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22/set

Este foi aquele episódio sem grandes incógnitas para refletir. Já começo a sentir falta das súbitas aparições da Missy, algo que não acontece desde a semana passada. A trama ofereceu de tudo um pouco e atingiu o patamar de mero entretenimento. Algumas cenas até que me deixaram tensa, mas, no geral, as coisas fluíram sem grandes impactos. Dessa vez, o Time Lord não estava com tantas dúvidas na cabeça, nem esbaforido, nem com a língua ácida. Acredito que agora quaisquer apresentações com relação ao 12º serão deixadas para trás, pois o tempo de aceitação já passou. Ficou implícito desde o episódio passado que o objetivo agora é mostrar como esse personagem funciona dentro de uma aventura, de um jeito que os traços mais marcantes da sua nova personalidade sejam destacados. Acima de tudo, acredito que a preocupação atual é melhorar, e quem sabe aprofundar, a dinâmica dele com Clara.

 

Como de praxe, o Time Lord começou o episódio empolgado na casa da companion, praticamente implorando para que ela cancelasse o segundo encontro com Danny. São nesses momentos com Clara que o 12º me lembra bastante do 9º, observador, resmungão, admirado por qualquer artefato humano e sempre surpreso com os comportamentos dessa raça que insiste em salvar. Racho horrores com as implicâncias dele para cima da garota.

 

Trollagens à parte, o Doctor nem teve tempo de escolher a nova aventura, pois a TARDIS se incumbiu disso. Um simples telefonema foi o bastante para engatar a trama que não demorou a mostrar o seu potencial (e ela não me surpreendeu tanto). O suspense que pesou no começo do episódio tencionou as coisas, especialmente por causa da figura chamada O Arquiteto. Posso dizer que achei essa cena meio Jogos Mortais? Quando o vídeo roda na sala, lembrei na hora desse filme. A voz distorcida e o “siga as instruções se quiser sobreviver” (não exatamente com essas palavras) foi muito Jigsaw. Isso me deixou presa na cadeira por imaginar o pior, mas era apenas um convite para roubar o banco mais seguro da Galáxia, o Karabraxos. Quem diria que o Time Lord pagaria de ladrão, né? Pena que a conclusão da trama revelou que a situação não passava de uma tremenda pegadinha.

 

Nessa enrascada, conhecemos Psi e Saibra, personagens que contribuíram para a entrada no banco, na companhia do Doctor e da Clara, à la 11 Homens e 1 Segredo. Conforme a trama avançava, não teve como não perceber que tudo se desenrolou com perfeição. Tudo muito bem arquitetado pro meu gosto, e isso incluiu a falta de conflitos (houve alguns, mas bem fraquinhos). O grupo não tinha a menor experiência no que fazia e simplesmente arrasou do começo ao fim. Ninguém parecia alarmado em morrer. Fiquei no chão quando o 12º berra o quanto odeia o criador da tramoia e se revela como tal. O plano não passou de uma viagem no tempo combinadinha, que não daria tão certo se não fosse bolada justamente por um Time Lord. Caso contrário, era bem capaz dessa turma ter tido o cérebro transformado em sopa.

 

Cada um dos envolvidos não teve como missão sair dali com uma maleta de dinheiro. O objetivo era realçar – de novo – as qualidades e os defeitos do Time Lord no desenrolar da ação. Saibra disse que era a primeira vez que conhecia um homem bom, sendo que o Doctor não tem essa certeza sobre si mesmo. Psi não cansou de chamá-lo de um desapegado profissional, uma ideia que vem desde o 8×01. Clara representou os sentimentos humanos que o personagem tanto despreza, a apaziguadora que tentou a todo o momento justificar as atitudes frias do seu companheiro de viagem. No fim, o 12º quicou e confrontou a ideia de que se odeia. Por mais que a entonação tenha sido de brincadeira, achei o desabafo muito pessoal.

 

Esse detalhe pode ser levado para o lado bom ou ruim, pois o Doctor declarou em voz alta o quanto odeia o Arquiteto e seu lado manipulativo. Saibra disse que o odiava também, mesmo agradecida pela mistura que a tornaria humana. O Time Lord pode se achar genial, autossuficiente e o líder de qualquer situação, mas ele não confia no próprio self. Isso ficou evidente ao recusar o “convite” de ver Saibra se transformar nele.

 

Os envolvidos na trama tinham personalidades das quais o 12º refuta. Psi, o entusiasta da ideia de proteger as pessoas que ama. Saibra, a que tinha perdido a fé de encontrar um homem bom. Clara, a emocional que vê, na medida do possível, o lado bom dos humanos e dos alienígenas de dois corações. No meio desse trio, o Time Lord sambou e pisou ao anunciar que trabalha com prioridades. Da mesma forma que aconteceu no 8×02, o personagem confrontou sua moralidade, como salvar alguém em perigo só depois dos berros de Clara.

 

O episódio frisou muitos sentimentos, desde culpa até sacrifício. No meio do caos, deu para notar que esse Doctor trabalha do avesso. É como se o personagem tivesse que perder para abandonar as tais prioridades. Enquanto der, ele segue na poker face. Ainda bem que temos Clara que firma cada vez mais o seu papel de consciência do Time Lord. Este episódio e o anterior deram foco na dinâmica dos dois e já deu para notar que ela é a petulância humana que o 12º não é fã. Se formos pensar no Eleventh, ele saberia muito bem o que fazer dentro de uma situação dessas e é bem fácil imaginá-lo dando saltinhos de alegria diante da chance de roubar um banco. Acima de tudo, o 11º não deixaria ninguém para trás. No caso do Twelfth, Clara precisou empurrá-lo para fazer o que é certo.

 

Outro sentimento citado foi o ódio, a possível razão da descrença do Doctor em não se achar um bom homem. Uma razão que caiu por terra quando ele se revela o mestre do plano, mostrando que de 100% alien não tem nada. Confesso que esperava mais da conclusão. Quando o Time Lord quase chora ao estar em contato telepático com o Teller do banco, imaginei que o tal bloqueio fosse de mais uma lacuna do passado que o atormenta. Pareceu uma atitude dominada pela culpa. Do quê? Bem…De muitas coisas, claro. Almejei por algo mais estrondoso, de verdade. Contudo, foi bacana ver, pela primeira vez, o 12º sendo altruísta, salvando o Teller do cofre. A atitude derreteu meu coração. Não há como negar que é sempre lindo quando o personagem dá uma dessas.

 

Para concluir, tenho que dizer que Keeley como Madame Karabraxos estava maravilhosa. A personagem humilhou a clone, uma atitude que serviu de reflexo para mostrar o quanto alguns seres humanos (ou alienígenas e afins) não possuem nem um pingo de respeito por si mesmo. Como se o self fosse totalmente descartável. Ela mostrou o mesmo asco que o Doctor sentiu pelo tal Arquiteto, como se ele fosse digno de ser anulado. Foi uma jogada bem legal.

 

Este é aquele episódio difícil de julgar porque não teve nada de mais, a não ser uma edição incrível e um apelo de entreter. Simplesmente foi uma corrida contra o tempo à procura de algo que não foi revelado, nem muito menos mencionado. O grupo tinha que roubar, mas o motivo só apareceu no final. Esperava mais. A história correu naturalmente, sem altos e baixos, e trabalhou o ditado de que nem tudo é o que parece. Um ditado que, claro, rebateu diretamente no Doctor. A trama valeu por fazer do retrocesso seu maior apoio, a incógnita que se manteve firme até o final.

 

Semana que vem, prevejo uma dose grande de nostalgia.

 

PS: para não dizer que foi tudo em vão, a mulher da loja foi mencionada de novo. O 12º disse que poucas pessoas teriam o número da TARDIS. Cadê a iniciativa para caçar essa pessoa?

Stefs
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