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27/maio

A felicidade vem em muitas formas. Na companhia de bons amigos, no que se sente quando realiza o sonho de alguém, ou na promessa de esperança renovada. Está tudo bem em deixar-se ser feliz. Porque você nunca saberá quão rápida essa felicidade irá durar.

 

Ao longo da vida, colocamos a frente aqueles momentos bons para esmagar os momentos ruins que acabam alojados em alguma parte profunda do cérebro. De fato, são poucos os momentos dignos de um retrocesso. Somos colecionadores de lembranças, umas mais maravilhosas que outras, e neste post compartilho com vocês algo que recordarei por muitos anos: o show do Fall Out Boy. Dentre tantas memórias incríveis, minha mente voltou no tempo e estacionou em um lugar chamado Tree Hill. O imaginário se fundiu com o real e esse meu novo momento de felicidade, que demorou 7 anos para se tornar realidade, agora pertence a pilha de coisas boas a serem revividas.

 

Como diz o quote acima, a felicidade não tem tempo de duração, mas é famosa pela rapidez com que nós a sentimos. Brooke Davis afirmou uma vez que a felicidade é apenas um estado de espírito. Uma hora ela está com você. Na outra ela se esvai criando uma memória. É como uma fotografia. Você pode não estar com a felicidade o tempo todo, mas sabe o gosto que ela tem por causa das lembranças do momento em que o sentimento aconteceu.

 

Felicidade vem em pequenos fragmentos. Quando você se sente feliz, até mesmo por algo pequeno, o âmago sabe que é o suficiente. Claro que isso depende da definição desta palavra para cada um. Para mim, felicidade sempre está associada às pessoas e aos momentos. É esse tipo de felicidade que aquece meu coração.

 

Felicidade. Um reflexo, um vislumbre, uma marca. Isso não quer dizer que ela desaparece, pois há outros rompantes desse sentimento ao longo da vida. Porém, a cratera no peito fica quando o sentimento vai embora, especialmente se ela for resultado de algo arrebatador.

 

O show do Fall Out Boy sempre foi um vislumbre. Foram 7 anos de esperança morta, pois os integrantes chegaram a anunciar o término da banda. Com isso, a crença de que nunca os veria ao vivo se tornou uma convicção. Cada artista tem um significado na minha vida, como o Imagine Dragons e meus projetos literários, por exemplo. No caso do FOB, a importância deles tem a ver com a minha transição do final da adolescência para a vida adulta ao mesmo tempo em que meus personagens tão queridos da série One Tree Hill passavam pelo mesmo. Ao estar diante da banda, revisitei Tree Hill, um lugar que Karen chamava de lar. E foi uma casa para mim e sempre será. Um aconchego.

 

Eu transitei para as intempéries de “ser adulta” junto com Lucas, Peyton, Haley, Brooke, Nathan e tantos outros personagens que compartilharam comigo, toda semana, um momento de felicidade e de tristeza. Tudo magicamente coincidia com o que eu passava, como se cada episódio fosse feito sob medida para me mandar uma mensagem, especialmente quando tudo estava mais escuro, perdido e desesperador.

 

Dizem que muitas pessoas possuem fugas e isso é a mais pura verdade. Tree Hill me trouxe amor, fé, coragem e, principalmente, arte. Quando penso em Fall Out Boy, meu coração logo se entrelaça a todos os momentos vividos na companhia de um seriado que sempre conversou comigo. Sempre me senti parte dele, como um personagem secundário, pois aquela cidadezinha e aquelas pessoas ficaram famosas pelos incontáveis dramas que, nos minutos finais, ganhavam cores diferentes por causa da felicidade escondida no final do túnel.

 

Minha vida, necessariamente na virada de 2006 para 2007, seguia o mesmo rumo daqueles personagens. Assim como a arte me salvou incontáveis vezes, ela salvou aqueles que sempre foram muito humanos para mim ao ponto de considerá-los meus melhores amigos.

 

Só sei que pensar em Fall Out Boy é o mesmo que fazer uma viagem. No dia 21 de maio, minhas malas foram largadas no capacho da porta de Peyton Sawyer e ela me convidou para uma noite inesquecível no TRIC. A garota melodramática foi a primeira a pipocar na minha cabeça quando a banda surgiu no palco, pois foi ela quem os apresentou para mim – assim como outros artistas. Peyton foi o ponto de partida para que Tree Hill fosse explorada, como também a pessoa que me fez ver que a arte é algo muito intrínseco a mim. Nunca me esquecerei do quanto o desenho sempre foi a parte essencial da vida dela, a válvula de escape, e do quanto ela queria inspirar alguém por meio disso.

 

Como muitos, Peyton não se achava boa o suficiente. Ela tinha medo de destruir o dom a partir do momento em que o revelasse ao mundo. Peyton sempre viu o lado cruel das coisas e, nem sempre, ela estava errada. Na música, ela se encontrou mais, mas a garota de cabelos cacheados só tinha um propósito: dar significado a arte para mudar a vida das pessoas. Esse é o lado da personagem que sempre valorizei e, nesse sentido, não há como negar o quanto ela foi incrível.

 

One Tree Hill

Quando Peyton e Haley se uniram para mostrar que a arte importa, foi o mesmo que unir a parte de mim que estava no final da adolescência com a parte que representaria minha versão adulta. Peyton é a adolescente. Haley é a adulta. Eu sempre vi as duas muito além dos seus relacionamentos. Ambas sempre foram meu livro valioso de conselhos. Elas sempre me deram conforto. Um conforto que me fortaleceu. Com o tempo, Haley se tornou mais igual a mim, pois, além da música, ela sempre acreditou no poder das palavras.

 

Lembro como hoje de uma conversa com a Peyton em que Haley disse que, às vezes, as pessoas escrevem o que não podem dizer e era exatamente isso que eu fazia em 2007 (e até hoje), ao som de Fall Out Boy (e de tantas outras bandas que conheci por meio da Peyton). Essa minha fusão divergente me fez ter orgulho de duas adolescentes que se tornaram belas mulheres que não desistiram dos objetivos e que, acima de tudo, acreditaram na arte.

 

O show do Fall Out Boy foi um reencontro dessas duas partes. Haley estava com o braço entrelaçado ao meu e a Peyton com o braço no meu pescoço, em um meio abraço. Ver a banda pela primeira vez foi um reencontro com aquele gostinho de season finale. Os últimos acordes exigiram a regra do pedido e a crença na mágica do mundo. A casa de show tinha se tornado o meu TRIC e todas aquelas pessoas se tornaram parte do meu momento feliz. As malas deixadas no capacho da Peyton para explorar Tree Hill atrás de boa música valeram muito a pena.

 

Eu jamais conseguirei comedir a quantidade de sentimentos que me deixaram trôpega, suada, extasiada e emocionada. Foi surreal demais escutar ao vivo a voz do Patrick tão perto de mim. Eu já sabia que o FOB mandava muito bem sem precisar de muito. Quando digo muito, leia-se: parafernália. O setlist estava do jeitinho que imaginei e cada canção representou meus passos em Tree Hill.

 

Uma palavra que resume tudo: nostalgia.

 

Show - São Paulo

Sugar We’re Goin’ Down sempre foi a minha música xodó e achei que fosse morrer ao ouvi-la. Apenas chorei horrores por ela ter um significado muito ligado ao coração (e a uma das zilhões de cestas épicas de Nathan Scott). Por ter sido o álbum que trouxe o FOB para minha vida, qualquer canção do álbum Infinity On High me deixaria no chão, como aconteceu com I’m Like A Lawyer With The Way I’m Always Trying To Get You Off (Me & You) e Thnks Fr Th Mmrs. Vale mencionar que Patrick entoou os hinos Grand Theft Autumn/Where Is Your Boy em versão acústica e The Take Over, The Breaks Over. A casa de show foi abaixo com todas as músicas e a parte mais legal é que me senti inclusa, pois todos compartilhavam do mesmo amor antigo por uma banda extremamente maravilhosa. Tinha uma menina do meu lado que está de parabéns, não só pela jaqueta escrita Young Volcanoes, mas por saber todas as letras.

 

Embora não tenha tocado a todo o momento em Tree Hill, o Fall Out Boy foi meu ponto de referência para muitas coisas, especialmente para fazer as tais comunidades no Orkut relacionadas a One Tree Hill. Acima de tudo, o FOB me ensinou que aqueles que acreditam nunca morrem, pois todos são alimentados por sonhos e por fragmentos de felicidade. Com isso, se tornam belos vulcões.

 

Peyton anotava as bandas favoritas em uma porta do guarda-roupa. Ela tinha o desenho e a música como válvulas de escape. Haley escrevia predições todos os anos e descobriu que a música era a parte essencial do seu ser, bem como a escrita. Peyton queria que a arte valesse a pena fora do show business e deu oportunidade para artistas pequenos. Haley achava a força das pessoas inspiradora e isso serviu de combustível para fazer com que pequenos vulcões se tornassem maiores e temerosos. Peyton deu o pontapé inicial para todos acreditarem no próprio talento e Haley concluiu essa tarefa com enorme maestria.

 

Ambas são o melhor exemplo de dois trechos de Save Rock and Roll:

 

One Tree Hill

 

Peyton: How’d it get to be only me? Like I’m the last damn kid still kicking, that still believes…

Haley: I will defend the faith going down swinging. I will save the songs that we can’t stop singing…

 

A soma das duas: you are what you love not who loves you…

 

Foi um show emocionante com direito a todas as músicas de uma trajetória incrível e nostálgica. O Fall Out Boy apenas relembrou que a luta não termina aqui. Eu não poderia ter celebrado minha semana de aniversário de uma maneira tão awesome ao lado da melhor pessoa (*olhos de coração*) que apenas venera Brooke Davis. Só tenho a agradecer por mais um momento tão incrível e por ter eliminado mais uma horcrux, um sonho realizado que ficará nas entrelinhas, pois a Srta. Davis sabe do que falo…

 

Karen disse que Tree Hill é um lar. Haley disse isso anos mais tarde ao Jamie. E, a partir do momento em que o Fall Out Boy assumiu o palco, eu me senti de volta a um dos muitos lares que me acolheram tão bem e que sempre ficará comigo.

 

Você já olhou para uma foto sua e viu um estranho no fundo? Quantos momentos da vida dos outros nós fizemos parte? Como se fôssemos destinados a estar lá.

Pense… Podemos ser uma grande parte da vida de alguém… …e nem saber.

 

We’re all fighting growing old

Believers Never Die

 

Continuação das sagas: Goodnight, One Tree Hill & Fall Out Boy | Save Rock and Roll

 

Crédito da foto principal do post: Camila Cara/Divulgação/T4F

Stefs
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  • Isis Renata

    lindo demais para pouca Isis.
    One Tree Hill entrou bem depois em minha vida, a série estava no desfecho quando resolvi dar meu pontapé para conhecê-la.
    ironias do destino a parte, OTH também veio em uma época em que perdi o meu ultimo sentimento amoroso. ela me salvou do mal, ela me salvou do fundo do poço, ela me manteve em pé, ocupou meu tempo com palavras de esperança, me deu um local para voltar todas as noites a cada episódio. eu zerei com orgulho as 9 temporadas em 2 lindos meses. passava sextas a noite e sabados a madrugada toda apaixonada por eles, e esquecendo a tristeza.

    que lindo saber que um show a fez reviver todos esses pedaços, a sua maneira, na sua história.
    concordo contigo (de novo? #todavez!) com a questão da felicidade. ela é feita de momentos e de pessoas.
    como o grande poeta que admiro disse uma vez: felicidade é como bolha de sabão. vai-se muito rapidamente, mas sempre pode-se assoprar outras.
    e é isso, nossa felicidade é aquele momento auto do nosso ser, pleno, sem nem mesmo necessitar de explicações.
    e ela pode não estar o tempo todo, mas ela sempre vem para sabermos que vale a pena estar vivo para prestigiar momentos como este.
    mais um na agenda de coisas maravilhosas deste mundão
    e tantas outras que com certeza acontecerão ♥

    beijo :*