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16/set

Complicações. Uma das partes que tem muito a ver com a corrida atrás de um sonho, mas que, por alguma razão inexplicável, nunca entra numa roda de conversa. Ninguém quer contar o quanto penou para conquistar algo. Todo mundo quer falar da conquista. Apenas dela. Afinal, não há prazer melhor que se vangloriar depois do suor que deve ter sido cruzar um trajeto cheio de curvas estreitas, assistido por um abismo sempre pronto para lhe abocanhar.

 

Ninguém fala da parte difícil porque só queremos saber da parte fácil. E da comemoração.

 

Dentre tantas complicações, ninguém fala de um duelo essencial, aquele que pega muitos de surpresa na hora de perseguir aquilo que se tanto almeja: a briga consigo mesmo. Não é apenas uma briga, aquela que te deixa de cara por alguns dias. Não, senhor! É uma treta escabrosa, daquelas que dá vontade de virar a mesa, jogar qualquer coisa de valor pela janela e gritar acabou! Uma treta digna de causar inveja a qualquer fim de relacionamento.

 

Ninguém fala da propensão de querer se separar de si quando as curvas ficam cada vez mais estreitas. Você começa a sentir comichões por toda a parte do corpo, como se estivesse imerso em uma banheira com ácido. Você quer arrancar a pele por não aguentá-la mais. Você não se suporta por estar tão cansado e tão farto… Tão confuso que, se pudesse, mandaria você mesmo ser recolhido junto com os sacos de lixo que sua vizinha larga perto do poste.

 

Nunca aprendi tanto sobre eu mesma desde que optei em dar uma pausa para abraçar algo que tem tudo a ver com a minha sobrevivência. Nunca aprendi tanto sobre meu humor, sobre meu emocional e sobre minha visão com relação a determinadas pessoas ao focar somente no meu sonho. Isso é bom e ruim. A dualidade do meu gênio aflorou meu pior inimigo: eu mesma.

 

Durante os dias de tortura pessoal, bati com dois textos que me cativaram pelo título. Um deles dizia: siga o seu por que e não o seu o quê. O outro: ninguém pode fazer a sua parte. A minha treta pessoal sempre é a das mais intensas. Daquelas que a mágoa dura por dias. Todos os complexos me consomem. Há a divergência entre passado e presente, o primeiro atrito que sempre encontro antes mesmo de chegar perto de qualquer curva. Essas incertezas sempre tendem a me aproximar do abismo. Mas eu contorno, duramente, todos os dias, porque acredito que lá no final do trajeto encontrarei meu pote de ouro e me banharei com ele.

 

O duelo contra si mesmo, dentro da temática de correr atrás de um sonho, tem muito a ver com o por quê, como também tem muito a ver com a expectativa dos outros. Lá no fundo, eu sei que alguém descrê de mim, pois meu sonho para esse alguém é uma babaquice. É fácil dizer ignore-os. Quando quero arrancar minha pele, esse alguém é meu impulso para evitar qualquer combate. Às vezes, funciona. Outras, nem tanto.

 

Se há uma falha na humanidade que me incomoda é essa: poucas pessoas apoiam o sonho do próximo. Se há uma coisa que acredito é que um alguém pode ser responsável em destruir o sonho de outro alguém. Como se sonhar, bem como ser feliz, fosse uma forma de agressão, um crime. Quem não sonha não gosta do sonhador, e sempre o trata com desdém e descrença. Por isso, nesse isolamento, aprendi com quem compartilhar os meus sonhos.

 

Ninguém fala, mas é do acreditar que outros sonhadores precisam. Não é do sorriso cético e nem do argumento de deboche. O mundo já está cheio de azedume. Pra que mais disso?

 

Toda vez que penso nisso, me lembro dos rostos que via tanto na ida como na volta do trabalho dentro de um vagão de metrô. Muitos eram infelizes porque, talvez, se conformaram com a impossibilidade de sonhar ou porque estão cansados da luta, convencidos de que desta vida não há mais nada. Isso é triste porque qualquer um tem direito de sonhar e de correr atrás de algo que os complete. Não importa o desejo, se é pra ser feliz, que mal tem? Tenho certeza que veria mais sorrisos em uma manhã de segunda-feira. Tenho certeza que muitos seriam mais felizes se alguém apenas lhes dissesse: siga em frente.

 

Meio mundo já está cansado do “faça o que você ama”, mas, se não o fizermos, seremos mais um na coleção de rostos tristes em um vagão de metrô. Alguém quer isso? Acho que não.

 

No processo do sonhar, há sonhos que precisam ser deixados para trás, como há outros que valem a pena o esforço. Este post nasceu quando cheguei à beira do abismo, prestes a anunciar meu divórcio comigo mesma e do meu sonho. Já na berlinda, encarei tudo que fiz. Olhei bem. Daquele jeito de fim de temporada em que você é responsável pelo cliffhanger e ele precisa ser daqueles que chocam. Senti até as respirações pesadas na minha nuca por causa do peso do que viria a ser uma decisão final. Estava com a cabeça feita em deletar tudo. Refleti, analisando cada parágrafo, cada diálogo, cada personagem… Olhei para o calendário e percebi que este mês completará 2 anos que trabalho no meu sonho.

 

No fim, concluí que nem tinha entrado na curva mais tortuosa para choramingar e pedir arrego. Eu ainda estou sondando a borda.

 

Concluí também que sonhar não deixa de ser uma experiência. Perdi as contas dos tapas que recebi em meio a essa jornada.

 

Por isso, nem todos falam que ir atrás do sonho é complicado. Acima de tudo, exaustivo, especialmente os de longo prazo. Passei dias pensando se ainda valia a pena por ser um sonho imprevisível. Um sonho que precisa de muita paciência, bem como energia e disposição. Percebi que não é errado admitir que está difícil. Nem ignorar o desejo de desistir e de se jogar do abismo. Isso é bom porque me faz retroceder e entender porque escolhi esse sonho. Percebi que não é brincadeira querer uma única coisa e ver que você mesmo é o responsável por todos os perigos iminentes. Que você é o inimigo crucial que pode botar tudo a perder.

 

Ninguém fala que lutar por um sonho é o mesmo que lidar com o lado sombrio de si mesmo.

 

Ninguém fala que ir atrás de um sonho é o mesmo que se desprender de si mesmo.

 

Ninguém fala que querer um sonho realizado é o mesmo que liberar aqueles demônios que só se revelam quando se está sozinho.

 

Ninguém fala que abraçar o sonho é o mesmo que viver em um constante agridoce.

 

 

Poucos falam que sonhos são incógnitos. Você nunca sabe se darão certo.

 

Eu gostaria de chegar um dia e dizer: pessoal, deu certo, cerveja por minha conta! Porém, por enquanto, só faço a minha parte. Afinal, ninguém tem as minhas ideias, a minha paixão, o meu passado, o meu presente, nem muito menos o meu futuro… Nem meu talento, seja qual for.

 

Ninguém pode fazer a minha parte. Só eu mesma.

Ninguém pode fazer a sua parte. A não ser você mesmo.

Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • heyrandomgirl

    Simmm, precisamos acreditar em alguma coisa ou essa vida fica totalmente perdida! Minha intenção é dar apoio e desabafar, porque vou te dizer: É OSSO! E acho que sempre estimula alguém :S

    Não desista, prima! O importante é fazer sua parte todos os dias e ir dormir com uma bela dose de satisfação. Insegurança tem, mas é escolha particular chutar o balde ou não. Por enquanto, tô na curva. Vc fique tbm.

    Força aí <3

  • heyrandomgirl

    Cansa desafiar a gravidade, né? Mas temos que continuar de cabeça erguida.

    Simmmm! Pior que falei um pouco disso com ela ontem quando fomos embora. Estamos no mesmo barco por causa das nossas paixões que, no Brasil, são um pouco mais difíceis, especialmente quando não se tem tanto dinheiro para investir. É muita exigência de mercado pra pouca coisa. Sem contar que há pessoas que sobem por QI e vc que se mata não ganha nem metade do reconhecimento. É complicado demais, sem dúvidas.

    Todas as vezes que desanimei poderiam equivaler a uma pausa no boteco mais próximo e ficar de porre pra esquecer. Hahahaah Eu já tô preparada para o próximo estágio de desistência…

    Todo mundo tem que persistir em algo, ainda mais quando tem muito a ver com realização pessoal. Longe de ganância, de status e afins, de um desejo de si só para si. É um caminho para ser feliz. <3

    Obrigada pelas palavras, sua linda <3

  • heyrandomgirl

    Vc refletiu mesmo hein, mammy? Hahahah Amei suas palavras <3

    As dificuldades existem, eu estava consciente de algumas coisas, mas sempre há os detalhes e são justamente eles que me pegaram de surpresa. É a incerteza de apenas ir e não saber onde vai parar. É essa a parte que mais me breca porque acho que faço muito, sendo que corro o risco de ter perdido tempo. Eu contesto até a fé que tenho no projeto, por mais que acredite que ele seja bom, impactante e tudo mais. Porém, são as caraminholas da mente (outro detalhe que é combatido o tempo todo).

    Encontraremos esse pote e dançaremos Macarena banhadas de dourado <3

  • Thuany Ramella

    Assim como em uma conversa de boteco, quando sonhamos com algo que queremos muito, não damos importância para as dificuldades que vamos enfrentar, só queremos saber da conquista. Do pote de ouro no final do arco-íris.
    Às vezes eu penso que não vemos por que não queremos, pois quando começamos a trilhar o caminho dos nossos sonhos temos consciência de algumas dificuldades que teremos, e nem por isso deixamos de seguir em frente. Mas na hora do aperto, a primeira desculpa que vem a mente é "eu não sabia que seria assim tão difícil". Sabia, sempre soube. Porém, no começo do caminho não tínhamos nenhum conflito, não pensávamos no "e se".

    O que nos falta no meio do caminho são palavras de incentivo, como você disse, mas também falta a fé naquilo que queremos.
    A fé, segundo o dicionário Michaelis, é, entre outras coisas, a "4 Fidelidade a compromissos e promessas; confiança: Homem de fé."
    Se temos fé no nosso sonho, não existirá conflito. Não existirá medo. Não existirá incerteza. Só existirá a confiança de que vamos conseguir!

    Acho que o que eu acabei de escrever aqui serve mais como um lembrete para mim mesma, do que um comentário propriamente dito sobre o post. (sorry, hahahah).
    Aparentemente estamos na mesmo vibe, again!

    Continue seguindo nessa direção, você está no caminho certo e don't give up! Você vai conseguir chegar ao seu pote de ouro :)

  • Isis Renata

    desafiando a gravidade, já dizia a música, minha cara!

    de fato, a palavra sonho remete a coisas boas (graças a Deus), mas ele envolve esforços e fé. Como você mesma escreveu, sonhos de longo prazo requer paciência, dedicação e um auto renovar sempre.
    Você que passou um dia com a Pati, não sei se ainda teve algum papo assim com ela, mas o sonho dela é Cinema, em um Brasil em que vamos ser sinceros "onde realizar esse sonho". E ela desanima tão fácil quando anima. Vai e volta, respira e inspira. Vai tentando, vai achando que não vai dar certo, e os anos vão passando.

    Mas embora difícil (não impossível), eu sempre acreditei no potencial dela (e ainda acredito). O mesmo vale para o teu, (que acredito fais tempo ein rs > sou suspeita, mas sincera). Acredito que a Pati e você tem esse empasse em comum. Esse auto cobrar-se e perguntar-se se isso tudo vale mesmo essa dor. e por mais clichê que pareça > Vale sim e vale Muito

    São pedaços de você mesma contornando um mundo todo, deixando sua marca, e aprendendo com isso.
    é encantador demais quem persiste num sonho
    os persistentes já são vitoriosos por si só ♥

  • Eu AMO qdo vc faz esses posts, prima. Parece que tá aqui, segurando minha mão, falando comigo. Eu tb tô passando por um momento de renovação, me permitindo, tomando novos rumos, voltando a escrever com o maior gás, tocando o blog, vendo que Yes, I can! rsrs Td isso e as decisões que já tomei firmemente na minha cabeça para o ano que vem tb têm a ver com querer acreditar no meu sonho, que é igual ao seu. Não desistir nem deixar a vida soterrá-lo é minha meta. Continue escrevendo isso, tds precisamos acreditar!