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19/maio

Para refletir sobre o Universo é preciso abandonar todo o conceito do “concreto”, pois nada é tão abstrato quanto o infinito e nada é tão infinito quanto o Universo.

 

Hoje trago para vocês uma entrevista muito legal com um leitor do blog que, recentemente, publicou seu primeiro livro: Os Guardiões do Universo e o Amuleto da Destruição. Fã de Harry Potter e de Doctor Who (e de muitas outras coisas maravilhosas), Diego Santos contou para a Random Girl sobre a carreira, o processo criativo e como fazer aquilo que gosta sempre é o mais importante.

 

Confiram!

 

 

RG: Quando você sentiu o feeling para ser escritor e resolveu se empenhar na carreira?

 

Eu me lembro de que, aos sete anos, eu escrevia uma espécie de revista em quadrinhos semanal, cujos protagonistas eram dinossauros, e aquelas histórias faziam certo sucesso entre os meus colegas de classe. Aquilo era algo instintivo. Eu não fazia ideia de que escrever poderia ser uma profissão. Isso mudou quando eu tinha oito ou nove anos, e uma professora chamou minha mãe à escola para repreendê-la por ter feito minha atividade de casa do dia anterior, que era uma “produção de texto”.

 

Minha mãe respondeu que aquilo não era verdade, mas a professora apenas acreditou quando eu escrevi outro texto, em sua presença. Então ela disse a minha mãe para “investir em mim”, pois eu poderia vir a ser um escritor no futuro. Foi então que eu descobri o que eu “queria ser quando crescer”.

 

Desta data até o momento em que eu disse a mim mesmo: “ok, então vamos levar isso a sério”, passaram-se muitos anos. Nesse meio tempo, eu aproveitei para ler muito, e criei algumas fanfictions baseadas em alguns dos meus personagens favoritos, como Sherlock Holmes e Harry Potter. Aos quinze anos, tive a ideia daquilo que mais tarde se tornaria “Os Guardiões do Universo”, mas as inúmeras tentativas de iniciar a história na adolescência fracassaram, pois eu nunca ficava satisfeito com o resultado. Cursei jornalismo, justamente por “gostar de escrever”, mas percebi a profissão não era bem aquilo que eu imaginava. Entretanto, não me arrependo da escolha, pois acredito que foi justamente esse curso e, posteriormente, a atividade na área, o que aprimorou o meu texto.

 

O jornalismo me ensinou a escrever sobre assuntos variados, com prazos curtíssimos e sob uma enorme pressão. Então, em 2013, eu decidi levar meu livro a sério, trabalhando com prazos e horários como se aquele fosse um emprego normal.

 

RG: Você me disse que uma de suas inspirações para a trama de Os Guardiões do Universo veio de Doctor Who. Alguém mais, além do Senhor do Tempo, serviu de inspiração?

 

Eu acredito que tudo que eu li e assisti em minha vida me influenciou de alguma forma para a criação da trama de “Os Guardiões do Universo”. Entretanto, evidentemente, há referências mais perceptíveis no texto. Além de Doctor Who, que eu descobri tardiamente, mas que se tornou tão importante para mim, destaco Harry Potter, Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e de Fogo, as histórias de Sherlock Holmes, os livros de Júlio Verne, Star Wars, entre outros.

 

RG: Os Guardiões do Universo é o seu primeiro livro publicado. Conte um pouquinho sobre as experiências, o processo criativo, e os altos e baixos na hora de botar a mão na massa.

 

Como disse anteriormente, tive a ideia dessa história aos quinze anos, ou seja, há onze anos ela está na minha cabeça. Quando finalmente decidi escrevê-la de forma séria, o processo fluiu de forma relativamente satisfatória. Em menos de um ano, eu consegui finalizar o livro. Entretanto, nem tudo foi simples. Apesar de ter elaborado um detalhado roteiro de cada capítulo, algumas passagens não funcionaram no papel, e precisei alterá-las. Além disso, uma vez escritos, os personagens tornam-se seres viventes, com desejos e anseios próprios, contrariando, muitas vezes, aquilo que se planeja para eles. Isso sem dúvida culminou em alguns impasses durante o processo de criação.

 

Ainda assim, eu não tive nenhuma crise séria durante a escrita. Essa foi a importância do jornalismo. Ao escrever o livro, todos os dias eu produzia como nos tempos das matérias jornalísticas – simplesmente escrevia, mesmo nos dias em que não me sentia inspirado. Evidentemente, muitos desses escritos não foram integralmente aproveitados ao fim, mas alguma coisa sempre se salvava, mesmo que apenas uma frase.

 

Curiosamente, o único momento crítico para mim foi às vésperas do lançamento, quando eu já não podia fazer mais nada. Fiquei absurdamente nervoso e angustiado. Mas acho que a crise se deu justamente por isso. O livro já não estava sob meu poder, na segurança de um arquivo de Word, longe dos olhos alheios. Quando voltei a escrever, isso passou.

 

RG: O mercado literário brasileiro é muito fechado e, muitas vezes, só há espaço para best-sellers internacionais. Você sentiu vontade de desistir? Achou impossível ser publicado?

 

Eu costumo dizer que a minha maior qualidade é ser extremamente confiante. Uma confiança que beira a irresponsabilidade e a ingenuidade. Daquele tipo de gente que coloca a faca entre os dentes e parte para a ultrapassagem (By Galvão Bueno). Então, em momento nenhum eu pensei em desistir, apesar de todas as condições adversas. Sempre confiei no potencial da minha história. Além disso, acredito que, atualmente, publicar um livro não é uma tarefa tão complicada. Mesmo que você não consiga uma editora convencional, existem inúmeras opções para a autopublicação, sendo que em algumas delas você não precisa gastar nenhum centavo.

 

Acho que o maior desafio é ser lido. Conseguir fazer com que as pessoas consumam a sua história. Quando se pensa, até mesmo alguns gênios da literatura demoraram anos, décadas, até mesmo séculos para serem reconhecidos… Essa é a parte mais difícil, em minha opinião.

 

RG: Uma coisa que todo mundo gostaria de saber é o relacionamento autor e editora. Foi difícil?

 

Ocorreram momentos conturbados, mas, em geral, a convivência é sadia. A questão é que a editora é uma empresa especializada em publicar livros, então ela tem grande conhecimento sobre diversos pontos dessa empreitada. Em contrapartida, ninguém conhece a sua história tão bem quanto você. Então, é preciso saber a hora de aceitar e a hora de defender o seu ponto de vista.

 

RG: Há pessoas com uma vida dupla (escreve e trabalha), há pessoas que chutam o balde (como eu) e querem correr atrás de ser publicadas. Em qual dos dois perfis você se encaixa?

 

Eu diria que eu me enquadro na segunda opção. Não posso afirmar que não tenho trabalhado em mais nada além de escrever, pois isso seria mentira. Entretanto, abdiquei completamente de empregos convencionais e tenho feito apenas alguns trabalhos como freelancer para conseguir ao menos subexistir. Em suma, a escrita tem sido o meu “emprego”. Com horários e metas. Não é um caminho simples. Sim, há aquele olhar de desconfiança; uma dose de deboche e descrença; a preocupação com o seu futuro por parte daqueles mais próximos… Mas, no fim, o que vale é fazer aquilo que nós gostamos.

 

RG: Com livro publicado e nas prateleiras, cite uma (de milhões) palavra que resuma essa sensação.

 

Por mais absurdo que possa parecer, a palavra é: indiferença. Não me entenda mal. Não pense que eu estou sendo ingrato à minha sorte. O que acontece é que, por si só, o livro não é nada (ou muito pouco, para ser menos radical). A mágica ocorre justamente quando ele interage com gente, e esse é o ponto. Quando a primeira pessoa que leu minha história veio conversar comigo foi uma sensação mágica, indescritível! Saber que alguém gastou algumas horas lendo algo que você escreveu é fantástico!Quando eu segurei meu livro pela primeira vez, há alguns dias, pensei: “ok, esse é o momento em que eu devo ficar emocionado…”, mas não aconteceu.

 

Segundos depois, eu já estava folheando-o para saber se algum erro havia passado da revisão final. Eu entendo que nós, leitores ávidos, criamos verdadeiras relações de afeto com os livros, mas, ao menos em meu caso, isso ocorre justamente lendo-o. Para mim, o livro, em si, é o veículo, não o fim.

 

RG: Os Guardiões do Universo terá continuação ou você pretende se dedicar a outros projetos?

 

Quando concebi a ideia de “Os Guardiões do Universo”, soube desde muito cedo que não conseguiria contar toda a história em apenas um volume. Quando elaborei o roteiro detalhadamente, cheguei ao número 7! Sim, serão sete livros. E isso nem foi algo proposital, para copiar outras séries. Simplesmente aconteceu. Eu já estou escrevendo o segundo volume da saga e, além disso, também estou trabalhando em outra história que está me atormentando há alguns meses.Além disso, é claro, eu gostaria imensamente de escrever um roteiro para um episódio de Doctor Who. Ei, Moffat, leia o meu livro! Eu sei que você também frequenta este blog…

 

RG: Todo mundo que deseja ser escritor precisa de um fio de esperança. Acho bom deixar uma mensagem para aqueles que precisam de uma força. :) rs

 

Eu não me considero uma pessoa capacitada para dar conselhos a quem quer que seja, então vou citar algo que foi importante para mim!

 

Leia muito! E não restrinja sua leitura apenas a histórias do mesmo gênero que você gosta de escrever. Se você escreve, por exemplo, literatura fantástica, também leia suspense, romance, comédia, terror, ficção científica, drama, aventura… Do contrário, sua história não terá nenhum elemento novo. Será apenas mais do mesmo. E não se esqueça dos clássicos! Pois há elementos que apenas um Cervantes, Tolstói, Shakespeare, Machado de Assis poderá te ensinar. Para exemplificar, o último livro que eu terminei de ler, há poucos dias, foi “Lolita”, de Vladimir Nabokov. O enredo não tem nenhuma relação direta com o que eu escrevo, mas, ainda assim, tenho certeza que meu texto nunca mais será o mesmo depois de ler algo tão bem escrito. Alguma coisa sempre fica em você.

 

Além disso, confie no seu trabalho! Em geral, todo o Universo conspira contra os escritores! Você precisa seguir na contramão!

 

 

Para quem adora literatura fantástica, está aí uma ótima dica. O livro já pode ser adquirido no site da Saraiva.

 

Para ficar por dentro de mais novidades, basta ficar de olho no blog: Os Guardiões do Universo

Stefs
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