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29/set

Se eu pudesse definir o Joe Hill baseado apenas no seu primeiro romance, A Estrada da Noite, diria que ele é o seu pai desprovido do dom da enrolação. O escritor de 42 anos de idade é filho do Stephen King, apesar de ter tentado esconder as origens por alguns anos no começo da carreira, quando havia lançado apenas alguns contos. Ele confirmou sua identidade em 2007, mesmo ano em que foi publicado o livro desta resenha.

 

Eu fico imaginando se tudo isso não foi feito de caso pensado, porque o livro tem uma influência tão berrante do King que a palavra homenagem até vem em mente.

 

Teorias à parte, o Joe teve bons motivos para não usar o sobrenome da família. Eu teria feito o mesmo. Assim como o pai escreveu durante alguns anos sob o pseudônimo de Richard Bachman, para ter certeza que ainda sabia escrever, o filho quis garantir o prestígio com base no seu talento, e não no nome. Sorte a dele, não foi só a barba e o problema de visão que ele herdou, o cara sabe escrever.

 

O livro conta a história de uma lenda do rock (pense em Bruce Dickinson, Ozzy Osbourne, Tommy Lee…), Judas Coyne, que já está fazendo hora extra em sua carreira solo. Jude, como é chamado pela maioria das pessoas, é colecionador de itens macabros e se sente impelido a comprar um paletó de um morto em um leilão na internet. O paletó traz consigo o falecido dono, e aí que as coisas começam a desandar a passos rápidos – para o prazer de quem não suporta a famosa prolixidade do King pai.

 

 

Ler A Estrada da Noite é como assistir a um bom filme de terror, as cenas são objetivas, bem descritas, você acaba prendendo a respiração sem perceber. O ritmo do livro é muito bem marcado pela urgência do fantasma correndo atrás dos protagonistas. É como se o tempo todo houvesse um relógio correndo ao fundo. Há cenas bem grotescas, dignas do sobrenome King, além de uma temática irresistível para qualquer fã de terror, e uma referência à Torre Negra que é de glorificar em pé.

 

Eu esperava um final diferente, mas amei a conclusão da história do Jude como o Joe a escreveu. Fiquei muito curiosa para ler seus outros livros – O Pacto, de 2010, e NOS4A2, lançado no ano passado, além dos contos. Dei apenas quatro estrelas porque, apesar de ter gostado bastante do livro, achei que faltou algo a mais.

 

Talvez seja um algo a mais que eu esperei por ele ser quem é, já que é uma coisa inevitável de esquecer. De qualquer maneira, o Joe escreve muito bem e eu acredito que só tenha a crescer na carreira dele. Recomendo para qualquer um que goste de um bom terrorzinho.

 

 

Na Prateleira
Título: A Estrada da Noite
Autor: Joe Hill
Páginas: 256
Editora: Arqueiro

Mônica
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