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02/set

Não é segredo para ninguém que amo amar e esboçar um pouco mais de amor com relação ao livro Fangirl, assinado pela Rainbow Rowell. Para quem não sabe, ele foi lançado na Bienal do Livro pela editora Novo Século no mês passado e já pode ser encontrado nas livrarias perdidas da vida. Como já fiz a resenha (que vocês podem ler aqui), hoje trago algumas curiosidades sobre a criação da Cath, minha spirit animal, e de seu universo (além de outras coisinhas).

 

O primeiro contato que tive com Fangirl foi no ano passado durante o NaNoWrimo por causa de um e-mail. Era da Rainbow, um texto muito fofo de motivação para os “competidores”. O que me chamou atenção foi o fato dela contar que deu vida à Cath durante esse desafio. Fiquei chocada, pois escrever 50 mil palavras, durante 30 dias, tira qualquer escritor e aspirante do eixo. Reli esse e-mail dezenas de vezes, especialmente por saber que Água para ElefantesO Circo da Noite nasceram nesse perrengue. Metade do que se produz no NaNoWrimo tende a ser uma bela porcaria, literalmente falando, pois o tempo passa em um relampejo e um dia sem escrever é como se fosse uma semana.

 

Fui atrás de saber o behind the scenes de Fangirl e fiquei morta de inveja. A escritora cortou muito pouco da história e é chocante porque é do NaNoWrimo que estou falando, uma situação que quem ama escrever se dispõe sem saber muito bem o que coloca no Word. Isso é o que chamo de autocontrole e de disciplina. Não tem como não morrer um pouco mais de admiração por essa pessoa que escreveu um livro tão nhac.

 

A inspiração para Fangirl

 

Fangirl nasceu em novembro de 2011. Attachments e Eleanor & Park já existiam, o que deu a ela mais confiança. Rainbow sabia que poderia terminar um livro com poucos manuscritos, porém, não tinha certeza se poderia escrever tão rápido e ter algo de qualidade em curto espaço de tempo. Ela define o momento em que criou o enredo e os personagens como uma fotografia. Ao começar a escrever, seu cérebro a guiou, lhe dando automaticamente as características e as personalidades dos personagens principais.

 

Rainbow já sabia desde o começo que Cath seria uma novata na universidade, que teria uma gêmea e que seria fangirl e introvertida. No decorrer de 30 dias, a autora se surpreendeu ao manter grande parte do que foi escrito durante o NaNoWrimo. Com as 50.000 palavras que tinha, o trabalho perdurou até janeiro, terminando com 110.000 palavras. Na revisão, o cuidado foi no ajuste da estrutura do livro. Fangirl foi entregue em junho, um trabalho finalizado no que considero um curtíssimo espaço de tempo.

 

Uma das milhões de partes legais por detrás da criação de Fangirl está a causa da inspiração. Ela veio quando Rainbow assistia ao último Harry Potter. Ela não estava pronta para o final – como todos nós mortais potterheads. Por causa disso, a escritora começou a ler muita fanfic para suprir essa saudade. Sim, Rainbow se arriscou em produzir ficções de fã e achei o maior barato o fato dela não saber o que fazia. Diz à lenda que suas histórias não foram publicadas porque, na época, Rainbow acusou que não havia ninguém que pudesse lê-las (ela negou qualquer existência de seus textos online). Nem preciso dizer que me senti representada, pois só fui saber o que era fanfic quando entrei em contato com uma ficwriter.

 

Com base nisso e em outros detalhes, eis que temos Cath, a garota introvertida que cresceu como escritora no fandom e que precisa encontrar um jeito de balancear a vida real e a ficção. Um dos problemas dela é não querer mudar por causa do ambiente que se encontra. Enquanto Wren (a irmã gêmea) topa todos os desafios, a personagem quer se manter fiel ao que é. Porém, as circunstâncias mudam, ainda mais quando Reagan e Levi transitam o tempo todo na borda do quadrado dela. Só li fatos reais em Fangirl.

 

O mix de Sociedade dos Poetas Mortos e de Harry Potter fez Rowell optar pelo clima universitário. Ela gosta muito de histórias com esse background, pois tem muito a ver com mudanças. Ao contrário do que acontece no Brasil, na gringa os adolescentes saem de casa para terem uma experiência a mil quilômetros de distância dos pais, o que os força a amadurecer sozinhos (ou não). Cath bate de frente com isso o tempo todo por ser muito “da família”. Ela simplesmente não consegue se desligar do pai que não sabe se virar e da irmã que começa a perder as estribeiras por causa de uma péssima companhia. Cath se desliga de tudo isso escrevendo, mas até isso começa a ser um pesadelo particular. Afinal, ela se vê obrigada a criar textos originais e sente o amargo de ser boicotada incontáveis vezes.

 

Fangirl é um livro que tem muito da Rainbow. Ou a Cath teria muito da Rainbow. Ou vice-versa. É tudo junto e misturado! Mente o escritor que afirma que criou certos personagens ao acaso. Cath é um reflexo da escritora que teve pavor da época de novata na universidade. Inclusive, a ideia das gêmeas teve a ver com “problemas particulares sobre família e identidade”. Um de muitos duelos da sua Cath, uma personagem obcecada por um universo que a faz escrever. Ela abre mão de muitas coisas só para martelar os dedos no teclado. Esses sentimentos vêm da época em que Rainbow sofria por ser muito parecida com a mãe, o que a fez acreditar que deveria ser como ela.

 

Em suas palavras, escrever é um meio de desfazer muitos nós na cabeça e daí nasceu Cath, dona de incontáveis conflitos, tais como a ansiedade, o medo de mudança, o desejo de escapar por meio da ficção. A escritora passou por tudo isso e até aproveitou para fazer outras menções honrosas em Fangirl, como a professora Piper, inspirada em uma pessoa da vida real.

 

Quem surgiu ao acaso foi o meu amor platônico Levi. Rainbow queria um garoto diferente de tudo o que já tinha escrito, alguém que não fosse extrovertido e carismático. Er… Levi é desse jeito. Porém, o que o torna especial é ao demonstrar ao longo da história um interesse forte pelo universo da Cath. Levi tem aquela pinta de pegador, de desinteressado, mas se revela um personagem disposto a entender porque a garota é tão fechada e solitária.

 

Sobre fandom e fanfiction

 

Provas de que não gosto do Levi ou de Fangirl ou da Rainbow

 

Fangirl tem fanfiction e eu pirei ao ler a 1ª página, digna de FanFiction.net. Rainbow optou por criar a história de Simon e Baz para não ter problemas de direitos autorais ao usar/citar Harry Potter. Por isso, é bem fácil notar a entonação parecida e, conforme lia, só via Harry e Draco.

 

Rainbow é uma fangirl nata. Fanzoca de Star Wars, X-Men, The Beatles, A Bela e a Fera, Alice no País das Maravilhas, Dawson’s Creek (eu morri quando soube disso) e Harry Potter, a escritora perdeu o começo do fandom na internet, mas nada a impediu de curtir sua bolha cheia de ficção que serviu de escapismo. Rainbow não consegue imaginar como seria sua vida sem a vivência em uma comunidade de fã.

 

Em entrevista ao HelloGiggles, Rainbow definiu o fandom como “se apaixonar por algo e fazer desse amor parte da sua vida. Não é apenas assistir Doctor Who e amá-lo. É ficar online e falar sobre, fazer arte e escrever as próprias histórias – ou apreciar o que os outros fazem. É ser parte de uma comunidade. É exaltar as coisas que você ama”. Atualmente, ela não esconde o amor pela série Sherlock e tem comentários ótimos, dignos de toda fangirl, sobre a crueldade de Steven Moffat. Rainbow não tem vergonha de reblogar coisas legais também, nem de ler fanfiction. Ela apoia os fãs que escrevem e fazem fanarts sobre seus livros.

 

Rainbow é muito atenciosa nesse e em milhões de quesitos. O único impasse é que a escritora não lê as fanfics por medo de ser “contaminada”. Por ter planos de revisitar Eleanor & Park, ela tem pavor só de pensar em ter seu canon alterado por causa de uma ficção de fã.

 

Totalmente compreensível.

 

Sobre polêmicas e continuações

 

Fangirl não é apenas um livro sobre fandom e fanfiction. Os personagens possuem problemas particulares, como pede todos os enredos do gênero YA. Levi sofre com a dificuldade de aprendizado, por exemplo, mas nada aprofundado. Em meio ao universo de Cath, há apenas nuances do que poderiam ser impasses mais graves.

 

Eleanor & Park chegou a ser banido (excesso de palavrão foi uma das causas) e muito se pensa se Fangirl chegará a esse ponto por causa da fanfic sobre Simon e Baz que é um slash suave (fic homossexual). Seria uma idiotice tremenda barrar a Cath do lar dos adolescentes…

 

Sobre uma continuação, Rainbow afirmou que Cath terminou em um bom lugar. Em contrapartida, ela não se nega a escrever mais sobre Simon e Baz.

 

Concluo este post com as palavras da Rainbow que esboçam claramente como me senti depois que li o livro:

 

Fangirl é minha carta de amor ao fandom, à fanfiction e à ficção; é um livro que tentei explicar como é ser escritor. Eu penso que tentei dizer coisas sobre se apaixonar pela primeira vez e de estabelecer uma identidade separada da própria família.

 

Já pode tatuar Fangirl no corpo todo?

 

Nota da Random: as informações dos posts foram retiradas aqui e aqui

Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • heyrandomgirl

    Fangirl é minha vida <33333 Queria ter influência pra adaptá-lo hahahahahahahaha Ia colocar todas as migas e os migos no cast. Eu tinha que ganhar dinheiro por ser fangirl, mas nenhum candidato veio com essa proposta ainda. Acho que farei isso no futuro pq a vida tá difícil Hahahahahahahha

    Mas é muito mágico esse livro. Comprei e tenho mó dó de pegá-lo, de sujá-lo, etc, etc, etc. Ninguém toca. Hahahahahahahhah

    Compre qdo der <3 Vais gostar.

  • Isis Renata

    ai que graçaaaaaaa *-*
    já pode comprar o livro? sinheee! (irei tentar).
    eu terminei recentemente Eleanor e Park e achei uma doçura. Claro, tirando o clima pesado das famílias, mas uma doçura a relação dos personagens principais.
    Acho tão fofo autores que são assim tão próximos da gente né?
    João Verde foi um pouco assim em sua época Esther (hoje não sei se é tanto rs)
    Mas estou realmente feliz por terem me apresentado a Rainbow (aka srta Mariana Barros) e feliz por conhecer esse universo que gosto tanto.
    Ser fangirl é tudo de bom! Não tenho dom da escrita como vocês lindas, mas sempre amo compartilhar das minhas loucuras! ♥

    é amor demais!