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23/abr

Faz muito tempo que não comento nada sobre a tão preciosa escrita, né? Desde que comecei a focar nos meus projetos literários em tempo quase integral (preciso dormir, né?), meu cérebro sofreu uma reviravolta brusca. Sem contar que meu corpo briga para ter os momentos de procrastinação enquanto meus dedos querem escrever. Há dias que é impossível não sentir aquela necessidade de ficar de pijama o dia inteiro, ainda mais quando parece que os personagens estão de mal de você. Muitas pessoas devem desacreditar desse papo de se sentir confortável para escrever sendo que, em tese, basta abrir o Word ou um caderno e colocar as palavras lá. Queria eu que as coisas fossem fáceis desse jeito.

 

Depois que saí do emprego, tive que fazer meus horários, pois sou uma pessoa viciada em disciplina. Continuei a anotar tudo o que preciso fazer em um dia e isso inclui muitos capítulos. Porém, nem sempre quero escrevê-los. Daí, vem o dilema da procrastinação que vem com a desculpa preciso colocar minhas ideias no lugar, sendo que elas já estão no lugar. É muito fácil desistir quando as coisas se tornam difíceis ou sem sentido. É normal se perguntar o porquê de criar tantas histórias sendo que não há para onde elas irem, mas continuo a escrever.

 

Procrastinar. Para mim, significa o ato de ficar estirada na cama olhando para o teto e se perguntando por quê? de pijama, com uma música triste ao fundo. O que me evita de desperdiçar energia em não me mover nem para respirar direito é focar no free writing, algo que acontece com frequência quando escrevo algum começo de fanfic sem pé e nem cabeça. O negócio é não desviar do objetivo, mesmo que eu tenha que terminar o dia com uma songfic que não tem nada a ver com nenhum dos meus projetos literários. Eu só não posso parar de escrever, um detalhe que, acreditem, desisto com facilidade por motivos de traumas.

 

A partir do momento que resolvo escrever, o desafio seguinte é vencer o primeiro parágrafo que sempre me empaca. Eu o refaço milhões de vezes. Eu sei quais são as ideias, o que tenho planejado para o capítulo, como engatar as frases, mas, se as primeiras linhas não estiverem do jeito que quero, com direito a uma cereja imaginária no topo, o resto não flui. O desafio se estende no decorrer da produção dos capítulos e sempre há algum que não funciona. Eu cheguei ao ponto de confiar no meu estado emocional quando termino um texto ao ponto de torná-lo minha resposta oficial de que o trabalho foi bem feito. Acho que com todo mundo acontece isso, mas comigo o dramatismo é mais embaixo. Eu me envolvo demais. Por causa disso, há vezes que não consigo escrever no dia seguinte porque gastei minhas emoções e minhas energias em demasia.

 

Mês passado, fiquei presa ao mesmo capítulo por semanas. Não porque estava bloqueada, mas porque ele não tinha emoção. Conforme achava que ele precisava de algo mais, o texto ficava enorme. Eu não conseguia avançar e passava os dias seguintes no mesmo lugar, focada em editá-lo. Eu tive que voltar uns 3 capítulos para entender os motivos de ter chegado até determinado ponto da trama. Eu sou dessas que não pensa duas vezes em deletar e começar de novo, mas, nesse caso, o capítulo estava na medida certa no quesito plot. Porém, não tinha emoção. Para vocês terem ideia, se o computador reinicia em meio a um trabalho que não salvei, entendo como um sinal divino de que estava péssimo. Como isso não aconteceu e eu já estava cansada de bater na mesma tecla, não reescrevi, mas procrastinei.

 

Muitas coisas se aprendem a partir do momento que você só tem olhos para a escrita. É normal autores dizerem que é preciso ter uma conexão com a história, mas elevo isso ao infinito. Tem que mergulhar com tudo, sem arrependimentos. Eu encaro meus momentos para escrever como um trajeto para a Matrix – sento, conecto o plugin e o Papa pode tocar mil vezes a campainha que eu não ouvirei. Voltar à realidade sempre é a parte mais difícil, até mesmo quando escrevo um capítulo que ainda pode ser melhorado. Se é uma coisa que levo a dedo é a regra: pare de escrever quando sente que quer escrever mais. Isso me poupa de colocar muitas palavras no Word no mesmo dia e depois ter que deletar tudo porque não gostei – um trabalho dobrado. Inclusive, isso me mantém longe da tendinite.

 

Um dos hábitos que tinha era escrever na cama – errado, eu sei, mas tudo que preciso fica perto dela – até perceber que meu trabalho é um pouco mais lento. Tive que mudar a rotina e faço praticamente horário comercial para colocar meus capítulos em dia. Como comentei no início do WP, meu melhor momento é de manhã. Às vezes, escrevo à noite quando me sinto inspirada. Atualmente, tenho exigido muito de mim por causa da disciplina porque sou extremamente control freak. É muito fácil querer viver só de pijama, houve dias que fiquei assim e me senti muito mal depois, mas tenho um salvador: Neil Gaiman e seu ditado em um bom ou mal dia, apenas faça boa arte. E, claro, J.K. Rowling.

 

Coisas que aprendi com o tempo

 

Foto: via Etsy

 

Mesmo que se crie uma rotina, uma pessoa pode sentir dificuldades de começar a escrever, pois dá vontade de colocar as ideias no Word todas de uma vez. É aquele velho dilema de ter a história na mente e não fazer ideia de onde começar. Acredito que um dos maiores problemas é quando um aspirante a escritor tenta repetir os moldes de autores consagrados, desde Tolkien até Suzanne Collins. Afinal, livros nesses moldes estão na moda e, em tese, é o que vende. Muitos se prendem a ideia fixa de que precisam produzir algo igual e podem rolar até umas imitações, mesmo sem querer. É aquele velho problema de ser influenciado, normal.

 

O que posso dar como dica é: descubra o seu estilo. Isso quer dizer: descubra o gênero literário de afinidade e desvende o melhor ponto de vista para narrar a história. Nem toda distopia precisa necessariamente ser em 1ª pessoa, por exemplo. Rowling se deu bem ao escrever 7 livros em 3ª pessoa. Não é do mesmo gênero, mas é um exemplo de peso, pois foi ela quem inspirou tantos outros escritores a quebrarem as amarras e a publicarem seus trabalhos. Não adianta querer escrever em primeira pessoa só porque o John Green faz. Nem criar o mesmo modelo de distopia só porque Jogos Vorazes e Divergente são um sucesso. Nem sempre o que você acredita é aquilo que pode dar certo, pois, com sorte, pode-se criar algo melhor. Os desafios estão aí, só sair da zona de conforto!

 

Sempre tive vontade de ingressar no mundo da fantasia, mas não me acho capaz para isso. Sem contar que morro de medo de ser influenciada, pois o gênero pede muita referência para não criar algo que já foi pensado. Sempre discriminei narrativas em primeira pessoa também, pois grande parte dos livros que li me deixaram a sensação de que faltava alguma coisa. Talvez, deve ter sido o impacto de ter crescido com Harry Potter e de ter lido alguns títulos em terceira pessoa na escola, como Pedro Bandeira.

 

Tudo é uma questão de costume e, mais tarde, de aceitar novos desafios. Não é porque eu escrevo em terceira pessoa que preciso passar o resto da minha vida com esse tipo de ponto de vista. Ano passado, escrevi uma história em primeira pessoa no NaNoWrimo e me surpreendi. Achei até mais fácil que em terceira pessoa. Porém, é aquele negócio: para escrever em 1ª pessoa o/a protagonista tem que ser genial, pois é ele/ela quem carregará a história sozinho/a. Se for um porre, dificilmente o leitor passará da primeira página.

 

Um conselho que já dei aqui no blog é que, se você sempre escreveu em terceira pessoa, tente inverter os papéis. Por causa de toda essa influência literária, é automático ir ao que parece certo ao invés de pensar qual é o melhor estilo de narrativa, gênero, etc. para si mesmo. Eu pensei em mudar a voz do WP para a masculina, mas daí abracei tanto a menina quanto o menino, o que me deu uma narrativa com ponto de vista duplo. Dá mais trabalho, mas tenho gostado dos resultados. Outra coisa: caso você esteja na dúvida de quem deverá ser o novo melhor amigo do leitor, escreva o primeiro capítulo com o ponto de vista daqueles cotados como protagonistas. Assim, você verá qual deles tem o melhor apelo. Depois, escreva sobre o afortunado em terceira e em primeira pessoa para descobrir o POV da história. É uma questão de feeling e é melhor descobrir esses detalhes antes que 15 capítulos depois.

 

Protagonistas: te amo, mas te odeio

 

Katniss e a Tris são as garotas “fracas” que se tornam fortes por causa das circunstâncias. Tenho certeza que as prateleiras gritam só de receberem mais livros com essa mesma receita. O problema está em acreditar que esse é o molde literário a ser levado para a vida. Pensar em algo diferente não é crime. Como aprendi em Roube como um Artista, todo mundo pega ideia de todo mundo e apenas dá um toque pessoal. É possível até melhorar o que foi criado por outro autor. Há boatos que Jogos Vorazes é uma criação superior de Battle Royale, uma das grandes tretas do fandom por causa do bafafá de plágio. Se você tem como objetivo escrever distopias, acredito que aqui calha a dica: escreva aquilo que gostaria de ler. Eu estou cansada do gênero, admito, e, se eu quisesse fazer uma revolução, não seguiria os passos da Collins e da Roth. Elas foram bem-sucedidas e o mercado já implora por coisas novas.

 

Foto: via elctra.tumblr.com

Sabe aquele personagem formidável que samba na sua mente, mas que o deixa um pouco inseguro, com aquele receio de que ninguém gostará? Deixe-o ganhar vida! Essa é uma das partes que mais pega quando se quer começar uma história, especialmente se você ama demais um autor e o tem como inspiração. É preciso se despir desse amor e criar um estilo próprio. Isso inclui os protagonistas. Cansou de triângulo amoroso? Não use. Não doerá. Quer um garoto como o herói? Faça isso. O público masculino está em desvantagem no mercado repleto de salvadoras em meio a uma revolução.

 

 

Outra dica que pode oferecer muitos desafios é fanfic, algo que nunca cansarei de citar como exemplo. Há muitos sites para postá-las, o feedback tende a ser rápido e se um leitor não gosta do que você escreve, acredite, ele falará. O importante é treinar sempre. Cito o Neil como inspiração de novo. Ao longo da carreira, o autor fez uma lista de tudo aquilo que queria escrever. Acho que todo mundo precisa de uma dessa – eu preciso fazer a minha, inclusive.

 

Faça uma lambança de pontos de vista, de gêneros literários. Invista em short stories. Ao ter o hábito de se dedicar ao free writing, sua mente não parará de ter ideias. Às vezes, me sinto à beira de um colapso.

 

Pense também em mudar o gênero: se você gosta de fantasia, tente escrever um suspense. O importante é trabalhar a imaginação. Se você tem certeza da história que quer criar, estude os autores com foco no mesmo gênero para não fugir tanto de certos detalhes que praticamente são regras inquebráveis, a não ser que você queira polemizar e fazer como Stephenie Meyer que fez os vampiros brilharem ou Veronica Roth que não foi tão legal com a Tris.

 

O segredo mesmo é deixar a escrita fluir. Eu faço isso com fanfics, o que me ajuda bastante. Escrever é aprendizado e é preciso ter paciência. É preciso exercitar, pesquisar, entre tantas outras coisas. Haverá momentos de desespero, de procrastinação e de invencibilidade. Faz parte do trabalho, basta não desistir dele.

 

Enquanto isso, continuo na minha Matrix…

Stefs
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