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16/maio

A moda de dar um reboot na jornada dos super-heróis mais badalados da cultura pop é uma das provas sobre a crise criativa dos envolvidos com a 7ª arte. Recentemente, vimos o Homem-Aranha na sua melhor performance, e o mesmo tem acontecido com os mutantes que estão sensacionais em X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido. Arrisco a dizer que essa “repaginada”, que tenta na medida do possível respeitar a essência da história do professor Xavier e sua turma de mutantes, tem sido bem quista para a franquia, mesmo com tanto burburinho negativo. O roteiro é envolvente e os personagens dão conta do recado de um jeito arrebatador, não só por serem bons de briga, mas por voltarem a um dos principais dilemas da mutação: o agridoce de ser diferente.

 

O roteiro do segundo filme é inspirado no arco dos quadrinhos de mesmo nome assinado por Chris Claremont, John Byrne e Terry Austin, publicado em 1981. Dirigido por Bryan Singer, a nova adaptação contribui para o esquecimento da trilogia que contou com Wolverine, Tempestade e Cia., personagens que marcaram presença neste longa. A premissa logo é apresentada com fragmentos do futuro em diferentes países, onde os mutantes estão em minoria contra os Sentinelas, robôs de última geração construídos com o mesmo código genético, essencialmente da Mística, para reconhecê-los e combatê-los com extrema facilidade. O drama real é que os não humanos estão praticamente em extinção, pois essas máquinas têm como objetivo erradicar essa espécie. Para que esse embate acabe, é preciso mudar um ponto do passado, justamente aquele em que Mística dá cabo no Dr. Trask, atitude que deu aval para o Projeto Sentinela ser aprovado e para os mutantes serem aniquilados.

 

Esse é o ponto de partida que cai nos ombros de Logan aka Wolverine, o escolhido para impedir que esse assassinato aconteça. Por intermédio dele, a trama volta para 1973, onde o destino aparentemente selado para todos os mutantes passa a ser medido pelo tic tac do relógio. Na verdade, medido pela ausência da boa vontade de Charles Xavier na versão de James McAvoy. É na década de 70 que a história se desenrola totalmente e é importante que todos saibam que a ideia de colidir o passado e o futuro não afeta o filme em nada. A empreitada funcionou muito bem. Os mutantes do futuro não exercem nenhuma influência sobre os do passado, a não ser no plot central que é impedir Mística de cometer uma burrice. Basicamente, o futuro se torna um subplot que sustenta a razão do Logan voltar no tempo, o que dá sentido ao que acontece no decorrer da trama.

 

O fim da Guerra do Vietnã também entrou como um background influenciador por abrir espaço para o teor político que situa o Dr. Trask, o precursor do Projeto Sentinela. O roteiro tem forte cunho histórico e, com tantas coisas rolando, a indagação pertinente é: há como mudar um futuro aparentemente determinado?

 

Opinião da Random Girl

 

O filme emociona em meio aos inúmeros conflitos que dificultam a mudança no passado. Porém, o que tiro de lição maior é o desejo dos mutantes serem melhores que os humanos. Não de um ponto de vista negativo, mas por causa do interesse contínuo de fazer com que as duas espécies coexistam. Os minutos finais são estarrecedores e é impossível se segurar na poltrona justamente por causa do peso do embate, uma dança perfeita entre passado e futuro.

 

Eu amei o desempenho do Evan Peters como Quicksilver e nem preciso esboçar meu amor por Peter Dinklage, o Tyrion de Game of Thrones, que apareceu o suficiente na pele do Dr. Trask mostrando que até com um look vintage dá conta do recado. Elogios também são válidos para minha linda Jennifer Lawrence que, literalmente, foi o centro das atenções por causa da relevância da sua personagem. James McAvoy também deu um show de atuação com direito a lágrimas e gritos para desabafar as inseguranças de Charles. Michael Fassbender, a versão passada de Magneto, dispensa qualquer comentário por ser perfeito com ou sem o figurino do seu personagem.

 

Sobre o elenco do futuro, o chute no estômago veio com gosto de nostalgia pura. Meu coração fangirl mal se aguentou com a Kitty e o Bobby, gente! Aproveito para dizer aos resmungões de plantão para pararem de dizer que o Wolverine sempre fica no centro das atenções. O personagem é referência, tem influência na história e a divulgação em cima dele é necessária para a franquia. Fim.

 

Achei bem incrível como o longa conseguiu me impressionar nas duas vezes em que o assisti. Na primeira vez, cada cena parecia um monte de golpes na minha cabeça. Na segunda, senti um pouco da lentidão da trama por já saber o que acontecia, o que me deu uma riqueza maior de detalhes. A mesma sensação me consumiu ao longo de X-Men: Primeira Classe, mas o que tiro de conclusão é que Singer quer trazer o melhor da história dos mutantes para o cinema (de novo). Ele não largará o osso tão cedo por mais que tenha se tornado um inimigo dos fãs mais assíduos, à la Steven Moffat.

 

No mais, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é uma caixinha de surpresas e muito melhor que o antecessor. Eu surtei dentro do cinema. Não há como negar que esse reboot deu novos ares à franquia que tenta aos poucos se restabelecer como deveria desde que foi adaptada pela primeira vez. O filme é de encher os olhos, tudo nele impacta, não só pelos efeitos especiais que abusaram muito bem até de frames em slow motion, mas por ter um roteiro humanizado e cheio de conflitos que garantem reviravoltas de tirar o fôlego.

 

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido chega aos cinemas nacionais no dia 22 de maio.

 

 

Nota da Autora: tem cena depois dos créditos.

Stefs
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