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01/set

Eu senti mais o impacto do retorno de Doctor Who esta semana. O episódio foi tão eletrizante que mal acreditei quando chegou ao fim. Senti-me deixada no vácuo quando os créditos subiram. Adoro quando sou tragada para a trama desse jeito, como se estivesse em um tipo de transe, ainda mais quando minha empolgação estava a mil por causa dos Daleks. Melhor ainda foi a premissa que teve como intuito colocar 2 inimigos de longa data frente a frente, um convite para imergimos no lugar mais perigoso do universo. Quem diria que 3 semanas depois – considerando a timeline da temporada – o 12º Doctor teria uma experiência que nunca o contagiaria (e que possivelmente o mataria). De quebra, houve a surpresa de se deparar com um Dalek aparentemente bom. Tão bom que queria a destruição da própria espécie. Seria isso possível? Como acreditar em um demônio desses em nome de Gallifrey? Como um Dalek mudaria se ele nasce banhado na crueldade? Essas e outras indagações tornaram a trama envolvente, visualmente impactante e com atuações barulhentas. Continue assim, Moffat!

 

Nada como assistir a uma batalha espacial tendo a nave dos Daleks como principal ameaça. Conhecemos Journey Blue, responsável pela 1ª apresentação do Time Lord (I’m the Doctor) e pelo 1º desafio dele (o de lidar com um inimigo pessoal). Embora o ponto de conflito da trama tenha sido o reencontro entre o Doctor e um Dalek, a situação foi mais além ao mostrar logo de uma vez que tipo de pessoa/alienígena será essa versão do rei da TARDIS. O 12º é um resmungão da melhor categoria e continuou a aumentar sua lista de desgostos. Deu para notar que ele raramente dá um sorriso (e quando o faz é em uma situação que não tem graça nenhuma). Foi fácil xingá-lo no encontro com a Blue por causa da poker face e do cold shoulder com relação à perda dela. Para quem está acostumado com a animação do Tennant e do Smith, o impacto deve ter sido tremendo, pois Capaldi está longe de ser o Doctor-fofinho-que-todo-mundo-quer-chamar-de-namoradinho. Amo os dois Doctors anteriores de paixão, mas a série precisa de uma pitada à la Eccleston de novo. Sorry, I’m not sorry!

 

Gostei da síndrome Suzana Vieira de quem não tem paciência para quem tá começando, como também do jeito confortável com que ele joga as verdades. Achei sensacional como o Twelfth faz Blue praticamente implorar para voltar para sua nave, parado com aquela expressão de pura pirraça. Capaldi deixou claro em incontáveis entrevistas que esse “novo” Time Lord exigirá um pouco de paciência, até mesmo da Clara, pois ele não tem nada dos dois antecessores. A meu ver, esse Doctor é mais independente, mesmo pedindo o auxílio da sua companion. Digo isso porque ele não hesitou em sacrificar uma vida para salvar o resto, bem como sair de fininho sem dar um apoio à Gretchen que foi abraçar a Missy lá no céu. Na semana passada, ele fez a mesma coisa ao jogar sujo contra o Clockwork Droid, demonstrando grande aptidão para o blefe.

 

Literalmente, não dá para saber se ele é bom ou ruim, e muito provavelmente teria dado a mesma resposta de Clara. Abençoado seja Capaldi por dar ao personagem mais seriedade e uma entonação grave e sombria.

 

Acho que este episódio gerou uma quebra da linha tênue de amor e ódio pela nova versão do personagem. Ele será assim e é bem provável que o azedume engrandeça. Apesar da falta de empatia trazida por causa da sua nova personalidade, não teve como não rir do fato dele segurar os mesmos copinhos de café de 3 semanas atrás e de vê-lo se divertir justamente em um momento que não era nem um pouco engraçado. Esse Doctor é cheio de brinks e de humor negro. Capaldi será um grande divisor de opiniões – como também de fãs, pois é esse lado da moeda que promete ser explorado ao longo dessa temporada. Mal posso esperar!

 

Vale o lembrete: o Doctor teve todas as oportunidades de negar auxílio ao Dalek, uma criatura imutável. O Time Lord é um apaixonado por novidades (as expressões do Capaldi diante da máquina que cria miniaturas me fez morrer de amor) e um defensor de qualquer coisa viva (ao ponto de surtar a favor de Rusty). É isso que ele faz e que continuará a fazer, independente da personalidade. Este episódio trouxe o que podia do lado dark da nova versão do Time Lord, um homem/alienígena impassível e inseguro sobre o próprio caráter. Ele é dual. Inconstante. Dentre tantos desafios que devem estar reservados para o 12º é bem provável que haverá o esforço de não ser tão individualista. De se importar mais e de não aceitar uma situação do que jeito que está.

 

A incursão dentro do Dalek foi fantástica e teve até uma aulinha gratuita do Time Lord sobre a engenharia maligna de Rusty, dando importância às memórias. Melhor que isso foi vê-lo todo otimista com a possibilidade de mudanças. Uma pena que não passou de utopia. No fim, o que tirei de lição é que Rusty não foi apenas um saleiro que estava com crise de moral. Ele serviu de reflexo para frisar a dúvida do Doctor sobre ser um bom homem. Os dois são semelhantes no ódio e foi fácil voltar à indagação principal do episódio. O Twelfth falhou miseravelmente em “curar” Rusty que continuou com seus desejos assassinos por ter compreendido que o ódio e a vingança são meios para atingir o que é belo. O Doctor é um perfeito Dalek que se esconde em um bom figurino e em uma boa piadinha. Ele foi sangue nos olhos na Time War, lembranças que devem tê-lo tornado mais fechado e mais misterioso graças aos sentimentos e às lembranças tenebrosas que o perseguem. Deve ter doído horrores receber um wake up call justo do inimigo, muito mais que o tapa da Clara.

 

Então que Clara desceu do patamar o Doctor é meu namorado para o Doctor é um dos meus hobbies. Avanços. Eu fico muito feliz pelo desempenho da companion neste episódio e é desse jeito que a storyline dela precisa seguir daqui pra frente. A personagem estava ótima, tanto na companhia do bonitão Danny Pink como no posto de companion. As tomadas na escola foram bem legais porque mostraram que Clara não saiu da vibe de ir para casa depois de uma aventura. A atuação dela dentro do Dalek também foi incrível e o tapa na cara do 12º me deixou boquiaberta. Que ousadia, hein? Não tiro a razão da Garota Impossível em ter dado a louca, ela não é paga para ver o Doctor tirando onda. Clara voltou a ser a peça fundamental para fazê-lo mudar de ideia, algo que ela é rainha em fazer. Sucesso!

 

Adendo: parece que a dinâmica dela com o Doctor encontrou um meio termo. Adorei as alfinetadinhas da parte dele e o desconversar cheio de veneno da parte dela.

 

Amei Danny Pink, o futuro novo companion, e não vejo a hora de vê-lo na TARDIS causando um AVC no Doctor que deixou bem claro neste episódio que detesta soldados. O professor chegou bem do jeito Mickey e Rory: aparentemente sem muita importância. Porém, Danny já é parte fundamental dessa jornada sem saber, pois houve pequenas coincidências na storyline dele: o sobrenome que se refere a uma cor como da Journey Blue (mesma estação de trabalho?) e o fato dele ter matado alguém que não era soldado (e por ser um soldado). Fora isso, as intercalações de cena em que Danny está em conflito por ter negado o convite da Garota Impossível foram muito engraçadinhas. Já o amo!

 

Jenna explicou que a aproximação entre Clara e Danny fará com que sua personagem se sinta em um affair sem ser um affair por causa da vida dupla. A companion não pode simplesmente dizer ao professor que passa uma parte considerável de seu tempo dentro de uma caixa de polícia azul com um alienígena resmungão. Como também é bem provável que ela não dirá ao alienígena resmungão que Danny é um soldado (e que está apaixonada). Mesmo com a curta aparição, o personagem incitou minha curiosidade. Qual será o plot, hein?

 

Alá a Missy de novo…

 

Missy deu as caras por meros segundos para pontuar que o jardim chamado de Terra Prometida é o céu. Li muitas teorias sobre quem ela pode ser e a que mais me encucou foi a possibilidade dela ser um eco da Clara perdido por aí. Não adianta negar: a companion ainda é uma incógnita, especialmente por ter um peso na vida de todas as regenerações do Doctor. Pensando um pouco neste episódio, Clara não se abalou em estar dentro de um Dalek, sendo que uma versão dela viveu ali e fez muito suflê. Ela agiu normalmente. Um ponto que me chamou atenção – e que pode ser uma tremenda bobagem – é que a camisa de olhinhos dela (que chamaram de Illuminati) era muito semelhante aos anticorpos do Rusty. Acho que ando assistindo muito Pretty Little Liars

 

O Boyfriend da Missy foi remetido por alguns fãs como um modo que Clara chamaria o Doctor. No episódio da semana passada, esse foi o ponto mais marcante da 1ª aparição dela. O que aumentou minha expectativa foi uma entrevista da Jenna em que ela descreve Clara como uma Mary Poppins por causa do jeito mandão. Missy tem o figurino da Mary Poppins. Coincidências? Não sei, mas estou bem a fim de apoiar essa ideia. As teorias conflitam entre si, mas faz meio que sentido o fato da mulher da loja ter dado o telefone da TARDIS para a Clara e depois chamá-la em um anúncio de jornal. Se Missy não for Clara, aceito uma versão feminina do Mestre por não fazer mal a ninguém – só ao Doctor. Não quero que seja a River (embora tenha saudade). Tenho respeito pelas mulheres da Era Clássica, mas ainda mantenho meu voto na Clara. Acho que esse revés seria genial.

 

Já prevejo que rirei demais do próximo episódio.

 

PS: fiquei com dó da Journey ao ser negada de embarcar na TARDIS. Será que ela volta?

Stefs
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