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29/jul

28. Lição mais marcante.

 

Harry Potter é um balde cheio de lições e é até difícil escolher uma. Além da ideia de que o amor protege e da amizade que tudo confronta, uma das coisas que mais me marcou conforme lia os livros foi ver que nem todo mundo é 100% bom ou ruim, especialmente quem pertence à Sonserina. Rowling poderia muito bem ter embarcado nessa ao criar uma divisória nítida de quem era do bem ou do mal, mas ela se apoiou nas incógnitas. Draco Malfoy é um dos maiores exemplos. Ele passou por fases significantes do amadurecimento: começou como o menino arrogante, mesquinho, preconceituoso e mimado para mais tarde ser um adolescente perdido, inseguro e sem escolhas. Tudo para ser o espelho do pai e honrar a família.

 

Não lembro onde li isso e nem sei se é verdade (coisas do Tumblr), mas Draco tinha um interesse em ser Comensal da Morte, mas, ao estar lá, reagiu como Regulus Black: achou tudo aquilo demasiado ruim para abraçar.

 

Draco sempre teve tudo e, em segundos, o teto de vidro trincou em mil pedaços. Snape é outro exemplo, uma crucial quebra do paradigma que dizia que todos os bruxos maus pertencem à Casa de Salazar Slytherin. Rowling obedeceu a uma das regras da escrita: show, don’t tell. Eu a admiro por não ter escorregado nas informações sobre o caráter dos personagens durante os 7 livros. Ela não entregou tudo de bandeja, especialmente quando Draco assumiu o posto de Comensal da Morte como forma de pagamento pela burrice que Lucius cometeu no Ministério da Magia.

 

Na saga, temos figuras detentoras de duas facetas que surpreenderam. Acho que surpreenderam tanto justamente por terem pertencido a uma Casa que sempre foi rotulada como o pior lugar. Conforme me afundava na história, mais acreditava que determinados personagens não eram exatamente daquele jeito.

 

Acho que no quesito lição mais marcante, escolho a relação Draco e Narcissa. Ela foi a opção para o menino cobrinha simplesmente parar o que fazia. Ela traiu até mesmo a irmã ao preferir ter o filho a continuar com aquela palhaçada. Draco tentou não despir a máscara que Lucius moldou perfeitamente para ele ano após ano. O bruxo tentou manter as aparências, uma das regras das famílias puro-sangue, como Narcissa também. Por mais que soasse petulante na maior parte do tempo, foi muito fácil crer que ele migraria para a posição de vilão, mas, no fim, não passou de um adolescente como qualquer outro. Draco deve ter sentido de tudo, mas jamais tivera a coragem de dizer. Por meio desse personagem, foi possível ver como ele tentou esconder todas as suas fraquezas.

 

A cena do banheiro em Enigma do Príncipe é a maior prova disso e a reação ao ver Harry não foi muito longe do esperado. Draco tinha o sarcasmo e o asco como proteção e ser visto no auge da fragilidade, ainda mais pelo rival, foi como ter um segredo divulgado pelo Perez Hilton.

 

A posição do Draco também serviu para fazer o belo ditado não julgue, sem conhecer funcionar. Ele julgou Hermione, quebrou a cara. Julgou Rony, quebrou a cara. E assim por diante. No meio da guerra, o personagem vira que o buraco era mais embaixo. Assim, os problemas do Draco eram meramente coisas da puberdade. Ninguém o conhecia. Aposto que nem mesmo sua trupe. Todo mundo se surpreendeu por ele ter recebido uma tarefa que exigia muito de um adolescente. Como disse Narcissa, ele era apenas um menino que ganhou do Voldemort um elefante para criar.

 

Assim como os Potter, os Malfoy – filho e mãe – também foram grandes provas de que o amor não escolhe cor, tamanho, Casa e nem tipo sanguíneo. Na época de Enigma nos cinemas, Helen definiu muito bem Narcissa: ela mudou por causa do filho. Eu não tenho dúvidas que isso tenha acontecido. Até porque ela não era Comensal, apenas foi inclusa no barraco por osmose. Lembro-me até hoje da Rowling explicando o papel das mães na saga e do quanto foi importante fazer a Sra. Malfoy pertencer ao grupo das badass. Ela traiu o Lorde das Trevas ao confiar no Harry. Ela simplesmente deu uma de louca por não querer perder mais do que já tinha perdido. Ela repetiu a mesma atitude de Lily e da Molly para defender o único alicerce que tinha: o filho.

 

O papel da mãe é muito importante e inspirador para o herói e o anti-herói. Devo dizer que é com Draco que moraram muitas lições: é possível mudar de ideia, é possível quebrar as amarras, é possível ser bom, é possível ter fraquezas e é possível se acovardar. Tudo isso sem ter vergonha. Todos os pecados humanos foram depositados nele e a saga mostrou os altos e baixos de uma luta interna. Nada pior que duelar com os próprios demônios.

 

Amanhã o desafio continua com a seguinte questão: De todos os personagens que morreram, qual você traria de volta?

Stefs
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  • Isis Renata

    'its were my demons hide'
    é é prima. Harry realmente tem esse ensinamento que todos temos o bem e o mal, já dizia Papito. e há tempos que escolhemos um, e a tempos que escolhemos outro. Dependendo de como é cada situação em nossa vida.
    Nao sou fã do Malfoy, embora concorde com tudo que você diz, mas prefiro olhar esse exemplo de bem/mal no Snape. Personagem que mexe mais comigo. Todos temos fraquezas e lidar com isso é o desafio diário,

    😉
    amo as lições de amizade que a saga contém. tudo envolve esse dom lindo.
    e o amor, que salva afinal.