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28/set

Se é uma coisa que gosto muito é de histórias que se desenrolam dentro de uma escola. Não teve como não pensar em School Reunion (2×03) e tenho que admitir que achei algumas coisas bem parecidas, a começar pelo regaste do tão glorioso codinome John Smith. Não houve uma versão do K-9 e nem a presença da digníssima Sarah Jane Smith, mas Danny, Clara e o 12º Doctor conseguiram divertir. Acima de tudo, garantiram um pouco de tensão já que Clara resolveu assumir o “affair” com dois homens que, até então, não vão com a cara um do outro. Nada como situá-los no mesmo lugar para que o debate sem empatia acontecesse.

 

Coal Hill é um dos cenários que tinha vontade de ver mais a fundo. Eu piro com tramas em colégios. Por ter finalizado o ensino médio há eras, fico que nem uma manteiga derretida, cheia de nostalgia. Ok que as culturas são diferentes, mas minha mente mergulha com facilidade. Mal vi o episódio passar! Encantei-me com tudo, e essa sensação aumentou quando o Doctor resolve ingressar na nova aventura na crença de que manjava dos disfarces. O bom é que ele se manteve ranzinza, especialmente com os humanos. Rachei horrores quando o Time Lord lida com a Courtney e quando aparece de súbito no meio do caminho da Clara. A expressão dele ao jurar que Adrian era o namorado da companion foi demais!Quanto mais eu tento não rasgar seda para o Capaldi, ele vai lá e samba, provando que consegue dar mais nuances ao seu personagem. Doctor como zelador foi extremamente divertido. Um velhote inconveniente que me fez rir até com a jogadinha de espelho, espelho meu para saber quem é o homem mais perigoso de todos (algo que encucou, pois ele estava atrás de um alien, não?).

 

O Doctor ainda bancou o paizão extremamente protetor. Como eu queria apertá-lo, gente! Fiquei sem reação quando ele cobra de Clara, com as sobrancelhas contraídas e a expressão de ódio absoluto, a apresentação de quem é Danny. No começo do episódio, o Time Lord entoou pela milésima vez o quanto odeia soldados e a maneira fria com que lidou com o namorado da companion só aumentou minha curiosidade de saber de onde vem essa raiva. Provavelmente, causos de uma vida em Gallifrey. Durante boa parte do episódio, a storyline ficou por debaixo dos panos até um robô, que parecia um cruzamento de Dalek com Cyberman, Blitzer empacar na Terra para fazer um estrago. A presença dele não influenciou nada na trama, a não ser na criação das pautas que alimentaram a discussão entre Danny e o Time Lord. Foi simples dar fim na lataria que não conseguiu trazer o gosto do perigo.

 

O Blitzer colocou o 12º e Danny frente a frente. Juro que fiquei bem irritadiça com o conflito entre os dois (sou daquelas que veste a camisa e reage conforme a situação), não de um jeito negativo, mas por ter sido desconfortável ver dois homens (ou quase) em uma discussão ardilosa, digna de pré-escola. Esse asco explodiu junto com o robô que fez desse encontro uma troca de farpas banhadas do mais puro ácido. Eu quis socar o Doctor por ser tão arisco com Danny, como se ele fosse um zero à esquerda, indigno de confiança. O mesmo quis fazer com Danny por brincar de ser militar para cima do Doctor (eu teria dado um soco, pois não tenho limites para certas brincadeiras hahaha). Clara deveria ter tacado os dois de cabeça na privada.

 

Sofri quando o Doctor encasqueta que o Danny é professor de Educação Física, o que travou os neurônios dele que não conseguiram se desvencilhar dessa ideia. Por causa do Sr. Pink, o personagem quicou em diferentes humores e conseguiu tirar qualquer um do sério. No final das contas, o 12º só queria saber se o teacher era um cara bacana para Clara. Por mais que ambos tenham encontrado um solo seguro, os cutucões precisam ser mantidos no futuro.

 

Adendo: os esbarrões entre Clara e o 12º Doctor na escola prolongaram o suspense no quesito Danny Pink. Enquanto a companion relembrou de uma versão do namorado no fim do universo, o Time Lord associou o sobrenome à cor, o que resgatou o pensamento para a Journey Blue. É bem provável que Danny tenha sido um militar que serviu no espaço. O pânico no olhar dele diante da possibilidade de Clara não ser humana meio que comprovou essa tese.

 

O encontro nada cordial entre o Doctor e Danny serviu também para tirar Clara da vida dupla. A treta quase a colocou em uma posição de ter que escolher um ou outro. Mentiras sempre saem da penumbra e a companion bem que tentou segredar as aventuras com o Time Lord (para o Danny) e quem seria o seu namorado (para o Doctor). A teacher se viu na saia justa e teve que jogar limpo. Adorei vê-la no ambiente de trabalho, morri de inveja, pois me vi querendo o cargo dela. Quis morrer com o quote ícone de Orgulho e Preconceito na lousa, como também a sutil menção ao Shakespeare. Meu coração derreteu por serem meus escritores favoritos. Clara rendeu momentos engraçadinhos também por não saber dominar o “affair”. Ela não conseguiu se desligar. Pelo menos, esse desconforto chegou ao fim e serviu para mostrar que, independente de namorar Danny, de ter uma carreira e um lar bacana, a garota impossível ama ser companion.

 

Uma coisa que amei muito neste episódio foi quando Danny a indaga sobre os motivos de viajar com o Doctor. Eu não saberia o que responder. Clara garantiu um esclarecimento bem a cara dela, com uma pegada fantasiosa, algo meio Amy Pond que tratou o Time Lord como seu amigo imaginário. Só acho que ela se esqueceu do motivo mais importante: a maioria das companions tende a ser solitária ou estar em um momento sem esperança antes de embarcar na TARDIS. Rose, Martha, Donna e Amy não estavam inseridas em um estilo de vida bacana. Elas estavam meio perdidas. Literalmente, o Time Lord surgiu como uma fada madrinha. Com Clara pode até ter sido diferente, pois ela tem família e parece viver bem dentro do seu universo adulto. Porém, a personagem tem uma imaginação tremenda.

 

Conhecer vários lugares, ver momentos históricos… A professorinha foi muito além das páginas dos livros que ainda são seus companheiros. Com o alienígena, esses sonhos e desejos se tornaram realidade. Para mim, Clara tem um Q de solidão como qualquer outra companion.

 

Gostei bastante da atuação do Danny neste episódio, mesmo com a petulância para cima do Doctor. Ele foi aprovado pelo Time Lord, só que ao contrário. Achei muito querido da parte dele se preocupar com Clara e aconselhá-la de que seu companheiro de aventuras não é tão legal quanto aparenta. É aquela velha questão de que quem está de fora de uma situação consegue enxergá-la melhor. A companion remedia o comportamento do 12º Doctor desde o começo da temporada, dando desculpas atrás de desculpas, e Danny não pagou de idiota. Ele foi valente em provocar o alienígena ao ponto de perder as estribeiras e liberar o lado nem um pouco amigável do tal zelador. Agora que Danny conhece o inusitado afazer da namorada e arrasou na pirueta destruidora para cima do Blitzer, acho que podemos dar a ele oficialmente o status de companion.

 

Não vejo a hora de vê-lo embarcar na TARDIS! O personagem será útil por causa do faro militar e o conflito da presença dele só acontecerá se houver uso de armas, mas acho que Clara apaziguará os ânimos do 12º quando isso acontecer.

 

Preciso dizer que morri de amor quando Clara se declara. A expressão do Danny foi impagável. O que marcou na interação dos dois neste episódio foi a promessa, que mais serviu de aviso, que o teacher jogou nos ombros da namorada. Sabemos que essa versão do Doctor não tem a melhor vibe. Ele oscila entre milhões de humores, é individualista e frio. Querendo ou não, o Time Lord também é um soldado, mas acha que não é por não usar armas de fogo. Sem contar que essa versão é mais alienígena em comparação ao 11º. É fato que, em qualquer figurino, o personagem atiça nas/nos companions o desejo de contribuir, de se jogar na bagunça, de se envolver da cabeça aos pés. Algo muito bom, porém, cheio de riscos. Danny foi sábio ao avisá-la sobre determinadas circunstâncias e a resposta dela me preocupou bastante.

 

Clara não foi decepcionada e deixada na mão… Até quando? Por essa e outras que o bonitão embarcará como companion. Só espero que o futuro desses dois não seja à la os Ponds. Não posso com mais um shipper afundando em algum canto do universo.

 

Missy reapareceu, a melhor coisa do episódio. Em poucos minutos, conhecemos o check-in rumo à Terra Prometida. Não vejo a hora desse plot destrinchar. A senhora do Paraíso não pareceu nem um pouco feliz e quero muito saber o por quê. Não consigo viver com as reticências ao redor dessa personagem.

 

Já está permitido esquentar as turbinas desta temporada de Doctor Who.

Stefs
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