Menu:
05/jun

Há um tempão, muitas pessoas compartilharam no Facebook uma notícia fake que não demorou a se tornar um viral. O título afirmava que J.K. Rowling publicaria um 8º livro de Harry Potter, uma pauta mais do que suficiente para qualquer potterhead ter um AVC. Eu dei muitos saltinhos. Porém, quando caí na real, notei que havia algo errado. Não pela novidade ser falsa, mas pela maneira como absorvi a informação minutos depois do baque. Em determinados pontos, sou contra a qualquer ideia que dê aval à continuação da jornada de um livro ou de um filme. Nesse caso, de Harry Potter. Em tese, prosseguir com a história de onde ela parou invalidaria toda aquela despedida linda e chorosa.

 

Digo por mim: um novo livro apagaria aquele episódio agridoce do adeus. Se isso fosse verdade, não hesitaria em pensar que Rowling sabia disso o tempo todo e ficaria bem revoltada.

 

Quando li essa notícia fake (será falsa para mim até ter algo no site da própria Rowling em negrito e em caixa alta), fui dominada por muitos sentimentos. Fiquei rindo que nem tonta, depois fechei a cara e terminei com a mão na testa de frustração. Essas duas últimas reações não me pegaram de jeito quando soube que haveria a adaptação de Animais Fantásticos e Onde Habitam, mas confesso que fiquei enraivecida com o fato dessa história – que nem é uma história – ser dividida em 3 partes, algo muito ganancioso, como aconteceu com O Hobbit.

 

Sou fã, mas não dou amém a tudo, e nunca cansarei de dizer isso aqui no blog. Vale um lembrete da tal peça que apenas pipocou no ar e nada mais foi sondado, cuja proposta é abordar a vida de Harry antes de ir para Hogwarts. Ao expor esses pensamentos e olhar bem para a situação da indústria cinematográfica, bem como do mercado livreiro, caí no seguinte drama: vivemos em uma época que ninguém está pronto para cantar Let it Go ao que gosta. Nem mesmo escritores bem-sucedidos.

 

A começar por Veronica Roth que não se deteve apenas com a trilogia Divergente e escreveu outros livros menores tendo Four como personagem principal. O mesmo vale para Cassandra Clare que não larga a ideia de Os Instrumentos Mortais ao ponto de escrever a mesma premissa do meio para trás e do meio para frente. Nicholas Sparks é outro que publica demais (e tudo parecido) e tem livros adaptados da noite para o dia. Eu não simpatizo tanto com o Sparks, admiro muito a Cassandra e tenho um amor enrustido pela Veronica por pensarmos igual (algo que sempre me choca). Porém, hoje em dia, não tem como não olhar para o universo de escritores – que devia (e deve) ter membros que amam o que faz – e apontar aqueles que produzem a mesma coisa só por dinheiro.

 

Ok! Pode ser divertido para alguns, pois nada como dar aos fãs novos materiais com pontos de vista diferentes dentro da história principal. Já dizia que tempo é dinheiro, mas, nesse caso, livro é lucro. Rowling nunca fez parte desse quadro, pois foi ela quem “lançou” esse modismo de adaptação, dando mais força a essa ideia (que sempre existiu) por causa do sucesso de Harry Potter. Isso fez escritores saírem dos armários também, mas, em maioria, almejando ser como ela.

 

A ideia de fazer um filme sobre Animais Fantásticos e Onde Habitam me preocupa por ser um livro (se é que pode ser chamado assim, pois o considero como uma minúscula enciclopédia) de pouquíssimas páginas que virará uma adaptação dividida em 3 partes. Por que 3 partes? Por causa do lucro. Não me entendam mal. Eu fiquei muito feliz com a novidade, pois uma dose de Harry Potter nunca é demais, especialmente quando a saudade aumenta ano após ano. Porém, o cinema e a literatura se tornaram fontes de dinheiro. Não dá para defender determinados escritores, pois está na cara que eles só escrevem para vender. Não é à toa que o mercado está saturado de livros parecidos.

 

Eu não posso dizer se a Rowling começou a pensar assim ao dar aval para Animais Fantásticos e Onde Habitam, mas não tem como não considerar essa possibilidade por mais fã que eu seja. Sem dúvidas, grande parte disso acontece por causa do olho gordo da indústria cinematográfica, sempre muito persuasiva, mas qualquer produção não seria possível sem a autorização do dono original, especialmente quando é um livro que está no centro das atenções.

 

Há quem mereça ver a obra adaptada, mas nada disso impede que tramas ruins cheguem aos cinemas. Por isso, temo que a tia Jo se empolgue e mergulhe nessa estratégia, até porque é muito claro que nem ela consegue cantar Let it Go para Harry Potter. E eu não quero que ela aja assim. Não só como fã, mas por tê-la como exemplo de muitas coisas. Seria um tanto quanto decepcionante.

 

Assim, faço outra pergunta, essa mais direcionada aos meus queridos potterheads: não está na hora de nós também cantarmos Let it Go para o menino bruxo? Ao menos no que condiz à visão de produto cultural que Harry Potter possui? Animais Fantásticos e Onde Habitam só será adaptado porque os pottermaníacos compõem um fandom incansável e insaciável. Li muitos comentários de que a Rowling topou a ideia por se sentir esquecida em meio a tanta obra adaptada. Vai saber, né? Os executivos sabem que os fãs sairão de casa para ver o resultado da obra. Bilheteria garantida já tem.

 

Eu sei como é difícil largar algo que fez parte da própria história. Eu tenho uma aba aqui no blog destinada a posts sobre Harry Potter. É um assunto que, se depender de mim, jamais morrerá, especialmente por representar grande parte do que sou. Muitos pontos da minha vida estão interligados aos livros de Rowling. Eu enxergo a realidade de que o lucro se tornou algo mais do que necessário para a indústria do entretenimento – digo isso porque a concorrência assídua que nasceu em meados de 2008, chutando alto, não se compara em nada a vista nos anos 90.

 

Hoje, o diferencial foi trocado pela mesmice e tenho medo de que Harry Potter perca a magia por ser explorado de um jeito nada conveniente, tratado apenas para cobrir um buraco no orçamento. A saga sempre foi mais do que isso e eu quero que Rowling não seja engolida por esse método que mata dia após dia a criatividade do cinema e da literatura. Eu sei o quanto doeu ver algo tão incrível chegar ao fim, mas há um momento que é necessário apenas deixar a coisa toda fluir. Isso não quer dizer que será esquecida.

 

Eu, como muitos, vi fóruns e sites serem fechados, blogs abandonados, bons autores de fanfics deletando suas contas, e assim por diante, quando o último livro foi lançado. Literalmente, foi o fim de uma Era. O ano de 2007 foi muito difícil, especialmente para quem tinha muitas atividades no fandom. Quem é das antigas sabe que o burburinho de agora em torno da saga não é o mesmo, pois vimos o passo a passo de Harry Potter até o último degrau da própria história. O último caos foi a entrevista que a Emma fez com a Rowling para a Wonderland Magazine, depois tudo morreu. Por isso, eu não soube o que fazer ao dar de cara com a notícia fake sobre um novo livro. Voltei até no tempo quando me vi sem nenhum volume em mãos, chateadíssima, mesmo com os filmes ainda em processo de adaptação na época.

 

O que aconteceu em 2011, ao menos para mim, foi o final conclusivo. Os filmes apenas enganaram o que de fato já não existia mais no papel. Quando os créditos de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 subiram, ali estava o ponto oficial de encerramento na vida de muitos potterheads. Em 2012, eu tive muitas referências potterianas (faculdade e formatura) e, quando tudo silenciou, me senti abandonada, assimilando o término de um relacionamento muito longo. As portas se fecharam, uma a uma. Já não tinha mais livro. Já não tinha mais filme. Não tinha mais sites legais atualizados. Os atores se dispersaram. Aquela família potteriana se desmanchou, embora os laços de amizade se mantivessem, mesmo a distância. Toda a sensação de ter um lar desapareceu. No total, tive 3 despedidas de Harry Potter e fico triste só com essas linhas.

 

Eu amo Harry Potter, incondicionalmente, mas não seria uma boa ideia deixar realmente que tudo acabe? Por mais que as memórias potterianas sejam maravilhosas, perde-se a essência da despedida dada em 2011 ao reabrir as portas que muitos custaram a fechar. Para mim, destrói-se até mesmo um pouco do encanto que foi a última première do filme. Meio que arruína aquela sensação de capítulo encerrado. Nesse ponto, estou com Daniel Radcliffe em todas as vezes que ele sai pela tangente sobre qualquer coisa relacionada à saga. Fez parte da vida dele, mas é hora de mudar a página em busca de outras coisas legais.

 

Rowling é meu maior exemplo, minha maior fonte de inspiração, uma das mulheres mais admiráveis que “conheço”. Ela foi forte e destemida em não desistir de Harry Potter, independente do sucesso. Admiro-a mais ainda por honrar um dos melhores quotes sobre o fator escrita: escrever o que quer escrever. Há dois livros dela nas livrarias, cada um com premissas totalmente diferentes. Ela ama desafios e não deixou a influência do seu nome pesar na hora de manter o ritmo. Poucos escritores abrem mão do primogênito para dar aval a outras ideias, e Rowling abraçou os riscos. Teve alguns golpes de publicidade, mas quem não faria isso? Ela nasceu apaixonada pelas palavras ao contrário de muitos que não conseguem largar a mesmice das próprias obras por dinheiro e por direitos cinematográficos. É triste!

 

Eu tenho medo que a indústria detone esse comportamento sempre muito característico da Rowling, essa atitude mágica que tanto me fortalece de fazer o que tem que ser feito e acabou. Ela é muito firme nas próprias decisões. Digamos que a escritora chegou tarde nesse caminho absurdo de que todo livro precisa de adaptação, um caminho ilusório que dá dinheiro. Um autor deslumbrado (como bem acho que o Sparks é) se acostumará a escrever para vender e não porque gosta de fazer isso. Por mais que um escritor, por exemplo, tenha consciência dos próprios projetos, o lucro faz parte do negócio. Ainda mais quando muitos autores produzem crentes de que serão os próximos best-sellers adaptados para o cinema. Isso é uma questão de sorte.

 

Eu já fui muito a favor de livros virando filmes. Agora, não aguento mais. O mercado está muito saturado disso e tenho certeza que esse é um dos motivos principais de certas sagas fracassarem nas bilheterias. Mais do mesmo.

 

Rowling terá a experiência de fazer o roteiro de Animais Fantásticos e Onde Habitam, algo genial, mas ainda penso que o que é potteriano deve continuar dentro de um malão. Acabou. Há o Pottermore para suprir a saudade do menino bruxo. Pode não ser o suficiente para alguns, claro… Também não digo que esse universo tenha dado tudo o que tinha que dar, pois, se fosse assim, a escritora nem se daria ao trabalho de produzir conteúdo exclusivo para o site. Ela faz isso por amar todo o processo. Isso torna tudo muito natural, mesmo que haja uma rendinha extra por debaixo dos panos. Ideias nunca exploradas sempre são bem-vindas, algo que acontecerá com Animais Fantásticos. Por isso não acho tão ruim.

 

Só o papo do 8º livro que me tirou da órbita com uma dose tardia de indignação, uma empreitada que seria o fim da picada para mim, pois foi lindo como tudo terminou. Retornar a isso me deixaria feliz e ao mesmo tempo frustrada. Destruiria todo o simbolismo que criei, as lágrimas e as dedicatórias enormes de adeus. Sei que Animais Fantásticos e Onde Habitam não terá nada interligado ao que Harry viveu em Hogwarts, mas a marca com o rosto do menino bruxo ainda existe e sempre existirá. E é ela que dará um novo gás para a indústria do entretenimento em 2016. Isso é bom para qualquer fã e para a Rowling, claro.

 

Em contrapartida, sou extremamente a favor do retorno da autora a esse mundo mágico se ela decidisse escrever sobre outras storylines que não foram exploradas, como a Era dos Fundadores e a dos Marotos. Seria algo diferente. Algo que meio mundo deseja. Hogwarts e o Voldemort não existiriam sem esses dois arcos que permanecerão (pelo visto) para sempre só na mente criativa de muitos escritores de fanfics, o que também não reclamo, pois adoro viajar na maionese ao lado de James Potter e Cia..

 

O banho de notícias fake sobre a saga e o impacto que elas causam me fez perceber que eu não quero que a J.K. mexa no que acabou. Foram anos de tortura psicológica e, reabrir tudo isso, é o mesmo que iniciar o mesmo relacionamento, de um jeito mais tortuoso. Afinal, os fãs mais antigos cresceram, amadureceram, seguiram as vidas, e o retorno do menino bruxo necessitará de uma nova adaptação (não cinematográfica), como reencontrar um velho amigo com quem se perdeu contato por anos. Claro que isso, pensando no menino que sobreviveu, é maravilhoso. Eu só não quero que nada que o envolva, por mais que não seja diretamente, destrua a essência do universo todo.

 

Contudo, um novo livro seria uma experiência excelente para quem conheceu a saga quando ela já estava totalmente publicada. Isso daria um pouco do gosto que a velha guarda teve durante mais de 10 anos ao lado de Harry Potter e de J.K. Rowling. De certa forma, qualquer fandom pede conforto depois de uma despedida, pois, independente de qual seja a saga, o universo precisa ao menos continuar a existir. Assim, volto a citar o Pottermore e até mesmo o parquinho temático.

 

Não há nada mais gostoso que rememorar momentos com tanto carinho e ter com quem compartilhar isso. Ainda mais quando é sobre Harry Potter, pois só tenho coisas boas para vivenciar sempre que possível. Não é preciso mais livros, mais filmes… O que vale é a experiência. Eu cresci com Harry Potter e sou muito grata por isso. Eu fico feliz e saltitante com qualquer novidade sobre esse universo. Estarei desesperada para conferir Animais Fantásticos e Onde Habitam. Ainda continuo frenética stalkeando a Rowling, mas há certas coisas que precisam ser preservadas do jeito que ficaram. Tenho certeza que muitos ainda estão no processo de cicatrização com o adeus à saga. Até eu me sinto assim ainda. Voltar no tempo é nostálgico, mas, infelizmente, a indústria não tem dado mais essa oportunidade para ninguém.

 

Só sei que não quero chegar aqui no blog e dizer que a Rowling virou mais uma pessoa gananciosa que escreve por dinheiro, algo que, atualmente, representa a relação entre literatura e cinema.

 

Mas, então, já é 2016? Se vai ter Olimpíada, eu não sei, mas Animais Fantásticos e Onde Habitam terá sim.

 

Todas as imagens do post foram retiradas do Tumblr

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3
  • heyrandomgirl

    Eu tbm seria muito mais positiva se fosse algo que a Rowling nunca escreveu, justamente a Era dos Marotos. A Era dos Fundadores tbm seria algo muito sensacional. Infelizmente, ela já largou do osso nesse sentido, o que acho uma pena :(

    Vamos aguardar a estreia desse filme, eu tbm vou com um pé atrás, mas acho que o trabalho ficará bom.

  • Mônica Oliveira

    Vou dizer que DOEU MUITO ler esse post. No começo eu fiquei feliz por saber que eu não sou a única que não gostou da idéia de Animais Fantásticos (tipo, really? Wtf Animais Fantásticos, adaptasse um dos livros do Lockhart que era mais negócio!), mas aí eu fui lendo e fui relembrando do final, das despedidas. Concordo com tudo que você escreveu, marida, como sempre. Harry Potter pode ter iniciado a onda de adaptações, mas ainda assim consegue ficar alheio a toda a modinha. Não acredito que cutucar essa ferida possa trazer coisas boas, até porque muito tempo já passou. Quero ver o filme novo, mas já vou com nariz previamente torcido. A única coisa que me deixaria feliz seria algo sobre a Era dos Marotos, mas até isso eu acho melhor deixar quieto.