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08/set

Fiquei muito emocionada com este episódio de Doctor Who. Terminei de assisti-lo fungando o nariz, com aquela lágrima prestes a cair, absorvendo a mensagem que concluiu a trama. Seja incrível. Seja um herói. Não desista. Apenas simples exemplos do quanto certas lições transmitidas pela série mexem comigo, daquele jeito que me faz pausar por alguns segundos e refletir. Enquanto o assistia, me senti diante de uma página maravilhosa de um livro. Daquele tipo que enche os olhos, que garante risos bobos e suspiros em incontáveis passagens. Inclusive, aquela sensação maravilhosa de mergulhar no universo de um personagem icônico que, dessa vez, não só suportou um Xerife tirano, mas um alienígena que não hesitou em metralhá-lo. A saga um tanto quanto inusitada de Robin Hood trouxe o gosto do otimismo e de divertimento, coisas que o 12º Doctor meio que desaprova. Foi mágico mesmo sendo um episódio fraco em comparação aos anteriores.

 

Se vocês tivessem a chance de escolher o novo pouso da TARDIS para onde seria? Tenho absoluta certeza de que escolheria Hogwarts, mas, pensando bem, gostaria muito de conhecer a Era Vitoriana. Talvez, o período elisabetano, uma época que chama minha atenção. Quem sabe os anos 90 de novo ou o dia em que Anne Boleyn foi decapitada.  Há muitos lugares para se visitar tendo o benefício de um companheiro Time Lord e Clara buscou nas memórias da infância a nova aventura inspirada no desejo de conhecer Robin Hood. Um personagem que é tão lenda quanto o contemporâneo Harry Potter. Depois do comportamento do Doctor neste episódio, óbvio que ele diria que Hogwarts é uma mentira. Os humores dele estavam inclinados a destruir os sonhos de qualquer criança. Do ponto de vista do personagem, é bem capaz que Voldemort fosse um robô e que Hermione Granger fosse um tablet que faz até a lição de casa. Pensando assim, cadê esses produtores que não negociam com a Rowling um episódio desse tipo? Ora, por favor!…

 

Então que a história de Robin Hood não era apenas uma história. Ao menos, não no contexto de Doctor Who. Os robôs, praticamente parentes dos Cybermen, trouxeram um novo jargão que calhou justamente em uma época em que os mais pobres tinham que se escravizar por uma merreca para sobreviverem. Fiquei chocada com o aviso de “utilidade expirada”. Eu sei que todo mundo tem “prazo de validade”, mas não precisava jogar na cara.

 

Nota-se que cada episódio tem se empenhado em realçar um ponto da personalidade do não mais novo Doctor. Dessa vez, o ceticismo imperou, um sentimento que pode até ter sido impulsionado pelo contexto da trama que o fez frisar seus questionamentos em torno do mito Robin Hood. Achei demais vê-lo todo desconfiado, julgando os envolvidos de hologramas ou de figuras de um parque temático do futuro. O personagem é agora um paranoico, que investiga tudo, nos mínimos detalhes. Dentro do universo de Robin Hood, o 12º levantou pontos que aparentemente seriam desimportantes, mas que fizeram sentido no final da trama. Essa pegada cética do Time Lord teve tudo a ver com a sua inabilidade de acreditar em si mesmo, um brinde da nova regeneração. Ele não se acha um bom homem, nem muito menos um herói. Essa repaginada trouxe uma versão que necessita questionar e desacreditar de tudo.

 

Assim como Rusty, Robin foi um meio de mostrar mais uma fraqueza do alienígena: o quanto ele descrê de si mesmo. Ele não vê o tal heroísmo que Clara pontuou no começo do episódio, nem muito menos engoliu a pequena lição de caráter vinda de Robin. Literalmente, o Doctor se tornou seu próprio vilão, e o final do episódio concluiu isso. Mesmo em meio a tantos risos, ele não deixou os pensamentos tenebrosos (e que ainda são incógnitos) de lado.

 

Outro comportamento notável que vem desde o 1º episódio é a necessidade do Time Lord em plotar de um jeito professoral: a base do giz. Ele rabiscou um plano para salvar o dinossauro (que não deu muito certo) e fez o mesmo na tentativa de definir a próxima aventura. Mais legal ainda foi ver de perto os novos ares da TARDIS, com lousas espalhadas perto de uma estante cheia de livros. Achei muito amor! O irônico é que o Doctor foi tão relutante com a história de Robin Hood sendo que é um leitor assíduo.

 

Em comparação aos episódios anteriores, a língua do Twelfth estava bem moderada, mas ele continuou insolente. Gosto assim! O Time Lord se mostrou mais alienígena só pelo fato da sua realidade ser meramente científica. Quem precisa de histórias, não é? O personagem não aceitou muito bem esse papo literário e não deixou de resmungar em um só momento. De novo, o Twelfth provou não ter a mesma empatia que o Eleventh, a versão que facilmente se animaria com a ideia de Clara. Enquanto o 12º alteia as sobrancelhas, o 11º faria a dança da girafa.

 

Preciso destacar a bitoca que ele ganhou na bochecha que o deixou completamente horrorizado, como se nenhuma companion ou uma estranha tivesse pulado em seu pescoço para dar aquele agradecimento caloroso. A proposta do personagem em ser mais alienígena ao invés de humano tem sido cumprida. Espero que mais incidentes como esse ocorram para que o Time Lord reaja como se tivesse acabado de cair da espaçonave. Quando olho para o 12º, parece que o Eleventh nunca existiu. O antecessor tivera muitas experiências humanas (cuidar de um bebê, jogar futebol, dar beijinhos de comprimento) e o Twelfth sofreu um reboot. Os choques de um Doctor para o outro são gritantes (e adoráveis).

 

Houve muitas cenas legais neste episódio. É permitido dizer que foi um banho de testosterona? Gente, as tretas entre o Prince of the Thieves e o Time Lord foram divertidíssimas. Sem dúvidas, a melhor cena foi a dos dois presos junto com Clara, um sendo sacana com o outro por causa da pressão de bolar um plano. Melhor ainda foi ver essa competição atingindo limites impensáveis, como a tal vantagem genética do 12º. Ambos pareciam duas crianças em completo desentendimento, daquelas que não aceitam que a lancheira do coleguinha é mais azul. Até perante a possibilidade de interrogatório, Robin e o Doctor renderam boas gargalhadas. Rachei demais! Menções honrosas para a cena do torneio para encontrar o melhor arqueiro (e que o Doctor trapaceou) e da espaçonave que elevou o ceticismo perante um suposto herói que não era um projeto ilusório de esperança.

 

As cenas iniciais do episódio também me mataram. Foi sensacional ver o Doctor duelar com uma colher, bem como a falsa redenção que lhe custou um botão do figurino. Vale um adendo sobre a sacada de forjar ouro em formato de um chip. Achei brilhante!

 

O episódio parecia um daqueles desimportantes, mas eis que a Terra Prometida voltou a ser citada. O Doctor sinalizou pontos que considerei extremamente cabíveis por causa da minha crença de que Missy é a Clara (que seja, por favor, por favorzinho!). A companion é uma ávida leitora, com direito ao livro especial que é carregado de um lado para o outro. De quebra, a personagem é professora de inglês (literatura, no caso), o que a obriga a dominar as mais variadas histórias. Se aquilo tudo que o Doctor disse sobre o banco de dados da espaçonave, um combo infindável de mitos e de lendas cadastrados para projetar a sensação de esperança na figura de um herói, for verdade, Clara é a melhor pessoa para levar a culpa. Ela é inteligente, um elogio que ganha força desde o começo desta temporada. Imagina que louco seria ver a Impossible Girl como showrunner da jornada do 12º… Um herói que não se acha herói, mas que salva a humanidade. Tudo é possível e acharia formidável esse revés.

 

Já que citei a Clara, ela me representou. Só o fato dela querer conhecer um personagem que faz parte da sua história favorita, ao ponto de se trajar como tal, me fez amá-la. Clara é uma cosplayer nata! A companion não fez muita coisa na trama a não ser flertar para contribuir com a resolução do dilema em Sherwood. Mesmo assim, a achei incrível por ter abraçado o lado literário tão dela. Eu teria agido da mesma forma. Vê-la maravilhada e dedicada em fazer parte do enredo que tanto ama bateu forte, pois também tenho vontade de ser personagem das mais diferentes histórias. Nesse quesito, o episódio foi excelente, pois nada mais legal que participar de algo que se gosta. Clara rendeu aquele gosto de ser parte da trama de um livro, com direito a ver um final feliz. E flertou, algo que seria bem capaz de fazer também, sei lá, com Draco Malfoy (sou cheia de amores platônicos). Foi um viés na trama muito doce… O fato da companion amar Robin Hood e de se jogar na oportunidade trouxe magia ao episódio. Quero um Time Lord para me dar um presente desses…

 

O episódio pode não ter sido tudo isso já que o Doctor e a Clara não estavam envolvidos em uma trama densa, mas foi divertido. Foi um pedaço de sonho que, infelizmente, terminou. Foi como fechar um bom livro, sentindo aquela satisfação com o final. Robin Hood, Doctor e Clara foram o trio que salvaram a humanidade de mais um apuro. O episódio mexeu com o imaginário de ser leitor e de querer fazer parte de um universo que tanto amamos. Sem dúvidas, está na minha lista de favoritos, especialmente por causa dos quotes.

 

Agora, que venha Listen! Estou muito, muito curiosa para conferi-lo. É suspense e tem Danny Pink.

Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • heyrandomgirl

    Há boatos de que haverá uma paradinha em Gallifrey sim, senhor. Moffat comentou em alguma entrevista que irei dever. E, depois do último episódio, acho que ficou meio que confirmado. Tomara <3

  • Francielli Lopes

    Eu tava com as expectativas muito altas para esse nova temporada, não só porque mudou de Doctor mas pelo plot que fizeram no aniversário de 50 anos, será que o Doctor pode encontrar Gallifrey novamente?
    Essa série mexe com as emoções seja felicidade ou tristeza, o Troll Moffat hahaha sabe bem o que é isso. Ansiosa pelo próximo episódio e pelo resto da temporada, com certeza vou ler suas resenhas :3

    Beijos e de nada !

  • heyrandomgirl

    Own, como vc é linda!! 😀 Eu adoro escrever as resenhas de DW justamente por envolver muitos sentimentos e sensações pessoais. Esse é o tipo de série que não consigo priorizar contexto e andamento, pois ela é do tipo que me faz bem, e os erros e falhas não me interessam. Fico mto, mto, mto feliz que minhas palavras tenham coincidido com os seus sentimentos. Foi um episódio maravilhoso, até escrever sobre ele de novo me faz sorrir que nem uma boba.

    Tom arrasou como Robin, uma atuação incrível. O 12º está cada vez mais insolente e rabugento. Está cada vez mais difícil não amá-lo. Acho que a temporada tem tudo para ser genial, especialmente porque o Troll Moffat tá mexendo em coisas do passado, como os droides. Vamos acompanhar e morrer de amor <333

    Beijoss e obrigada pelo comentário *_*

  • Francielli Lopes

    Em primeiro lugar, tenho que elogiar sua escrita, que coisa sensacional! *O* Você descreveu todas as emoções que senti no episódio, nem sei o que comentar, você descreveu perfeitamente o episódio. Ri e me emocionei com esse episódio, o ator Tom Riley como Robin Hood foi coisa de outro mundo. To adorando conhecer esse novo Doctor, diferente de todos os outros antes, ta parecendo meio perdido dentro da sua própria cabeça, de seus dilemas e de suas crenças. Só espero episódios no mesmo nível de genialidade.