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25/jun

Eu tive que refletir muito antes de começar esta resenha da season premiere da 4ª temporada de Teen Wolf. Inúmeras coisas se passaram na minha cabeça, algumas positivas e outras negativas. Minha incoerência mental se deve, especialmente, pelas altas expectativas – que não foram atendidas – e admito que estou um pouco bolada. Claro que é muito cedo para cobrar alguma coisa desta série linda, mas devo dizer que, conforme a trama se desenrolava, senti que ela foi editada pela faca que resume os filmes transmitidos pela Globo. As informações caíram na boca dos personagens sem nenhuma coesão e a storyline não foi tão priorizada porque o objetivo foi reapresentar quem todo mundo já conhece. Deu certo, mas tirou a relevância da ação. Admito que o novo drama do Derek não me empolgou, fico feliz em saber que não durará muito, pois o novo bando de Scott terá um inimigo mais sombrio.

 

Só sei que fiquei com a impressão de que as coisas foram largadas por causa da intenção de situar quem não pertenceu a 3 anos de história. Isso não é tão ruim, pois nada mais sensato que dar atenção a quem “chegou” agora para todo mundo trabalhar na mesma página no futuro. Contudo, houve estranheza. E, meu Deus, como senti falta da Allison.

 

A promessa de que a série passaria por uma repaginada foi cumprida com sucesso e é impossível não notar o quanto ela perdeu no quesito personagens. Para suprir isso, houve o resgate de storylines da temporada passada para fortalecer o que vem aí. TW tem a sorte de ser muito boa com as mitologias. É o que envolve e sustenta. Porém, não dá para negar que a saída de uma fatia que foi crucial por quase 2 anos, especialmente a Allison que esteve desde o começo, balançou as estruturas. Afinal, tirando Scott, Stiles e Lydia, o grupo anterior não existe mais, o que foi meio desnorteador. O foco na trama foi trocado pela bancada de julgamento que colocou Kira e Malia nos holofotes para receberem as respectivas notas. Elas trouxeram aquele sentimento de que TW parecia uma série nova e eu não captei a típica familiaridade. Acho que esperei muitas coisas neste primeiro momento, mesmo por dentro de quais seriam as prioridades.

 

Ficou claro que acompanhar esta temporada será como colocar um par de sapatos novos. Uma hora, eles terão que ficar confortáveis. Jeff não terá apenas a tarefa de tornar mais uma mitologia eficaz, como também terá que provar que é bom com mudanças. Ele terá que nortear aqueles que restaram com muita excelência.

 

Nos 10 primeiros minutos, Teen Wolf não parecia Teen Wolf. Tudo começou arrastado demais, sem o típico susto incógnito que dá brecha para a abertura. O bando de Scott, todo reformulado, foi parar no México com o objetivo de saber onde está Derek. Eu torci um pouco o nariz para isso, pois os adolescentes deveriam ser os responsáveis pelos problemas e não aquele que se entende como lobisomem desde que nasceu. Parece até que, depois de 3 anos, Derek não aprendeu a se virar. O personagem do Hoechlin está sem uma storyline atraente desde a temporada passada, sendo resumido a mais um membro do bando do Scott. Talvez, as coisas mudem por ele estar associado – de novo – à Kate Argent, cujo cliffhanger da 3B só encheu os olhos por causa da lobita. Espero mesmo que esse dilema em torno do personagem seja interessante, pois Derek não tem um bom engajamento há muito tempo. Até o Peter merece mais além do posto de conselheiro do mal.

 

O bom do sumiço de Derek é que a turma de Beacon Hills saiu da zona de conforto ao partir para uma nova locação, quebrando uma tradição. Isso foi muito bom. Lydia e Stiles nortearam a trama e não demoraram a entregar a sensação de que algo ruim está prestes acontecer. Juro que até esperei que Lydia fosse gritar e fiquei feliz por isso não ter acontecido. Em poucos minutos, entramos em uma festinha para adultos que serviu de palco para reforçar que Kira e Malia são personagens recorrentes em Teen Wolf, com direito a pausa para sensualizar, olhares fatais, bate cabelo e um esfrega-esfrega na pista. Gatas demais, mas ainda prefiro a dança sexy entre Isaac, Erica e Jackson na 2ª temporada. Aquilo sim foi um prato cheio para homens e mulheres. Na penumbra, logo vemos nosso Lobito Alfa. Meu coração bateu na garganta porque eita povinho que fez falta, viu?

 

A estadia no México serviu de background para abrir um dos plots principais da temporada: onde está Kate Argent? O que essa doida varrida quer? Teen Wolf nunca trabalha com uma storyline, então, o que aconteceu neste episódio foi apenas um aperitivo. Sem contar que a ex-caçadora não é a estrelinha da vez, mas o Benefactor (que ainda está por vir). Além do mistério que a envolve, Kate abriu espaço para os novos caçadores da temporada, que nem são tão novos assim por causa da aparição de alguns no 3º ano de TW. Conhecidos como Calaveras (sobrenome da família), essa turma não está de brincadeira, mas deu um voto de confiança nas habilidades de Scott para encontrar Kate. Araya me tirou do sério desde a primeira vez que apareceu e esse reencontro surtiu o mesmo efeito. Achei lastimável a maneira como ela torturou o Lobito só para ele acreditar que a ex-caçadora está viva. O comportamento da chefia foi tacanho, até mesmo ao explorar o lado Banshee de Lydia (com todo um interesse ainda omitido).

 

Contudo, não acho que Araya é uma inimiga, algo que aconteceu com Gerard. Os dois se assemelham por causa do amor ao código, um ponto tratado como lei, ao ponto de ser fiscalizado. Não é à toa que os Calaveras capturaram Kate e a prenderam para morrer. Regra de caçadores que não foi obedecida com sucesso. Ela me soa como a Victoria: finge que é gente boa, mas camufla aquela vontade louca de dar cabo nos outros. A caçadora finge que está tudo uma maravilha, mas, quando pisam no calo, o babado é certo. Não é à toa que Scott recebeu um ultimato sobre o que acontecerá se ele morder alguém. Com base nas últimas experiências de caçadores dentro do próprio modus operandi, sabemos que sempre rola uma treta. Ainda mais porque Chris ainda existe e ele trabalhará sob o código criado pela Allison. Além desse assunto ser bem interessante, vale mencionar o símbolo desses caçadores: a caveira. Essa preocupação aconteceu quando Braeden e Scott enfrentam aquele saco de osso no final do episódio. Teria algo a ver?

 

Por enquanto, não estou a fim de lidar com um novo grupo de caçadores, pois sou muito apegada aos Argent. Senti muito a falta de Chris neste episódio, acredito que ele jamais deixaria essa galera sozinha, especialmente depois do que aconteceu com Allison. Por mais que não seja uma afirmação dos envolvidos com TW, eu senti que a intenção dos Calaveras é suprir os Argent. Afinal, não sobrou ninguém a não ser o Chris. A presença de Araya pode não ser tão constante por ela viver além da fronteira, mas deu para perceber a necessidade de ter outra facção que pudesse ajudar/apoiar Scott. Contudo, isso me faz lembrar um pouco do asco de Chris por Araya na temporada passada. Acho que eles não se dão bem por causa do código. Seria um possível palco para conflitos? Allison deixou a marca dela. Até que ponto a ideia de proteger aqueles que não podem se garantir será mantida?

 

Por ser uma grande fã dos Argent, substitui-los será outra tarefa um tanto quanto complicada. Afinal, eles fazem/fizeram parte da tradição de Teen Wolf. De uma hora para outra, a família de caçadores foi reduzida a um único membro que nem deu as caras para saber da própria irmã. Eu achei isso uma falha tremenda, desculpem.

 

A nova mitologia

 

Esse foi o ponto de confusão. Braeden falou muito e rápido demais. Saibam que a mitologia asteca é o foco da vez graças à introdução do Deus Tezcatlipoca, o representante dos jaguars. O que isso tem a ver com a Kate? Bem, ela é uma were-jaguar. Essa é a base crucial que ajudará Scott e o bando entenderem o que aconteceu com ela, no sentido da transformação. Pelo menos, é o que espero. Para colocar mais pimenta, Kanima (saudades, Jackson!) é um nome dado aos were-jaguars em algumas áreas da América Latina. Atrelado a isso, houve a citação do mito do povo nagual, famoso pela metamorfose (ou shape-shifting). Por mais que algumas cartas estejam na mesa, o caso de Kate é uma incógnita. Ela deve estar agarrada ao instinto de vingança e nada mais inteligente que ter Derek como aliado. Essa obsessão por ele sempre é motivo de polêmica e esse bafo só aumentou porque Kate o rejuvenesceu até a idade em que o conheceu, um período que rolava uma confiança mútua. Nada como ter garantias, especialmente quando se passa de caçadora para caça.

 

Adendo: essa é a timeline de TW que mais tem furos. Na 1ª temporada, Derek foi apresentado com uma idade próxima a de Scott e a de Stiles. Kate não é tão novinha assim, mas deixou claro que teve um envolvimento com o lobisomem. Eis uma relação que aconteceu com uma gritante diferença de idade. O problema é que nunca foi respondido o quanto. Dessa vez vai?

 

Jeff deve ter um plano maligno, especialmente quando ele faz questão de resgatar detalhes de outras temporadas para justificar o que acontece agora. Para reforçar a trama de Kate, e também a sensação de que Teen Wolf sofria um reboot, vimos flashes da 1ª temporada no dado momento em que Kate e Chris debatem a possibilidade de alguém se transformar só com uma ferida de lobisomem. Talvez, o caso da ex-caçadora pode ser um pouco mais dark por ela ter sido “morta” por um Alfa. Isso ficou meio nas reticências. Emendado a isso, o que calhou de importante foi a afirmação que rolou na 2ª temporada por causa do Jackson, a de uma pessoa assumir a forma com base no que se é, o que ganhou uma entonação mais forte por ser justamente a incógnita da vez. Kate pode ser um were-jaguar, mas de que tipo? Tenho até medo da forma que ela assumiu. Estou louca para vê-la em ação, de verdade.

 

Os personagens “novos”

 

Kira e Malia foram responsáveis por um leve retrocesso, o que foi bom, mas que não pode acontecer de novo. Devido à saída em massa de personagens cruciais, recontar a história de Kate foi preciso por ser a personagem-dilema da vez. Contudo, as “novatas” merecem tramas fresquinhas, longe do que Scott e Stiles já viveram. É preciso, especialmente, focar muito na dinâmica do grupo que foi totalmente alterada com a perda de Allison. Ainda não senti firmeza no quinteto, pois cada membro estava muito disperso na trama. A mitologia pode ser a fatia mais importante, mas a falta de ritmo entre personagens pode botar tudo a perder. Não é uma questão de química, mas de balanço. Scott e Stiles precisam mostrar que estão à vontade com essas mudanças para torná-las convincentes. Eu não captei isso, talvez, por ainda rolar aquele gostinho agridoce do luto.

 

Da mesma forma que o elenco principal mudou, o molde do enredo também pode ter um novo percurso, pois todos estão em uma vibe diferente. Inclusive, não há mais aquela cumplicidade costumeira, e Scott terá que recriar isso. Superar o que aconteceu na temporada passada no quesito trabalho em grupo será outra missão do 4º ano de TW.

 

Então que Kira e Malia foram promovidas, com direito a um espaço na abertura. Isso gerou um caos tremendo no fandom, especialmente com relação à Malia, o que eu entendo, pois acho que foi uma atitude precoce. O principal drama que envolve a personagem da Shelley é a falta de storyline, o que não lhe daria o “direito” de sensualizar com muita areia no corpo. Se formos comparar a história de Kira e a de Malia, não há mesmo motivos para o novo interesse amoroso de Stiles ganhar tanta autoridade em tão pouco tempo. Ela foi um caso concluído na temporada passada. Uma enrolação, na minha humilde opinião. Com a saída de Allison, houve uma urgência em trazer para a trama quem já apareceu, e a coiote foi sorteada ao ponto de ser relacionada ao Peter. Até aí, tudo bem. Contudo, a colocação da personagem neste episódio ficou muito a desejar. O que foi dado como caracterização apenas favoreceu para que o ódio da galera aumentasse. Jeff adora colocar lenha na fogueira, mas, em um primeiro momento, ele poderia ter pensando que o objetivo é fazer com que os fãs mais rabugentos a aceitem. Eu não tenho nada contra ela – ainda –, mas não é o tipo de personagem que eu torceria.

 

Malia tem muito que provar, especialmente por ter sido introduzida de um jeito brusco, fazendo a íntima e sentando na janelinha. As atitudes inesperadas dela poderiam até ser chamadas de descaracterização, pois, na temporada passada, ela não parecia desagradável ou hostil. Ela já tem haters demais, poderiam ter dado uma suavizada, ainda mais por ser uma temporada com foco em Stalia. O comportamento e um pouco da personalidade foram apresentadas como se a personagem fosse muito bem desenvolvida, sendo que não é. Pisaram feio no acelerador. Para deixar tudo mais tenso, Malia foi muito deselegante (e sexy para sorte do Stiles). A justificativa dada para tanta insensibilidade e individualismo, ao ponto de querer largar Lydia no México, foi porque ela ainda age como uma “selvagem”. Ela não vê o coletivo. A coiote ficou as semanas que se passaram imersa em um treinamento para aprender a trabalhar como parte do bando na companhia de Stiles. Assim, ficou subentendido que esse é o desafio dela.

 

O lado bom da Malia é que ela se mostrou muito independente, algo que prezo em personagens femininas. Esse detalhe servirá para contrabalancear Kira. Ela teve cenas muito boas que ajudaram a mostrar que se trata de uma personagem forte. Apenas observo.

 

Eu não tenho nada de negativo para dizer sobre Kira ou Braeden. Kira me ganhou na temporada passada, teve um ótimo desenvolvimento e um ótimo andamento de storyline, com detalhes que a posicionaram como a raposa mais bonita de Beacon Hills. Eu espero que a personagem da Arden tenha grandes oportunidades e cresça bastante, como aconteceu com a Allison. Neste episódio, eu a senti meio distante e perdida, mas acho que isso foi reflexo do respeito ao luto da galera, especialmente de Scott. Os momentos Scira foram curtos, mas suficientes para mostrar que ainda rola um carinho entre os dois. Só espero que o namoro demore, pois o Lobito não esqueceria a ex tão rapidinho.

 

Eu espero o mesmo para Braeden. Ela é badass e ponto final. Acima de tudo, não tem vergonha de ser o que é. Para fazer parte da temporada, a personagem tem o peso de ser guia do Scott a mando de Araya para saber onde está Kate. Vamos ver do que ela é capaz…

 

Quem muito me preocupa é Lydia e Derek, dois personagens que tenho a ligeira impressão de que não terão muito que fazer nesta temporada. A abertura meio que denunciou isso. Em outras palavras, ambos têm grandes chances de empacarem na mesmice, com algumas nuances de impacto por osmose. Sei bem que o lado Banshee de Lydia será aprofundado, mas o que vem depois? O mesmo vale para Derek: o que esperar dele assim que o personagem voltar a ter a cara do Hoechlin? O tenso é que a personagem de Holland mostrou os primeiros sinais de incômodo por causa de Malia, outro ponto de descaracterização. Afinal, a princesa ficou atracada com Aiden a temporada passada inteira, sendo apenas ajudante de crime de Stiles. Será que a beijoca no vestiário mudou um pouco as coisas? Jeff, vamos com calma!

 

Só eu que senti Scott e Stiles distantes demais?

 

Considerações finais

 

Por mais que TW tenha uma grande aceitação, não podemos nos esquecer de que séries adolescentes costumam se perder quando um personagem principal pula fora. Espero que esse não seja o caso, pois quero muito que o “novo” grupo tenha uma dinâmica incrível. Devo confessar que ainda sinto que faltou alguma coisa. Talvez, porque esperava um pouco mais de preocupação com as perdas, especialmente por causa do peso da Lua Negra. Claro que TW pede uma superação mais rápida que o normal, mas senti como se a Allison nunca tivesse existido. Como se os outros personagens que saíram nunca tivessem sido parte do bando de Scott. Ficou evidente o desejo do Jeff em desvincular tudo o que aconteceu nos anos anteriores por causa da demanda dos new faces. A estranheza só não foi maior porque Stiles, Scott e Lydia estavam lá, mas Malia e Kira acarretaram esse sentimento de novidade.

 

O episódio foi arrastado demais, muito morno para os padrões de season premiere de Teen Wolf. O que me anima é que a promo do que acontecerá semana que vem está fervendo. A palavra de ordem foi situar os personagens, no caso, as duas “novatas”. Mudar a locação foi ótimo, ofereceu novos ares e novas nuances, mas as melhores coisas acontecem em Beacon Hills. Encaro este episódio como um aquecimento em baixa temperatura.

 

Vamos refletir:

 

Cadê o jeito hiperativo do Stiles? Estava muito tímido o nosso garoto…

 

Quem eram aquelas criaturas malignas que mais pareciam caveiras do deserto que sumiram ao som do berro do Lobito Alfa? Ainda acho que é mandinga dos caçadores.

 

Foi impressão minha ou Kira é imune a wolfsbane?

 

Onde estavam os outros rostos que tanto amamos? Está certo que eles não caberiam neste 1º episódio, mas jamais que Chris deixaria essa turma cruzar a fronteira sozinha. Melissa e o Xerife podiam até ficar, mas o único Argent jamais. Pior é que Chris só retorna quando o Benefactor aparecer, pois ele está na França, em tese, com o filho Isaac.

 

A parte boa é que semana que vem estaremos de volta à Beacon Hills. Quero os jogos de lacrosse, muito Coach e muito amor ao Greenberg.

Stefs
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