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22/ago

De uns tempos para cá, pensei em algo para o blog que pode ser legal não só para mim, como para vocês. Uma das coisas que tenho muita vontade é trazer resenhas de filmes antigos, de um jeito simples e básico (ao menos tentarei, pois não tenho o dom de escrever pouco). Considerando o que tenho na minha “locadora”, resolvi que, uma vez por mês, retirarei um filme de lá para compartilhar aqui na casinha. Talvez, apresentar meus vícios cinematográficos renderá um pouco de nostalgia (especialmente para quem curtiu os anos 90).

 

Para começar, hoje trago Meu Primeiro Amor (My Girl), aquele filminho que deve ter passado a mesma quantidade de vezes que A Lagoa Azul na Sessão da Tarde. Anos depois, o filme ainda me faz chorar que nem um bebê, juro!

 

Meu Primeiro Amor é um drama que foi açoitado pela crítica, mas não perdeu sua intenção de marcar quem assiste. Quanto mais o tempo passa, mais especial ele se torna. Na época, Macaulay Culkin estava no auge da carreira por causa de Esqueceram de Mim e celebrava uma indicação ao Globo de Ouro. Jamais passaria na mente das pessoas que, depois de Thomas J., o ator desapareceria. O mesmo vale para Anna Chlumsky, a Vada, totalmente esquecida pelo mundo do entretenimento. A última vez que a vi foi em Hannibal, série da NBC. Jamie Lee Curtis, maravilhosa como sempre é, fez parte dessa história na flor da idade, garantindo seu espaço de boa mãe em adaptações do gênero comédia (e de objeto de desejo de Mike Meyers, o vilão do terror Halloween).

 

A trama se desenrola na Pensilvânia, em 1972. Vada é quem nos norteia por essa história que nada tem de amorosa. Ao menos, não para mim. Na verdade, é tudo sobre primeiras vezes. Até acredito que as péssimas críticas vieram por causa dessa falsa promessa de que sentaríamos para ver duas crianças descobrindo o primeiro amor. De fato, a ideia de se apaixonar acontece, mas não como o esperado, considerando o título em inglês e em português. A premissa gira em torno só da garota que tropeça nas diferentes formas de amor, como também no receio da morte.

 

Vada tem 11 anos. Para uma criança de poucos amigos, ela é bem enxerida e uma grande rebatedora de argumentos (devolvendo sempre com novas perguntas). Sem contar que ela tem uma mente adulta e, como a personagem mesma diz, suas conversas só se desenrolam com pessoas intelectualmente estimulantes. Vada soa como uma garotinha inteligente e sacal, mas tem lá suas carências, como a falta de atenção de Harry, o pai. Seu lar também não é dos melhores por abrigar uma funerária. Esse é um ponto relevante para o enredo de Meu Primeiro Amor, pois justifica a obsessão da protagonista pela morte e pela impressão de estar doente o tempo todo. A menina não hesita em recorrer ao médico, impulsionada por dores e sensações que não existem. Para pouca idade, Vada é uma hipocondríaca, daquele tipo que se decepciona por estar saudável.

 

Quem surge com a promessa de mudar esse quadro é Shelly, a maquiadora, que acrescenta novas nuances para a vida de Vada. Ela passa a ser uma referência feminina, algo que a protagonista não tem por causa da perda da mãe.

 

A garotinha, petulante para alguns e adorável para outros, lida com muitas coisas ao mesmo tempo e as mudanças nos arredores são motivos para indagações. Ela não consegue entender as razões de nunca estar doente, do seu pai se envolver com Shelly e de Thomas J. ter uma vida tão regrada por causa da “alergia dele a tudo”. Sem contar que Vada não consegue acompanhar o ritmo das garotas da sua idade, andando com os meninos, o que a torna um pouco mais cheia de si. A vivência dela se resume ao mundo dos adultos e isso fica escancarado quando ingressa nas aulas de escrita criativa. É lá que conhecemos o seu primeiro amor, o professor, e é engraçado vê-la no meio de pessoas que possuem o dobro da sua idade.

 

Vada faz as coisas por instinto por não ter referência de quase nada e é aí que Shelly exerce seu papel de importância. A maquiadora norteia a protagonista, especialmente ao perceber que Harry não dá tanta bola para a filha por achar que tudo está bem. Detalhes que Vada nunca deu atenção (ou não fazia ideia que existia), como primeiro beijo e primeira menstruação, mostram o quanto essa menina é perdida por não ter uma figura materna.

 

Em meio aos costumes e ao estilo dos anos 70, Vada sai da bolha e passa a ver a vida de um ponto de vista diferente. Mesmo com tantas descobertas, especialmente trazidas por Shelly, o filme preserva a inocência de Vada até o fim. A personagem não percebe o quanto Thomas J. a ama, pois está mais preocupada em “conquistar” o professor. O que o melhor amigo sente é puro e genuíno. Não tem como não surtar quando ele pede à Vada para considerá-lo se o “romance” com o crush dela não der certo. É o máximo que se chega do 1º amor e o sentimento é de via única, pois Vada não é recíproca.

 

Meu Primeiro Amor é sutil na amizade entre menina e menino. Tudo é muito especial e que me deu até saudade quando tinha um BFF. O “pacto” de irmãos de sangue era muito comum na época (até meados dos anos 90, se não me engano), atitudes pequenas e significativas. O filme não necessariamente é o que a capa aparenta, pois, em uma opinião particular, acredito que a trama dá mais peso à morte por ser o maior pesadelo de Vada. Para uma pessoa que vive praticamente dentro de uma funerária, é fácil pensar que ela lidaria melhor com perdas. Porém, por debaixo da casca grossa, Vada é muito frágil. Para realçar isso, temos o falecimento ao acaso de um dos personagens (que todo mundo sabe quem é). Vada desmorona e fica em estado de choque (e quem assiste também. Choradeira sem fim!).

 

Mesmo com certo apelo infantil, Meu Primeiro Amor tem referências sexuais e conversas sobre puberdade, o que exigiu que muitos pais na época autorizassem os filhos mais novos a assisti-lo. Claro que a estrela do filme sempre será Macaulay Culkin que, com poucas cenas, consegue ser mais querido que a Vada. O papel dele é um apoio à trama e é onde habita aquele amor gostoso da infância. Por mais que o enredo gire em torno apenas da garota, é o garoto que rouba a cena. Não é à toa que nas resenhas da época só se falava no Culkin.

 

O filme contou com uma continuação, Meu Primeiro Amor 2. Não recomendo.

 

Meu Primeiro Amor: uma nostalgia

 

É engraçado sentar e rever um filme depois de tanto tempo. Meu ponto de vista meio que mudou, pois o vi quando era adolescente. Meu Primeiro Amor foi lançado em 1991, mas me lembro como se fosse ontem a primeira vez que o aluguei. Quando assisti, fiquei com aquele gosto de reticências, pois esperava um romance juvenil, e não é bem isso. A proposta é totalmente diferente. Sim, há o amor entre duas crianças, mas cada uma sente isso à sua maneira, não necessariamente de uma para a outra. A moral da história não chega nem perto da promessa de um plot amoroso, mas sim do processo de lidar com a morte e, claro, das primeiras vezes.

 

O filme possui muitos subplots que afetam Vada. Dá a impressão de que ele é muito longo por causa do encaminhamento dos fatos. Quando o cliffhanger acontece e recebe uma conclusão, os créditos sobem e só sobram as lágrimas. Após o impacto da perda, a personagem começa a ter as respostas que mais queria, especialmente sobre a mãe. Literalmente, Vada aprende por meio da morte. Sua escrita muda, suas amizades mudam e seus problemas pessoais se aliviam. O luto e a dor funcionam como um balde de água fria que a faz sair do platônico. No fim, ela percebe que nem tudo acaba em dado momento, pois a vida é uma montanha russa inconstante.

 

Meu Primeiro Amor tem um carinho muito especial na minha locadora.

 

O vídeo pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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  • heyrandomgirl

    Ai quem não chora, né? Não adianta, esse filme tem uma coisa que mexe com a gente de uma forma tão automática que sempre me choca. É como estar lá no lugar da Vada e ver o mundo desmoronar de uma hora para a outra. É muito comovente, mesmo que o cutucão venha praticamente nos minutos finais. Porém, é o bastante para vermos como o papel da morte é fundamental para muitas coisas mudarem, especialmente para a personagem que vivia em uma espécie de bolha, cheia de escolhas limitadas e com uma vida mais limitada ainda porque o pai não ligava mto.

    É aprendizado puro esse filme, de um ponto de vista sutil e inocente. Não tem como não amá-lo.

    Ownnn agora preciso escolher o próximo. Pode ser bom ou ruim porque tem mta tranqueira aqui Hahahahaha

    Beijosss! <3

  • Thuany Ramella

    Sou suspeita para falar desse filme, pois está na minha lista "Top 10 de filmes favoritos"!
    Gosto da forma pura como ele retrata o amor/amizade entre duas pessoas, pois retrata também que não necessariamente se tornará um amor/romance, como vemos de monte nos filmes de hoje.
    É um bom exemplo também de como não estamos no controle de nada, pois a qualquer momento tudo pode mudar sem você querer, e a morte desempenhou esse papel no filme, tanto com a mãe como com o T.J.

    Choro litros todas as vezes que assisto, assim como você mammy!!

    Adorei a iniciativa da Locadora Aleatória, acabou de ganhar uma leitora fiel desse post :)

    Beijos mammy