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12/set

Os posts estão meio lentos esta semana por causa da tendinite. Desafiando a dor, não podia deixar para mais tarde meus comentários sobre Chicago Fire (e depois sobre Chicago P.D.), série que resenharei aqui no Random Girl (e que está prestes a voltar para aquecer meu coração). Nunca imaginei que ficaria tão viciada ao ponto de assistir as temporadas mais de uma vez. Eu já não consigo mais ter uma vida separada dessa família de bombeiros.

 

Meu relacionamento com Chicago Fire começou cheio de relutância e admito que esse sentimento se dissipou por causa de Chicago P.D.. Fiquei tão apaixonada que parei de acompanhar Voight e Cia. para conhecer a família do 51º Batalhão. Demorei bastante para mergulhar nesse universo por ter uma certeza – meio estranha – de que a série seria cancelada. No meio de tanto plot cheio de detetives, quem iria se interessar por bombeiros? A premissa aparentava ser a mesma de sempre, sem diferencial. Inclusive, a desconfiança era ainda maior por ela ser transmitida pela NBC, canal que raramente estende um programa por tanto tempo. No final das contas, me surpreendi e me apaixonei.

 

Chicago Fire estreou em 2012 e conta com 2 temporadas de 24 e 22 episódios respectivamente. Michael Brandt, Derek Haas e Dick Wolf são os responsáveis em me dar uma nova família televisiva que me deixa preocupada depois de 40 minutos de tapas na cara. Enquanto uma série adolescente se resume a um plot + romance, Chicago Fire chuta para todos os lados. É um drama diferente a cada episódio. Há novidades e reviravoltas o tempo todo, impactos constantes que fazem rir e chorar. Por mais que tenha um plot principal, os subplots a sustentam. É onde se mantém o interesse. Juntando tudo isso, o saldo final foi ver minha nobre pessoa destruída por essa série, de um jeito que não sei explicar, só sei sentir.

 

Balanço das temporadas

 

1ª temporada

 

O primeiro ano de Chicago Fire foi a fase de testes. Isso desde o piloto. Digo isso porque a temporada começou de um jeito e seguiu um caminho completamente diferente. O ponto de partida é o falecimento de Andrew Darden, um fato que muda toda a rotina do 51º Batalhão, especialmente as relações entre Matt Casey e Kelly Severide. A princípio, fica a entender que os dois possuem uma rivalidade. Dá até para captar que essa foi a proposta inicial da série, mas, no fim, não passa de uma estranheza mútua por causa da perda de um amigo em comum. Ambos começam a ter problemas de lealdade devido ao ocorrido.

 

Em meio aos cutucões, as indiretas e as tretas desses dois, eis que conhecemos Peter Mills, o personagem que ganha mais destaque por causa do pai bombeiro, a razão que o inspirou a seguir a mesma carreira. Grande parte da trama se desenrola tendo-o como norte e pelos olhos dele descobrimos que ninguém ali é santo. Nem a chefia. Peter entra na zona de tiro, é caçoado por ser novato, e seu conflito é mostrar que tem valor.

 

Gabriela Dawson e Leslie Shay são as paramédicas que acompanham os homens da casa que as tratam com tanto amor que dá inveja. Dawson é duro na queda, chefe da ambulância e não tem papas na língua. Shay é homossexual, sentimental e ingênua, e melhor amiga do Severide. Admito que as duas irritam em alguns momentos (são mulheres e mulheres têm TPM), mas não dá para não amá-las. Ainda mais por serem tão amigas.

A 1ª temporada é focada na apresentação dos personagens dentro do caos diário que é ser responsável por salvar vidas. Conhecemos quem faz o que, onde mora, qual é a vida fora do 51º Batalhão, os elos de amizade e onde o calo aperta. Não há tanto aprofundamento de trama, embora o que é mostrado seja o suficiente para deixar o coração na mão. O viés é muito pessoal e os chamados semanais possuem certa individualidade (daquele jeito que termina e ninguém mais fala sobre o assunto). São 24 episódios de puro conhecimento e é aqui que começam os primeiros indícios do que viria a ser Chicago P.D..

 

2ª temporada

 

Família é a palavra de ordem, por vezes meio que deixada de lado, pois o lar está prestes a cair. Em outras palavras, o 51º Batalhão corre o riso de ser fechado. Todo mundo está no auge do estresse, as emoções falam mais alto e novos atritos se iniciam. A turma precisa dar conta do recado enquanto lida com a falta de verba. Sem contar que geral está com a cabeça na berlinda diante da possibilidade de transferência. Essa situação testa a união dessa equipe que não consegue fugir muito bem do rótulo de pertencer a um batalhão problemático, cujos membros misturam pessoal com o profissional e são chefiados por uma pessoa meio maleável.

 

Essa é a temporada que acontece muitos conflitos dentro e fora do Batalhão. Dawson e Shay têm a amizade testada, Severide conflita com um dilema que dá gancho para Chicago P.D., e Casey lida com as consequências de um pequeno acidente. Há um debate sobre o papel da mulher como bombeira, um detalhe impulsionado pelo sonho de Dawson em assumir essa profissão. Alguns personagens que ficaram no background ganham espaço na trama, como o fofo do Otis. É uma season muito, muito intensa. Os chamados semanais tendem a ser mastigados, porém, nem um pouco fáceis de digerir. No 3º episódio já estava aos prantos.

 

Para sair um pouco da rotina, há personagens novos, alguns rostos são de Chicago P.D., como o Jesse Lee Soffer (aquele lindo do Halstead) e Sophia Bush, e muito romance. E, claro, perigo de morte. As storylines são reflexivas e mostram o interesse de todos em não repetir os erros da temporada passada. Até o Comandante entra nessa vibe, o que acarreta em um subplot cativante (Mama McCall sendo linda até nessa série, socorro!).

 

Cada episódio desta temporada é um soco no estômago. Levei cada susto que vocês não fazem a menor ideia. Minha irmã deveria ter gravado um vídeo da minha cara nos minutos finais do season finale (Stefs: no, no i can’t, i can’t, no, no, no, make it stop #ElenaGilbertFeelings).

 

O nível da 2ª temporada é muito superior ao da 1ª, cheia de reviravoltas de última hora. Sem contar que ocorrem os poderosos crossovers com Chicago P.D..

 

Por que Chicago Fire é awesome?

 

Chicago Fire não é só sobre bombeiros e a importância dessa profissão. Muitas séries desse gênero se esquecem de um ingrediente fundamental: humanizar os personagens. Esse detalhe dá mais valor a todas as storylines e propicia uma visão dessas pessoas muito além dos uniformes e da missão de servir e de proteger. A trama se desenrola em um universo adulto, com situações condizentes. Quem nunca se envolveu com alguém do trabalho? Quem é que não ficou de cara com a amiga? Quem é que não quer se provar? Quem é que não quer arrancar os olhos do chefe? Em meio a um prédio incendiado, uma senhora empacada nos escombros ou um bombeiro em risco de vida, há problemas pessoais.

 

Mesmo com personagens acima dos 25 anos, as inseguranças, os medos e as intrigas continuam a existir. E são mais intensas. Não é porque saímos da adolescência que os dramas terminam. Eles continuam e tendem a ser piores. Ser bem-sucedido não é garantia de imunidade para outros perrengues, e essa turma é a maior prova disso. A trama é bem equilibrada entre vida pessoal e profissional.

 

Os cliffhangers (ah! cliffhangers!) aumentam o desespero para o próximo episódio. Adoro como as cenas transitam, nos guiando de um personagem a outro. Os diálogos são marcantes. A sensação de familiaridade bate forte. Os chamados semanais são chocantes e enlouquecedores. Você pode até detestar um personagem ou outro no começo, mas, quando menos espera, não tem como não querer pegar todos no colo e dar apoio moral. Quem me surpreendeu foi o Severide (um milagre porque não gosto dele), pois ele sai do cara mané para um homem responsável. Dizem as más línguas que o envolvimento dele com a Lindsay (Chicago P.D.) foi jogadinha de marketing para fazer o público assistir as duas séries, mas, independente disso, o bombeiro até que melhora.

 

Melhor que isso é ver cada personagem ter o seu momento. Todos brilham naturalmente com histórias tocantes e engraçadas que os tornam ainda mais queridos. O que encanta é a preocupação de mostrar que esses homens e essas mulheres, que ocupam uma profissão de risco, com altos níveis de estresse, são seres humanos. Todos são vistos como heróis, porém, mesmo com treinamento e regras, eles são falhos, até mesmo na hora de salvar vidas.

 

Cada episódio é um misto de alegria e de tristeza, e você mergulha nisso, segurando o coração para ele não sair quicando pelo chão.

 

Eu queria falar muito mais sobre a série, mas estragaria a surpresa. Vou deixar os spoilers para as resenhas da 3ª temporada, ok? Só saibam que, ao entrar nesse mundo, se preparem para altos e baixos avassaladores. Todo final de episódio deixa o gostinho de quero mais.

 

Sem dúvidas, é um teste cardíaco semanal.

 

Chicago Fire retorna no dia 23 de setembro.
Stefs
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