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08/abr

Então que no último sábado (05.04) risquei mais um nome da minha lista de shows obrigatórios. Imagine Dragons recebeu minha caneta marca texto com o saldo devedor de uma apresentação exclusiva, pois é meio difícil não invejar o que a banda fez no Rio de Janeiro. Admito sem vergonha de ser feliz que se não fosse por eles minha terceira experiência no Lollapalooza estaria no hall da vergonha. No geral, a edição deste ano só pensou em quantidade ao invés de qualidade. É bem provável que quem saiu satisfeito do Lolla foram os integrantes do grupo que nunca foram e os que tinham um objetivo específico. No meu caso, era só curtir Imagine Dragons.

 

De um público que só pensava em posar no Instagram até os furos no line-up que prolongavam demais o tempo de espera para um novo artista assumir um dos 3 palcos, a experiência não se compara em nada ao que rolava no Jockey Club. Para quem estava acostumada a ver de tudo um pouco, eu me senti um Hobbit subindo as ladeiras da vida por causa da distância de um palco ao outro. Sem contar que houve uma aglomeração maior de wannabes hipsters que juravam que Imagine Dragons só tinha uma música e que a Lorde era aquela menina lá. Para não dizerem que sou chata, segue o resumo das coisas ruins:

 

– 1 hora na fila para entrar;

 

– Alimentação e bebida caríssimas;

 

– Bairro suspeito;

 

– Falta de iluminação noturna;

 

– Falta de staff;

 

– Público sem noção;

 

– Palcos distantes. Da entrada ao palco que o ID tocaria deu quase 10 minutos de caminhada a passos normais.

 

Isso quer dizer que a quantidade de pessoas pode ter deixado os organizadores satisfeitos, mas quem queria qualidade, ainda mais para quem estava acostumado aos moldes antigos, o novo Lolla ficou muito a desejar e o velho deixou saudade. Como meu objetivo era só ver Imagine Dragons, saí com o coração contente. Eu queria conferir os outros shows, mas não havia animação para se locomover metros de distância.

 

A apresentação do ID foi banhada de awesomeness e eu nem preciso dizer que eles tornaram qualquer situação negativa em positiva, um perfeito Excelsior. Quando chegou a fatídica hora, eu tive que piscar muitas vezes, pois foi tudo muito bom para ser verdade. O show passou em um piscar de olhos. Ao me dar conta do que tinha acontecido, era segunda-feira. A ficha caiu só quando metade do cansaço gasto nesse dia foi embora.

 

A banda animou com Fallen e Tip Toe. As coisas se tornaram mais lindas quando Hear Me e It’s Time foram cantadas. Amsterdam honrou o sentimento de uma viagem maravilhosa. On Top of The World foi entoada para nos lembrarmos das pessoas que amamos e do quanto uma queda exige um impulso para se levantar. Cha-Ching e Rocks representaram perfeitos gritos de guerra, enquanto Demons propiciou uma limpeza na alma. As coisas ficaram mais emocionantes quando Daniel me deu o maior presente ao incluir Bleeding Out no setlist, algo que raramente acontece. Para fechar, claro que a revolução começou e terminou com Radioactive. Foi impossível não chorar ao ponto de engolir o chiclete.

 

Imagine Dragons foi a melhor apresentação do 1º dia do Lollapalooza pelos seguintes motivos: presença de palco e carisma. Eles não precisam de muito para atrair uma multidão, algo que aconteceu independente de quem assistia por curiosidade genuína ou de quem estava ali só para se exibir. Tudo foi uma questão de energia. Eu só sei que a banda possui uma preciosidade indescritível. É algo divino. Simplesmente divino. ID se apoia em sentimentos e impasses reais que podem afligir até mesmo uma criança, um tipo de público que marcou presença com direito a camiseta da banda. Eles possuem uma sonoridade diferente e cada batida remete ao palpitar do meu coração.

 

Eu sou daquelas que choram e que tentam manter o mantra de segurar a onda e curtir o show. É impossível! Não adianta eu pagar de fina, pois sempre há o momento do empurrão que me faz cair de cara na lama. Eu não tenho como descrever neste post todos os sentimentos que me dominaram assim que os integrantes da banda assumiram o palco. Eu queria narrar com fidelidade o quanto foi emocionante, pois Imagine Dragons possui uma simbologia tremenda na minha vida por causa do We Project.

 

Eu estava meio preparada para o drama, mas ninguém espera que uma situação se torne mais intensa. Houve uma fusão de histórias e de experiências na minha mente e, por mais que soe como o fim de um ciclo por realizar o sonho de ver uma das minhas bandas amadas, o final da apresentação foi um lembrete de que tudo é apenas o começo. O que o ID me deu foi uma amostra grátis de que nada acabou. Eu tinha esquecido completamente do impulso que as canções causam, algo inacreditável.

 

Conforme cada música tocava, eu me lembrava do momento em que sentei em frente ao computador do trabalho, sozinha na sala e, como não quer nada, comecei a escrever. Era algo sem pé e nem cabeça, mas que levo até hoje sem tantas expectativas. Era 27 de setembro de 2012 quando Radioactive tocou pela primeira vez na minha vida e foi com ela que Imagine Dragons encerrou o show e abriu mais um caminho para eu traçar. Senti-me dentro do meu próprio filme e cada música me fez relembrar de momentos escritos há quase 2 anos, onde cada canção é trilha sonora particular dos meus personagens.

 

Nos dias de hoje, é fácil perceber como os jovens tratam a música. Não digo todos, mas grande parte da geração Z. Uma banda se torna facilmente um rótulo de entrada, onde só se sabe as canções populares e nada mais que isso. Poucos se habilitam a abrir os tímpanos um pouco mais, pois preferem se manter na linha segura que não lhes conferem autenticidade. É frustrante!

 

A música toca diferente para cada pessoa, mas festivais no Brasil não são tão eficazes. Afinal, grande parte do público não sai da zona de conforto musical, o que acarreta nas mesmices. Assim, perde-se a inspiração, a reflexão que acompanha aquela canção que diz muito sobre você e, especialmente, o prazer de compartilhar a mesma energia com a cantoria em uníssono. Festivais têm esse poder, mas não por aqui.

 

Aqui, a música acarreta a mesma sintonia em grupos menores de pessoas por causa do significado, daquela ideia de compartilhar momentos. Durante o show do Imagine Dragons, tudo parecia particular ao lado de honoráveis companhias.

 

Foi sensacional, incrível… Enfim, só tenho palavras positivas e cheias de amor. Só o fato de estar com quem importa foi o bastante. Ainda estou nas nuvens, um dos melhores momentos de 2014 até agora.

 

No aguardo do show exclusivo do Imagine Dragons aqui em São Paulo, porque sim.

Stefs
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  • Pingback: Random Girl: Retrospectiva 2014 - Hey, Random Girl!()

  • Isis Renata

    *—-* hoje mesmo escrevi um pequeno post no face dizendo "ainda não superei o show dos meninos, e isso foi sábado"
    assim como você, Imagine tem tanto em minha vida e fica difícil tentar explicar. É tão maravilhoso quão várias simbologias essa banda carrega. Quando li seu post eu peguei apenas um pedaço da sua história com eles, mas tem bem mais do que imaginava! e você honrou com louvor, pois acompanhou comigo todas as letras e todas as dancinhas de um jeito único que faz tudo tão engraçado e maravilhoso.
    foi minha primeira experiência do Lolla, e nossa senhora eu queria ver mais mil pessoas e o festival não colaborou, mas ok. Eu também registro que aconteceu como havia de acontecer e eu amei compartilhar com você e a mana esse sonho que se concretizou!. Fizemos nosso jeitinho especial, nossas piadas, bom humor e bebidas e foi cansativo e lindo <3

    acredite. no aguardo 2 para show deles exclusivo pois iremos de premium que merecemos mais dancinha, mais choro e mais amor
    foi lindo viver tudo isso
    eu ainda não superei <3 hahaha

    mil vezes obrigada por compartilhar esse amor que é tão singular a nós, mas que é junto e misturado *—*