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27/set

Quem morreria? Essa era a única questão que rodeava a season premiere da 3ª temporada de Chicago Fire. Sem dúvidas, fui uma daquelas que amargurou meses antes do retorno da série na tentativa de adivinhar em cada foto promocional quem continuaria no 51º Batalhão. Foi muito difícil engolir a possibilidade de que alguém da turma seria tirado de cena. Até porque, male male, cada um é vital à sua maneira para o desenrolar da história. Conforme acompanhava as notícias, quis acreditar que esse mistério não passaria de uma bela pegadinha. Daquelas em que o personagem fica entre a vida e a morte e, no final, abre os olhos e nos faz respirar de alívio. O que aconteceu foi uma surpresa, uma jogada ousada de Haas&Brandt ao aniquilarem uma das poucas mulheres que existem em CF. Poucos showrunners têm bolas para isso, ainda mais quando o projeto está no auge.

 

A trama deste episódio abriu de um jeito desnorteador por ter aproveitado o cliffhanger da temporada passada. Meus sentimentos transbordaram sem antes saber quem tinha morrido. Senti o peso do drama ao rever todas aquelas cenas com um incômodo tremendo no peito. Nesse retrospecto, um detalhe que passou batido (e acredito que por muitos) me golpeou com tudo no rosto: a última cena entre Shay e Severide. De todos os acontecimentos do 2º ano de Chicago Fire, porque resgatar logo esse? Depois do baque da morte da paramédica, entendi a reprise que me fez amargurar as entrelinhas de Haas&Brandt. Eles deram a despedida na cara lavada, vejam bem. Meu mundo simplesmente caiu porque a ideia da morte de Shay estava o tempo todo ali. Contudo, estava ocupada demais achando que o Otis abraçaria o ceifeiro por ter saído do centro das atenções assim que Katie caiu fora. Mas eis que Shay aconteceu.

 

Ver os bombeiros depois da explosão, perdidos, desnorteados e medindo os danos foi o suficiente para me fazer chorar logo de cara. Cada suspiro foi valioso em meio ao suspense sobre quem estaria vivo ou morto. Nunca imaginei que Shay seria a escolhida. Para mim, Dawson e ela são intocáveis. Ao menos, uma era. Meu coração ficou aos frangalhos. Estou estarrecida. Em choque. Praticamente do mesmo jeito quando assisti Allison Argent morrer em Teen Wolf. Claro que depois do baque veio o balde de lágrimas. Fui tragada pela tristeza da perda, uma emoção inquietante, que sufocou. Foram 40 minutos de amargurar, especialmente por causa dos flashbacks. Senti muito, muito mesmo. Ainda bem que estava preparada para chorar (e chorei tanto que até quis acudir o Severide).

 

O salto no tempo aniquilou a necessidade de um velório, uma sacada justa, até porque nem o Andy contou com um, nem muito menos a Jones. Sei que a Shay poderia merecer uma “cerimônia”, mas Chicago Fire nunca se preocupou com esse detalhe. Nem tudo precisa de funeral, né? A abordagem que serviu para homenageá-la foi linda e detonou o tom fúnebre. Contudo, senti falta do velho e bom discurso do Boden. A narrativa dele no começo do episódio foi maravilhosa, mas Shay podia contar com mais. A perda impactou os membros do 51º Batalhão de maneiras diferentes e algumas palavras calhariam bem antes do expediente.

 

O destaque da semana foi para Gabriela e Severide, os melhores amigos. Aqueles que encontraram Shay no último suspiro. Duas amizades com apelos diferentes que se tornaram iguais por causa da dor da perda. Juro que esperava uma reação bem mala da Dawson, pois a personagem não lida muito bem com perdas. Por isso, me espantei um pouco de vê-la na terapia para tentar colocar coração e mente no lugar. A paramédica estava na corda bamba. De um lado havia negação, do outro a culpa. Duas das famosas fases do luto. Por esperar um comportamento hostil, ela me surpreendeu ao reagir dentro do ideal: fez o trabalho que não lhe pertence mais, tratou todo mundo cordialmente e segurou as pontas como uma adulta. Juro que esperava o lado pé no saco dela aflorar, especialmente por lembrar o quanto Gabby dificultou na temporada passada. Imaginei-a aos berros, pois se é uma coisa que ela manja muito bem é calar os próprios sentimentos por causa da mania de dar um jeitinho na situação. Voight bem sabe disso.

 

Dawson me deixou abismada ao tratar Sylvie muito bem. Fiquei passada ao vê-la se permitir a aprender algo novo em um dos chamados e dar espaço para a até então parceira mostrar seu trabalho. A personagem teve jogo de cintura, foi forte ao longo da trama e me deixou sem chão ao revelar o peso da culpa. Considerando o pulo de 6 semanas, quero acreditar que a morte de Jones tenha feito parte do combo que a fez ter um colapso emocional. Se analisarmos bem, uma perda não está tão distante da outra. Claro que a balança pesa mais para o lado da Shay, porém, a paramédica criou carisma pela bombeira também e ficou arrasada com o ocorrido. Só acho que esse breakdown deveria ser aprofundado. Trabalhar essa insegurança e essa fragilidade a tiraria da bolha Casey. Vale lembrar que ela está prestes a dar outro mergulho emocional em um Batalhão machista, uma oportunidade bacana para dar aval a esse viés.

 

Dawson engoliu/engole o peso de duas perdas que aconteceram embaixo do próprio nariz. Espaço perfeito para surtos. Eu voto sim! Agora o que pega é saber se ela abraçará a carreira que tanto sonhou. Por mais que sair do 51º Batalhão seja a melhor pedida no momento, tenho a impressão que a até então paramédica ficará.

 

Severide reagiu à perda de Shay de um jeito Severide. Com direito até a barba do luto, o dilema do bombeiro logo se resolveu com uma impactante chamada de atenção. Casey só faltou jogar o livro no rosto do parceiro de trabalho. Foi frio e necessário, sem mais. O que acho muito incrível é a cumplicidade que ambos conseguiram solidificar desde a perda do Andy. Na minha cabeça, esses personagens jamais encontrariam um meio-termo, um elo de confiança ao ponto de um aceitar o conselho do outro por mais agridoce que seja. Casey tinha tudo para abaixar a cabeça ou ser um belo cretino, mas preferiu cutucar a sensibilidade de Severide. Ambos e os demais trabalham para salvar vidas e o ocorrido com Shay foi um reflexo dos milhões de infelizes incidentes dessa carreira. Esse baque é uma chance para uma verdadeira amizade. De fazê-los ficar mais próximos. Ao contrário de Dawson, Severide se permitiu e sentiu tudo. Do jeito dele. Só assim para ver o quadro dos mais variados ângulos.

 

Queria estar morta com o contrato entre Shay e Severide. Foi um golpe tão baixo que me deixou desidratada. É tão raro ver uma amizade entre um homem e uma mulher adultos dar certo. É ainda mais raro ver uma amizade entre um homem heterossexual e uma mulher homossexual ser bem-sucedida. Geralmente, um elo desse tipo não se mantém por tanto tempo. Esse confiar dos dois personagens sempre me encantou. Uma amizade que nasceu do nada e que ficou mais forte dentro dos limites das regras que um impôs ao outro por questões de boa convivência. Por mais que não seja tão fã do Severide, o personagem dá o seu melhor quando conflita nas zonas emocionais. Ele me deixou arrasada e meio que orgulhosa por ver o quanto ele amou/ama Shay. É um sentimento genuíno e que foi recíproco.

 

Ambos eram complementares, representavam o tipo de figuras solitárias e que escolheram a carreira para se provar, bem como para fazer algum tipo de diferença. Não é à toa que parte do contrato priorizava o trabalho. Essa é a mensagem crucial não só de Shay, mas da série toda.

 

RIP Shay!

We do a dangerous job
We all knew that when we signed up
You reach out to each other
You’ll be there for each other
Always
 

A ingenuidade de Shay foi uma das coisas que mais me incomodava. A storyline dela na temporada passada me fez odiá-la incontáveis vezes. Por outro lado, a personagem tem meu amor pela amizade com Dawson. Pela maneira como ela tratou a “colega de trabalho” como um dos alicerces essenciais para sua vida. Da mesma forma que é bom ver homens e mulheres sendo melhores amigos, Chicago Fire acertou ao trazer para o cerne da trama duas pessoas que poderiam não se dar bem por causa das infindáveis crises do universo feminino, tais como inveja. A série ensinou que duas mulheres bad ass e adultas podem sim se darem bem. Shay foi muito leal tanto à Gabby quanto ao Severide, um sentimento precioso que me cativou. No final, a paramédica se foi ciente de que era amada pela dupla, de que ambos continuariam ali para apoiá-la. Isso bastou. Shay terminou uma jornada não como a mulher mais forte de CF, mas como a mais leal.

 

Por mais que seja difícil engolir a perda de Shay, a atitude tem a ver com a sobrevida da série. Entendam: os personagens atuam dentro de uma profissão de risco. Dar a eles o benefício da imortalidade, só por serem principais, tiraria o objetivo da premissa. Ninguém é imune, até mesmo o protagonista. Esse é um dos pontos de vista que mais aprecio tanto no cinema quanto na TV. Aniquilar um dos personagens centrais foi uma nova amostra de que ser bombeiro é correr riscos e duelar com a incógnita de não saber se haverá vida depois de um resgate. Tirar Shay de cena foi a quebra do paradigma referente à imunidade na ficção. A proposta de Chicago Fire sempre foi mostrar o perigo da profissão ao mesmo tempo em que faz o casamento dos subplots referentes às vidas pessoais que se entrelaçam aos chamados semanais. Sim, foi triste, mas a série exige uma cartada dessas. Doa a quem doer.

 

Conclusões

 

O episódio foi uma ode à Leslie Shay que cutucou a ferida, ardeu e fez chorar. Foi intenso, como viver em um dia de ressaca com a visão completamente borrada. Acompanhar como se deu as relações dela no 51º Batalhão foi de pedir ajuda pro Luciano. Menção honrosa ao Andy, cuja curta aparição aumentou minhas batidas cardíacas.

 

Sobre os chamados, eles foram fracos para os padrões de começo de temporada de Chicago Fire porque a morte de Shay foi o que importou. Em contrapartida, ambos serviram para situar alguns tópicos que, com certeza, farão parte do 3º ano da série. Um frisou a futura treta entre Casey e Welch, algo que será interessante de ver por causa dos deslizes irresponsáveis. Casey iniciou essa rodada ao se jogar sozinho no porão, todo trabalhado na arrogância. Prevejo o quanto ele será meio que insuportável, especialmente se a Dawson se transferir. O outro apresentou Sylvie, suspeita por ser fofa demais e dona de um peso enorme por lembrar um pouco da Shay. Não queria estar na pele dela nem a pau.

 

Fora da bolha do luto, vale mencionar Herrmann que deu aval para a mensagem principal que se seguirá daqui pra frente: o medo de não estar vivo no dia seguinte. O 51º Batalhão precisa de estabilidade, mas é bem provável que todo mundo comece a se atropelar por causa do ocorrido com Shay. Pelo menos boa parte dos personagens estará com muita pressa de viver.

 

Alguém me ajuda a superar a Platt e o Mouch? Eu não aguento essa mulher, socorro!

 

Ah! E tem o babado do Mills que me encucou mais. Porém, temo um subplot chatíssimo.

 

PS: as resenhas de Chicago Fire irão ao ar na quinta-feira.
Stefs
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