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22/set

Faz muito tempo que não publico algo sobre o universo da escrita (ou comento alguma coisa sobre o We Project). Acho que toda vez dou o mesmo discurso, mas tentarei ser mais presente diretamente do quarto do escritor. É pra glorificar de pé… Ou quase!

 

Em minhas passeadas pela internet, encontrei um artigo bem legal e resolvi fazer meio que um “especial” sobre alguns pontos “essenciais” para a vida de qualquer aspirante a escritor. Identifiquei-me horrores com algumas dicas e as trouxe ao Random Girl.

 

Karen Wiesner é quem as assina, autora do livro First Draft in 30 Days (algo como Primeiro Manuscrito em 30 Dias ou Esboço/Rascunho). A proposta dela é “ensinar” como escrever um livro em um mês, porém, não é essa a intenção deste post (e nem dos futuros). Tenho que dizer que muitas pessoas acham impossível ter um manuscrito em tão pouco tempo, mas, se serve de consolo, Veronica Roth foi bem rapidinha ao transformar um plot em capítulos da trilogia Divergente. Não se trata de uma meta impossível, pois escrevi os dois primeiros manuscritos, das duas primeiras partes do We Project, em 2 meses. Não que eu seja referência, até porque nem sou publicada, mas acho que o comentário serve de estímulo.

 

O 1º manuscrito nunca chega a ser o definitivo (a não ser que você tenha o dom). Ele é o início de uma jornada que tende a durar meses ou anos. Estou com o WP há 2 anos, vejam bem.

 

A meta deste e dos posts futuros é apresentar processos que podem ser aderidos na rotina de escrita. As dicas da Kate são divididas em 6 estágios, alguns muito úteis para quem quer se aventurar e criar um enredo original. O intuito da autora com esses 30 dias é ajudar o escritor a ser sistemático, autodisciplinado e produtivo.

 

Hoje, comentarei sobre o primeiro que é o outline.

 

 

Vou falar resumidamente do outline. Ele é o ponto de partida para muitos que iniciam uma história, independente do gênero ou do tempo que será despendido para escrever. É o que chamo de tratado de compromisso feito entre você e os plots para que a escrita aconteça de um jeito organizado. De um jeito que você saiba o que precisa escrever. É um plano, o espelho, o seu controle do que é preciso inserir ou tirar da trama.

 

Para um livro de 30 dias, Wiesner afirma que o outline deve ser bem resumido. Pensando no 1º manuscrito, ele pode ser longo, cheio de detalhes, rabiscos e desenhos. É onde se colocará todas as ideias. Por meio dele, você descobrirá muito da própria história e verá que nem tudo o que foi pensado seguirá a mesma linha de raciocínio. O importante é não se apegar ao esboço, pois, conforme se escreve, o outline receberá ou perderá informações, o que é normal. Há escritores que veem esse “índice” como parte essencial do trabalho, pois é nele que constará o ponto de partida do enredo, personagens e afins. Há quem o use só para os capítulos, como uma espécie de roteiro para não fugir tanto do que foi pensado.

 

Sabem o sumário de uma monografia? É um belo exemplo de outline. Durante as reuniões com o orientador, você apresenta o esqueleto do que viria a ser o TCC e, no final, vê milhões de alterações. Com o outline não é muito diferente. Ele será reavaliado dia após dia, pois a história tende a não seguir o caminho que foi planejado. Eu posso confirmar isso. Nunca vi algo mudar tanto como o We Project. Tanto no quesito trama, como na quantidade de personagens. Hoje, tenho um outline monstro.

 

O outline é uma decisão pessoal. Não é obrigatório. Há quem escreva sem precisar de um, o que acho bárbaro. No começo, não cheguei a fazer um esqueleto do WP. Deixei a história me levar. Foi um conhecimento de território. Quando soube o que queria, comecei a rascunhar e isso se tornou um hábito. Eu considero meu 1º manuscrito o meu outline. A partir dele, passei a organizar fielmente minhas ideias.

 

Outline da Rowling para Harry Potter e a Ordem da Fênix. Sintam o drama!

 

A parte mais importante e que não deve ser ignorada: um outline é alterável. Porém, de acordo com Wiesner, é provável que isso aconteça ou a cada capítulo escrito ou no final do manuscrito – se você for daqueles que simplesmente escreve tudo para depois fazer uma releitura e definir o que precisa acrescentar ou retirar. A mais pura verdade! A dica dela é ter um esboço inicial que capture toda a essência do livro. O que você quer transmitir, o plot central, o caminho do protagonista, os subplots, etc.. Não precisa ter dó de rabiscar e começar de novo. O ponto positivo é que você verá como sua história amadurece. Admito que morro de vergonha do 1º manuscrito do WP, mas isso não quer dizer que não peguei algumas ideias e trechos para escrever o 2º.

 

O outline é o trabalho de design dos escritores. Ele será o norte, não só no quesito trama, mas também para controlar a quantidade de trabalho. Na sua mente, a história pode pedir 7 livros para dar conta da trama, mas o esboço pode indicar que 3 volumes são o bastante.

 

Com o tempo, vi que escrever um livro é desafiador. Não é como fanfic. É difícil, ainda mais quando você tem um plot que se divide em incontáveis subplots. Você precisa ser cuidadoso para amarrá-los, sem perder nada, e isso é uma das partes desse trabalho que exige muito cuidado. Não é apenas sentar e colocar os dedos para sangrar no teclado. Ao menos, para mim não é, pois preciso planejar tudo, nos mínimos detalhes. Sim, sou meio control freak. Tenho a mania de escrever muitas coisas ao mesmo tempo (minha mente não para).

 

Quem só vive de ideias e nunca enfrentou o Word pode até ter um pouco de dificuldade em elaborar um outline. Passado o drama, as coisas tendem a fluir com um pouquinho mais de tranquilidade.

 

Alguns pontos que você precisa fazer/descobrir antes do outline

 

É permitido chorar, ok? Só não rasgue o outline.

 

Esse é aquele momento em que dou uma dica pessoal. Quando saí do emprego para me dedicar aos meus projetos literários, tive um pouco de dificuldade de acertar meus horários. Na primeira semana, achei que não rendia nada. Era uma impressão causada pela minha antiga realidade de trabalhar e escrever, sem contar a manutenção do blog, o que me dava semanalmente uma pilha de coisas para fazer em curto espaço de tempo. Entre 2012 e 2013, casei 3 “jobs”. Isso me fez dormir pouco porque produzia demais. Isso me deixou indisciplinada e surtada por não saber mais das minhas prioridades.

 

Quando me vi com todo o tempo do mundo, não só para escrever como para cuidar do blog, pareceu que não tinha nada para fazer e isso começou a me preocupar. Bizarro, né? Pura verdade. Fiquei com algumas horas vagas, sendo que antes não sobrava nada. Fevereiro foi meu mês mais difícil, pois fiquei muito nos “testes” da nova rotina. Ciente de que meu melhor horário para escrever é de manhã, comecei acordar às 9h30. Depois de 1 semana, achei um péssimo horário e mudei o despertador para às 9h. Até que me vi de pé às 8h. Resolvi imitar o horário comercial que eu tinha quando trabalhava. No caso, das 8h às 17h. Isso incluiu os projetos literários e as coisas do blog. Deu certo? Não. Porque mudei de novo a rotina.

 

Meu maior defeito sempre foi escrever demais e deletar metade do que fazia em um dia. Aprendi que precisava ter limitações na quantidade de capítulos. Percebi que um dia sim e outro não era um meio para eu pensar melhor no que viria a seguir. Quando trabalhava, minha tendência de ficar frustrada era muito maior, pois escrevia demais, como se tivesse uma arma na cabeça, e raras vezes gostava do resultado. Lembro-me que tirei míseros 5 dias de férias para terminar a 2ª parte do WP. Fiz 10 capítulos (ele já estava encaminhado) em 1 semana. Por ser uma história muito complexa e cheia de retrocessos, aprendi a pausar a força e isso ajudou a aumentar minha ansiedade para escrever. Com isso, parei de ficar irritada.

 

Eu já cheguei a cronometrar quantas palavras escrevo em 30 minutos, algo que fazia alguns dias da semana enquanto trabalhava para que a história continuasse a fluir. Isso é válido para quem tem o mesmo toque que eu em só parar diante de um capítulo concluído. Há quem impõe um deadline. Eu sigo a regra do Stephen King de não trabalhar no mesmo livro por mais de 3 meses. Pensar assim me ajudou a organizar meu calendário.

 

Escrever é um trabalho como qualquer outro. Requer amor e paciência. É um caso de amor dramático. Por isso, você precisa estar disposto a ficar ao lado da sua história e se permitir ser atormentado por ela. É importante saber os melhores horários e respeitar o seu ritmo. Como tenho tendinite, também aprendi que o tal dia sim e dia não é muito útil, pois, quando as mãos doem, eu perco uma semana de escrita. Assim não pode!

 

É preciso pensar no clichezão antes de sentar e escrever: horário, espaço ideal, quantidade de trabalho por dia e o que mais achar conveniente. Nada mais chato do que se sentir desconfortável antes, durante e depois da escrita.

 

Semana que vem, tratarei o outline mais a fundo. Qualquer dúvida, deposite um comentário <3.

Stefs
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  • Uau! Cheguei no seu blog procurando ler um pouco sobre outline e já virei leitora. Muito bom post, Stefs! Vou dar uma lida no seu material sobre processo de escrita. :)