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11/jul

Como prometido, vou falar da 2ª temporada de Bates Motel. Posso dizer que fiquei um tanto quanto decepcionada? Depois de dar uma busca no Twitter, fiquei até um pouco aliviada de não ter sido a única a ficar meio insatisfeita. A série mostrou um potencial tremendo ao longo da 1ª temporada, o bastante para retornar e trazer uma nova história arrebatadora. Minhas expectativas estavam altíssimas e pergunto-me o que diabos aconteceu. Não foi totalmente ruim, mas, pelo tipo de premissa que a série possui, esperava superioridade. As tramas que envolveram os personagens foram tão arrastadas que deram a entender que BM tentava se restabelecer. Do que, eu não sei. O que valeu foram as atuações do Freddie e da Vera, dois atores que retornaram mais fortes, com interpretações de tirar o fôlego. O único momento que a temporada me deu esperança de que seria ótima foi no primeiro episódio. Daí, morreu!

 

A 2ª temporada de Bates Motel se inicia 4 meses depois do que aconteceu com Blair, a professorinha que não passava de uma safadinha. As coisas estão ótimas na vida da família Bates, o hotel é point lucrativo e mãe e filho são só sorrisos. Claro que isso desmorona por causa do desvio que pode comprometer o negócio de Norma e por causa dos apagões de Norman, um detalhe que tem foco total nesta temporada. Os dois personagens honram mais uma vez a necessidade de estarem grudados o tempo inteiro, mas houve uma intenção maior em separá-los. Esse é um ponto bem interessante, pois, por causa dessa obsessão protecionista mútua, Norma e Norman tentam encontrar a própria individualidade. A atitude não dura muito porque ambos são bitolados um no outro, daquele jeito bem doentio mesmo. O bacana é que ambos rendem implosões fantásticas nos diálogos e no comportamento, onde o amor obsessivo da mãe vs. filho ganha nuances mais profundas.

 

A inclusão de rostos frescos incumbiu em novos desafios para os Bates. Christine surge na vida de Norma como um anjo da guarda, que não só se torna uma parceira para impedir que o desvio seja finalizado, como uma porta para um estilo de vida do qual Norma não está habituada. Isso faz a personagem mudar de um jeito que incomoda Norman, especialmente quando se envolve com um novo boy. O plot da mama Bates só fica mais interessante quando o irmão dela surge, o que traz a pauta de assédio sexual e da verdadeira paternidade de Dylan. No mais, Norma fica envolvida com politicagens que geram cenas engraçadas, nada mais que isso. O que salvou a temporada foram os ótimos confrontos dela com Norman, sem dúvidas.

 

Norman continua como ponto de conflito e é só por causa dele que há momentos intensos e instigantes na trama. O personagem tenta impor a própria voz e não tem mais tanto receio de confrontar a mãe. Ele chegou a um ponto que não podemos mais cogitar qual será seu próximo passo, justamente por causa dos apagões que influenciam na mudança de personalidade. O menino franzino da 1ª temporada já não existe mais, pois ele deixa de ser passivo para ser agressivo. Tudo porque o personagem abre a temporada sentindo o impacto da incerteza de ter matado ou não a professorinha, mas isso não o impede de ter as vivências adolescentes. O que intensifica a negatividade em torno de Norman é Cody, nova personagem que gera muitos problemas, especialmente por ter sérios desentendimentos com o pai. Inclusive, ela também é responsável em mexer com os desejos sexuais do adolescente, um ponto delicado e oprimido pela mãe que continua a assombrá-lo com o certo e o errado.

 

Norman ganhou um pouco mais de desenvolvimento nesta temporada, como o gosto por taxidermia e o que virá a ser o maior problema dele: a dupla personalidade. Tenho que dizer que Freddie está sensacional. A atuação dele, especialmente nas cenas de confronto com Norma, é de inflar o peito de orgulho. Novamente, o ator honra o jeito desequilibrado, perigoso e traiçoeiro desse personagem tão aclamado. Essa dualidade é a cereja da temporada. Por mais que tenha sido fraca, eu mal posso esperar pelo que está por vir só por causa do cliffhanger do season finale. Além dos surtos, Norman permaneceu ótimo na posição de cercar a mãe, como também de demonstrar o quanto está disposto a viver longe dela.

 

Quem ganhou destaque na temporada foi Dylan, cujo plot principal girou em torno do trabalho dele. Tenho que culpá-lo pela trama maçante. Até entendo o foco no irmão/filho renegado, pois pouco foi apresentado sobre ele. Ao contrário do que aconteceu na 1ª temporada, com artimanhas pesadas em torno da mudança de Norman e Norma, a atenção agora é no modus operandi da cidade que envolve famílias que dominam o tráfico de maconha. Dylan é responsável em guiar o tema. Até o papel do Detetive Romero fica um pouco mais claro (ele é meio o Voight de Chicago P.D). Essa abordagem foi legal, mas tirou o foco familiar. Claro que dar atenção à Norma e ao Norman seria repetitivo, mas esse problema de “gangues” poderia ter sido mais desconcertante, como o tráfico sexual de mulheres na temporada passada.

 

Por mais que a tentativa é manter a série viva com outros vieses, isso poderia ter acontecido como na trama passada, onde o sexo estava interligado aos desejos que Norman oprime por causa da censura da mãe. A única ligação do plot de Dylan com os Bates foi o irmão de Norma dito como assediador, mas o assunto ficou por isso mesmo para dar espaço para a rixa entre Zane e Nick, os reis da maconha.

 

O clima da temporada aperta mais nos últimos episódios porque Norman fica em uma saia justa. O season finale foi banhado de mistério, de aflição, de medo, pois ele está prestes a ser desmascarado pelo que aconteceu com a professorinha. O plot twist foi demais. Fora isso, houve muita enrolação, um erro ao se apoiar em apenas um assunto sendo que Norman e Norma poderiam receber mais desafios que tivessem a ver com a vivência deles. Mesmo com alguns rompantes de caos, até os personagens menores não tiveram muito que fazer, como a Emma que mudou bastante (e está linda de viver!), rendendo cenas engraçadas e ousadas. A saída de Bradley me deixou tão feliz que nem consigo me expressar. Até o policial Romero ficou um pouco de lado, mas ele conseguiu esquentar a treta entre as famílias. Devo dizer que shippo ele com a Norma tão hard que não vejo a hora deles se envolverem.

 

A 2ª temporada de Bates Motel fugiu do drama familiar focado nos protagonistas e perdeu grandes chances de aprofundar a história deles, especialmente os problemas psicológicos. Dylan se saiu bem, pois ele precisava se enquadrar de novo, mas a storyline da qual ele mergulhou não rendeu resultados impactantes. Cada episódio era um mais morno que o outro, não envolvia, parecia mais longo que o normal e chegou a ser cansativo. Freddie e Vera voltaram a oferecer o melhor da loucura dos personagens e, mais uma vez, não tem como negar que BM vale por causa desses atores que sempre surpreendem.

 

No mais, foi muita enrolação para 10 episódios, nada promissor. Porém, a conclusão gerou curiosidade com relação ao futuro do Norman que agora sabe como funciona o seu mojo.

 

PS: Como viver depois desta performance maravilhosa?
Bates Motel contará com uma 3ª temporada. E estou ansiosa, porque sim.
Stefs
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