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08/jul

Hoje resolvi falar um pouco de jornalismo online. Eu pensei muito no que escreveria, mas devo dizer que estou longe de apresentar uma definição. Com o passar dos anos, me convenci que o papel do jornalista deixou de ser uma coisa só, mas muitas. Ainda mais no que condiz à internet, pois as pessoas que atuam na Websfera se comportam diferente e pensam diferente. Acima de tudo, fazem um tipo de cobertura jornalística que consideram pertinentes. Quem atua nessa área atrelada a um veículo de comunicação se engasga com as regras do ofício, mas, quem não tem freio, faz o que acha melhor na hora de exercer (ou não) essa profissão. O universo online proporciona isso. Em contrapartida, assisto a uma fase em que o jornalismo se tornou extremamente preguiçoso e descuidado, especialmente o de sites/portais.

 

Devo dizer que o jornalismo online me deu um pouco de esperança. Isso aconteceu no último ano da faculdade, depois de ter passado por um estágio em um veículo impresso. Eu pensei basicamente naquilo que todo mundo pensa: gosto de internet, gosto de computador e gosto de escrever. Perfeito! Esse súbito sentimento me acometeu justamente na prorrogação, quando estava totalmente convicta de emendar outra graduação. O que contribuiu para alimentar essa minha fé no jornalismo online foi um professor que dava aula sobre esse assunto. Literalmente, o cara conseguiu me contaminar com grande sucesso. Nada como imaginar as oportunidades de trabalhar em sites, tendo a internet como companheira fiel.

 

Quando me formei, tive a sorte de engatar um trabalho em uma agência de publicidade. Como foi um pulo do gato, foi lá que comecei a ver as diferenças entre jornalismo online e webwritting. Com o tempo percebi que levava mais jeito como webwriter ao invés de jornalista. Tudo por não depender de ninguém. O que me preocupava eram os clientes e o cronograma de textos para programar. Só! De uns tempos para cá, notei que não tenho mais peito em dizer que sou jornalista. Cheguei ao ponto de sentir um pouco de vergonha da carreira. Não pelos motivos de ter feito uma escolha parcialmente errada, mas pelas pessoas que atuam na área e são ditas como “referência”. O trabalho apresentado por elas, especialmente em sites/portais, é de chorar. É algo que me deixa com vergonha alheia, pois um deslize automaticamente rebate em qualquer profissional, independente se ele está empregado ou não. E isso é muito chato, pois os erros alheios não me representam.

 

O jornalismo online deve ser a esperança de muitos formandos na área. Ele é muito cobiçado. Como disse no post sobre jornalismo e mudança de carreira, uma das coisas que infelizmente tornou esse profissional supérfluo – por assim dizer – foi a questão do diploma. Eu não gosto de culpar esse fato toda vez que comento que ser jornalista atualmente é uma utopia. Isso não serve de desculpa para o graduado fazer um trabalho porco, como também não justifica uma empresa trocar um formado por um blogueiro ou por um publicitário que nem hífen no “bem-vindo” coloca. Para mim, contratar alguém sem convívio em redação tem ajudado a matar o jornalismo. Como um empregador exige experiências formidáveis sendo que não dá chance para o recém-formado? Assim fica difícil, né? Trocar esse profissional por alguém “mais barato” é aumentar o descrédito da informação. Simples assim.

 

Muitos têm na cabeça que o jornalismo online é o trabalho dos sonhos. O mesmo pensamento se aplica para quem acha que o cara de social media é pago para ficar o dia todo no Facebook. Se você procurar emprego com essa mentalidade, se prepare que a decepção tende a ser enorme. No caso do jornalismo online, a dinâmica e a disciplina acompanham a rapidez da internet. Literalmente, os dedos sangram. A pressão é maior por causa dos prazos curtos e apertados. A pauta quente precisa subir com poucos segundos de diferença a dos concorrentes. Por causa desse imediatismo, há muitos textos que dão vergonha de ler, pois o que importa é o buzz. A internet é maravilhosa, mas, no quesito jornalismo, ajudou a matar um dos mandamentos mais importantes dessa área: checar a informação/fonte.

 

Assim, profissionais caem em descrédito. O editor-chefe não quer saber mais de averiguar o que será publicado em nome do veículo, isso é sinônimo de perda de tempo. Ele só quer saber da quantidade de likes e de shares. A internet nos deu essa liberdade, esse gosto de publicar o que quiser. Para o jornalismo, isso não é o bastante.

 

Via: Jornalismo vai com Deus

 

Esse imediatismo, essa necessidade de ser o primeiro, essa necessidade de bombar nas redes sociais antes do concorrente destruíram minha porta de esperança de tentar ser uma jornalista online. Eu sou muito crítica com tudo que escrevo. Jamais publicaria um texto na lata. Eu o reviso milhões de vezes. Quando acho que está bom, reviso de novo. Em redações grandes isso é praticamente impossível. É escrever, bater o olho e publicar. Eu não consigo trabalhar assim. É meu nome e meu texto. Tem que ser do meu jeito. Por isso me senti muito bem em redação de impresso (apesar dos pesares), pois os prazos são maiores.

 

Para vocês entenderem o que falo, acompanhem por 1 semana qualquer portal. É de chorar! Pior que isso é ler os comentários das pessoas caçoando do trabalho do jornalista. Pior que isso é notar que alguns comentários têm sentido. O que vejo é um acúmulo de títulos sem sentido, textos sem lead, palavras básicas do cotidiano escritas de maneira errada. Há matérias que ganham teor de suposição, sendo que “jogar no Google” pode dar uma resposta que confirme se a pauta é verdadeira ou não. Um exemplo: quis morrer com o site que escreveu que o Jonathan Groff era o novo affair da Lea Michele. Não é preciso ser fã para confirmar que os dois são melhores amigos. Cadê a boa vontade desse “jornalista” em checar antes de passar vergonha? Mais uma vez, tudo pelo buzz.

 

De maneira geral, essa pegada do jornalismo virou sinônimo de desleixo. Hoje, por causa de tanta tecnologia, queremos coisas instantâneas e temos sim preguiça de ler uma matéria inteira. O que acontece agora é que o profissional duvida da esperteza do leitor. Às vezes, até imagino que o empenho em pensar só é concentrado no 1º parágrafo, onde está o tão amado e odiado lead. Depois, vira um mexido de palavras desconexas. Sério! Até um site de fã consegue ser mais estruturado que alguns veículos jornalísticos largados na Websfera. Até blogs chegam a ser melhores e, às vezes, o autor nem é jornalista. É de chocar, né?

 

Jornalismo vai com Deus!?

 

Eu escutei muito na faculdade da galera do recalque que era um absurdo um blogueiro ganhar dinheiro sem ao menos ter formação acadêmica em jornalismo. Para quem não sabe, os blogs têm sido a salvação de muito profissional que não conta/contou com oportunidades no mercado. Eu dou maior apoio. Em um veículo conceituado, você não escreve o que quer. A internet dá essa liberdade. Eu sou uma pessoa que sempre acreditou nesse “ramo”. Não é à toa que ter o Random Girl é meu projeto não tão jornalístico assim, mas isso não quer dizer que não aplique o que aprendi na faculdade quando publico alguma coisa. Se é uma coisa que prezo muito é honestidade e o jornalismo em geral não tem me mostrado isso ultimamente.

 

Eu acho que teria enlouquecido se não tivesse criado/seguido com este projeto. Eu nem me lembro tanto das decepções que o jornalismo me trouxe, nem o quanto ele me dá tristeza. É libertador chegar aqui e saber que escreverei sobre o que gosto ao mesmo tempo em que me esforço para manter a credibilidade dos meus textos. Eu acho que já comentei aqui também que não cuspo totalmente no jornalismo, pois o curso me ensinou muitas coisas e me deu muitas oportunidades. Inclusive, me deu senso de cuidar do meu conteúdo como se trabalhasse em uma redação, me deu disciplina e me deu mais confiança na escrita.

 

A última hora da verdade que tive sobre meu “perfil de jornalista” foi quando meu psicólogo do antigo trabalho me disse que não tenho nada a ver com jornalismo. Foi para glorificar de pé! Foi ele quem me mostrou o Tumblr chamado Jornalismo vai com Deus. Ao bater os olhos em alguns posts, apenas me convenci de que essa área já teve o seu valor. Que a escolhi pelos motivos errados. Confesso que não tenho 100% de arrependimento, pois meu empenho me abriu dezenas de portas. Sim, sempre há uma luz no final do túnel, acreditem! Eu só me lembro da minha formação quando me perguntam, sendo bem sincera. A negação aqui é forte.

 

Esse Tumblr me deu mais motivos para ter vergonha do jornalismo atual. Eu não entendo como contratam tanta gente ruim com tanta gente excelente dando sopa no mercado. Muitas perguntas pipocam na minha mente quando vejo algo desse tipo. Como uma empresa tem um tal jornalista que não consegue fazer, pelo menos, um título? Coisas desse tipo me levam a acreditar ainda mais no uso de mão de obra barata. Jornalista não precisa de diploma, certo? Então, qualquer um pode escrever! Por isso, acho um tremendo absurdo quando uma empresa tem um redator que não é formado em jornalismo. O texto online é curto e assertivo, mas isso não quer dizer que contratar alguém “que sabe escrever” (e no fim nem sabe) vale mais que um jornalista. Isso diminui a esperança de um verdadeiro apaixonado pela área (e que pode fazer o trampo mil vezes melhor).

 

Como uma jornalista apaixonada por blogs, só me restou o Random Girl para amenizar um pouco a frustração. Tudo o que falo por aqui não é considerado jornalístico, mas eu amo. Na faculdade, me dei mal por não ter essa liberdade de escolher minhas pautas, justamente porque na vida real as coisas funcionam desse jeito. Você trabalha em nome do veículo. Se o editor-chefe lhe manda para a editoria de esporte, você tem que ir e acabou. Odiando ou amando. Eu dançaria, pois não gosto, nem de política e nem de economia. Me irritava ter esse tipo de assunto em todo trabalho da faculdade. Não entendia como as pessoas ficavam felizes. Sempre fui a mais torta da sala, fato.

 

Minha vida como redatora online me fez enxergar que de jornalista eu não tinha nada, e eu já contei os motivos disso aqui no blog. Muitas pessoas acreditam no webjornalismo pelos motivos errados, como qualquer viés dessa carreira. Há quem ainda ache que trabalhar diante do computador, com internet free, é só ficar sentadinho, esperando a pauta cair no colo, escrever e depois ir pra casa. Claro que não. Em redação de veículo online há profissionais acordados na madrugada, abandonados nas redações à espera de algo quente para ser noticiado. O mesmo acontece com jornal impresso, TV e com Rádio. Não é porque se trabalha com internet que a vida do jornalista fica mais fácil. Não mesmo.

 

O problema é o que disse na abertura deste post: o jornalismo de agora é descuidado. Seria por causa da internet? Não sei, mas ela influencia. As pessoas estão mais preguiçosas e os tais jornalistas estão no mesmo ritmo. O desleixo é imperdoável, bem como ver profissionais em postos importantes assinando textos vergonhosos. Por isso, nunca cansarei de dizer que jornalismo é para os apaixonados. Que estão dispostos a fazer de tudo mesmo para ingressar na carreira.

 

Para os jornalistas, eis o apocalipse: Jornalismo vai com Deus

Stefs
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  • Marcos Farias

    caramba, você parece ser muito inteligente e concordo que a notícia hoje em dia ta muito porca, muitas vezes os “jornalistas” postam mentiras, notícias sem nexo, e sem fonte alguma.
    e muitas pessoas nem se preocupam se a notícia é verdadeira, ou se preocupam mas tem preguiça de pesquisar, você tem razão, a Internet deixou as pessoas preguiçosas.