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15/set

Minha cabeça parece que explodirá depois deste episódio de Doctor Who. Nem sei muito bem o que dizer por causa da pancada de informações que ainda não digeri. Estava superansiosa para conferi-lo e chego aqui sem um pingo de decepção, só com aquele gosto do choque por causa da genialidade da trama. Tudo culpa do Moffat que assinou esta belezinha que me envolveu, me confundiu e me emocionou. Devo dizer que Listen me fez lembrar de dois episódios da minha lista de favoritos da Era Eleventh: The Impossible Astronaut e The Wedding of River Song. Eu piro demais quando há retrocessos que se amarram entre si. O mistério da vez pesou lá no fundo do âmago graças aos questionamentos que chegaram a uma única conclusão: todo mundo tem medo de alguma coisa. Até mesmo um Time Lord.

 

Com quem conversarmos em voz alta quando estamos sozinhos? Fiquei cheia de temores, pois sou uma dessas pessoas que tende a raciocinar falando com as paredes (tenho até pena de quem poderia ser minha sombra ou meu passageiro silencioso). A trama abriu com sérias indagações do 12º, um divagar consigo mesmo, cuja inspiração para isso deve ter sido encontrada no tempo em que viajou sozinho. Desde a regeneração, o personagem não “tem sido o mesmo” por estar preocupado demais com os seus sentimentos mais profundos que ressaltam seu lado tenebroso. Ao contrário dos últimos episódios, sentir medo e querer saber desesperadamente o que ou quem o acompanha no meio do silêncio o deixou muito mais sombrio. Os receios inspirados em uma dúvida da infância o pegaram de jeito, uma incógnita que foi a razão deste episódio ter um ritmo bem envolvente.

 

A tensão foi responsável em libertar o lado neurótico do Doctor, como também criou uma atmosfera densa e misteriosa. O Time Lord estava muito mais sério e focado que o normal, totalmente professoral com giz + teorias + sarcasmo + perguntas. Preciso dizer que uma das coisas que mais gostei da nova personalidade do Doctor é quando ele centraliza tudo na palavra Question. Isso prende a atenção (como em sala de aula, não?). Para entender a nova situação da qual se encontrava, ele se apoiou no medo típico de qualquer criança. Até destaco o fato de não nos lembrarmos de certos pontos da infância, o sentimento real que o fez sinalizar todos aqueles questionamentos. Foi nesse viés que a trama seguiu, dando a entender que era um probleminha do pequeno Rupert Pink, porém, não passava de um conflito interno do Doctor. Uma briga pessoal mais intensa. Ele só queria ter uma memória desanuviada para entender seu medo e superá-lo. Assim que Clara e ele caem na timeline de Rupert, o mistério dançou em um ritmo lento e abriu espaço para mais uma dose de paranoia do Time Lord. No fim, as perguntas levantadas no início do episódio eram uma reflexão solitária, em voz alta.

 

Para minha tristeza, o 12º segurou bem a língua, mas, mesmo assim, me fez rir. Mal acreditei que ele estacionou a TARDIS no quarto da Clara, o que me fez lembrar o Eleventh e a Amy. O Doctor até que poderia estar preso a mais uma onda de complexos pessoais, mas não perdeu a chance de bancar uma “mãe” que bota zica no relacionamento da filha e um “pai” prático e frio que não é obrigado a contar uma história para o filho dormir. Acho sensacional como Capaldi consegue dar ao seu personagem certa divergência de comportamento e de atitude, uma dualidade entre o bem e o mal, em curto espaço de tempo. Nada mais insensível que se divertir com algo que não tem graça alguma. Assim, o que chama a atenção é a praticidade do Time Lord em solucionar problemas graças ao distanciamento emocional com relação a qualquer coisa. Essa frieza se destacou e conflitou com a afabilidade de Clara ao lidar com Rupert, e realçou o quanto esse alienígena se tornou uma rocha.

 

A cena no quarto de Rupert foi tão intrigante! Fiquei congelada na cama, envolvida, sem piscar. Foi uma bela brincadeira entre não acreditar naquilo que vê (para não dar força ao pensamento) vs. o medo de saber que se está acompanhado por algo aterrorizante. Sinceramente, fiquei na dúvida se sentia pavor da figura na cama ou das expressões do Doctor que voltaram a me deixar receosa, como no 8×01. De novo, o Time Lord se divertiu à beça em um momento que não tinha graça alguma (a cena do Wally foi impagável). Aquele sorriso meio que maníaco e os olhos brilhantes de maldade o colocaram sob uma luz diferente. Uma luminosidade em que seu lado das trevas se revela. Conforme ficava mais desnorteado, incisivo e obcecado em saber o que se esconde no silêncio, foi fácil captar de que se tratava de mais uma neurose dessa versão do alienígena que ainda briga com o próprio reflexo. A trama reforçou que ele não se conhece de forma alguma. Por essa e outras que temos Clara.

 

Clara me cativou ao cuidar do menino Pink. A personagem parece mais confortável na companhia do novo Doctor e não hesitou em dar um pedala na cabeça dele, mandá-lo calar a boca e chamá-lo de idiota. Até “dirigiu” a TARDIS de novo, algo que aconteceu em Hide (uma palavra que se repetiu demais neste episódio, diga-se de passagem). Está certo que os atritos entre ambos tornam essa relação interessante, bem mais que as piadinhas fora de hora. Além disso, amei as cenas de Clara com Danny Pink. Não me custa repetir que gosto desse ar de normalidade que de normal não teve nada. Fiquei passada com a revelação de que a storyline dessas duas pessoas há um gancho que os conectam de codinome Doctor. O encontro serviu para dar ritmo à trama que se concluiu de um jeito que me deixou de queixo caído.

 

Ficou mais do que escancarada a importância de Clara na timeline dos Time Lords, algo que não tem limites. Gente, ela era o “bicho” embaixo da cama do Doctor. Ela era o medo dele, por assim dizer. Graças a essa revelação, Clara deve ter se convencido de que o Time Lord não é uma rocha, apenas aprendeu a esconder que tem “medo do escuro”. No caso, da própria escuridão. Tudo mudou justamente por tê-lo visto em um momento de fraqueza (e nada mais sensato que resgatar isso na infância). Ele foi uma criança temerosa como qualquer outra, foi desacreditado ainda jovem e deve ter se cobrado ao longo do tempo. É fácil perceber que esse alienígena não teve tempo de entender o próprio caráter, nem chegou a encontrar dentro de si se é bom ou ruim ou as duas coisas. Esse é o atual desafio do personagem.

 

A cena final foi intensa e emocionante (nem chorei, imaginem!). Seja lá qual for o futuro de Clara, essa não é a 1ª vez que ela aparece diante de uma versão do alienígena. Não foi o 1º Doctor que a viu com ineditismo, mas a versão infantil, aquela que chorava no armazém por não ter a menor ideia do que seria no futuro. Clara me estapeou ao acalentá-lo com aquelas palavras maravilhosas. Não há como negar que sempre fico baqueada quando um episódio de DW conversa comigo e se encaixa em dado momento da minha vida. Isso aconteceu e eu fiquei arrasada. Como Clara belissimamente pontuou, o medo é uma companhia. Uma companhia pesada e insistente. Aquela que, às vezes, não é deixada de lado. Essa foi a lição deste episódio que rodeou um pesadelo comum. Mais incrível foi associar esse pavor à hora de dormir, o momento que, geralmente, batemos um papo com nós mesmos. É antes de cair no sono que medimos não só o que aconteceu no dia X, mas no decorrer da vida. É nesse período que ficamos mais amedrontados, pois estamos sozinhos.

 

O Time Lord cresceu atormentado. Ele não tivera uma pessoa para conversar. Ele tornou o medo a sua companhia, uma ideia facilmente associável às/aos companions. Clara se revelou como o ruído no meio do silêncio, a pessoa que retrocedeu ou avançou incontáveis vezes entre o tempo e o espaço para fazê-lo ouvir. Ela ganhou o posto de consciência e este episódio mostrou que não foi uma escolha aleatória. Clara chama a atenção dele diante de circunstâncias críticas para garantir desfechos positivos. O melhor momento da personagem ao fazer isso foi no especial de 50 anos. Ela não aconselhou um Doctor, mas 3. Foi bárbaro resgatar o Doctor de John Hurt para dar mais impacto ao recado da personagem e para mostrar que Clara sempre esteve ao lado dele para pesar o ditado dos meios justificam os fins. Realmente, o Doctor nunca esteve/viajou sem companhia.

 

Danny Pink explodiu meu cérebro com um petisco do que viria a ser sua storyline. Então que o Doctor é, de novo, responsável em unir casais. Devo confessar que Orson Pink me fez lembrar da River com todo aquele traje e com o fato de ter sido definido como um possível viajante no tempo. Então há esse benefício na família dele, é? A família dele que seria da Clara? Orson, Oswald, vai saber. Danny ganhou uma premissa muito semelhante à de Clara por causa dos ecos de si mesmo com profissões, nomes e personalidades diferentes espalhados por aí. E, claro, que se encontram com alguma versão do Doctor. De novo, os três se reencontraram e, considerando o presente, tenho que abraçar a teoria de que a carreira do novo casal da série ajudará a dissolver os rabiscos do Time Lord (que dizem as más línguas whovians se tratarem de cálculos). Há boatos de que haverá uma parada em Gallifrey, então…

 

Uma das muitas coisas que chamaram minha atenção neste episódio foi o fato de Orson ser o último homem que ficou em pé no fim do universo. Sabe o que isso me fez pensar? No fato de Danny ter matado alguém que não era soldado. O Doctor? Afinal, o Time Lord pensou que seria o único homem a estar naquela time zone. Porém, Orson chegou primeiro. É fato que essas timelines estão interligadas e eu só quero ver até onde elas irão.

 

E para onde Orson foi ao saltar da TARDIS?

 

O episódio parecia promissor e surpreendeu graças às reviravoltas sem aviso, dignas de fazer até mesmo um Time Lord perder a cabeça. Toda a situação não passava de um pretexto para o personagem amargurar de novo os seus medos e, claro, seu caráter. Da mesma forma como aconteceu em Hide, não houve nada de assustador. Porém, houve uma boa dose de reflexão.

 

PS: acho que até vale conferir de novo Hide (7×09) por ter sido meio similar a este devido à importância dada à Clara. Vai que há algo que indique o futuro desta temporada…

Stefs
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