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21/ago

Faz tempo que não faço uma resenha de livro, né? Pois cá estou eu! Hoje, compartilharei do meu amor por thrillers policiais, o que me faz sentir ainda mais o peso da idade. Estou em uma fase que não consegue ficar de fora de qualquer universo que inclui detetives e agências de inteligência. Por isso, apresento para vocês meu mais novo amor de prateleira: A Síndrome E. Assinado pelo francês Franck Thilliez, esse é o terceiro título (calma que explico) de uma série protagonizada por Franck Sharko. Quem gosta muito de casos policiais aterrorizantes e nojentos, com muitas incógnitas que deixam os neurônios bombando, está aqui uma ótima dica de leitura.

 

Já deixo avisado que não se trata de mais uma história que envolve um serial killer à solta na cidade ou aqueles suspenses que a vítima não é realmente a vítima. A Síndrome E envolve duas tramas paralelas que se encontram, de cunho médico e cinematográfico, apoiadas basicamente em um interesse um tanto quanto inusitado aos olhos de alguns: a influência de imagens no cérebro a fim de compreender certos padrões de violência/agressividade. O enredo é muito intrigante, especialmente porque o autor fez a lição de casa, indo da neurociência até mensagens subliminares. Coisas das quais não me interessam nem um pouco (mentira!).

 

Um pouquinho sobre A Síndrome E

 

O livro é um thriller médico/policial que possui duas storylines, que com a evolução da trama se torna única, narrado em 3ª pessoa. A história garante uma viagem pela França, Cairo e Bélgica, uma transição investigatória que acontece no ponto de vista dos seguintes protagonistas:

 

* Comissário Sharko que retorna ao trabalho depois de uma licença médica e é “bem-recebido” por um caso de dar arrepios – homens enterrados sem os olhos e os crânios em uma profundidade esquematizada.

 

* Detetive Lucie tem as férias interrompidas ao ser imersa em um chamado inusitado – o ex-namorado, Ludovic, alega que ficou cego depois de assistir a um filme dos anos 50.

 

Adendo importante: Thilliez já escreveu sobre esses dois personagens separadamente. Este é 1º livro em que se encontram.

 

Uma curiosidade: Lucie conta com dois títulos antes de A Síndrome E. Nenhum traduzido por aqui.

 

 

O plot central de A Síndrome E gira, essencialmente, na busca do entendimento na relação entre imagem e cérebro, um jogo que mistura não só sadismo de pesquisadores ensandecidos pelo saber como teorias da conspiração e mensagens subliminares. O que achei maravilhoso no enredo desse livro foi ter a certeza de que o autor fez a lição de casa ao criar uma situação fundamentada em questões científicas profundas até demais. Isso pode deixar quem lê meio perdido. Há referências sobre cinema, neurociência, psicologia e comportamento humano, fatores que têm extrema influência na investigação de Sharko e de Lucie.

 

Não teve um momento que não me deixou de boca aberta. Fiquei imersa com a preciosidade de informações que jamais buscaria um maior entendimento. Isso é um ponto extremamente positivo, pois Thilliez não se preocupou apenas em criar um plot policial. Ele elaborou uma teia muito consistente que permanece com os nós atados até as páginas finais. Claro que é bem provável que um leitor ache a aulinha sobre a relação entre cérebro e imagem bem maçante por causa do tom professoral. É bom e ao mesmo tempo ruim, mas juro que basta ler com muita calma para se deliciar. Não sabotem o assunto que é o coração do enredo, por favor!

 

Conforme as descobertas acontecem, mais a trama se estreita, ficando tensa e avassaladora, surpreendendo, especialmente no quanto o ser humano vai longe para comprovar uma tese (que não propicia em nada o bem-estar da humanidade). Eu sou uma pessoa que ama teorias da conspiração e mensagens subliminares. Isso tornou A Síndrome E um achado, especialmente em um período que estava sem ideias para prosseguir com o We Project. Não se trata de um assassinato ou de uma intriga. A trama vai muito além e termina com novas reticências que abrem brecha para o próximo livro.

 

Fiquei maravilhada e é em horas como essa que me pergunto porque não me joguei em ciências (especificamente Biologia). É minha paixão enrustida (só porque a escola me deixou traumatizada e eu quis provar o contrário, algo que aconteceu na época do cursinho).

 

Pontos positivos e negativos

 

A Síndrome E foi lançado pela editora Intrínseca fora da sequência. Ele é o terceiro e os antecessores não foram traduzidos. Isso afeta a leitura? Não, pois a história tem um curso independente. Gataca é o 4º título (e chegou por aqui também), o que preenche as reticências que ficam entre Lucie e Sharko no volume anterior.

 

No geral, não captei tantos pontos negativos. Talvez, para quem está acostumado com thrillers policiais/médicos que rendem pancadaria em cada capítulo, A Síndrome E pode ser considerado um livro que “enrola”. Isso não o faz desagradável, mas minucioso, como qualquer diagnóstico e investigação devem (ou deveriam) ser. Admito que a trama demora um pouco para engatar, mas, quando os protagonistas se encontram, tudo flui que é uma beleza.

 

A parte boa é que os capítulos são de poucas páginas, o que não dá a sensação de ler a mesma coisa eternamente. O autor conseguiu equilibrar muito bem a storyline dos protagonistas, abrindo espaço até para um pequeno romance. Sharko é um ogro adorável, dono de uma competência que rendeu sérios problemas de saúde. Em contrapartida, Lucie é uma mulher pacata e meio sem graça. O brilho dela vem na companhia do Comissário. Para quem tem Eve Dallas (da série Mortal da Nora Roberts) como referência, o máximo que exijo em histórias desse gênero é que a mulher seja avassaladora. Lucie não é ruim – isso quer dizer que ela não é daquelas intrometidas e insistentes, tipo a Carrie da série Homeland (chata!). No final, ela mostra seu talento.

 

Por que gostei tanto?

 

 

Eu gosto de ler assuntos que abordam a crueldade do ser humano. Eu não sou maluca, ok? Acho que curto ficar impressionada para ter pesadelos depois, só pode. A Síndrome E é um livro assombroso à sua maneira e eu gosto de coisas assombrosas. O título proporciona aquela sensação interminável de que tudo dará errado, de que o inimigo prosperará. Outro ponto que me cativou foi a forma com que Thilliez desenvolveu os protagonistas, ambos detentores de fantasmas pessoais e que se ajudam em meio à obstinação de dissolverem o caso. Os protagonistas são humanizados, não máquinas justiceiras.

 

Acima de tudo, é um livro adulto. Tem até cena – leve – de sexo. Ele não é assustador, mas garante uma reflexão em torno da síndrome E. Para os fãs do pior lado do cinema e da medicina, está aqui um prato cheio. Tudo é muito real. O encaixe perfeito entre teorias e elementos menores faz a trama crescer e ter uma conclusão de deixar os cabelos em pé.

 

Sequência dos Livros:

 

Train d’enfer pour Ange rouge
Deuils De Miel
A Síndrome E
Gataca
Atomka

 

 

Na Prateleira
Título: A Síndrome E

Autora: Franck Thilliez
Páginas: 368
Editora: Intrínseca

Stefs
Postado por:       

       
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • heyrandomgirl

    Pois leia, prima. É formidável <3

  • Karla Kelvia

    Água na boca para ler este livro define o que sinto ao acabar a leitura da resenha 😀