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08/maio

Eis que chego aqui com aquele gostinho de despedida e de incerteza. Afinal, sem a confirmação de renovação, não sei se continuarei com as resenhas de The Tomorrow People. Isso é muito triste, pois admito que elas são uma das que mais gosto de fazer. Vale dizer também que estou mais desgostosa que o normal com a CW por ter demonstrado um descaso tremendo com a série desde a semana passada (me corrijam se eu estiver errada, pois só fui perceber isso nesse período), ao ponto de se esforçar muito para que a história dos seres do amanhã seja cancelada de um jeito “forçado”. Fica muito fácil exibir o episódio mais cedo em alguns lugares ao invés de obedecer ao horário fixo. Quando o elenco estava no Twitter fazendo altos comentários sobre o season finale, eu já estava com o torrent no meu notebook. Nem preciso dizer que isso afeta a audiência, certo? A emissora não é o melhor lar para muitas séries por ter muitos problemas internos, como a pobreza na divulgação de qualquer coisa. Com TTP, o samba rolou solto, como a mudança do dia da semana que destruiu a lógica do Amell Wednesdays. É aquele velho comportamento de querer demais e não dar conta, fato.

 

The Tomorrow People teve um desenrolar natural nesta primeira temporada, daquele que envolve aos poucos, que incita a curiosidade. Sem contar o dinamismo dos personagens, detentores de diferentes facetas. As mulheres se apresentaram fortes e independentes e os homens como belos camaradas. Foram esses detalhes que o season finale trouxe de um jeito emocionante e agonizante, pois, a cada salto da trama, foi impossível não querer arrancar os cabelos de desespero. Presa a ideia de continuidade, como aconteceu na semana passada, a trama foi logo ao que interessa ao trazer Jedikiah bem descontrolado, puxando o bonde do caos com seus poderes de curta duração. O pesquisador arrasou ao invadir o prédio Ultra, poderia ter feito muito mais, e foi uma pena, como também um alívio, saber que o transplante de poderes não é permanente. Ele sempre se mostrou muito decidido nas coisas que almeja, especialmente quando está fora do controle, e Jed não fez diferente ao tentar tirar Roger da máquina. O tiro dado no irmão me deixou no chão, e só ficou pior quando Stephen surgiu seguido do Fundador, dando a impressão de que todo mundo morreria. Pellegrino rules!

 

A palavra humanidade foi o chavão do season finale e foi de chorar quando Roger e Jedikiah compartilharam uma última conversa, com direito a desculpas e revelações que culminaram na conclusão de que duas espécies podem coexistir. Foi tudo muito bonito até Jed provar no final do episódio que essa mensagem não vale de nada. O pesquisador começou a temporada com duas facetas e as honrou até o final. Ele pode ter amado o irmão, ter feito de tudo para protegê-lo do Fundador, mas nunca se esqueceu de pensar em si mesmo. Ficou meio claro que os irmãos tinham um acordo de embate contra Bathory e doeu em Roger reconhecer que falhou de novo e para sempre. A despedida foi triste demais e não teve como segurar as lágrimas. Sinceramente, não sei o que foi pior: Roger morrer nos braços do Jed ou Roger consolar Stephen em meio a palavras encorajadoras. Mesmo com tanta tristeza, é fácil concluir que o tal salvador dos seres do amanhã foi condenado pela ingenuidade e pelo otimismo. Eu esperava mais dele, sendo bem honesta. É tenso ver que, depois de tanto tempo, o cara dito como herói morreu. Isso anulou a luta de John que foi um dos plots principais da temporada. Por outro lado, a irmandade trouxe dor em demasia logo de cara e imaginei que o drama rolaria no fim do episódio. Faria mais sentido.

 

Com a morte de Roger, os efeitos colaterais entraram em cena e deram oportunidade para Stephen ganhar destaque motivado pelo desejo de vingança. Graças a isso, a importância da máquina foi esclarecida e só faltou um risinho maligno do Fundador. Bomba atômica paranormal, hum? Quem diria! Por mais que eu quisesse ver Stephen em ação longe das coordenadas dos agentes Ultra e de Cara e John, o personagem não merecia ganhar o posto de salvador da temporada. Ele não teve um desenvolvimento suficiente na trama para assumir a bronca. Tudo bem que o paranormal estava com um ódio tremendo, algo que impulsiona as pessoas a fazer loucuras, mas quem merecia assumir a situação era John. Podem me julgar, não ligo, pois vou defendê-lo por causa de tudo o que ele enfrentou em 22 episódios feat. a infância azucrinada por Jedikiah. John tinha sim todo o respaldo para ser o salvador e Stephen ficaria melhor apenas como a cartada final para destruir a máquina, justamente por ser o mais forte dos paranormais. Essa troca de sapatos foi absolutamente injusta.

 

Stephen ainda foi inconveniente ao cutucar o Projeto Anexo. Achei surreal ele pensar em ir contra tudo que acreditou no desenrolar da temporada ao ponto de considerar a injeção da droga. Eu até acreditei que ele faria isso, pois, com o fim do mundo, não se há mais nada a perder. Só de saber que a droga para transformar paranormais em assassinos continuou a ser elaborada, entendi como um aviso de que Stephen não faria absolutamente nada e isso me aliviou. Cara foi uma santa ao impedi-lo e ela tocou no ponto que, sem dúvidas, foi o coração do season finale: a humanidade. Devo dizer que gostei bastante da interação dos dois personagens, pois serviu para aproximá-los e, quem sabe, dar aval ao romance.

 

Os pontos negativos em torno de Stephen foram muitos e eu entendo isso por motivos de pressa, do objetivo de torná-lo o novo Roger e de ter um final quase feliz. Ele ganhou ótimas cenas de ação, especialmente contra o Fundador, mas foram dadas ao personagem responsabilidades das quais ele nunca foi preparado. Ninguém com raiva atinge a perfeição e achei idiota como Bathory foi despachado. Foi sensacional ver a briga, mas, mesmo sendo o paranormal top, Stephen não seria capaz de fazer o que fez. Foi tudo muito fácil. Sem contar que foi insano os poderes dele implodirem tão rapidamente e darem certo. Roger tentou aniquilar o vilão por tanto tempo para Stephen simplesmente dar um sopro e jogá-lo no limbo, só porque pegou um pouco do mojo do pai da máquina? Socorro!

 

Contudo, quem ganhou o prêmio surrealismo foi a insinuação de rebobinar o tempo. Se é que posso dizer isso, pois Stephen apenas bota a vida em pausa. A ideia não foi tão genial, pois essa habilidade anula qualquer sensação de perigo. Afinal, ele pode corrigir as coisas, por que se preocupar? Se estiver por perto, basta o paranormal apertar o rewind. Fácil, né? Essa necessidade de dar tudo o que Stephen não teve no season finale, só para dizer que ele é o legado de Roger, destruiu dois plots ao mesmo tempo.

 

Posso soar meio dura, mas, se a storyline do Stephen tivesse sido norteada para ele assumir todo esse caos, mesmo que indiretamente, eu não reclamaria. O que vi foi justamente a necessidade dele assumir o caos porque John já fez demais. O paranormal demonstrou atitude ao longo do season finale, algo muito legal, mas ele nunca foi encorajado. Em outras palavras, ele não teve preparo. O que aconteceu com Stephen foi meramente emocional e isso rendeu um monte de chutes dados no escuro que deram certo. Ninguém é tão sortudo assim. Além do Fundador ter sido banido como um brinquedinho, Stephen ainda tirou a moral de Natalie, a personagem que seria a vilã perfeita da suposta 2ª temporada. Cara jamais morreria por causa do tiro, pois TTP também conta com a Julie Plec, então, milagres sempre acontecem. Sei que a ideia foi fazer Stephen brilhar já que John sempre teve muita atenção, mas essas atitudes dadas ao personagem no último episódio da temporada forçou muito a amizade.

 

Russell também entrou na galeria flop define. Porém, ele provou que é fácil detestá-lo, mas impossível odiá-lo. Ele é aquele personagem que você ama por alguns minutos, depois quer arremessá-lo pela janela. Só acho que ele deveria ter tido mais oportunidades para ser merecedor de um perdão. Anunciar o plano de Roger depois de ter ajudado a causar a morte dele foi muito pouco. O personagem deveria ter dado umas porradas na Natalie (que se saiu maravilhosa na trama) e ter recebido algumas rasteiras. Foi muito fácil ele ser aceito de volta. Para não ser tão chata, deixo meus parabéns pela luta dele ao lado de Cara, uma das melhores cenas do season finale.

 

Cara teve atitude em meio aos rompantes de fragilidade por estar no meio de dois homens descontrolados. Stephen queria aprender a matar e John estava com a autoestima no lixo. Sem dúvidas, a personagem foi a ponte de equilíbrio. Sem ela, tudo teria simplesmente despencado, pois Stephen e John estavam com as emoções no auge, o que os deixou irracionais. Cara também teve um desfecho/abertura com os dois paranormais. Até o meio da temporada, ficou a entender que ela seria o objeto principal do triângulo amoroso e fiquei feliz por chegar aqui e ver que isso não aconteceu. Essa ideia já é muito batida e não foi vital para a temporada. Esse pensamento deveria continuar assim. Cara manteve sua identidade, embora tenha sido muito hipócrita com John em inúmeros momentos. A traição dela nunca será esquecida pela minha pessoa e devo dizer que a última conversa deles neste episódio me deixou com a pulga atrás da orelha por causa do “romantismo”. Só queria que eles não se beijassem, pois John entraria na lista de safados por ter ficado com Astrid horas atrás.

 

O que aconteceu entre os dois não foi uma promessa amorosa, mas de lealdade e de cumplicidade. John e Cara começaram The Tomorrow People na mesma equipe e era preciso que ambos terminassem desse jeito. Embora separados, a confiança que um deposita no outro é sem precedentes. Nada mais animador que ver a luta de ambos para salvar o mundo.

 

Astrid também merece um pouco de consideração nesta resenha, pois ela foi a personagem que mais captei o amadurecimento. Talvez, por tê-la detestado de início. Eu acreditava que ela seria aquela humana mimizenta que só se enfiaria em perigo por xeretar a vida dual de Stephen. Essa sensação aumentou quando ela deda a paixão pelo melhor amigo. Imaginei que Astrid seria totalmente inútil para a série e foi muito bom vê-la se sobressair. Ela não terminou como a típica humana que tudo lamenta, pois o instinto curioso a fez aprender muito sobre os seres do amanhã. O estopim disso não foi o relacionamento dela com John, mas quando ela foi caçada pelos Ultra. Astrid percebeu que há muita maldade no mundo e se impôs na briga para lutar pela espécie dela. John foi um fator que a ajudou a ter mais personalidade, de um jeito que fosse compatível não só com ele, mas com as outras pessoas do covil, especialmente com Cara, a pessoa mais difícil de lidar. O romance Jastrid foi a cereja do bolo desta temporada, um relacionamento que começou naturalmente e que derreteu meu coração todinho.

 

Enquanto Stephen surgiu do nada como o Batman, John foi resumido ao posto de humano inútil que resmunga sobre a própria condição. Eu não tinha uma opinião muito clara sobre os poderes anulados dele, mas vi o quanto isso foi uma péssima ideia. Quem era John neste episódio, gente? O paranormal é o suicida da história toda, jamais abaixaria a cabeça com o mundo caindo, e nunca permitiria que Stephen se jogasse contra a máquina, ao menos não sem a companhia dele. Distorceram o que John sempre representou. Demorou muito para um personagem ser descaracterizado e não sei como ainda fico surpresa, pois vejo isso toda hora em The Vampire Diaries. Stefan é praticamente o irmão sofrido do John, dois personagens abençoados pela Plec que salvam todo mundo e continuam na lama.

 

John estava apagado desde o episódio passado e isso não poderia ter se repetido. Doa a quem doer, ele foi o personagem crucial da temporada e foi resumido a nada. Tudo bem, ele se impôs a ficar na retaguarda por ser humano, mas o personagem estava tão apático ao ponto de me fazer morrer de desgosto. Vê-lo resmungar, impassível, do fato de ter perdido os poderes foi plausível no episódio passado, mas neste não. John deveria ter se jogado. Claro que em parte a culpa disso foi de Astrid, pois Cara meio que o incumbiu de cuidar dela. Não vou dizer que a ajuda dele não foi preciosa, porque foi sim, mas, para um season finale, ainda mais para um personagem que foi responsável em apresentar a trama, houve um pouco de desserviço.

 

Quando achei que não poderia ficar pior, o final do episódio me deixou atônita. O que diabos foi aquilo? TTP fugiu de todos os clichês para apresentar um que condenou os minutos finais do season finale. Quem deu uma aliviada foi Jedikiah, justamente por ele ter honrado as duas facetas que sempre acarretou dúvidas sobre seu caráter. Ele abriu de novo a indagação de ser bom ou ruim, e isso foi bacana. Porém, fazê-lo o novo vilão é tão forçado quanto Stephen surgir like a boss para salvar o mundo. A trama voltará ao mesmo ciclo de militarização, onde os paranormais ganharão espaço para detonar humanos. Tudo bem que esse foi o efeito de uma conclusão que ficou dividida entre fechar todos os plots e deixar algo nas reticências para dar continuidade a uma nova temporada. Porém, acho que poderiam ter pesando em algo melhor. O erro já começou pelo despacho do Fundador e tenho certeza que isso influenciou na “cartada” final. Sem contar que há Natalie, uma personagem que corre o risco de ter um espaço diminuto se houver futuro para TTP. Seria épico se ela encerrasse a temporada com aquele gostinho de que o inferno está apenas no começo.

 

Esse viés pôs tudo a perder por causa do que aconteceu com John. Ele jamais sentaria naquela cadeira por ser leal ao Roger e, se sentou, a descaracterização do personagem foi ao limite. A aproximação de Jed e John no season finale me deixou desconfiada, pois o pesquisador não faz nada de graça. Comentei em resenhas passadas que Jed só sabe elevar o lado assassino de John e o final do episódio deixou essa mensagem meio subentendida: Jed empurrou John naquela cadeira maligna. Fim. John estava contente com Astrid e, mesmo com a proposta de ter os poderes de volta, é fato que ele não a aceitaria daquele jeito. O personagem não abraçaria algo de Roger na ganância, especialmente por ter perdido os poderes pelo homem que acreditou ser o salvador dos seres do amanhã. Isso não fez o menor sentido na minha cabeça, pois não há motivos plausíveis para John “terminar” assim. Jed o sabotou lindamente. Com certeza, ele mentiu e o resultado não ficou interessante. Mesmo infeliz por não ser paranormal, John não teria sido tão radical. O grito dele chamando Cara garantiu isso. Ele foi obrigado a fazer parte do novo plano de Jed e, se for provado o contrário, deixo aqui minha decepção.

 

Além disso, Jed deixou no ar se tinha poderes. Pode ter havido uma transfusão compartilhada de DNA entre John e ele, o que poderia provar o quanto o pesquisador tem neurônios a menos. Ele não é estrategista como o Fundador que sempre teve uma posição extremamente meticulosa e racional. Vai ser um rolo desatar esse nó se a série for renovada.

 

Mesmo com meu desgosto em alguns pontos, o season finale foi arrebatadora e chorosa. Houve muitas surpresas e muitas oportunidades para todo mundo fazer a sua parte. Deu para notar como os personagens saíram da zona de conforto e amadureceram com o passar dos episódios. Stephen e Cara se tornaram os novos pais dos seres do amanhã recém-chegados e a ideia de ocupar o prédio Ultra foi bem legal. Fica a indagação de onde foram parar os antigos agentes. Simplesmente sumiram?

 

De um elenco parcialmente desconhecido dentro de uma ideia que já existia, The Tomorrow People trouxe uma proposta diferente aos parâmetros da CW. Por ser tão distinta, é fácil compreender porque ela não conseguiu atrair uma quantidade interessante de telespectadores. Enquanto há sobrevida para os hits antigos da emissora que, por mais que continue a amá-los, já saíram do ponto, novidades como esta são facilmente descartadas, pois nem todo mundo curte sci-fi. Ainda mais o público-alvo do canal que ama a frescura chamada triângulo amoroso. Supernatural é a única série que ainda se dá bem por não ter esse viés romântico e nem tem uma audiência forte. Dean e Sam só sobrevivem por causa da base de fãs e por serem o xodó da CW. Por que TTP não pode ser o bebê mais novo?

 

Em um balanço geral, TTP teve uma primeira temporada impecável e trouxe à tona o velho sentimento de participar de um laboratório de ciência a cada semana, deixando uma moral a se pensar. Tudo foi de tirar o fôlego, desde os personagens até os efeitos especiais. Cara, Stephen, John, Astrid e a turma do covil podem deixar o laboratório para sempre, mas acompanhar a jornada deles valeu muito a pena.

 

Caso a série não seja renovada, agradeço a todos que acompanharam minhas resenhas da série. <3

 

Atualização: a série foi cancelada pela CW no dia 08/05
Stefs
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