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05/maio

E lá vou eu com mais uma resenha de livro totalmente atrasada por motivos de We Project. Podem ver que o blog deu uma nova freada e eu culpo também a maravilhosa tendinite. Agora que as coisas estão mais calmas (e espero que continuem assim), eis que trago um post sobre O Oceano no Fim do Caminho, livro assinado pelo meu amado Neil Gaiman. O título é considerado o fim de um hiatus, pois o escritor não se empenhava em um romance desde 2005. A obra é fantasia pura, mexe com o imaginário e, mesmo sendo dita para adultos, ela tem uma pegada juvenil por causa dos protagonistas que têm 7 e 11 anos.

 

Gaiman raramente decepciona quando deixa suas ideias geniais aflorarem e em O Oceano no Fim do Caminho fica claro novamente que ele consegue segurar o leitor, de um jeito que é difícil largar a história. Narrado em 1ª pessoa, esse novo mundo do escritor é envolvente e traz a lição do poder das experiências adquiridas na infância que nos moldam quando ficamos adultos. A obra já abre cheia de nostalgia por parte do narrador que não demora muito tempo para nos guiar ao ponto-chave da trama que se estende desde a fazenda Caraway até a fazenda Hempstock.

 

Antes de ver o mundo em que cresceu ser engolido por criaturas mágicas, o narrador curte a infância de um jeito banal e é uma criança peculiar para a idade, que confia muito mais nos livros a qualquer ser humano. Sem contar a imaginação bem aflorada da qual é detentor, o que causa a sensação de que toda a mágica que ele viu não passa de uma ilusão. Afinal, o ponto de vista é de uma criança e crianças possuem uma baita imaginação.

 

 

O ponto de atrito vem com o minerador de opalas, cuja morte muda toda a rotina da família do narrador e da vizinhança. O homem abre portas mágicas que proporcionam o caos e essa invasão cai nos ombros do protagonista anônimo e de Lettie, a garotinha sardenta e invocada de 11 anos, que traz para a trama a parte da ação, com direito a sobressaltos e rompantes de aflição. Inclusive, Lettie é a dona do tal Oceano que mais parece um lago, um detalhe que, se eu descrever, perde a graça.

 

Aos poucos, os personagens se veem ameaçados com falsas promessas de uma vida melhor vindas dessas criaturas que fixam estadia e causam um inferno na crença de que fazem o bem. O narrador e Lettie se unem e formam uma dupla poderosa que trabalha às pressas para corrigir o que há de errado. A história ganha uma pitada a mais de perigo com a chegada de Úrsula, a babá que coloca em teste o relacionamento do menino com o pai, o coração da trama, na minha opinião.

 

Por mais que O Oceano no Fim do Caminho dê a sensação de ser um livro juvenil, o viés adulto se dá por causa da escrita densa de Gaiman que sempre traz uma riqueza de descrições e detalhes, e por haver passagens que deixaria crianças com a idade do narrador confusas. Porém, há uma lição valiosa que vem da indagação: como os acontecimentos marcantes da infância afetam um adulto? No caso do narrador, eles se refletiram diretamente na relação com o pai que deixou de ser a mesma coisa depois da passagem de Úrsula.

 

Mesmo com o hiatus na escrita de um livro, Neil provou de novo que continua um ótimo contador de histórias. A amizade de Lettie e do narrador me fez até lembrar de Ponte para Terabítia de tão forte e imbatível que é. Quando terminei de ler, fiquei com aquela sensação de dúvida também, pois parece que nada daquilo aconteceu de verdade por causa do pai que viveu a mesma coisa, mas sob uma ótica diferente. Fica meio no ar se tudo o que o garotinho enfrentou com Lettie foi real, o que pode ser uma bela de uma incógnita para alguns ou um desfecho típico por causa da conclusão da trama.

 

 

Assim, O Oceano no Fim do Caminho causa a reflexão sobre como momentos da infância nos afetam e nos moldam quando ficamos mais velhos. O livro é uma fábula intrigante que atiça o imaginário e o personagem principal cruza caminhos estreitos em meio à experiência mágica que só vivenciou nos livros. Claro que nem tudo gira em torno das criaturas e das palavras poderosas, pois há também aquela pitada obscura estarrecedora. Quando menos se percebe, você já está mergulhado na obra e não quer mais sair de lá.

 

Tudo gira em torno da experiência e do quanto se aprende com ela. É interessante chegar ao final da história e notar que o coração da trama não é a fantasia, mas sim a relação pai e filho que foi trabalhada minuciosamente. Os impasses entre os dois compõem o plot mais forte que influencia na conclusão desta trama de um jeito que dá vontade de ler tudo de novo para capturar o que escapou.

 

Em meio a tanta magia, Neil me ofereceu uma nova experiência fantástica, desde o prólogo até o epílogo. Para quem nunca teve contato com um livro do escritor, espere uma história contada com ricos detalhes. O Oceano no Fim do Caminho é um conto compactado e, por mais que seja dividido em capítulos, fiquei com a sensação de que li uma short fiction, algo que o autor é ótimo em fazer também.

 

Por ser bastante detalhista, é bem provável que muitos achem o livro cansativo, mas, passada as apresentações, tudo fica interessante e é impossível largar a leitura.

 

Na Prateleira
Nome: O Oceano no Fim do Caminho
Autor: Neil Gaiman
Páginas:  208
Editora: Intrínseca

Stefs
Postado por:       

       
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  • sidnei luis fermino

    Ótimo texto de resenha. Meus
    parabéns! Amei a maneira que vc usou para se
    expressar, me fez se interessar pelo livro….mas vc já leu o livro reverso…
    se trata de um livro arrebatador…ele coloca em cheque os maiores dogmas
    religiosos de todos os tempos…..e ainda inverte de forma brutal as teorias
    cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus
    jamais mencionados na história…..acesse o link da livraria cultura e digite
    reverso…a capa do livro é linda ela traz o universo como tema.

    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?