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01/jul

Faz um bom tempo que não comento nada sobre o We Project, né? Hoje é um bom dia para postar algo sobre o assunto, embora não tenha muito que dizer. Passei os últimos meses focada em alguns projetos, tudo ao mesmo tempo, e não sei como não enlouqueci. Agora, estou naquela vibe de adiantar tudo o que posso para começar a procurar emprego. Afinal, abandonei o ganha pão para deixar todas as minhas armas engatilhadas. Jamais que isso aconteceria se eu estivesse duelando com minhas versões “profissionais”. Isso comprometeria demais o meu foco e me deixaria muito mais desesperada.

 

O que posso dizer é que os últimos meses foram cheios de luz e trevas. Foi complicado manter as coisas dentro do cronograma. Em maio, consegui terminar a 2ª parte do We Project, fiquei órfã pela milésima vez, e me dei o direito de tirar 1 semana de férias justamente por ser a semana do meu aniversário. Em junho, comecei a escrever a 3ª terceira parte. Meu tempo começou a correr muito rápido, pois não planejo ficar o ano todo desempregada. Até porque sinto falta de fazer coisas diferentes. Não que eu não goste da oportunidade que provoquei, ainda não estou no aperto financeiro, mas eu sou uma pessoa que gosta de aprender.

 

É engraçado ver com o passar dos meses como minha escrita amadureceu e tudo mais, como também ver que as coisas ficam mais complicadas. Para mim, o desafio nem é mais escrever, mas lidar comigo mesma. Eu passei a ser mais detalhista e mais apegada. Não consigo seguir em frente sem dar uma olhadinha para trás. Atualmente, estou na fase de edição de um projeto enquanto escrevo outro. O mais legal é sempre chegar ao fim e saber que, literalmente, não é o fim, mas um aval para outro começo. É fácil sentar e colocar todas as ideias no Word. O dilema é voltar e reler para fazer as tais mudanças da reescrita. Só em quase 2 anos tenho 3 versões das duas partes do WP. Cada finalização é um respirar aliviado, claro, mas não dá para sair da Matrix sem pensar no que vem depois. Engana-se quem diz que a 1ª versão é sempre a única. É muita tendinite, muito estresse, muito conflito… Eu sou assombrada pelos meus personagens todos os dias.

 

Uma coisa que sempre acreditei e moldei na minha época de ficwriter é a confiança no poder dos meus dedos. Eu fico pasmada quando as coisas simplesmente se encaixam sem eu ter planejado nada. Nada disso vem de graça, claro, pois, às vezes, eu me vi empacada. Minha arma vital? Deletar! Enquanto escrevia a 2ª parte do WP, pensei várias vezes em pedir arrego. Tudo estava arrastado, meus protagonistas um porre e achei seriamente que eles estavam infectados pelo meu azedume. Simplesmente fiz o que faço de melhor: deletei tudo e comecei de novo. Sim, tem que ter sangue frio para fazer isso. Só sei que se é para fazer, tem que fazer direito, nem que eu tenha que apagar o trabalho de meses. Digo isso porque tentei empurrar o mesmo manuscrito sendo que ele já tinha parado de fluir. Juro! Deletar é uma sensação libertadora, mas só faça isso se você for imune a arrependimentos.

 

Eu já contei aqui no blog, mas vou dizer de novo: eu saí do emprego para tomar conta daquilo que aprendi duramente a acreditar. O que encontrei no trajeto foi muita gente pessimista, especialmente nos grupinhos do Facebook. Por isso, é importante absorver o que vale a apena e ignorar o resto.  Se é uma coisa que me tira do sério é arrogância literária, mas chamo isso de recalque.

 

Enfim, era fevereiro quando comecei a mover meus projetos literários. Full-time. Mal posso acreditar que já se passaram 5 meses. É muita coisa e eu acho que tenho pouquíssimo material. Às vezes, acho que não me esforcei o bastante e acho que não escrevi o suficiente. Não é à toa que chamo meus textos de projetos literários da depressão. Até digo que sinto falta da rotina de me estressar com o transporte público e de encarar chefes doidos quando estou virada no jiraya. O confinamento tem sido agridoce, mas quem disse que as coisas vêm fáceis, não é? Só saberei se deu certo quando quebrar a cara, isto é, quando mandar um desses filhos para publicação. Aí sim terei muito que amargurar.

 

Vou resumir mais ou menos o que aconteceu em cada mês de produção, de tendinite e de dias em que os personagens me odiavam (e eu os odiava em troca).

 

Fevereiro

 

Um mês de 28 dias que mais parecia ter 50. Pior mês! Nunca pensei que fosse detestar fevereiro. A coisa mais legal que aconteceu foi a Semana Esther e eu juro que entendi que o universo me dava sinais de que minha real “profissão” é ser blogueira, pois foi um mês muito bom para o Random Girl. Já na vida de escritora wannabe, a coisa toda foi uma tristeza. Tentei publicar um conto, não rolou. Tentei fazer um curso para escritores e também não rolou. Experimentei os complexos de escrita de novo e não foi nem um pouco legal. Afinal, eu passei por isso na faculdade e no estágio. Senti-me mergulhada no pesadelo em que todos rasgavam meus textos, bem cena de filme adolescente.

 

Como resposta, comecei a dar conta de muitas coisas ao mesmo tempo, ao ponto de quase não conseguir erguer o braço. Tudo estava indo bem, até sentir que não rendia. Eu tinha páginas e páginas – vejam bem –, mas a caverna do demônio que é minha mente me dizia que era muito pouco. Assim, comecei a cortar prioridades. Dei atenção ao DP (Deprê Project, senhoras e senhores) porque era uma questão de primeira edição. Lutei contra a 2ª parte do WP até deletar tudo e começar de novo. Claro que isso só foi acontecer em março.

 

Março

 

O abandono me rendeu uma culpa danada. O WP é meu filho, mas não é o primogênito. Porém, é o mais querido por incontáveis motivos, especialmente por pertencer a um gênero que nunca escrevi na minha vida. Por isso ele é tão difícil em certos momentos. Toda mãe tem o filho problemático e o WP representa muito bem isso.

 

Em meus momentos de desespero, absorvi um aprendizado assinado por Stephen King de não ficar mais de 3 meses com a mesma história. De fato, ao menos para mim, empacar com um projeto por muito tempo é o mesmo que anunciar que algo está errado. Juntando todas as minhas experiências com o WP, antes escrevia enlouquecidamente e terminava cada parte em 1 mês e alguns dias. Literalmente, era uma máquina. Agora, dei uma freada. Escrever é a parte fácil, difícil é voltar tudo de novo – e incontáveis vezes – para acertar milhões de coisas. Eu detesto revisão, nunca escondi isso, mas editar é ainda mais chato. O resultado final é ver como a história muda, desde alterar o nome de um personagem que pode conferir novos ares até desistir daquela ideia que você tanto acredita… Só descobertas.

 

Depois de ter deletado a 2ª parte do WP, fiz outro outline. Como disse, não foi difícil apagar tudo, porque fiz isso na 1ª parte do WP. A diferença é que comecei do zero, sem pegar anotações passadas ou deixar aquele parágrafo lindo de garantia. Estudei muitos tópicos pertinentes, assisti séries e filmes que me deram bons insights. O mais engraçado é fazer isso sozinha. Se eu já falava com as paredes, isso tem acontecido com mais frequência. Meu quarto se chama The Writer’s Room onde debato comigo mesma e meus personagens o que diabos eu tenho que fazer agora. No fim, voltei mais focada e com sangue nos olhos.

 

Abril e maio

 

Tendinite. Acho que isso resume o quanto sangrei os dedos no teclado. Foi trabalhoso, me consumiu muito tempo, rendeu muito estresse e muitos dias de raiva, mas consegui terminar a 2ª parte do WP dentro da regra dos 3 meses. Eu poderia ficar feliz, mas outras preocupações começaram a bater de frente comigo, justamente por participar de alguns grupos para escritores que mais atrapalham que ajudam. Eu ainda não penso em publicação. Minha metade sempre pergunta se sai alguma coisa este ano e a resposta é não. Eu saí do emprego para deixar minhas munições nos conformes, mas, além de sonhar em ser publicada, eu tenho outros sonhos também – como ver o show da Céline Dion. Eu não tenho pressa, pois sei o quanto sou chata.

 

Se um texto de blog eu reviso quase 10 vezes antes de colocá-lo no ar, imagino que meus projetos literários só estarão perfeitamente revisados em 365 dias ou mais. Como dizem que o auge vem aos 30, posso malhar mais 2 anos para chegar até lá. Vai que…?

 

O dilema é que andei lendo algumas coisas sobre publicação que, ao invés de me darem confiança, me afundaram por 1 semana. A sorte é que eu tinha terminado o que tinha para escrever, senão, me entregaria à vida da amargura. Eu não vou lembrar o que mais me chateou, mas a pauta mais comentada é sobre a falta de reconhecimento do escritor nacional que é facilmente pisado por um best-seller da gringa. Nada contra, pois sei que há autores tupiniquins bem-sucedidos, mas é um pedala para chegar lá. Não que eu queira ser a pessoa mais incrível da literatura, nunca foi o meu desejo, pois se é uma coisa que detesto é arrogância desse tipo. O que me deixou meio mal foi o seguinte pensamento:

 

Passei dois anos e mais alguns meses escrevendo com que fim? Eu não tenho a menor chance.

 

Fiquei 1 semana sem fazer nada por causa disso. Sim, há pontos dos quais sou totalmente abalável, especialmente quanto às coisas que eu faço. Eu dou meu melhor e não aceitaria receber uma cuspida na face. Tudo porque eu confio e vejo potencial no WP e no DP.  É Brasil. As coisas são mais difíceis por aqui. Editoras priorizam os gringos. Contudo, acho que esses empecilhos tornam o desafio interessante. Nada como querer provar aos escritores pessimistas que o problema não está no mercado, mas com eles.

 

Quando digo que tinha vergonha dos meus textos é porque é a mais pura verdade. Ainda tenho, se querem saber. Às vezes, me pergunto como consegui me sentir tão à vontade em falar de certas coisas por aqui e receber muito carinho em troca. Aprendi a duras penas a dar mais valor ao Random Girl, como também busquei força não sei de onde para acreditar que ele poderia voar. Só sei que meus pontapés iniciais são com base em pensamentos pequenos. Não montei um blog para ser popular, mas para ser lido. Eu não escrevo para ser best-seller, mas para ser lida.

 

As críticas negativas sempre me provocam o desejo de provar o contrário. Minha luta na faculdade foi basicamente desse jeito. Nunca sei de onde a força vem, mas, ao longo desta vida, já esfreguei minha capacidade na face de muita gente e com muito prazer. O peso vem ao se pensar que todas aquelas páginas podem não chegar a canto algum. Podem. Isso não quer dizer que não vão. Ao menos, não ainda.

 

Outra coisa que aprendi ao fazer um projeto forever alone: lidar com pensamentos negativos. Nem a Demi Lovato sabe o que tô passando…

 

Agora

 

Eu larguei meu emprego para escrever. Minha meta no 1º semestre era colocar tudo em dia, deixar tudo no ponto para que, quando surgir um emprego, eu possa dar conta com mais calma. Agora, estamos no início do 2º semestre e minha cota está no fim. Dá até um frio na barriga pensar desse jeito. Pior que os infortúnios começaram, como estar resfriada enquanto faço este post, algo que me deixa baqueada e sem ânimo. O deadline está mais estreito, mas o objetivo é terminar até o final de julho o que coloquei no cronograma.

 

Eu não me arrependo de ter abandonado meu ganha pão, mas fiz isso com planejamento. A vida dupla foi ótima, mas me deixava exausta. Muitos me perguntam como é chutar o balde, mas não colocaria o que fiz dessa forma. Eu não levantei e corri para a gerente a fim de anunciar minha demissão. Eu pensei nisso durante 5 meses. Juntei dinheiro por não saber ainda se estava confortável com a ideia de sair do emprego. Eu sabia que precisava de novas experiências, mas pedi muitos conselhos para ter certeza de que não estava prestes a cometer a maior burrada da minha vida.

 

Cheguei até a testar minha mãe e, quando ela disse ok, o céu foi o limite. Até meu pedido de demissão foi planejado, pois dei um prazo de 30 dias para arrumarem uma pessoa para assumir minha cadeirinha. Sim, eu estava doida para sair e dar aval a uma das coisas que mais almejo, mas não foi um ato de rebeldia. Eu não chutei o balde. Aguentei até o fim para me preparar para a aventura seguinte.

 

Nesses meses, aprendi os meus limites. Aprendi a amar mais meu braço. Eu parei de me cobrar tanto como fazia em fevereiro. Simplesmente deixei a coisa rolar. Nos dias da semana, escrevo os projetos e nos finais de semana descanso. Comecei a fazer horário comercial das 8h às 18h para dar conta não só dos capítulos, mas do blog também. Ser escritor não deixa de ser uma carreira. Acho que nem ser blogueira, né? Hahaha

 

Meu prazo de desemprego está basicamente no fim, pois já tenho o objetivo de voltar ao mercado e encarar a vida dupla. Como disse, não tenho pressa em correr atrás de publicação. Eu comecei a levar isso a sério há dois anos e acho que posso segurar por mais tempo.

 

Aos que escrevem, continuem a fazer isso. Sei que haverá os dias negros, mas eles servem de muita coisa, como para reajustar os plots dos personagens.

 

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Stefs
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