos se moldam com base em alguém, independente se você é o Mr. Criativo. Todo mundo tem uma fonte de inspiração. Porém, como aprendi em Roube como um Artista, furtar algumas ideias é um meio de criar algo seu. Nem a J.K. Rowling bateu no peito ao anunciar que Harry Potter é 100% original, pois ela tirou inspiração de Tolkien e do C.S.S Lewis. Ela só criou um novo ponto de vista, algo que está meio ausente nos livros que estão nas mãos da Geração Z. Basta conferir várias distopias e compreender do que falo (mas as amo mesmo assim).

 

Eu admiro adolescentes da Geração Z que voltam as décadas e se encontram lá. Admiro os jovens que gostam de determinada coisa de verdade, sem se preocupar com as modices. A adolescência é uma fase complicada e viver a sombra do outro pode ser bacana no começo, mas, quando essa época acaba, a situação pode ser insustentável. Afinal, a identidade de um deixa de ser a base do outro, e se é uma coisa que sempre muda são os círculos sociais.

 

Hoje, as coisas simples não são mais nada perante a chance de compartilhar a vida com mil hashtags no Instagram. Isso pouco deveria interessar, pois o que importa são os momentos. O registro pode rolar, é bonito, é algo que ajuda a preservar, mas, infelizmente, nem todo mundo consegue burlar o exibicionismo com os “follow back”, “like4like”, e derivados.

 

Tudo com moderação fica mais bonito. Até mesmo uma selfie.

 

Literalmente, o mundo parou em 2000. Lembro-me que o termo poser ganhou popularidade em terras tupiniquins nesse período e se tornou um palavrão na boca dos jovens da Geração Z. A juventude de agora vive de máscaras e piro muito quando algum jornalista de entretenimento faz vídeos na entrada de festivais para pegar a galera teen que só está ali para se mostrar. O Lollapalooza é um exemplo que apenas mostra como a autenticidade de muitos não existe, onde uma banda é apenas um passe de entrada como comentei no post do Imagine Dragons.

 

Assim, todos se movem conforme as redes sociais, na perspectiva de que se aparecer é o suficiente. Isso não acontece só aqui, mas na gringa também. É tudo uma questão de se encaixar, mas acho que muitos exageram para serem aceitos. Ninguém precisa se rebaixar tanto para agradar uma turma que, provavelmente, é composta por gente sem noção.

 

Meninas e meninos uniformizados do mesmo jeito como se fossem embalagens. O cabelo ruivo supervalorizado como as coroas de flores. O cigarro de uma marca X na ponta do dedo de uma adolescente que nem sabe tragá-lo… Talvez, eu ache isso estranho por não ter tido esse tipo de adolescência. Não quero dizer que minha vida teen foi melhor do que a de alguém (confesso que, às vezes, bate a superioridade, pois os anos 90 foram awesome!), mas o que sinto é que os jovens de agora não receberam rasteiras suficientes por estarem protegidos por uma tela. Hoje, até brigar na porta da escola é motivo para filmar, algo descabível. Há quem diga que a culpa é dos pais. Para mim é culpa do ego. De querer se aparecer, o que torna essa geração popular por ser mimada, de acordo com muitos artigos espalhado por aí.

 

Eu queria acreditar que essa é a geração dita como rebeldes com causa, mas esse pensamento desvanece toda vez que saio de casa. Eu vejo uma geração ainda mais perdida. Eu vi o progresso digital, mas curti minha adolescência longe desse caos. Até porque, nem havia redes sociais como agora, só o Myspace. Os blogs eram os real things da época. Fui parte de grupos que gostavam de programar festas do pijama e sessões pipoca depois de uma sexta-feira pós-prova, que compartilhavam sonhos e que desabafavam em um diário…

 

É. Talvez eu tenha um pouco de direito em ser metida com relação a minha adolescência, pois não a trocaria por nada do que vejo agora. Um período onde momentos são escolhidos com base no frame e amizades pelo número de followers.

 

Saudade anos 90.

Stefs
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