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16/jun

Para quem nunca esteve em São Paulo, o resumo do Metrô no horário de pico é o seguinte: as portas se abrem e você é jogado para dentro. Se você reclama, os “donos da razão” lhe mandam pegar um táxi, pois, em tese, princesas e príncipes que não podem ser machucadinhos pela “péssima” qualidade desse transporte público deveriam procurar um meio mais confortável para seguir em frente. Ninguém pensa que uma reclamação da tal princesa e do tal príncipe vem como pedido ao que parece ter sido anulado da vida e do vocabulário de muitos brasileiros: educação.

 

Se uma pessoa quiser ver parte do egoísmo do brasileiro, basta passar um dia nas estações da “morte” (como a Sé e o Brás) para entender o que quero dizer. Ninguém se importa se há um idoso perto da faixa amarela, nem muito menos se há uma mãe com uma criança para levá-la ao médico ou à escola. As pessoas que aparecem nesse horário com um desses dilemas são vistas como as erradas por não estarem em um “horário apropriado” para pegar a condução. Então, “tem que empurrar mesmo para aprender”. Ninguém se importa no horário de pico do Metrô. Tem que ter muito jogo de cintura e muita paciência.

 

Quando a greve acontece, parece até uma vingança macabra com os dizeres “esse povo tem que se ferrar mesmo”. Acho que a categoria se diverte à beça quando param de trabalhar. Ressalto até o horário de pico, um momento propício para esses trabalhadores racharem o bico, pois não passa de um picadeiro pegando fogo. Você nunca sabe que surpresas virão – pode ser um tapa por um assento ou um xingamento por pedir desculpas. O que me mata é ver homens que apenas empurram para pegar lugares ou desrespeitam as mulheres. Podem ver que, em grande maioria, é o público masculino que senta com aquela cara de pau de fingir que dorme para não desocupar o banco preferencial (há mulheres que fazem isso também que eu sei).

 

Poucas pessoas se importam com essas coisas (eu sempre preferi ficar em pé para poder ler), mas há outras que fazem desse comportamento um estilo de vida. Para completar, os metroviários aparentam pouca preocupação quando o barraco rola solto nas plataformas, porém, a culpa não é totalmente deles.

 

Caos do Metrô

 

A última greve do metrô me deixou chocada, pois, no máximo, uma paralisação dura dois dias. O que tiro de conclusão é que os trabalhadores dessa categoria realçaram o que muitos chamam de oportunismo. Nada mais sensato que parar tudo às vésperas da Copa do Mundo. Provavelmente, os grevistas tinham certeza de que se dariam bem, pois esse transporte é essencial para chegar ao Itaquerão. Como também é o meio que muitos gringos estão habituados. É difícil não pensar no seguinte propósito dessa situação: os metroviários, provavelmente, acharam que conseguiriam o objetivo pelo simples fato do Mundial estar a poucos dias do início. Sem Metrô, sem Copa. Em outras palavras: aumento garantido. Está aí uma “chantagem” quase perfeita. Uma “pena” que não deu certo.

 

Eu li muitas coisas por alto sobre esse assunto. Os objetivos dessa greve dos metroviários não foram tão diferentes: reajuste (altíssimo, diga-se de passagem) e melhores condições de trabalho – este último item me fez ficar com a pulga atrás da orelha, pois não vejo nada de errado no que essa galera faz.  Às vezes, acho esse povo meio preguiçoso. Certa vez, vi usuários perguntarem os motivos dos quais não passa um trem vazio no horário de pico para aliviar a plataforma da estação Brás. A resposta foi uma mentira balbuciada. Isso me fez pensar no desserviço, o que realça minha crença de que toda a bagunça do metrô é por culpa dos tais “insatisfeitos” que devem morrer de tédio por trabalharem lá. Digam-me: insatisfação de quê?

 

Tem gente que trabalha mais por menos e está superfeliz. Ainda dou outro exemplo (que mais soa como “Teoria da Conspiração”): janeiro é um dos melhores meses para quem depende do transporte público para ir trabalhar. É época de férias, não há pais levando os filhos para a escola e nem universitários. Literalmente, é um paraíso e tudo funciona. Até terminar e começar as panes do metrô.

 

Este ano, curtindo meu último mês no emprego, houve uma pane fenomenal na linha azul. Uma garota a caminho da faculdade começou a falar comigo e disse como é engraçado o Metrô funcionar bem nas férias e, do nada, começar com uns problemas bizarros e injustificáveis. Isso me fez pensar. O papo de fulano/objeto na linha é tão lenda urbana que não me convence mais. Uma das coisas que sempre achei é que quem trabalha nessa categoria gosta de ver o povo se atacar e, talvez, impulsiona isso. É um perfeito Jogos Vorazes. Daí, me pergunto: como os grevistas querem ser levados a sério se nem o povo acredita neles? Tudo bem que é um problema deles direto com o governo, mas a chacota rola solta, tenho certeza.

 

Nunca vi nos jornais o quanto essa categoria é supostamente injustiçada. Por que eles não mostram o que está ruim? Mídia Social é o que não falta. Além de contribuírem para destruir a ilusão que muitos brasileiros possuem sobre a vida de concursado, a atitude daria razão para a população apoiar a causa. No final das contas, a palavra que representa o ocorrido na semana passada é única: ganância. E nem teve como disfarçar de tão escancarada.

 

Tenho que dizer que essa paralisação do Metrô foi um tanto quanto inteligente, mas, de novo, tudo aconteceu sem propósito. Nada mais oportuno que “lutar” por um reajuste e melhores condições de trabalho em semana de Copa do Mundo. Porém, os grevistas não ganharam. Ao menos, não ainda. Até então, o tiro saiu pela culatra, os dias em pausa foram considerados abusivos e houve demissões. O TRT teve que ameaçar com multa para a categoria voltar a trabalhar. Claro que o Alckmin não perderia a chance de eliminar aqueles que davam dores de cabeça além de qualquer greve, e foi exatamente isso que ele fez. Errado ou não, a decisão fez a categoria retroceder. No dia 09, foi decidido em assembleia que os metroviários voltariam ao batente. Isso aconteceu, em parte, por pressão. Talvez, os grevistas não esperavam que o governo fosse responder com o que eles bem chamariam de “retaliação”. No mínimo, acharam que haveria um fácil consentimento seguido de um amém!.

 

Para não sair feio na mídia, o presidente da categoria afirmou que a paralisação ficará em pausa em respeito à população. O que rolou dentro das salinhas de reunião, de acordo com os jornais que cobriram a greve, faz essa “justificativa” cair por terra, pois, antes do martelinho final, os “agitadores” pediram para que os trabalhadores resistissem a qualquer ameaça de demissão e que votassem a favor da prolongação da paralisação. O respeito ao brasileiro só aconteceu quando muitos foram chutados do posto e quando a multa por dia surtiu como um aviso final. Os metroviários grevistas tentaram um boicote e acabaram boicotados. Em respeito à população? Não. É ganância com uma pitada de egoísmo. Toda vez é a mesma coisa, mas posso dizer que o plot twist foi um tanto quanto interessante.

 

Sobre as greves, manifestações e afins…

 

Quando as pessoas dizem que as greves e os protestos perderam o sentido não é porque elas são chatas, haters, coxinhas ou antis. De fato, a outra fatia que não se envolve é porque não vê propósito. Vários países têm suas greves e a população tende a agir dentro da mesma pauta. No Brasil, uma atitude que era para ser valiosa, se tornou um confronto de “ideias” que não chega a canto algum.

 

A greve do Metrô teve um gosto de estratégia mais especial por causa da Copa e o resultado não saiu como o esperado. Você vê que essa paralisação foi piadismo puro ao ponto dos grevistas irem às ruas pedindo a readmissão de demitidos no dia da abertura do Mundial. É fácil provocar a treta e depois não aguentar o tranco. Quem tem objetivo justo vai até o fim. Acho bacana recorrer em nome dos companheiros, mas quem provocou a bagunça? O que se dá é o que se recebe, ainda mais quando se está errado.

 

Assim, cada vez mais confirmo que qualquer insatisfação com relação ao Estado vira uma bagunça egocêntrica. Às vezes, hipócrita. Aqueles que realmente são sérios na causa são ofuscados pelas pipocas de plantão. As pipocas que ganham grandes letreiros e fotos na mídia internacional. No caso da greve do Metrô, apenas uma parte se beneficia. Com reajuste ou sem reajuste, a população continua a “curtir” viagens humilhantes. Esse ponto cai na responsabilidade do governo, claro, pois há muitas pessoas para pouco transporte. Somando a falta de compromisso de um, a falta de educação de outro e o descaso do governo, não tem como o sistema funcionar. Vale dizer que o aperto do Metrô brasileiro não é tão diferente ao que acontece no Japão, por exemplo, outro inferno na terra.

 

Não é uma questão de conforto, mas de respeito. Tanto do povo como de quem oferece o serviço.

 

Querem prova maior de que ninguém respeita ninguém? Basta lembrar da greve de ônibus surpresa que aconteceu no final do mês de maio. O erro é cometido, depois a defesa vem em nome da população. Eu não pedi pela greve. Nunca vejo nada de positivo. Não vejo as tais péssimas condições de trabalho. Eu não acho errado querer um ambiente de qualidade no emprego, mas, quem não está dentro das tais assembleias dos metroviários, acha que não passa de um comportamento infundado. Eu não vejo nada de péssimo em trabalhar para o Metrô. Se alguém souber, me conte, pois vejo guardinhas de boa, o maquinista também… Muitos com um desprazer nítido de estar ali. O jeitinho brasileiro sempre cai pesado naqueles que não têm culpa. Não é à toa que a greve do Metrô soou como atitude de criança mimada que só parou de bater o pé quando foi “ameaçada”. Nem eles conseguem impor seriedade no objetivo.

 

Os tais movimentos populares se distorceram por causa do povo, pois ninguém tem uma causa. O mesmo vale para a última greve do Metrô presa ao mesmo propósito e, a falta de preparo em lidar com a negativa do governo, rendeu um tremendo papelão.

 

Considerações finais

 

Não posso deixar de comentar sobre o comportamento da população diante da greve. Não tem como se esquecer da depredação que aconteceu na estação Corinthians-Itaquera, algo assim vergonhoso demais. As pessoas precisam entender uma coisa: o tratamento nas plataformas do Metrô ou da CPTM é desumano e humilhante não por culpa dos metroviários ou porque é pegadinha do Alckmin, mas daqueles que usufruem. Ninguém empurra porque é legal. Ninguém precisa do Metrô por capricho. Quem não tem mais o que fazer da vida passa longe do horário de pico. Aqueles que não sabem como usar os trens são as razões deles serem insustentáveis. Eu não sou obrigada a viajar como uma sardinha, não acho bonito e nem engraçado, mas já se tornou um modus operandi que ninguém larga. Uma das coisas que aprendi é que um ambiente pode ser destruído pelas pessoas que estão nele.

 

Uma empresa pode ser maravilhosa, mas os indivíduos que ali trabalham são responsáveis pelo clima. O mesmo vale para a relação Metrô x usuários. Ele não seria dito como “tão ruim” se a educação não fosse deixada em casa. Eu já apanhei tanto no transporte público ao ponto de quase ter o braço quebrado. É culpa dos grevistas? Do governo? Da Dilma? Da Copa? Não, né?

 

Greve. Protesto contra a Copa. Protesto contra a Dilma. Protesto contra… Isso virou desculpa. Ninguém tem uma bandeira para defender e faz o que faz para aproveitar as oportunidades. Minha descrença em qualquer molde de protesto aconteceu quando compareci a 1 no ano passado e foi a maior decepção. Sim, havia os realmente engajados, mas a quantidade de aparecidos era maior. Todo mundo pede mais amor, mais justiça, mais compreensão em uma plaquinha de cartolina ou em um tweet, mas tenho absoluta certeza que a maioria continua a fazer ogrices diariamente.

 

Tenho certeza que metade dos que protestam ou que fazem greve é para alimentar o âmago. É meio injusto dizer isso, pois houve protestos muito interessantes. Também não concordo que “tem que quebrar tudo” para ser visto. Enquanto o governo encarar o povo como crianças mimadas, não há muito para ele temer. Basta dar o doce e está tudo certo ou então mandá-las para o cantinho da disciplina para repreendê-las.

 

Para concluir, essa greve do Metrô foi tão sem sentido quanto às últimas manifestações. Os brasileiros têm amado um modismo ao ponto de navegarem nos mesmos mares. O que falta é um propósito verdadeiro. Tenho certeza que se uma pauta for interessante, justa, impactante, não há quem fique em casa de braços cruzados. Só sei que aqui se tornou terra de que nada é em benefício de ninguém. O governo é o maior exemplo. Essa paralisação dos metroviários apenas realçou o puro egoísmo de muitos brasileiros que não pensam além do próprio quadrado.

 

Essa é outra parte triste para outra discussão…

 

Este post é meramente opinativo e foi um pedido da minha Mammy. Qualquer pitaco, basta deixar um comentário.

 

Todas as imagens foram retiradas da busca do Google. Se alguma for sua, entre em contato para eu dar os devidos créditos.

Stefs
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